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Comportamento

0 em Comportamento/ feminismo no dia 02.04.2020

A sobrecarga feminina em tempos de quarentena e corona virus

Em tempos de pandemia por corona virus, temos recebido diversos relatos de mulheres a beira de um colapso. Isso porque nessa quarentena, muitas retornaram integralmente ao espaço da casa, com todas as tarefas que lhe são atribuídas: trabalho remoto, supervisionar as lições das crianças, fazer as tarefas domésticas. E, em muitos casos, acrescido dos homens, que também estão desempenhando trabalho remoto. 

ilustra: Nathalie Jomard

Quantas mulheres se queixam que estão enlouquecendo com as supervisões dos deveres e da educação à distância? Com o aumento da demanda de trabalho? Com a divisão do espaço com o companheiro? 

As mulheres são vistas como naturalmente cuidadoras porque assim são socializadas. Bonecas que fazem xixi, cocô, que comem e tomam mamadeira. Objetos de casa como vassouras, rodos e utensílios de cozinha, todos voltados para o público feminino, até mesmo na cor. Temos feito uma mudança na sociedade? Com certeza. Mas ainda socializamos muito mais as meninas nos cuidados com a casa, maternidade e saúde. Os homens, quando dividem integralmente as tarefas, são recompensados com elogios e mais elogios. 

E o que dizer das mulheres divorciadas? Mães solos em tempos de quarentena e isolamento social?

Como estão conseguindo – literalmente – se virar em um país de desigualdades sociais? E as mulheres que perderam seus empregos ? Sobreviver sem perder sua saúde mental é fundamental. E agora eu me dirijo para quem conhece essas mães. E dou uma dica, como mãe solo: tente ajudar! Mapeie quem são elas na sua rede. Ligue. Pergunte como estão. Se puder ajudar com entregas ou compras, faça sua parte. 

E as que sempre estiveram no interior dos lares? Provavelmente agora elas estão com uma sobrecarga.

A família inteira dentro de casa e, em geral, com a concepção de que é “dever” dela fazer as tarefas da casa. É essencial nos darmos conta de que esse trabalho não tem remuneração e agora as tarefas se multiplicaram. Como oferecer ajuda? Pergunte-se.

Fato é que em uma sociedade que ainda precisa caminhar muito nas questões feministas, existem mulheres sobrecarregadas. O que podemos fazer? Em primeiro lugar, enxergá-las. Depois escutá-las e, em seguida, ver como podemos ajudar. 

Como superar essas questões em tempos de distância, isolamento e quarentena? Dialogando, repensando e entendendo que o papel da mulher não é cuidar. Cuidar é tarefa coletiva. Esse é um grande aprendizado desses tempos de pandemia: cuidar de mim para cuidar de nós.

0 em Comportamento/ Destaque/ entretenimento no dia 23.03.2020

A Vida e História de Madam C. J Walker

Acabei de ver “A Vida e a História de Madam C.J. Walker” (4 episódios) na Netflix e essa série mexeu comigo em tantos temas que nem sei por onde começar. Ela me fez pensar, me fez elaborar. De perceber o quanto existe na minha vida, na vida de mulheres e, em especial de mulheres negras.

Para quem não sabe de quem se trata, Madam C.J. Walker foi uma empreendedora, registrada como primeira mulher negra que se tornou milionária na história dos EUA. Ela também foi filantropa e ativista social. E a série, que fala sobre sua trajetória, aborda muitos pontos.

Um dos primeiros pontos importantes abordados pela série é o cabelo.

É claro que, levando em conta que a empresa criada por Madam C. J. Walker era de produtos para cabelo, não tinha como a série não abordar como o cabelo tem seu lugar para as mulheres, em especial mulheres negras. Mas além disso, como muitas mulheres não se vêem femininas com seus cabelos curtos ou mesmo carecas. Nossa feminilidade está mesmo ligada ao cabelo?

Do ponto de vista simbólico, ele sempre foi visto como adorno feminino e de força masculina, vide a história de Sansão que perde a força ao ter seus cabelos cortados. Sempre foram sinais de força, situação social e beleza. Até hoje, mulheres são consideradas desleixadas pela forma como tratam seus cabelos. 

O segundo ponto é sobre mulheres potentes e relacionamentos

Uma mulher forte e independente tem dificuldade de encontrar um parceiro ou alguém que entenda que estará sempre ao seu lado nos projetos. Ela tem seus objetivos e, caso ela seja hetero, nenhum deles é cuidar de um homem adulto. Ainda ouve-se muito que as mulheres independentes não casam porque não querem se submeter. Será que elas precisam ser submeter? Ou cansaram de ser “mães” de homens adultos?

Terceiro ponto: Se uma chega, várias outras também chegam.

Quando eu vejo alguém como eu em lugares sociais elevados, eu percebo que aqueles locais me pertencem. Ou seja, quando mulheres negras acessam cargos como advogadas, enfermeiras ou médicas, elas mostram a outras mulheres que é possível chegar lá. Representação importa.

Porque quando vemos a minisserie “A Vida e a Historia de Madame C J Walker” nos confrontamos com tantas coisas?

Porque é historia de uma mulher negra que se torna rica. E o fato de ter se tornado rica fez outras negras ricas? Claro que não. Mas inspirou com certeza. Michelle Obama, Oprah, Taís Araújo, Conceição Evaristo são exemplos de mulheres negras que inspiram todos dias. 

A minissérie vale a pena por entendermos o sistema que exclui mulheres por seu cabelo, pelo seu tom de pele e como a luta é sempre mais cruel para mulheres negras. 

Não somos inimigas, não deveríamos competir. Somos melhores como exército. Juntas. Uma levantando a outra, somos mais fortes.

Vejam a série, não percam! Em tempos de quarentena, ver série de gente forte, fortalece a gente…

0 em Comportamento/ Destaque/ Saúde no dia 11.03.2020

O que fazer para não surtar nas redes sociais

Outro dia fiz um post no grupo do Papo Sobre Autoestima no Facebook dizendo que estava exausta. Recentemente eu entro em redes sociais que são mais para debates do que compartilhamento de imagens e o esforço para não surtar é grande. A sensação que eu tenho quando vejo minha timeline é que entrei em uma sala barulhenta, onde todo mundo está gritando e apontando os dedos para cara dos outros.

Eu amo redes sociais. Amo um textão. Amo usar para aprender. Mas mesmo tentando enganar os algoritmos, a impressão que me dá é que todos os assuntos estão inflamados. Do Big Brother à matéria do Fantástico, passando por política (que sempre está inflamada) e corona vírus.

Quis saber se mais gente estava com essa mesma sensação. E também quis saber o que as pessoas estavam fazendo para não surtar diante desse cenário.

Algumas das respostas que recebi foram bem interessantes. Quis trazer pra cá, caso alguém esteja à procura de não surtar, assim como eu.

Luna: “Hoje eu me mantenho atualizada, organizo minha opinião e não olho pro que os outros dizem. Só comento sobre coisas polêmicas pessoalmente, ou em um grupo de amigas que sei que terei opiniões bem embasadas e boas discussões, fora isso, escolho me ausentar.”

Karine: “O que eu to fazendo pra não surtar é falar de Love is Blind, The Circle, um pouco de BBB”

Taiza: “Eu de tempos em tempos deixo de lado. Depois, volto. Me faz bem porque eu sou bem viciada em redes sociais, então é importante dar uma descansada de vez em quando. Não parece mas a quantidade de informação (e de gente sem noção) cansa muito.”

Mayara: “Tem dias quero me desligo, é necessário se não minha ansiedade aumenta. Não acesso Instagram e Facebook e WhatsApp. Quem quiser falar comigo urgente liga.”

Ester: “ACHO que mais do que nunca aqueles princípios de moral x ética, mito da caverna, certo e errado, estão em pauta. E tem duas ondas: a onda da informação e dados, temos MUITAS informações sobre QUALQUER coisa. E a onda do palanque/arena virtual, onde TODOS temos voz. Redes sociais trouxe essa democracia da informação, da externalização, mas não acompanhou a nossa capacidade de adquirir responsabilidade e inteligencia (emocional, até) pra lidar com esse tanto de conteúdo. O @contente.vc fez um post hoje inteligentíssimo sobre a nossa capacidade de lidar com informações. NÃO DAMOS CONTA. É muita informação, é inteligencia artificial filtrando o que chega pra nós, é difícil pra caramba!”

Gabi: “Eu de verdade tenho tentado me informar o mínimo possível, então venho seguindo conteúdo mais leves, ver séries e filmes leves pra não me sobrecarregar. Foi a forma que eu encontrei, embora as vezes pense que não é a mais certa. Porém preciso pensar mais no que fazer do meu dia a dia pra mudar ainda que o micro do que acompanhar o macro e não conseguir gerenciar nada.”

Marina: “Tenho usado as redes cada vez menos e escolhido compartilhar mais das coisas que me fazem bem, do que as que me fazem mal. O mesmo para comentar, para ir atrás de notícias e tal. Sei que a informação é importante, mas não preciso estar informada a todo o tempo sobre tudo, acho que podemos nos dar esse “luxo” de vez em quando. Como se escolhêssemos mesmo nossas batalhas. Me sinto em conflito, mas ainda bem que cada vez menos, porque gostaria de produzir mais, mas ao mesmo tempo não fazer tudo por conteúdo. Tento manter um equilíbrio e tem dado certo por aqui…”

Luiza: “Eu, como jornalista, já fui uma pessoa totalmente sedenta por informações e todas as opiniões possíveis sobre alguma situação polêmica e entrar em parafuso considerando tudo. Desde as últimas eleições, eu decidi me preservar um pouco, mas como trabalho com isso, não posso me ausentar de nenhuma informação nem de redes sociais. E o que funcionou, para mim, foi: eu aceitar que 1) eu não tenho que ter opinião sobre tudo no mundo, até porque tem coisas que só admirar sua complexidade e camadas já mostram que ser categórica é burrice; 2) As pessoas expõem suas opiniões apenas por expor, na maioria das vezes, elas não querem debater, considerar ou repensar nada; então só nos gera um gasto de energia na gente que tem consideração por essas coisas, sabe, então infelizmente, ter pena dessa mesquinhez de pensamento e deixar pra lá tb tem me ajudado. Eu gosto de pensar que o mundo é isso mesmo porque a gente enquanto pessoa e sociedade é isso aí. É complexo, cabe o raso e o profundo e nós não podemos carregar o peso de todo esse caos sozinhas, sabe. Eu procuro agora sobre essas conversas, conversar mais pessoalmente que pela internet e com pessoas que eu tenho segurança de opinar, falar (nem sempre que tenham a mesma opinião que eu, mas que eu posso me expressar, sabe), e de vez em qd desligar mesmo botar um filme bem frufru, fazer alguma atividade bem aleatória como desenhar ou escrever. É isso, se não a gente surta mesmo.”

Você também tem se sentido assim? Quais as estratégias você usa para se manter sã?