Browsing Category

Autoestima

3 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 21.08.2020

Gordofobia médica na gravidez

Neste mês, celebrou-se o dia da gestante e muitas fotos lindas de mulheres grávidas correram as redes sociais. Uma potência de vida em cada foto, em cada história. Minha experiência com a gestação, foi um pouco diferente.

Em um país que tem as mais altas taxas de cesáreas do mundo (55% dos nascimentos), precisamos conversar sobre violência obstétrica, fato que acontece há décadas na América latina. O que está muito presente entre as gestantes é a falta de informação e o medo de perguntar sobre o parto e sobre tudo que ele envolve.

A violência obstétrica atinge 25% das mulheres do país, seja na hora do parto, seja no pré-natal. Dessas, 62,8% são negras. Não há pesquisas sobre mulheres gordas. Mas basta conversar com várias ou ler relatos nas redes sociais para entender o drama. 

Enquanto boa parte das mulheres tem uma gestação acolhida, a mulher gorda é sempre vista com certa desconfiança: “como ela pode estar grávida?” “Será que está grávida ou gorda?”. Quem a assiste muitas vezes não sabe explicar que ela irá demorar pra sentir o bebê, para que a barriga apareça e que ela pode, sim, ter um filho de parto normal ou natural.

A cesariana entra como salvação e saber médico. Nada é conversado com a paciente. Falo isso por experiência própria: internei, fiquei horas esperando a cesárea de emergência e ninguém (da equipe médica) conversou comigo sobre tudo que viria a seguir. Detalhe: eu nunca havia passado por uma cirurgia na minha vida e informei isso a minha obstetra.

É importante relatar que a pessoa que eu era, não sou hoje. Hoje entendo que boa parte dos traumas que tenho em relação à cirurgias e a não desejar outro filho vieram dessa experiência. Me curo todos os dias ao fazer as pazes com esse corpo que me trouxe até aqui. Tive minha saúde mental completamente ignorada e parecia que somente meu corpo era enxergado. Peraí: meu corpo, não. Minha gordura e meu IMC. E até hoje isso não mudou.

Fico sempre pensando, quando a medicina se tornará efetivamente humana? Quando serei olhada para além do corpo? E serei realmente escutada? 

Hoje vejo como tudo aquilo impactou minha experiência como gestante e no meu puerpério. Poderia ter sido um período muito mais rico e repleto de aprendizados, no entanto, essas não são as minhas memórias. Lembro do sofrimento, do medo, da angústia e das pressões, inclusive em perder peso. E creio que se conversarmos com muitas mulheres gordas, teremos relatos parecidos. E eu sou grata ao meu privilégio de ter uma irmã enfermeira. Isso fez toda diferença durante o período. 

Face a tudo isso, é cada vez mais fundamental que possamos criar espaços de escuta e compartilhamento de saberes para o enfrentamento de questões relacionadas ao tema. Ter macas e equipamentos ideais faz a diferença. Entender os estigmas construídos sobre o corpo feminino também. Valorizando, assim, o acesso à saúde de todo cidadão de forma igualitária e equânime. Somos plurais, assim como é plural a nossa forma de cuidar da saúde. 

“A nossa potência está na pluralidade de ser quem somos e construir caminhos singulares para re-existir.” (Carla Pepe) 

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 05.08.2020

A vida sempre vence

A vida prega peças na gente. Muitas vezes, demoramos meses ou até anos para entender o que determinada situação que ocorreu conosco realmente significou. Não sei você, mas acredito que nada é sem razão e o acaso não existe. No entanto, enquanto estamos vivendo o furacão emocional em que nos encontramos é um desafio quase impossível racionalizar e encarar o nosso lado Pollyanna de que algo de bom sairá daquilo.

Esse primeiro parágrafo, acredite, eu escrevi em fevereiro e, em nada, tinha a ver com a pandemia que iríamos enfrentar nos meses seguintes. Vou deixar abaixo a continuação desse texto que comecei a produzir nessa época e não consegui concluir para publicar aqui:

ilustra: @lidia.bgo


“Logo digo: Estou no meio do furacão. Portanto, acho que esse não seria o momento ideal para escrever para você, cara leitora, especialmente se você veio em busca de respostas a partir do título que te chamou atenção. Na verdade, dessa vez, devo confessar, sou eu quem busca o socorro por meio das minhas próprias palavras. Elas sempre me ajudam a exorcizar sentimentos mal digeridos. Por isso, me desculpe: usarei esse espaço para isso e peço licença, compreensão e um colo virtual!

Em todos os textos que já escrevi para o Futi falei sobre se permitir, não ter medo do inesperado e aproveitar cada oportunidade para viver aquilo que deseja. E não é à toa. Esses textos são reflexos de quem eu sou e de como busco levar minha vida. Em cada linha exponho experiências vividas e sentimentos que fizeram seus abrigos em mim. E talvez, por isso mesmo, eu me sinta à vontade para fazer esse relato (embora eu já esteja há meia hora olhando para a tela do computador sem saber por onde começar a contar minha história). 

Mas, acho que não estou pronta…”

De fato, eu não estava pronta.. não é a toa que volto a pegar nesse texto meses depois que escrevi esses trechos. E, de repente, vejo que o sentido dele mudou completamente. O furacão ao qual me referi virou uma marolinha e, no lugar dele, um tsunami alagou não só a mim, como a todo mundo.

E é por isso que vejo que essas primeiras linhas que escrevi ganharam um novo sentido que, talvez, crie identificação com mais pessoas. Percebo que estou vivenciando uma fase em que, em determinados dias, fica difícil enxergar o que de bom sairá dali. Na verdade, me sinto culpada em pensar em um “novo normal”, quando vidas foram perdidas, famílias destruídas. Para, pelo menos, 100 mil pessoas, o normal jamais existirá e muito menos haverá um sentido para tanta dor. 

Eu, no alto do meu privilégio, mal posso dizer que sofri consequências reais com essa pandemia. Mas, ainda assim, sinto a angústia, o medo, a revolta e a decepção que ela trouxe. Dizem que quem está totalmente bem não está entendendo nada, né? Acho que é bem isso. Conseguir levar uma vida normal, hoje, vai além de ser um privilegiado. É ter atestado de alienado. Por isso, estamos todos mal. Ou quase todos.  

Me questiono ainda se há um propósito para isso, como disse, no início do texto, acreditar em tantas outras situações. Será que esse é um mal que vem para o bem? Mas para o bem de quem?

Uma das frases que mais gosto do Emicida, na verdade, é da mãe dele. Na música “Ordem natural das coisas”, o rapper diz: “A vida sempre vence”. Procuro pensar nela quando estou mal; quando não vejo um fim para a tempestade. De alguma forma, a vida se renova, mesmo diante de tantas perdas, e assim seguimos, né? 

Me questiono então se, levando em consideração o nome da canção, é a própria vida que, ao vencer, trata de organizar uma nova ordem natural. E, quando mal nos dermos conta, a calmaria vem também para os nossos dias. Espero que assim seja. Para mim; para todos nós.

1 em Autoestima/ corpo/ Destaque no dia 04.08.2020

Mas pra quê tirar foto de biquini?

Quem nunca já recebeu uma pergunta dessas quando resolveu postar uma foto de biquini? Se você não tem o corpo considerado “aceitável” pela sociedade para ser exposto por aí (isso é, se você não é magra, barriga trincada, peitos em pé e bunda sem celulite), provavelmente você já se viu diante desse tipo de pergunta.

Por isso, junto com Juliana Ali, resolvemos preparar um pequeno guia de respostas para ninguém se estressar mais na hora de ouvir essas coisas. ;)