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0 em Autoestima/ Comportamento/ entretenimento/ Relacionamento/ séries no dia 20.02.2019

Dirty John, mais uma série que deixa claro que a culpa nunca é da vítima

É bem possível que você tenha passado o fim de semana maratonando Dirty John, que estreou semana passada na Netflix. Baseada numa história real, ela narra os muitos golpes de John Meehan, focando mais especificamente em sua relação com a empresária Debra Newell. Além disso, ela fala sobre todas as relações abusivas que cercaram a vida não só da empresária, mas também do próprio John. A série te prende pela história (e também pelo Eric Bana, que faz um cafajeste perfeito) e tem um final surpreendente.

E num primeiro momento, é possível que você, assim como eu, caia num erro muito comum. Que atire a primeira pedra quem viu os episódios e não se perguntou sobre a autoestima da Debra. Como pode ser tão baixa a ponto de se deixar enganar por um cara que nitidamente está se aproveitando dela?

Pare na mesma hora em que esse pensamento vier, porque é aqui que quero mostrar um outro ponto de vista sobre essa situação narrada em Dirty John.

A autoestima da Debra é, sim, baixa. A gente nota por várias questões que vão além de seu relacionamento com John. Mas a culpa por ela ser enganada e estar num relacionamento abusivo não é dela. A essa altura do campeonato, a gente sabe muito bem que a culpa nunca é da vítima.

E isso vale não apenas para relacionamentos abusivos, mas para qualquer tipo de relação onde alguém foi enganado. É muito comum que, ao sermos enganadas, a gente se questione: “o que eu fiz para que me enganassem?” Na verdade, essas perguntas não deveriam ser feitas.

A gente precisa parar de uma vez de achar que se alguém nos engana, seja na vida, no trabalho, nos relacionamentos, a culpa é nossa.

Na verdade, não precisamos de Dirty John para entender isso. A verdade é que a gente não nasceu pra viver desconfiada, se precavendo de tudo e todos. Viver em estado de alerta não é saudável. Se alguém não foi honesto com conosco, não foi porque fomos trouxas para deixar isso acontecer. Não importa se não percebemos ou não previmos. Relações não existem para vivermos preocupadas esperando o golpe, mas para que exista confiança e respeito mútuos.

Mas calma. Também não estou dizendo que devemos ser ingênuas e não desconfiarmos de nada. Nem nos precavermos antes de conhecermos melhor as pessoas, não é isso. Até porque nem isso impede de sermos surpreendidas, como foi o caso da mulher que falou com o homem pelo aplicativo por 8 meses e na noite que eles passaram juntos, ela acordou sendo espancada por ele. Mas acredito que uma vez que a gente decide acreditar em alguém, viver em desconfiança, insegura ou preocupada não é bom. Nem saudável, e não é como nenhum tipo de relação deve ser.

Em Dirty John, a relação de Debra com John não foi diferente. Foi uma aposta de confiança como tantas outras. A gente tende a achar que faria diferente porque estamos vendo de fora. Mas a verdade é que não dá para julgar.

Fique atenta a detalhes, acredite na sua intuição mas, se por acaso ela falhar – ou estiver certa, dependendo do caso – não se culpe. Não deixem que digam que faltou algo em você ou que foi algo que você fez. Errado é sempre quem age mal, não quem foi vítima. Guardem isso.

Veja também:

1 em Autoestima/ Comportamento/ entretenimento/ séries no dia 14.02.2019

Dumplin’, é filme mas poderia ser uma tour do #paposobreautoestima

Essa não é mais uma história sobre a “fofinha” que desabrocha e conquista o bonitão. Mas é também. No dia da live que Carla e Joana realizaram no Instagram, a Carla falou de Dumplin’. Ele chegou à Netflix Brasil e eu corri pra assistir.

O filme fala de relacionamentos tóxicos, mães que sufocam, frustrações, perdas. Fala também de luta contra os padrões, autoaceitação, insegurança nos relacionamentos. Não satisfeitas? Pois também aborda competição, comparação, lugar de fala, protagonismo da mulher oprimida. Mais? Amizades verdadeiras, representatividade, pluralidade, inconsciente coletivo, gordofobia, preconceito estrutural. E sobre autoestima, claro! Parece até que as roteiristas de Dumplin’ stalkearam o Papo por um tempo.

Eu esperava ver um bom filme sobre uma garota gorda oprimida por sua mãe. Mãe essa que foi Miss quando mais nova, e desde então ajuda a organizar os concursos de Miss da região.

Assim que acabei de assistir, só conseguia pensar que a Anelise de 17 anos precisava ter assistido esse filme. Mas a Anelise de quase 35 ficou emocionada.

“Eu sou Dumplin. E Will e Willowdean. Eu sou gorda. Eu sou feliz. Eu sou insegura. Eu sou ousada.”

Bons personagens constroem uma excelente trama em Dumplin’

Esse filme tem tudo aquilo que a gente já espera. A mãe ex-miss (Jenifer Aniston), a adolescente gorda (Danielle Macdonald) cheia de conflitos internos e a melhor amiga dentro dos padrões sem esforços (Odeya Rush). Tem também umas pessoas “esquisitas”, o gato da cidade e a tia sensacional. Esses são os personagens perfeitos para um filme teen, mas Dumplin’ (adaptado do livro de mesmo nome que, inclusive, quero <3) entrega maturidade e revela mulheres envoltas em suas certezas e fraquezas.

A trama gira em torno da inscrição de Willowdean, Odeya e algumas outras meninas no concurso de miss da cidade. Parece ser sobre vingança e protesto, mas percebemos que Willowdean é uma defensora das pessoas mais frágeis. Ela também é doce, mas mostra uma face negativa e julga as pessoas pela aparência (inclusive o seu “crush). Sempre presa às suas convicções, ela busca um jeito de receber atenção e carinho de sua mãe. 

Willowdean é incrível, super segura no trabalho e entendedora da opressão que a cerca. Mas também guarda alguns preconceitos justamente por ter sido tão massacrada pelo bullying – e aqui nós nos parecemos. Enquanto adolescente, para mim, existiam dois tipos de mulheres: as bonitas e as inteligentes. Se eu não conseguia corresponder ao padrão da magreza e beleza (e sempre me lembravam disso), eu não era a bonita. Logo, precisava fazer valer a minha inteligência.

Em algum momento eu achei que o filme cairia no lugar comum da desistência e da cessão à opressão, tornando a protagonista no estereótipo da recalcada. Mas com o desenrolar do filme, vi que Dumplin’ é tudo o que Insatiable ou Sierra Burguess quiseram ser. E ambos pecaram em não exaltar mulheres gordas como vencedoras. Ou melhor, vencedoras DA VIDA – fiquem tranquilas, não é spoiler.

Então quer dizer que tudo é lindo e perfeito? NÃO!

Tem afirmação de que a protagonista tem um rosto lindo (e a intenção era essa mesma). E mais uma vez, vemos uma mulher gorda ter o seu corpo anulado diante de uma afirmativa gordofóbica de que só corpos não-gordos podem ser bonitos.

Tem também uma tradução que só colocou a palavra GORDA na fala de uma personagem sincerona. Ninguém diz que é gorda com tranquilidade – sempre dizem com raiva ou quando buscam ofender outra pessoa. Gorda sendo palavrão, como quase sempre.

Devo abrir um parêntese para o figurino: tem drag no rolê, gente! vocês acham que é um bapho, sim ou com certeza?

Encerro essa resenha-desabafo com o final que publiquei no #papo:

“Dentre tantas outras questões e lições, o filme nos mostra que todas podemos lutar para que os corpos sejam aceitos, respeitados e admirados em sua diversidade. Mas permitam e promovam o protagonismo de corpos que foram esquecidos, demonizados, ridicularizados, negligenciados e anulados por toda a vida. Com uma ou outra ressalva, esse filme é uma ode ao plural e ao mais importante dos amores – O PRÓPRIO!”

E vocês? O que mais encontraram nas variadas nuances de Dumplin’?

0 em Autoestima/ Destaque/ entretenimento/ séries no dia 06.02.2019

Andi Mack, um seriado adolescente para discutir sobre autoestima

Andi Mack é uma série familiar e de comédia do Disney Channel, que eu nunca tinha ouvido falar até pouco tempo atrás. A primeira temporada entrou no Netflix aqui no Brasil, eu resolvi assistir. Mesmo sendo uma série para famílias eu confesso que quis assistir. Cada dia mais estou interessada em séries e filmes que reforcem a autoestima das adolescentes e pré adolescentes. E esse é exatamente o caso, então agora vou indicar!

Nas minhas férias devorei os 13 episódios da primeira temporada que subiram no Netflix. O seriado conta a história de Andi, que ao fazer 13 anos lida com a revelação do maior segredo de sua vida. A partir daí, ela precisa encarar uma transformação que muda sua vida de forma prática. Principalmente no que diz respeito à sua percepção de si mesma, com muitas transformações emocionais.

Se você tem uma pré- adolescente em casa com problemas de autoestima, eu realmente recomendo assistir Andi Mack. De preferência, juntas!

Fica claro que o peso que colocamos na beleza (principalmente dentro do padrão) é exagerado. Além disso, ela conta alguns dramas bacanas quanto ao papel do jovem na turma do colégio. Também redesenha valores de forma bem clara, que dão abertura para conversas e ensinamentos.

Agora começa o Spoiler suave!

A série mostra preconceitos nascendo e barreiras emocionais atrapalhando relações familiares, como na vida real. No entanto, tem um ponto na primeira temporada que eu achei bem fraco: o papel da mãe. Não digo da mãe que criou Andi – e que, na minha opinião, exagerou na rigidez. Falo no papel da mãe biológica, que ao reassumir esse papel na vida da menina não se coloca como mãe.

Pra mim, a falta de responsabilidade da mãe biológica acaba sendo romantizada em alguns momentos. Só não dá muitos problemas por dois motivos: Primeiro é uma série, então o efeito lúdico dá uma licença poética. Certamente os desfechos seriam outros se não fosse uma história de ficção.
Segundo, Andi Mack é super atenta, boa pessoa e responsável.

Na terapia acabo entendendo a importância da mãe se colocar no lugar de mãe e do filho se colocar no lugar de filho. A dinâmica de preservar os papéis originais me parece de extrema importância pra saúde mental das pessoas. Assim sendo, essa seria a minha única crítica a essa série que aborda tantos temas legais.

Diálogo, cabelo cacheado, quebra de estereótipo de beleza. Namoro, beijo, amizade e tantos outros assuntos tão importantes de tratar com adolescentes.

Vejo que a busca por se entender como individuo e perceber seu novo lugar na sua família dá a Andi Mack muitas oportunidades de nos ensinar.

Enquanto ela aprende sobre sua beleza, nós aprendemos sobre as inseguranças de uma adolescente. Ela descobre ao longo da série que muitas das crenças que carrega são padrões repetidos, que nem sempre são verdadeiros. Quando ela começa a desconstruir verdades socialmente ensinadas, ela começa a ver seu valor. De quebra, mostra pra gente como mudar de postura pode transformar a adolescência em algo muito melhor.

Queria eu ter entendido o real sentido da autoestima quando tinha 13 anos. Queria eu ter notado que existiam belezas além do padrão. Queria eu ter notado que todos os corpos podiam usar todas as roupas, dançar ou mesmo andar de mãos dadas com o menino mais legal da sala.

Acho que as crenças limitantes que fui aprendendo quando adolescente se perpetuaram por muito tempo, me paralisando. Enquanto eu podia estar curtindo, estava rezando pra ser diferente, me conformando que eu nunca teria oportunidades. Eu estava me odiando quando podia estar aprendendo a me amar. Por isso toda série ou livro que acharmos que reforça a autoestima e a segurança de adolescentes, será post aqui. Andy Mack é mais um desses.

O #paposobreautoestima a é sobre reversão de danos para mulheres de 30 anos, mas pode ser sobre prevenção de baixa autoestima para adolescentes.

Então, sejamos mães melhores, e vamos estudar e refletir como ajudar no processo de empoderamento das meninas do futuro. Para que a gente consiga ensinar sobre a verdadeira autoestima e toda a força que ela nos dá.

Acho que se eu tivesse uma filha de 10 anos agora, certamente estaria assistindo essa série com ela. Explicando todos os meus valores no meio do caminho. Aproveitaria esse tipo de conteúdo pra deixar um legado de amor próprio.

Você tem mais alguma série, livro ou filme pra me recomendar? Quero assistir tudo que eu puder para entender como o entretenimento produzido hoje pode quebrar paradigmas amanhã!