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Comportamento

2 em Comportamento/ Destaque/ Moda no dia 22.06.2020

Esse post não é sobre look do dia

Na semana passada eu aparecei nos stories do @paposobreautoestima usando um moletom tie dye que fez sucesso. E eu sei, o tie dye está super em alta por aí, inclusive esse que eu comprei foi na reposição. Sabe, quando você vai comprar, está esgotado e você pede para avisar quando chegar mais? Eu achei que isso não acontecia, mas aconteceu e eu acabei comprando antes de pensar.

Moletom: C&A | Short: Bonprix

Não me arrependi, tenho usado para tudo. Inclusive para sair de casa pela primeira vez desde que tudo começou. Então, apesar de ter começado como se fosse, esse não vai ser um post de look do dia. Vai ser um post para contar essa experiência estranha, meio frustrante e até mesmo triste.

Há 95 dias saí para caminhar e o mundo era outro. Desde então, vivi um pouco de tudo no isolamento. Para quem não sabe, há mais de 40 dias eu e meu noivo testamos positivo para o coronavirus. Depois de semanas de angústia, exames e hospital (porque eu tive a versão mais leve, meu noivo teve pneumonia), entramos no processo de recuperação, já negativos e com anticorpos. Voltei a fazer algumas coisas como ir ao mercado e levar compras para os meus pais, mas em nenhum momento me senti confortável para fazer nenhuma das coisas (superficiais ou não) que tenho vontade.

Me preocupei com minha auto-responsabilidade no coletivo e respeitei as minhas verdades durante esses quase 100 dias.

Hoje, saímos pela 1ª vez. A gente mora a meia quadra de distância do Aterro. Acordamos cedo, colocamos a máscara e descemos. Caminhar foi uma recomendação médica por conta do processo de recuperação do pulmão do Rodrigo. Fui com uma mistura de sensações. Preocupação com ele, animação por mim, medo, culpa e ansiedade.

Fantasiei com esse momento quase todos os dias, imaginava ter muitos sentimentos incríveis reservados para esse contato com o mundo exterior, mas confesso que não encontrei o que procurava. Não senti nada. A falta de confiança na estratégia de combate a pandemia não me deixou experienciar o relaxamento que eu sonhava lá fora. .

Tenho consciência que foi importante para a recuperação do Rodrigo, junto com a fisioterapia virtual. Também vi beleza no colorido do mundo. No entanto, ainda não foi gostoso como eu gostaria. Os pactos sociais agora não estão tão claros pra mim, sem informações e dados concretos fica difícil distinguir os fatos das especulações.

E o raciocínio lógico me impede de negar a gravidade da coisa a nível global. Hoje ficou claro que por mais que tenham flexibilizado o isolamento, nem todo mundo vai se sentir confortável em seguir o plano de um prefeito X. Aliás, como faz falta um ministro da saúde em quem confiar.

Alguns terão escolha de não voltar ainda, outros não. Mas o mundo que vi lá fora, não era o de antes.

Qual é o novo normal? Ainda não sei, mas talvez, eu ainda não esteja preparada pra ele. Enquanto isso seguirei cobrando uma gestão de crise mais séria pra nosso país e para o nosso povo, que na maioria dos casos não tem nem uma escolha a fazer, que precisa dar um jeito próprio de de proteger. 

0 em Book do dia/ Comportamento no dia 09.06.2020

Book do dia: O Robô Selvagem, de Peter Brown

Comprei O Robô Selvagem depois de uma indicação em podcast. Ao invés de comprar para mim, dei de presente para a filha de uma amiga. Ela é uma menina de 7 anos muito sensível, com gosto para leitura e que eu tinha certeza que ia amar. O negócio é que eu acabei encantando a mãe dela também. A cada agradecimento que ela me dava, mais eu tinha mais certeza que precisava conhecer esse livro.

Aproveitei que Arthur estava lendo um livro na escola que tinha 10 capítulos, e comprei para ler com ele. Aí que me dei conta da diferença: esse livro tem 80 capítulos! Tudo bem que a maioria é curtinho, mas mesmo assim. De 10 para 80 vai uma longa diferença. 

Conforme fomos lendo juntos, vi que não precisava ter usado ele como desculpa para comprar. Sim, o livro tem milhares de fatores que crianças irão amar: animais falantes, robôs, aventuras, descobertas.

Mas Robô Selvagem é também gera uma bela conversa sobre maternidade e todas as conversas que podem surgir dela. 

“Existem muitos tipos de mães”. – ilustra: Peter Brown

Vou contar só um pouquinho da história para vocês saberem do que se trata. Roz é uma robô que se perde em uma ilha selvagem e se vê tendo que aprender a conviver em um ambiente inóspito, onde ela é uma estranha. Um dia, ela se vê responsável por um filhote de ganso e se torna sua mãe adotiva. A história se desenrola através do crescimento de Roz como mãe e como parte da comunidade dos animais na ilha. Com todas as suas dificuldades, diferenças e aprendizados. 

Com uma narrativa sensível e atual, o Robô Selvagem gera conversas sobre adoção, sobre a maternidade ser algo que se constrói (instinto materno? Pfff), sobre respeito, sobre colaboração, sobre união e também sobre sustentabilidade. Fala também sobre rede de apoio, sobre usar suas habilidades e seus pontos fortes para trazer benefícios à sua comunidade e como uma sociedade unida faz a diferença.

Sim, eu fiquei surpresa de ver um homem trazendo questões sobre maternidade, mas Peter Brown conseguiu construir uma história lotada de empatia e gentileza.

Ainda faltam 10 capítulos para eu terminar, e até já imagino o que vai acontecer no final por causa do título do segundo livro dessa coleção. Já to prevendo que vou sofrer um pouco. Mas esse livro já mexeu tanto comigo que tenho certeza que não me arrependerei de indicá-lo por aqui, depois de tanto tempo sem uma indicação de Book do Dia. 

Espero que curtam a leitura, espero que esse livro toque vocês do jeito que me tocou. Depois me contem o que acharam. 

0 em Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 01.06.2020

10 passos para uma aliança antirracista

A Ingrid Silva, que já participou de alguns posts aqui no Papo, divulgou o link da Mireille Charper onde ela fez um pequeno passo a passo de como ser uma aliada na luta antirracista. Como o texto está em inglês, achei que valia a pena traduzir e deixar aqui, para todas vocês que queiram se juntar ao movimento. Para quem quiser ver o original, é só clicar aqui.

1 – Entender o que uma aliança antirracista significa:

“A aliança superficial serve apenas para alavancar o aliado. Ela pode até chamar a atenção mas não se aprofunda e não é direcionada para quebrar os sistemas de poderes opressores.” – Latham Thomas

2 – Dar uma olhada no seus amigos, familiares, colegas de trabalho e conhecidos negros:

Esse é um momento emotivo e traumático para a comunidade. Dar uma olhada na sua rede de contatos e checar se está tudo bem significa mais do que você pode imaginar. Pergunte como você pode oferecer suporte.

3 – Se prepare para trabalhar:

Entenda que reconhecer seus privilégios como pessoa branca não vai ser uma experiência bonita ou divertida. É necessário sentir culpa, vergonha e raiva no meio do processo.

4 – Leia trabalhos antirrascistas:

Não é suficiente se dizer antirracista, você precisará ler para entender e combater o racismo. Algumas leituras importantes para seu aprendizado (e com foco em um feminismo interseccional):
Mulheres, Raça e Classe – Angela Davis
Rumo a um feminismo descolonial – Maria Lugones
Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil – Sueli Carneiro
O feminismo é para todo mundo – bell hooks
Irmã Outsider – Audre Lorde
Memórias da Plantação – Grada Kilomba

5 – Não compartilhe conteúdos traumáticos:

Não importa as suas intenções, é vital considerar que o compartilhamento de pessoas sofrendo abusos e violência pode gerar gatilhos em pessoas negras. Evite compartilhar esse conteúdo que desumaniza pessoas negras.

6 – Doe para fundos e apoie iniciativas:

Considere apoiar plataformas e iniciativas que apoiam pessoas negras. Algumas que podemos indicar no Brasil são o Voz das Comunidades, Perifa Connection, Bibliopreta (que inclusive estamos fazendo vários cursos e indicamos), Winnieteca são alguns deles.

7 – Não centralize a narrativa para você:

Apesar de ser legal você empatizar com as histórias, agora não é hora de dividir suas experiências pessoas em uma narrativa que não é sobre você. Isso, na verdade é danoso e tira o foco da gravidade da situação. Deixe seu ego de lado.

8 – Continue apoiando mesmo depois das manifestações:

Não é preciso que um ato de brutalidade ou o fato de uma situação ter se tornado viral para você mostrar seu apoio. Continue apoiando criadores negros, iniciativas negras e organizações DEPOIS que a atenção para esse assunto diminuir.

9 – Pare de apoiar organizações que promovam discursos de ódio:

Se você consumir conteúdos que promovam discursos de ódio ou preconceituosos, você está contribuindo para o problema. Ao mesmo tempo, pare de apoiar organizações que amam a cultura negra, mas não usam sua voz para discutir questões que estão afetando a comunidade negra.

10 – Comece a sua estratégia de longo prazo:

O que você está fazendo a longo prazo para promover uma mudança? Você pode ser mentor de um jovem estudante? Você pode ser a administradora ou curado de uma organização que apoie a comunidade negra? Você pode voluntária? Faça um esforço para fazer coisas que sejam valiosas no longo prazo.