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Autoestima

0 em Autoestima/ Relacionamento no dia 19.08.2019

Vale a pena parar. Sua autoestima agradece.

Todo mundo fala muito sobre a necessidade de mantermos a vida em constante movimento. Estamos o tempo todo recebendo informações, vindas de todos os lados. Passamos a conviver com a tal FOMO (fear of missing out ou medo de perder alguma coisa) que as redes sociais podem nos causar. Hoje eu quero te convidar a parar um pouco.

Em certos momentos da vida, ter muitas atividades é muito bom. Conveniente, eu diria. Principalmente quando estamos passando por momentos delicados. Nessas horas, é confortável se ocupar de coisas para fazer para termos desculpas de postergar momentos difíceis de serem encarados. Mas a verdade é que parar é super importante. Porém, nem sempre é o que acontece.

Vejo muitas pessoas tentando encher a vida de compromissos para não ter tempo sozinha para pensar e processar o que aconteceu. Seja uma separação, uma perda, uma crítica. Ninguém gosta de passar por processos que são incômodos, não importa a razão. Porém, eu desconheço maneira de crescer e evoluir que não envolva ter que lidar com esses processos.

Num primeiro momento, parar pode ser mesmo bem complicado.

ilustra: Marylou Faure

Vamos ter que encarar fantasmas ou verdades que podem bagunçar a nossa cabeça. E eles podem doer – aliás, eles vão doer – mas é bem provável que o alívio chegue depois. É parando que conseguimos ouvir o que realmente queremos e desejamos. É quando paramos que nos colocamos vulneráveis e capazes de entendermos o que se passa dentro da gente. E só quando encaramos essas coisas é que conseguimos seguir adiante, e conseguimos nos perdoar também.

É parando que descobrimos do que somos capazes e ficamos mais seguras de nós mesmas. E menos dependentes da aprovação alheia também. É parando que mudamos a direção da nossa vida pra melhor, e dos nossos pensamentos também.

Portanto, se você está procurando atividades, pessoas ou qualquer coisa que possa preencher seus dias em troca de evitar esses momentos sozinha, apenas pare.

Encare de peito aberto esse desafio de se conhecer melhor, de se descobrir. De descobrir até mesmo defeitos que você não gosta de encarar, mas que não necessários para que você saiba quem você é de verdade. De saber o que você quer, não quer, o que te agrada e te incomoda. Eu tenho certeza que depois disso você sairá disso uma pessoa muito mais segura e menos atarefada. Sem contar que não terá nunca mais problema em estar na melhor companhia possível: a sua.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 14.08.2019

Um bate papo sobre gordofobia, pressão estética, saúde física e mental

Quando fui chamada para participar do #FimDeSemanaDoPapo, eu não imaginava o que me esperava. Especificamente, fui convidada a falar sobre Gordofobia, Pressão Estética e o Impacto na Saúde Física e Mental. Junto comigo, mais algumas mulheres muito queridas: as blogueiras Ana Luiza Palhares e Ju Romano, a nutricionista Isabela Mota e a atriz Mariana Xavier.

Nosso bate papo foi o primeiro de todo o evento e aconteceu algo bem curioso. Todas as vezes em que conversei com a Jô antes do evento perguntando sobre como seria este bate papo, ela sempre dizia: “Estou tranquila com todas vocês juntas! Com certeza será incrível!”

No momento em que nos encontramos na sala em que o bate papo iria acontecer, era nítido o clima de alegria que estava no ar! Todas aquelas mulheres se conheciam de uma troca diária do grupo Papo Sobre Auto Estima. Joana e Carla nos apresentaram, introduziram o tema e, ao encerrar sua fala, Joana disse:

– “Meninas, eu tenho certeza que vcs estão em boas mãos e duas horas será pouco para toda essa discussão”

Neste momento a querida Ju Romano, me olhou e disse: – “Você conduz? Você começa?”

Essa sou eu!

Sim! Este sempre foi o meu papel! Conduzir o processo de auto conhecimento dos meus pacientes é a minha área. Ser aquela que acompanha, mas não dá as respostas prontas. Ser aquela que provoca, e mais do que isso, a que faz possível ir além da dor quando o paciente permite.

Primeiro pedi que todas chegassem mais perto, inclusive se sentassem no chão, se assim quisessem. Eu me apresentei, e apresentei também Ju Romano, Ana Lú, Isabela e Mariana. E na sequência perguntei:

“Vocês sabem a diferença sobre pressão estética e gordofobia?”

O silêncio se fez na sala. É dificil mesmo levantar a mão e dizer que não sabe ou que tem dúvidas. Até que uma voz quebrou o silencio e disse: “Não!” Ufa! Nossa troca iria começar a partir dali!

Deste momento em diante todas aquelas mulheres e toda aquela potência do feminino se conectou. E enfim pudemos falar dos temas mais delicados, que trago hoje para vocês. Alguns deles:

Ana Lu Palhares

– Não julgar que uma mulher com um corpo mais “típico”, ou “próximo” ao padrão estético unilateral da magreza, não sofra tanto quanto uma mulher gorda. Existe a pressão estética em cima dela, existe o bullying e existe, sim um sofrimento. Mas é preciso entender o contexto onde a acessibilidade dela não é impedida socialmente (catracas de ônibus, falta de cadeiras reforçadas para suportar o peso, poltronas e cintos de segurança do avião que lhe caibam…). Ou que ela não deixa de ser atendida em um hospital porque presume-se que é só emagrecer que passa. E o mais importante, lembrar que se fere a existência do outro, deveria ferir a nossa também.

– Como o corpo gordo é visto como uma doença epidêmica mundialmente, com dados alarmantes. E ao mesmo tempo nunca estivemos tão obcecados por dietas, composição dos alimentos e corpos esculpidos.

A nutricionista Isabela Mota

– Essa obsessão nos mostra que estamos no caminho errado. Tentando controlar o corpo, a fome, o peso. E nos afastando do verdadeiro significado da saúde.

– Como o padrão de beleza unilateral da magreza, não representa todas as possibilidades, tipos, formas e tamanhos de corpos. Como, em 7 bilhões e 600 milhões de códigos genéticos, eu posso crer que é possível ter apenas um tipo de corpo?

– Nosso corpo mostra a nossa genética, historia, escolhas e traz todas as consequências. E isto não é ruim, mas não quer dizer que seja simples de entender e se familiarizar. Afinal, estamos no mundo do “Não gosta, mude!” 

Ju Romano

– Questionamos a eficácia de diminuir toda a dor e angústia vividas com o corpo desde a infância a procedimentos estéticos e transtornos alimentares. Habitar o nosso próprio corpo é nos depararmos com a historia que este corpo conta. É entrar em contato com a dor e as angústias vividas a cada ganho de peso ou a cada dieta mal sucedida. A cada médico que atribuiu a sua dor na cervical única e exclusivamente ao seu peso. A cada familiar que o ridicularizou durante um encontro de família, como se o seu corpo fosse público.

A partir daí muitas mulheres se manifestaram. Contaram suas histórias de dor com suas mães, médicos gordofóbicos, crianças na época de escola, as dificuldades de existir fora de padrão unilateral da magreza. Essas mulheres compartilharam suas histórias, dores, suas marcas e puderam ser acolhidas, abraçadas e cuidadas. Eu só posso agradecer, a cada uma das mulheres que fizeram este momento tão especial e transformador.

Ressignificar cada uma dessas experiências inclui entender que autocuidado não significa única e exclusivamente tomar um banho demorado ou ter tempo de ir a manicure.

É também, mas não só isso. É entender que cuidar da sua alimentação é uma forma de cuidar do seu bem estar. Internalizar que fazer uma atividade física é para manter seu corpo em movimento e cuidar desta “casa” que você habitará até os últimos dias da sua vida. E que saúde não é medida pela circunferência abdominal, e que ninguém precisa andar com seus exames bioquímicos por aí para demonstrar que tem um corpo saudável.

Mariana Xavier

Foi também entender que nossas mães só foram capazes de nos dar e nos ensinar o que lhes foi ensinado.

Por mais dolorosa que possa ter sido a sua relação com seu corpo e a maneira como sua mãe lidava com o corpo dela – e consequentemente com seu corpo – isso dificilmente é intencional. A gordofobia da sua mãe diz respeito à ela, não à você.

Por isso que hoje todas nós somos capazes de fazer diferente com nossas filhas, irmãs, primas, vizinhas, amigas! Cada uma de nós podemos nos tornar agentes de saúde, ainda mais em uma sociedade tão adoecida.

Sim, precisamos lembrar que apenas nós somos capazes de fazer diferente. Que cada like, cada visualização ou foto que eu abro para ver alguém falando do corpo ou da vida de outra mulher, eu reforço este comportamento. Cada vez que eu permito receber um elogio em detrimento a outra mulher, eu compactuo com esse sistema.

E por fim, que toda essa desconstrução é um processo. Individual, muitas vezes doloroso, mas que envolve uma construção de uma mulher possível e real! Lembrando sempre que não é fácil, mas é possível!

Meu muito obrigada a cada uma das mulheres incríveis que estavam presentes! E a cada uma das colegas deste evento que, ao meu lado, levaram esse bate papo tão importante!

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 13.08.2019

Sobre saber dizer não, pelo bem da nossa saúde mental.

Todo mundo tem obrigações na vida. Acordar cedo para ir trabalhar, gastar dinheiro pagando contas, abrir mão de um fim de semana por conta do trabalho. Tudo isso é chato, mas faz parte de ser adulto. Tirando as coisas que escolhemos nos comprometer em fazer, mesmo que não sejam as mais agradáveis do mundo, às vezes acabamos aceitando algumas outras que não precisamos. E, as vezes, é preciso saber dizer não.

Veja bem, eu não estou querendo te dizer que você tem que negar ajuda a sua amiga que está fazendo mudança. Ou dizer que não vai no aniversário do seu sogro, que não é dos mais simpáticos contigo, mesmo sabendo que isso é importante para o seu namorado. Essas coisas também fazem parte de se comprometer com as pessoas que são queridas pra você. E toda relação demanda flexibilidade, para que saibamos ceder em alguns aspectos.

Dito isso, queria te convidar a não se colocar em situações onde você não precisa estar. A saber dizer não.

Por exemplo, ir para a academia com aquela amiga que se cobra loucamente no desempenho, e acaba te frustrando mais do que te estimulando. Você pode ir sozinha. Ou pode botar limites entre vocês.

Um exemplo muito comum é quando estamos solteiras. Esse tipo de situação acontece muito nessa época. Boa parte porque muita gente presume que, se estamos solteiras, estamos querendo encontrar alguém. E aí, chove convites de festas, eventos, baladas. Milhares de dicas de como precisamos entrar em aplicativos de paquera. Sendo que a gente só quer assistir Netflix. Por isso, reafirmo: você não precisa ir em uma festa só porque é o que se espera de alguém solteira. Tampouco você precisa entrar em aplicativos para conhecer gente nova.

Essas são apenas alguns exemplos simples para ilustrar coisas em que a gente acaba se metendo meio sem querer. E às vezes nos faz um mal tão grande que era melhor não ter feito. Seja porque esperam isso da gente, seja para agradar alguém. Sempre vai ter algum momento da vida em que vamos nos ver em uma situação onde não precisávamos estar. Algumas acontecem porque a gente jurava que não seria desagradável. Outras porque simplesmente não soubemos dizer não.

Mas ficarmos atentas para essas situações para sairmos delas quando quisermos é uma das provas de carinho que podemos dar por nós mesmas.

Trocar a festa badalada por um jantar com amigos. Ou mesmo uma noite em casa vendo series, por incrível que pareça, pode acabar sendo muito mais benéfico para a sua saúde mental. Não, o amor não vai bater na sua porta, mas você vai saber exatamente que não é na festa que ele estará. E assim, vai filtrando os compromissos que te agradam, que te deixam confortáveis.