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1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 27.08.2018

Qual o peso que a palavra “magra” tem na sua vida?

Não faz muito tempo, eu estava conversando com uma pessoa próxima que tem verdadeiro pavor de ter seu emagrecimento elogiado. No caso, ela tinha perdido alguns quilos de forma bem saudável e natural pela primeira vez na vida. Depois de anos sofrendo com os mais diversos transtornos alimentares, ali estava ela, emagrecendo porque finalmente estava se alimentando e se exercitando de forma mais consciente, e não porque precisava atingir objetivos externos. E cada vez que seu emagrecimento ela elogiado, ou alguém apontava que ela estava mais magra, ela estremecia.

Eu achava uma frescura. “Quem em sã consciência não quer ser chamada de magra?”, eu pensava. Até que ela me explicou melhor como cada vez que alguém fazia isso, crente que era um elogio, ela se transportava para aquele lugar de ansiedade vivido anos atrás, onde remédios que cortavam o apetite, laxantes e dietas restritivas praticamente mandavam na sua vida, onde a culpa e a sensação de fracasso pesavam tanto, independente do seu peso ou quanto ela já tinha emagrecido, sempre precisava perder mais. Para ela, ser magra para ser aceita sempre foi um lugar de sofrimento. Esse “elogio”para muitas é aquele famoso gatilho do qual tanto falamos. Ficou mais claro pra mim a importância daquele texto da Camilla sobre não comentar o peso das pessoas.

Eu conheço essa pessoa há muito tempo, sabia da sua relação conturbada com comida e corpo, mas eu nunca mensurei o tamanho da sua dor na fase da crise dos transtornos, da angústia por achar que nunca conseguira ficar boa, da ansiedade durante as consultas com o psiquiatra e de viver tudo isso enquanto a sociedade fazia uma enorme pressão “inocente” pela magreza. Retirei o que pensava imediatamente. E parei para refletir.

Aproveitei esse momento de reflexão e resolvi dar uma olhada no peso que a palavra “magra” tinha para mim, que nunca sofri de nenhum transtorno e nunca fiz loucuras para emagrecer. Percebi que desde que comecei a ouvir mais sobre a importância de não comentar o corpo alheio, parei de elogiar as pessoas pela magreza. No entanto a parte curiosa do meu processo de desconstrução é que descobri que de alguma forma eu ainda considero magra um elogio.

As pessoas não comentam muito sobre o meu corpo, mas morar longe e ficar muito tempo sem ver as pessoas faz com que comentários sobre ele sejam mais comuns do que a gente imagina.

Cheguei no Brasil e ouvi alguns “você emagreceu, né?”. Se emagreci de verdade, eu não notei. Não sei se o comentário foi feito só para ser um elogio simpático, mas foi aí que o momento patético aconteceu. Mesmo racionalmente eu sabendo que esse “elogio” não significa nada e não vai fazer nenhuma diferença na minha vida, o sorrisinho no meu rosto apareceu involuntariamente, assim como o sentimento de satisfação. Tenho certeza que a pessoa notou a briga interna entre meu racional e emocional acontecendo ali, na frente dela. Se não notou, acho que posso até ganhar o Oscar, porque eu realmente senti minha boca tremendo sem saber qual ordem seguir.

Minha terapeuta quer me matar com o tanto que eu me auto analiso sem nem perceber, e é claro que eu fiz isso dessa vez. Acabei entendendo que eu não consigo desassociar magreza de elogio - não ainda - justamente porque eu passei minha vida toda achando que eles estavam associados. É um processo, não se dá do dia para noite e é natural que emagrecer seja uma satisfação para quem está batalhando por isso. Como não é o meu caso, eu me permiti pensar sobre isso.

Uma outra coisa chocante que eu notei nessa minha auto analise foi que eu ainda sinto muito mais prazer ouvindo que estou magra do que quando ouço que estou bonita. Por quê? Porque não tenho nenhuma dificuldade em me achar bonita. Sei que não tenho modéstia nenhuma nesse sentido, mas como estamos tendo uma conversa franca por aqui, não tem por que eu esconder de vocês que tenho muito mais momentos olhando para o espelho e gostando do que vejo do que achando que eu to feia. Portanto, quando elogiam minha beleza, isso não me parece uma novidade.

Em contrapartida, eu sempre me achei no limite do padrão. E passei uma vida me comparando (assim como a maioria das mulheres que eu conheço). Era alta demais se comparada com todas as minhas amigas. Grande demais se comparada com as meninas delicadas que os meninos da escola achavam bonitas (tem uma época da nossa vida que a gente cai nessa besteira, né? Afff). Corpo com curvas demais se comparado com os corpos das revistas e televisão, que eu considerava meu padrão de beleza na época.

Nunca suficiente, mas justamente por estar no limite, nunca sentindo necessidade de fazer grandes coisas para mudar. Perder muitos quilos, por exemplo, foi uma coisa que só fiz uma vez na vida, quando ganhei uns 10 quilos no ano do vestibular.

Porém, como quase todo mundo que conheço - independente do peso - vejo que passei minha vida toda achando que sempre tinha que emagrecer mais uns quilinhos para ter “de reserva”. Quando tinha 65, queria ter 62. Depois quando tinha 68, queria voltar pro 65. Hoje tenho 72 e continuo achando que seria interessante chegar no 68 novamente. Ou seja, por mais que não esteja fazendo dietas ou conseguindo me exercitar com a mesma frequência de antes de ter filho, ouvir que eu emagreci me faz achar que eu estou chegando mais perto desse objetivo que eu nem estava fazendo nada para atingir. Como se fosse mágica. A cabeça da gente as vezes prega essas travessuras inesperadas, tudo pelo peso que a magreza tem na sociedade.

A palavra “magra” pode não ter para mim o gatilho que tem para a pessoa que eu falei lá do começo do texto, mas não tenho como não admitir que ela tem um peso. E um peso muito maior do que eu pensava que tinha.

Analisando friamente as duas histórias em questão, vejo que a palavra magra pode causar diferentes reações dependendo do lugar de quem escuta o elogio. Independente da euforia, satisfação ou incômodo que ela possa causar, ela tem um peso que reforça os estereótipos numa sociedade tão gordofóbica e excludente. Penso que para lutarmos para que a palavra gorda perca o cunho negativo, precisamos repensar nos efeitos que o “elogio” à magreza pode causar. A meu ver, precisamos parar para refletir sobre isso fora do contexto individual, entendendo no contexto social o peso que isso tem na sociedade e no reforço dos estereótipos tão cheios de preconceitos. Acredito que o mundo será menos excludente quando a magreza deixar de ser sinônimo ilusório de sucesso, promoção no trabalho, amor garantido ou mesmo de beleza unânime.

E você? Já parou para refletir qual o peso a palavra “magra” tem na sua vida?

1 em Autoestima/ Comportamento/ entretenimento/ séries no dia 24.08.2018

3 séries da Netflix para inspirar sua autoestima

Sabe aquela hora que você abre o Netflix e leva um tempão pra decidir o que assistir? Vamos ajudar você com algumas sugestões de séries que podem até não parecer que falam sobre autoestima, mas mostram sim, diferentes aspectos sobre como mulheres foram aumentando sua autoconfiança seja profissionalmente, na vida amorosa ou nas demais áreas da sua vida! Precisamos parar de associar diretamente autoestima e autoimagem, assim vamos ver que temos muito o que aprender e nos inspirar com filmes, livros ou seriados. Conteúdo de entretenimento pode sim falar de autoestima sem usar a palavra, basta que te inspire você a se gostar mais, se olhar com mais amor, se conhecer ou se respeitar. Ver histórias reais, possíveis pode nos inspirar a seguir em frente ao longo dessa jornada do autoconhecimento. Vamos às sugestões?

The Good Wife

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Alicia Florrick era uma advogada que deixou a carreira de lado para apoiar o marido, Peter, em sua carreira política. Até que surge um escândalo onde a traição de Peter é revelada e ela se vê num cerco da mídia ao seu redor e começando a tomar de volta as rédeas da própria vida e se redescobrir.

Com altos e baixos, competição no escritório com homens e integrantes bem mais jovens, a trajetória de Alicia é bem possível de acontecer com qualquer mulher em diversas idades e mostra como ela vai recuperando sua autoestima através do trabalho e de suas novas (ou seriam antigas?) relações pessoais.

Grace & Frankie

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Jane Fonda e Lilly Tomlin mostram com muita delicadeza e doses de humor na medida que nunca é tarde para recomeçar e se redescobrir. Aos 70 anos, as duas São pegas de surpresa por uma revelação de seus maridos e acabam virando colegas de casa. Em meio a descobertas sexuais, amorosas e procurando uma nova profissão, elas mostram que é possível dar a volta por cima e ter sororidade a qualquer etapa da vida.

The Crown

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Você pode achar estranha essa indicação ter a ver com autoestima, já que a Coroa é muito repressora e todo esse sistema real não beneficia muito as mulheres. Pois imagine como contornar isso sendo mulher e tendo virado rainha sem esperar e sem ter sido preparada para isso. Aposto que a sua visão sobre a Rainha Elizabeth II vai mudar depois de ver a série e você vai perceber como ela soube contornar alguns (infelizmente não todos) os percalços e se sentir mais empoderada ao longo de todos esses anos de reinado.

0 em #paposobremulheres/ Autoestima no dia 23.08.2018

Nasci com Prazo de Validade!

Minha Mãe conta que quando eu era bem pequenininha, quando tentava dar meus primeiros passos fiquei muito doente, a passei a viver internada, sempre muito debilitada, foram várias internações, muitos exames até que chegou o dia que fui diagnosticada com uma doença grave e degenerativa chamada Distrofia Muscular de Duchenne. Depois desse diagnóstico, foi passado para minha mãe que em breve eu perderia os movimentos dos membros superiores e principalmente inferiores, devido à progressão rápida da doença. Enfim eu não iria andar e seria dependente para vida toda.

Acredito que não foi fácil para minha mãe receber tantas informações sobre sua filha caçula, na época eu ainda nem tinha três anos. Além das sequelas, a distrofia traria para mim, algumas complicações como: cardiomiopatia, capacidade de mobilidade diminuída, deformidades, insuficiência respiratória, Pneumonia ou outras infecções respiratórias; pronto! Ali recebi o meu PRAZO DE VALIDADE! Normalmente a pessoa que tem esse tipo de distrofia não resisti a tantas complicações. Com tudo que foi dito minha mãe, me criou muita proteção, com muito cuidado e sempre assombrada por essa expectativa de quanto tempo eu iria viver! Recordo-me que já com uns 5 a 6 anos ouvia com frequência que provavelmente não passaria dos 15 anos. Quando completei quinze a perspectiva passou para 21 e assim fui crescendo, sempre aguardando a próxima perspectiva de prazo.

VANIA-

Durante esses anos passei por diversas internações e intervenções cirúrgicas, tive quase todas as complicações que a doença propõe e até em coma já fiquei, mais uma vez eu resisti; mesmo assim sempre me pegava ouvindo sobre o tempo que me restaria de vida… É curioso que mesmo quando criança, depois na fase da adolescência e na vida adulta eu nunca coloquei isso dentro de mim, não fazia sentido pra mim tomar esse prazo como verdade… Sinceramente?! Respeito a medicina e acredito que os médicos são instrumentos de Deus para salvar vidas, até porque muitas das vezes eu precisei e sempre tive bons profissionais que cuidaram de mim, mas eu sempre acreditei que a última palavra vem do ALTO, e é Ele quem decide a hora o momento de tudo em minha vida!

O prazo de validade vivia ali, rondando minha jornada, mas posso falar para vocês que eu nunca tomei aquilo como verdade, dentro do meu coração e da minha mente eu não acreditava.

Eu dizia dentro de mim: vou viver sim e muitooooo!

rampa-de-acesso

Vânia Martins do canal @rampadeacesso

Vânia Martins do canal @rampadeacesso na nossa festa

Se eu fosse viver com base em diagnósticos ou até mesmo com minha realidade, que muitas das vezes era em uma sala de hospital, eu poderia ter me entregue e pensar: Para que estudar se eu vou morrer em breve? Para que trabalhar se não vou fazer uma carreira? Para que vou conhecer pessoas, formar laços de amizade, se não serei uma amiga presente? E até mesmo me casar pra que?… Mas não! Preferi ir contra essa “sentença” de pouca vida! Escolhi aceitar sim as limitações que a doença me impôs e reconhecer que na minha vida teria muitas dificuldades e barreiras, mas elas não iriam me deter, então continuei a viver a vida normalmente como se fosse uma garota “comum” na escola, faculdade, no trabalho e até quando casei, mas esse assunto vou falar mais pra frente com vocês (aguardem).

Esse fantasma tenta me assombrar até hoje, mas sigo não tomando isso como verdade pra mim. Escolho sempre brincar com a situação e dizer que “já to fazendo hora extra aqui na terra”. Sempre falo com humor para os meus amigos que “minha validade tá vencida” e ele morrem de rir… Isso pode acontecer, eu sei, mas pode acontecer comigo ou com você! Até porque todo mundo vai morrer um dia, então eu pessoalmente acredito que não devemos viver esperando essa hora chegar! Viver pode ser bem mais do que isso e eu tento usar minha vida e minhas redes sociais do rampa de acesso para falar dos desafios da minha vida.

GRAVANDO-PRO-RAMPA-DE-ACESSO-NO-YOUTUBE

No fim o que quero frisar é o poder que temos quando acreditamos em algo! Quando você acredita você busca, você luta e faz acontecer, desafia a ciência e as estattísticas, eu estou aqui e sou prova viva disso! A minha luta ainda não acabou, nem vai, ela é contínua, como a sua também. Eu sei que preciso seguir batalhando porque não posso parar, a verdade é que tenho muitos sonhos há realizar!!

Então vamos à luta?! Deixo aqui a reflexão para que você não aceite facilmente que as barreiras da vida venham a te deixar parar!

Beijokas no coração!

Vânia Martins

Você pode seguir a Vânia no insta do @rampadeacesso ou se inscrever no canal dela no youtube