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Comportamento

0 em Comportamento/ Destaque no dia 20.11.2020

Por que hoje não é dia da consciência humana?

Sabemos que nossa audiência é majoritariamente branca. E que, talvez, uma parcela ainda ache bonito o discurso da consciência humana. Porque na teoria ele é tão lindo, não é mesmo?

Mas na prática a coisa muda de figura. Se existisse consciência humana, as vidas negras realmente importariam para todos.

Não seríamos um país onde pessoas são assassinadas todos os dias só por serem negras. Taí o recente caso do João Alberto, assassinado por seguranças no Carrefour, jogando isso na nossa cara.

Mas não é só isso.

O mercado de trabalho ainda é majoritariamente branco, e muitos empregadores usam a desculpa da “falta de qualificação pra preencher vagas de alto cargo”. Recentemente a cofundadora do Nubank falou em uma entrevista que tem dificuldades de encontrar candidatos negros adequados para as exigências das vagas na empresa, por exemplo. Enquanto isso, profissionais qualificados precisam enfrentar o racismo diário que questiona suas qualificações e desacredita que pessoas negras possam ter chegado a cargos importantes.

Quer ouvir mais essas pessoas? Sigam @katleendermato e @frednicacio.

E por fim, não tem como não falar dos dados de violência contra a mulher. Mulheres negras são as principais vítimas de violência. E sofrem mais com violência obstétrica. E até mesmo violência política.

Vocês acham mesmo que dá pra falar de consciência humana em um quadro como esse? A gente tem certeza que não.

E parte de nós, pessoas brancas, a reflexão sobre essa necessidade de querer ignorar a importância e a relevância desse dia. Por puro medo de encarar o racismo que temos entranhado dentro de nós. Toda vez que a gente reforça esse tipo de discurso, a gente reforça o sistema racista. E nada muda.

0 em Comportamento/ Destaque/ entretenimento no dia 19.10.2020

Enola Holmes, um filme que podia ser série

Tá afim de ver um filme fácil de assistir? Que te prende na medida certa e te deixa com vontade de saber mais? Com uma história curiosa mas contada de forma leve? Esse filme é Enola Holmes.

Comecei a assistir Enola Holmes sem nem saber do que se tratava. Só vi a sugestão lá na página principal da Netflix e cliquei para ver. Com um elenco cheio de nomes famosos – Millie Bobby Brown, Helena Bonham Carter, Henry Cavill e Sam Claffin são alguns deles – eu imaginei que não tinha como ser ruim.

Eu achei leve, divertido, curioso, meio bobinho adolescente, tudo que eu precisava depois de um dia cheio de mudanças. Uma das coisas que mais gostei é que mesmo tendo o famoso Sherlock Holmes no elenco (ele é irmão de Enola), ele é só um pano de fundo para uma história onde o protagonismo feminino domina.

Inclusive uma das cenas mais compartilhadas é justamente uma cena em que a personagem Edith explica para Sherlock Holmes, de forma bem didática e rápida, o que é privilégio. Aliás, a série é polvilhada de momentos onde questões atuais são discutidas de forma breve e fáceis de entender.

Talvez quem já esteja mais por dentro de assuntos como privilégios, feminismo, lugares de poder e afins ache bobo demais. Como disse, é um filme adolescente. Mas acho que para um público geral, é um bom jeito de abordar assuntos necessários.

Assim como todo mundo que compartilhou, essa é uma das minhas cenas preferidas de Enola Holmes. Tem uma outra também, que não vou compartilhar porque ela dá spoilers.

um filme me disse

Para mim, o único problema é que eu achei que exploraram muito pouco a história de Eudoria, a mãe de Enola, interpretada por Helena Bonham Carter. O contexto do filme se dá por causa do sumiço de Eudoria, mas a sensação que eu tive é que nada relacionado a ela foi muito bem explicado. Tinham algumas dicas soltas pela história que me fizeram acreditar que ela sumiu para fazer algo importante. Mas eu senti falta de saber mais.

A sorte é que, quando dividi isso nos stories do Papo, algumas seguidoras me avisaram que Enola Holmes é uma série de 6 livros (eu disse que só apertei o play, nem sabia que era uma adaptação). Então, talvez teremos um segundo filme que – espero! – explique a história e o paradeiro de Eudoria.

Terminei o filme com uma sensação que deveria ser uma série. Depois que fiquei sabendo dos 6 livros, tive mais certeza ainda. Mesmo assim, indico aqui porque é o tipo de programa que dá para pegar a pipoca e relaxar no sofá, principalmente naqueles dias que você não tá afim de pensar muito.

Alguém já viu? O que achou?

0 em Beleza/ Comportamento/ Destaque/ Make-up no dia 20.08.2020

Lançamento Fenty x falta de representatividade

Toda vez que acontece alguma polêmica racista com alguma marca, repito como mantra a pouca – ou nenhuma – diversidade nos ambientes de trabalho. Como creio que vocês já tenham ouvido falar, a Fenty Beauty, marca de makeup da nossa adorada Rihanna, começou a ser comercializada aqui no Brasil através da Sephora BR.

Pois bem, o grande mote da Fenty pelo mundo é a imensa diversidade de seus produtos.

Pensado principalmente para o povo preto com todos os seus tons e subtons. Com todas as questões relativas à peles pretas consideradas. Também com um casting estelar de influencers, artistas, pessoas gays, trans, com deficiência ou características de pele que sempre foram marginalizadas nas publicidades e nos produtos de outras grandes marcas de maquiagem.

A Fenty causou verdadeiro furor mundo afora justamente por trazer luz pra todos aqueles que a sociedade insiste em manter nas sombras. E é um sucesso retumbante de marketing!

Ao promover o lançamento dos produtos no Brasil com o que chamou de “ação de marketing”, a Sephora BR conseguiu CAGAR COM TUDO! E por quê isso aconteceu?! Simples, pela arrogância e NENHUMA diversidade nas agências e no pessoal de marketing envolvido, qe trataram a marca como apenas uma linha de makes que chegou no Brasil e não atribuíram a real dimensão da importância dela ao verdadeiro público alvo que a consome. 

O racismo entranhado se mostrou mais uma vez muito maior do que o case/produto/cliente. Ele está presente na escolha de apenas negras de pele clara, justamente na divulgação de uma marca que abraça tantos tons da negritude. Na escolha de mulheres brancas que, se bobear, nunca souberam da importância do lançamento dessa marca para as mulheres negras e como foi impactante para a autoestima de muitas finalmente conseguirem encontrar uma maquiagem no tom certo da sua pele. E até mesmo no racismo tão estrutural que impede pessoas brancas de enxergarem que negros podem, sim, consumir produtos caros.

Enquanto isso, gente preta engajada em defender a inclusão e a diversidade, que enalteceu a marca Fenty no lançamento mundial, que se empenhou em fazer resenhas e que compreende a real dimensão do produto e da marca nesta comunidade SEQUER FOI LEMBRADA.

Inclusive, se você quiser saber mais sobre vários produtos da marca, essa super resenha da Josy Ramos explica muito bem!

O Brasil é o país com mais pretos fora da Africa, e me impressiona como essa lançamento foi tão decepcionante.

Pro cliente, pra marca, e pro que ela representa. Apenas porque nenhuma daquelas pessoas foi capaz de entender que representação é essa. A carne mais barata do mercado segue sendo a carne preta. Mas vamos comprar tudo e esgotar tudo da Fenty só pra mostrar que os tempos mudaram e que vai ter preto chique/luxuoso/rico sim, senhor!

Por isso eu peço MAIS uma vez pra você, que é do RH, dona de uma marca, chefe do marketing, cargos de chefia, etc. DEEM OPORTUNIDADE PARA PESSOAS DIFERENTES. Na vida real existirão questões diferentes que pessoas iguais NUNCA PODERÃO RESOLVER!