Browsing Category

Autoestima

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 05.08.2020

A vida sempre vence

A vida prega peças na gente. Muitas vezes, demoramos meses ou até anos para entender o que determinada situação que ocorreu conosco realmente significou. Não sei você, mas acredito que nada é sem razão e o acaso não existe. No entanto, enquanto estamos vivendo o furacão emocional em que nos encontramos é um desafio quase impossível racionalizar e encarar o nosso lado Pollyanna de que algo de bom sairá daquilo.

Esse primeiro parágrafo, acredite, eu escrevi em fevereiro e, em nada, tinha a ver com a pandemia que iríamos enfrentar nos meses seguintes. Vou deixar abaixo a continuação desse texto que comecei a produzir nessa época e não consegui concluir para publicar aqui:

ilustra: @lidia.bgo


“Logo digo: Estou no meio do furacão. Portanto, acho que esse não seria o momento ideal para escrever para você, cara leitora, especialmente se você veio em busca de respostas a partir do título que te chamou atenção. Na verdade, dessa vez, devo confessar, sou eu quem busca o socorro por meio das minhas próprias palavras. Elas sempre me ajudam a exorcizar sentimentos mal digeridos. Por isso, me desculpe: usarei esse espaço para isso e peço licença, compreensão e um colo virtual!

Em todos os textos que já escrevi para o Futi falei sobre se permitir, não ter medo do inesperado e aproveitar cada oportunidade para viver aquilo que deseja. E não é à toa. Esses textos são reflexos de quem eu sou e de como busco levar minha vida. Em cada linha exponho experiências vividas e sentimentos que fizeram seus abrigos em mim. E talvez, por isso mesmo, eu me sinta à vontade para fazer esse relato (embora eu já esteja há meia hora olhando para a tela do computador sem saber por onde começar a contar minha história). 

Mas, acho que não estou pronta…”

De fato, eu não estava pronta.. não é a toa que volto a pegar nesse texto meses depois que escrevi esses trechos. E, de repente, vejo que o sentido dele mudou completamente. O furacão ao qual me referi virou uma marolinha e, no lugar dele, um tsunami alagou não só a mim, como a todo mundo.

E é por isso que vejo que essas primeiras linhas que escrevi ganharam um novo sentido que, talvez, crie identificação com mais pessoas. Percebo que estou vivenciando uma fase em que, em determinados dias, fica difícil enxergar o que de bom sairá dali. Na verdade, me sinto culpada em pensar em um “novo normal”, quando vidas foram perdidas, famílias destruídas. Para, pelo menos, 100 mil pessoas, o normal jamais existirá e muito menos haverá um sentido para tanta dor. 

Eu, no alto do meu privilégio, mal posso dizer que sofri consequências reais com essa pandemia. Mas, ainda assim, sinto a angústia, o medo, a revolta e a decepção que ela trouxe. Dizem que quem está totalmente bem não está entendendo nada, né? Acho que é bem isso. Conseguir levar uma vida normal, hoje, vai além de ser um privilegiado. É ter atestado de alienado. Por isso, estamos todos mal. Ou quase todos.  

Me questiono ainda se há um propósito para isso, como disse, no início do texto, acreditar em tantas outras situações. Será que esse é um mal que vem para o bem? Mas para o bem de quem?

Uma das frases que mais gosto do Emicida, na verdade, é da mãe dele. Na música “Ordem natural das coisas”, o rapper diz: “A vida sempre vence”. Procuro pensar nela quando estou mal; quando não vejo um fim para a tempestade. De alguma forma, a vida se renova, mesmo diante de tantas perdas, e assim seguimos, né? 

Me questiono então se, levando em consideração o nome da canção, é a própria vida que, ao vencer, trata de organizar uma nova ordem natural. E, quando mal nos dermos conta, a calmaria vem também para os nossos dias. Espero que assim seja. Para mim; para todos nós.

0 em Autoestima/ corpo/ Destaque no dia 04.08.2020

Mas pra quê tirar foto de biquini?

Quem nunca já recebeu uma pergunta dessas quando resolveu postar uma foto de biquini? Se você não tem o corpo considerado “aceitável” pela sociedade para ser exposto por aí (isso é, se você não é magra, barriga trincada, peitos em pé e bunda sem celulite), provavelmente você já se viu diante desse tipo de pergunta.

Por isso, junto com Juliana Ali, resolvemos preparar um pequeno guia de respostas para ninguém se estressar mais na hora de ouvir essas coisas. ;)

1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 24.07.2020

Muitas versões de mim

“(…) eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu.” (Lewis Caroll)

Eu sou poeta, escritora amadora nas horas vagas e, no meio da pandemia, tenho me reunido em coletivos de escrita. Um dos desafios dos últimos dias foi escrever sobre tretas do passado. O texto ou ficava fofo demais, romântico demais, ou direto demais. Não tinha cara de treta.

Qual é a cara de treta, você sabe? 

Acabei falando de uma situação muito incômoda que foi um envolvimento com um cara de esquerda que cantou minhas amigas. Quem nunca teve esse tipo na vida? Que você admira pelo discurso, mas na prática é um zé?  Na época, foi uma mistura de decepção com incredulidade. A poesia ficou ótima, mas carrega em si certo ressentimento. E fui me debruçar sobre aquele sentimento, afinal autoconhecimento não é uma jornada fácil. 

Me deparei com uma mágoa que achei estar resolvida.

O primeiro sentimento foi me sentir trouxa. Aí pesquisei o que significa ser trouxa e percebi que não fui. Fui apenas uma versão de mim. Recém saída de um casamento longo, vulnerável, inábil. E aí me peguei pensando naquela versão. Quanto tempo ela durou. Aparentemente forte, mas lá no fundo, inexperiente e frágil: 

A jornada que me trouxe aqui não começou lá na separação.

É impossível olhar para mim e não perceber quantas já fui e quantas ainda posso me tornar. Perceber quem fui, antes e depois do abandono paterno na infância; da morte da minha mãe na juventude; do nascimento da minha filha na idade adulta, da minha separação na maturidade; e quantas ainda poderei ser. 

Já fui dura, conservadora, tímida, sonhadora, sempre escritora. Jà fui confusa, engravidei, tive todas as dúvidas de mulher, mãe, trabalhadora. E com certeza, em boa parte da trajetória, falhei. Enfrentei muitos medos, eu sobrevivi. E se você me perguntar qual versão prefiro, digo que é essa que vos escreve, neste momento, bebendo suco de Kiwi. 

Sou cada pedacinho de tudo que já vivi.

Sou mistura constante do que aprendi. O futuro ainda virá e sei que vou conseguir. Pois, existe uma força ancestral das mulheres que vieram antes de mim e das tantas versões que construí. Você já se perguntou quantas versões de você te trouxeram até aqui? 


“Cada tic tac é um segundo da vida que passa, foge, e não se repete. E há nele tanta intensidade, tanto interesse, que o problema é só sabê-lo viver. Que cada um o resolva como puder.”