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maternidade

2 em Autoestima/ maternidade no dia 14.10.2019

É dificuldade ou desafio?

Há duas semanas eu participei de uma live com a Ariella Dashefsky. Ela faz lives no instagram voltadas para maternidade, com convidadas que sempre têm coisas interessantes para falar. Eu fiquei super feliz de ser chamada para participar, mas resolvi vir escrever sobre algo que ficou martelando na minha cabeça desde o dia que a gente conversou.

Ela estava contando que em uma sessão de terapia onde ela estava relatando algumas de suas questões com maternidade, e sua terapeuta propôs uma mudança.

Por quê ao invés de você falar que algo é difícil você não fala que é um desafio?

ilustra: Brooke Smart

Minha cabeça pirou de tantas possibilidades naquela hora. E, de certa forma, muita coisa fez sentido e se encaixou para mim. Por quê? Primeiro porque eu sempre classifiquei coisas como difíceis. Principalmente quando falamos de maternidade.

E aí, quando taxamos de difícil alguma experiência, situação ou até mesmo um traço da personalidade de alguém, eu imediatamente encaro que é algo que não dá muito para resolver. É difícil e ponto. A situação é essa e pronto. A pessoa é assim e acabou. Vou ter sempre dificuldade com aquilo. Talvez, se esforçar muito, fique mais fácil. Mas vai continuar sendo complicado, e elas que lutem.

Porém, ao trocar a postura e encarar a mesma coisa sob um olhar de que é desafiadora, percebo que tenho mais possibilidades.

Não é que fica mais fácil, mas o desafio costuma nos impulsionar a achar maneiras de resolvê-lo ou entendê-lo. O desafio, principalmente quando estamos falando de criação, me parece ser uma atitude mais respeitosa e até mesmo humilde. Nos botamos em uma posição de que não sabemos de tudo, e achamos formas de desenvolver ferramentas para aprender com o desafio. Seja na criação de um filho ou em qualquer outro relacionamento.

Não sei se isso tudo vai fazer sentido para vocês do jeito que fez para mim, mas quis dividir esses pensamentos aqui nessas linhas. <3

0 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 19.09.2019

Para você que está se sentindo uma mãe bosta

Dizem que a culpa nasce no mesmo momento que nasce um filho. Eu a conheço bem, assim como provavelmente todas as mães. E alguns pais. Há 2 anos esse é um assunto que volta e meia aparece na minha terapia e eu vou aprendendo a lidar – e bloqueá-la sempre que possível. Mas hoje me senti uma mãe bosta. O que me pegou de surpresa, porque geralmente essa sensação vem acompanhada de muita culpa. E culpa é algo que eu trabalho muito. Então decidi contar.

Mas antes, queria só deixar claro qual o conceito de mãe bosta.

Para começo de conversa, ele é bem diferente da ideia de “mãe de merda”. Essa é a mãe que ignora qualquer cartilha de perfeccionismo ouvindo seu instinto e respeitando as possibilidades e a individualidade de seus filhos. Ela sabe que não está seguindo todas as dicas do que é bom fazer, mas também sabe que está fazendo tudo que está ao seu alcance. E está tranquila com suas escolhas. A “mãe de merda” eu diria que é uma etiqueta de rebeldia com orgulho.

Já a mãe bosta é aquela que acha que está acertando, mas se vê em algum momento questionando sua maternidade. E se enche de culpa, e preocupação. Parece que grudaram um papel na testa com letras garrafais escrito “MÃE BOSTA” e tá todo mundo julgando. Ela dimensiona o motivo que a fez achar que merece tal título de tal forma que mal enxerga que, se corrigisse as proporções do “problema”, acharia soluções possíveis rapidamente.

Se você já se sentiu assim, ou está se sentindo, bem vinda ao clube.

Mas não vim aqui contar os meus motivos, vim aqui dar umas notícias aliviadoras. Para começar, o selo de mãe bosta mais é um estado de espírito (bem ruim, diga-se de passagem) do que um título permanente. Geralmente ele é imperceptível ao olhar alheio, mas caso você resolva dividir com outras mães (o que eu aconselho), vai descobrir muita gente para compartilhar experiências parecidas.

Tá tudo bem achar que está errando em algo. Aliás, pelo o que eu pude ver nesses quase 4 anos sendo mãe, se você não acha que tá fazendo algo errado, é aí que a coisa tá errada. rs Mas não tá tudo bem transformar isso em um rótulo. E permanecer com a culpa por tempo indeterminado.

Bote a sua cabeça de volta no lugar. Reajuste as dimensões dos seus sentimentos. E depois vem me contar se você continua se achando uma mãe bosta. Confesso que depois desse desabafo, eu já voltei a me sentir apenas uma mãe que estava fazendo o possível. ;)

0 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 10.09.2019

Livros infantis que estimulam a autoestima nas crianças

Outro dia levei para o instagram um questionamento que surgiu sobre cabelo bom x cabelo ruim. Mencionei o documentário “Good Hair”, do Chris Rock, que foi criado depois que a filha deles – na época com menos de 10 anos – veio perguntar por quê ela não tinha cabelo bom. Conversa vai, conversa vem, algumas leituras sobre o assunto foram indicadas.

E eu comecei a pensar em outros títulos de livros infantis que ajudam na construção da autonomia, empatia e autoestima nas crianças.

Perguntei no grupo do Papo Sobre Autoestima e hoje eu venho aqui dividir as dicas recebidas.Se você quiser montar uma pequena biblioteca com diversidade e histórias inclusivas para seus filhos, anota aí essas dicas:

1 – O cabelo de Lelê, de Valéria Belém

Esse livro fala de um jeito bem gostoso e ritmado a história de Lelê ao encontrar a história sobre seus cabelos. E como ela passa do não gostar a amar o que vê. Ideal para crianças com cabelos cacheados e crespos.

2 – Meu crespo é de rainha, de bell hooks

Ainda nessa linha sobre cabelos crespos, esse livro é indicado para crianças a partir de 3 anos de idade. bell hooks é feminista, ativista social, artisa e autora de muitos títulos importantes. Nesse livro, ela enaltece a beleza negra, exalta penteados e textura dos crespos e é pensado para incentivar a expressão da individualidade. Uma forma gostosa de criar união através dos cabelos.

3 – Amoras, de Emicida

Joana deu esse livro para o Arthur, mas ele virou muito mais o meu xodó que o dele. É normal que a identificação com ele não aconteça de imediato, afinal, meu filho é um menino branco – e esse livro é feito para que meninas negras se reconheçam. Mas mesmo assim, é muito bacana contar essa história para ele e vê-lo absorvendo – de forma muito básica, claro – a ideia de que se identificar e se valorizar nas coisas mais simples é algo lindo de se ler.

4 – Coisa de Menino e Coisa de Menina, de Pri Ferrari

Esse eu comprei porque achei a mensagem muito bacana. É uma desconstrução de masculinidade tóxica na versão be-a-bá. Em poucas páginas, passamos as mensagens que meninos podem chorar, podem dançar, podem abraçar, cuidar e serem o que quiserem. Existe a versão para meninas também.

5 – Sinto o que Sinto: e a incrível história de Asta e Jaser, de Lázaro Ramos

Esse eu não conheço, mas foi super indicado. Então, trago aqui a sinopse: “Este livro tem como protagonista o personagem Dan, já conhecido entre os fãs do Mundo Bita, e discute temas importantes para crianças e adultos – sentimentos, ancestralidade, pertencimento, diversidade cultural, aceitação e respeito às diferenças.”

6 – A parte que falta, de Shel Silverstein

Se você só lembra desse livro por causa da Jout Jout, vem cá, estamos juntas. Teve uma época que Arthur viciou no “livro da bolinha”, passei umas 3 semanas seguidas lendo ele toda noite. E toda noite lembrava dela lendo. Mas a verdade é que, Jout Jout à parte, ele é um livro muito bacana que tem como lição a ideia de que a felicidade não está nos outros, e sim em nós mesmas. Vale a pena.

7 – O monstro das cores, de Anna Llenas

Também não conheço, mas foi indicado e eu fiquei curiosa para ter comigo. Vou passar a sinopse: “O monstro das cores não sabe o que se passa com ele. Fez uma bagunça com suas emoções e agora precisa desembolar tudo. Será capaz de pôr em ordem a alegria, a tristeza, a raiva, o medo e a calma? A história estimula as crianças a identificar as diferentes emoções que sentem, como alegria, tristeza, raiva, medo e calma, através de cores.”

8 – “Princesas escalam montanhas?” e “Ninjas cuidam do jardim”?, de Rafaela Carvalho

A Rafaela tem um perfil no instagram maravilhoso chamado @a.maternidade e ela também e autora de livros. Esses dois são infantis e eu diria que são complementares. Ambos foram criados para desconstruirmos a ideia de que meninas têm um jeito definido e meninos idem. E pensados para que a gente estimule nossos filhos a se apaixonarem por quem são.

9 – Tudo bem ser diferente, de Todd Parr

Não conhecia também, mas foi indicado e adorei a proposta. Trago para cá a sinopse para ver se vocês curtem também: “Este livro trabalha com as diferenças de cada um de maneira divertida, simples e completa, alcançado o universo infantil e trabalhando com assuntos que deixam os adultos de cabelos em pé, como adoção, separação de pais, deficiências físicas, preconceitos raciais, entre outros.”

10 – “Não me toca, seu boboca”, de Andrea Viviana Taubman

É claro que a gente queria viver num mundo onde violência sexual não deveria ser abordada com crianças. Mas infelizmente não é bem isso que acontece. E poder trazer esse assunto à tona de uma forma lúdica e linguagem simples é importante. Esse livro mostra à todas as crianças o que é a situação de violência sexual e o que fazer para evitá-la. Vale a pena ter.

11 – Histórias de ninar para garotas rebeldes, de Elena Favilli

Eu não tenho, mas conheço muita gente mesmo que tem. E que lê para filhas e filhos. Vou deixar aqui a breve descrição do livro: “Em Histórias de ninar para garotas rebeldes, tudo o que podemos sentir é esperança e entusiasmo pelo mundo que estamos construindo. Um mundo onde gênero não defina quão alto você pode sonhar nem quão longe você pode ir.”

12 – Contos para garotos que sonham em mudar o mundo, de G.L. Marvel

Não conhecia, mas trago aqui porque também foi bem indicado. “O que Albert Einstein, Beethoven, Ayrton Senna, Leonardo da Vinci e Martin Luther King tinham em comum? Todos foram jovens que não sabiam o que o futuro lhes reservava – assim como é para muitos de nós. Mas esses jovens cresceram e se tornaram verdadeiros modelos, inspirando crianças do mundo todo.”

Você tem algum livro para indicar? Conta aqui!