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Relacionamento

2 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 12.06.2019

Ter ou não ter [email protected], uma versão mais atualizada

Se você tem mais de 30 anos, talvez pegue a referência. Em algum momento próximo do Dia dos Namorados, que atire a primeira pedra quem nunca recebeu via corrente de email ou Orkut um texto de Artur da Távola cujo título é “ter ou não ter namorado”.

>>>>>> Ele está aqui para quem nunca cruzou com essa pérola <<<<<<

Acho que esse texto não faz mais tanto sucesso com a nova geração. E apesar de eu ter memória afetiva por ele, queria propor uma nova versão aproveitando que hoje é Dia dos Namorados aí no Brasil. Porém longe da ambição de querer me comparar com o autor, claro.

Começando pelo título, que poderia mudar para [email protected] afinal, já cansamos dessa história heteronormativa, né? Estamos falando para todas! Pronto, agora podemos continuar…

Tenha [email protected] se você já entendeu a importância de ser sua melhor companhia.

Se você já sabe apreciar seus momentos com você mesma e entende que, mesmo acompanhada, eles são necessários e importantes.

Tenha [email protected] se você vai se sentir desejada e atraente aos olhos dele(a). Não pelo que você acha, mas pelo que ele(a) te diz e demonstra. Que beije com vontade, que ande de mãos dadas com orgulho, que te apresente [email protected] para que te conheçam e vejam a pessoa incrível que você é. Que tenha sua própria vida, mas que considere você e o relacionamento entre vocês uma das prioridades. Equilíbrio (ainda que meio torto, porque somos humanos) é necessário na vida.

Que entenda que individualidade é importante. Que ciúmes são inseguranças. Que não se olha redes sociais nem celular do outro – quanto mais pedir a senha – sem consentimento. Que te apoie e seja quem mais te incentiva. Que gosta de te ver crescer e melhorar, sem competir quem é melhor, ganha mais ou tem mais sucesso.

Que não meça esforços para te ajudar nas suas conquistas e as comemore genuinamente.

Que te deixa um bilhetinho carinhoso, manda mensagem dizendo “eu te amo” quando não se espera. Ou mesmo um “me avisa quando chegar”. Que transforme quase tudo em uma ocasião especial. Do restuarante legal, passando pela viagem até o pastel da feira.

Que chega junto quando é necessário. Seja para te dizer que você está errada, seja para te mostrar um novo ponto de vista ou para compartilhar uma experiência. Que divida a conta, pague tudo quando você não puder, mas que entenda que grana não faz ninguém melhor num relacionamento. Que te incentive a ter sua independência financeira, assim saberá que você está ali porque quer.

Tenha [email protected] se a sua vida for melhor com ele(a). Senão pode ficar sozinha mesmo que tá tudo bem. Uma vida bem vivida sozinha, em paz consigo mesma é mil vezes melhor que uma vida do lado de uma companhia meia boca.

0 em Autoestima/ Relacionamento no dia 10.06.2019

Não vamos subestimar o amor do outro

A maior parte de textos sobre relacionamentos é sobre como lidar com nossos sentimentos e frustrações. Fazendo um mea culpa, aqui no Papo quase todos estão sob essa ótica da empatia e da auto responsabilidade. Mas nunca falamos da situação onde somos nós que estamos pisando na bola. Chegou a hora de nos responsabilizarmos por isso também.

Quer ver um jeito de pisar na bola super sútil, que a gente muitas vezes nem percebe? Quando resolvemos subestimar o amor do outro.

ilustra: @emba_dibujos

Muitas vezes parece atitude de gente que tem excesso de confiança. De quem tem certeza de que a outra pessoa estará sempre ali, não importa o que a gente faça. Mas subestimar o amor do outro pode acontecer em pequenas coisas. Uma brincadeira, uma atitude, um gesto.

Vou dar um exemplo: cíumes. A gente sabe bem que, na maioria dos casos, sentir cíumes está mais relacionado à nossa falta de segurança em nós mesmas do que em motivos concretos. Claro que terão casos que o cíume vai ser 100% justificável. Mas muitas vezes ele acontece porque acreditamos que podemos ser trocadas a qualquer instante. Achamos que não temos tanto valor assim, que não somos tão interessantes. Nos comparamos com outras mulheres e nos sentimos inferiores. Mas já parou pra pensar como o seu ciúme pode ser visto quando não existe motivos para isso?

A outra pessoa pode estar achando que o que ela faz não é suficiente para demostrar o amor dela. Pode ser verdade? Pode. Mas seria essa a melhor forma de deixar isso claro? E se o outro faz tudo para te deixar segura e ainda assim não adianta? Como será que ele se sente? É possível que ele acredite que o seu melhor não seja o bastante. E olha aí uma falha de comunicação atrapalhando uma relação onde o amor existe.

Saber identificar as linguagens do amor é um primeiro passo para que a comunicação aconteça de forma mais eficiente. Muitas vezes, a forma de demonstrar amor do(a) seu (sua) parceiro(a) é diferente da sua. E a forma de receber também.

Se não existe conversa em relação a isso, e se não existe a compreensão, certamente irá acontecer de um dos lados subestimar o amor do outro.

>>>>>> Nota do Papo: Se você quiser saber mais sobre essa diferença de linguagens, indicamos o livro As Cinco Linguagens do Amor. Também indicamos ouvir o podcast do Mamilos chamado Sexoterapia, afinal, sexo também é uma forma de mostrar amor <<<<<<

Tem aquela frase que diz que “aceitamos o amor que acreditamos merecer”. Justamente por isso, acho que é importante cuidarmos do nosso senso de responsabilidade, e da nossa autoestima. São eles que irão afetar os nossos relacionamentos. E muitas vezes, é essa pessoa que nos acompanha na jornada que vai estar ali para dividir com a gente a vida. Quem vai ser a mão estendida quando precisamos. E imagina colocar tudo a perder porque não soubemos nos resolver primeiro dentro da gente?

Nem mesmo o maior dos amores tolera precisar se provar a todo tempo. Nem mesmo o(a) parceiro(a) mais amoroso(a) vai te dizer o tempo todo que você merece esse amor que estão te oferecendo. Escolha viver um relacionamento de troca e aceitação, começando por saber que você merece o amor que recebe. 

0 em Autoestima/ Destaque/ feminismo/ Relacionamento no dia 30.05.2019

O tal nome de casada

Semana passada rolou um debate super interessante no Papo sobre Autoestima. Ele começou no grupo de Facebook, se estendeu para o Instagram e agora trago para cá. O assunto? O nome de casada. Ou melhor, a escolha de usar ou não o sobrenome do marido ao se casar.

Houve um consenso que trocar todos os documentos era um trabalho enorme. Esse foi o motivo que muita gente não cogitou a troca do nome. Outras quiseram manter seu sobrenome pois fizeram sua carreira profissional em cima dele. Teve quem disse que, na época do casamento, não se questionava sobre isso. Teve gente que trocou para poder tirar o nome do pai que foi ausente, omisso ou até mesmo abusivo. E em alguns casos, os dois mudaram os sobrenomes.

Alguns dos muitos comentários no nosso post do instagram. Vai lá ver, a discussão foi muito bacana, e os relatos, inúmeros.

Quando o assunto é nome de casada, a escolha acaba sendo pessoal e intransferível.

O que não significa que não podemos questionar a tradição. E ver se faz sentido para a gente. Tradicionalmente, o nome de casada de uma mulher era criado ao retirar o sobrenome materno, mantendo o paterno. Por fim, incluía-se o nome do marido. A ideia, assim como a da noiva ser levada ao altar pelo pai, é que ela deixaria de ser propriedade do pai e passaria a ser do marido. E notem que as mulheres saíam total da equação.

Atualmente é possível fazer todo tipo de combinação possível. Inclusive a de não mudar nada. As opções podem ir desde cada um ficar com seu sobrenome ou o marido incluir o da mulher. Pode acontecer de ambos incluírem o sobrenome do outro. Esse último me parece realmente uma solução igualmente justa, mas as mudanças dos documentos continua sendo uma coisa bem chata.

Mas isso parece mexer com as pessoas.

Percebo que muita gente que ainda resiste a pensar sobre essa tradição, ainda tem por trás uma ideia romantizada de família. Como se o fato de ser uma família precisasse ser validado pelo sobrenome. Ou que isso é uma prova de amor. Ou que os filhos precisam ter o mesmo sobrenome que a mãe.

Trocar o nome atualmente é uma decisão feita com base na sua escolha, na sua vontade e no seu sentimento. Mas é importante trazer essa discussão à tona. Em tempos onde falamos tanto sobre liberdade feminina, por que não questionarmos os conceitos antigos por trás de um gesto que só perpetua uma cultura machista? Por quê não trazer um pouco mais de clareza para quem ainda pode fazer essa escolha? Mostrar as opções? Informação nunca é demais, afinal.

Lembrando sempre que, se em algum momento da sua vida você fez essa escolha, isso não te torna menos feminista. E também não é um ataque ou crítica. Se você está segura dos motivos que te levaram até a sua decisão e vive em paz com sua escolha, com certeza vê a importância de poder trazer esse debate e dar à todas as mulheres o que elas deveriam ter desde sempre: clareza para que se faça uma escolha consciente.