Browsing Tag

autoestima

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 01.10.2020

Por quê mulheres têm tanto medo de envelhecer?

Recentemente Madonna postou um posicionamento polêmico em suas redes sociais. Nos comentários, muitas pessoas apontando que não acreditavam que Madonna tinha virado uma “velha maluca”. Mulheres mais velhas que ousam mostrar seus corpos em revistas ou redes sociais são vistas como doidas, que perderam a noção do ridículo. Se uma mulher mais velha ousa rebater uma pessoa mais jovem, ela é invisibilizada porque reclamar é “coisa de velha” mesmo. E desses exemplos que demos, pelo menos 2 deles você só vê acontecendo com mulheres.

Não é de se espantar que mulheres têm medo de envelhecer.

Ou de mostrar os sinais da idade. Juliana Ali já falou algumas vezes sobre etarismo aqui, como esse texto, ou esse aqui. E resolvemos nos unir novamente para falar sobre isso.

Mas dá pra gente tentar mudar esse quadro. Repensar a forma que tratamos as mulheres mais velhas. Que enxergamos elas. Que nos referimos à elas. Porque bater um papo sobre autoestima também é falar sobre esse assunto.

E como a melhor forma de mudarmos nossas percepções é ouvir, ver e seguir mulheres mais velhas, indicamos algumas pra vocês: @avosdarazao @donadirceferreira (que inclusive foi inspiração pra última ilustração) e @voizaurademari. Não podemos deixar de indicar também o trabalho da @lu.mich, que tem muitas conversas sobre aceitação, feminismo e padrões de beleza.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 22.01.2020

“É possível ser feliz e realizada mesmo com uma grande diferença estética”

Nasci com uma pequena mancha no queixo, como se fosse uma picadinha de inseto. E ao 8 meses de vida, BUMMMMM… uma hemorragia na gengiva tirou a paz da minha família e me levou, pela primeira vez, à uma sala de cirurgia. 

A infância foi tomada por sangramentos rotineiros, principalmente durante as noites. E uma manchinha que começava a tomar volume.

Na adolescência, com muito medo de não dar o meu primeiro beijo, eu quis ser como as outras meninas. Foi então que conheci um cirurgião plástico renomado que me ofereceu o que parecia um milagre: dois pontinhos no queixo e um rosto perfeito.

Um dia depois da internação saí do hospital com 16 pontos que iam do queixo até a orelha. E um hemangioma muito maior. 

Descobri da pior forma possível que meu problema não era estético, e sim de saúde. E que qualquer cirurgia que fizesse poderia me levar à morte. Eu estava ali, na fase mais difícil da vida, cheia de desafios, de insegurança, e precisei tomar uma decisão. Uma decisão difícil, mas que mudaria minha vida.

Eu era imatura, não tinha muitas certezas, mas de uma coisa eu sabia: eu queria viver. E querendo viver foi quando eu desisti de procurar por médicos e resolvi a procurar pela minha felicidade. 

Na verdade, eu já me amava como eu era, eu só precisava dar um gás nesse amor. 

Foi então que parei de usar os cabelos como uma camuflagem e comecei a usar rabo de cavalo. Afinal de contas, eu era linda demais e não precisava esconder nada de ninguém. 

O primeiro beijo, bem, esse eu já tinha dado. E eu tinha certeza que a minha vida seria, como eu quisesse que fosse. 

Aos 18 anos eu já estava noiva e iniciando a faculdade de Ciências Contábeis. Aos 21 anos eu já não estava mais noiva. Trabalhava durante o dia, estudava à noite, e depois das aulas ainda tinha tempo para muitas festas, porque sempre adorei me divertir com os amigos.

O hemangioma continuava a crescer, mas isso não me preocupava. Afinal de contas a questão “estética” já estava muito bem resolvida dentro de mim.

Tanto estava resolvida que fui escolhida para ser a oradora da turma em nossa formatura. E uma vez que eu nunca tive problema em aparecer, pelo contrário, eu adorava um público. 

Faltando poucos dias para a formatura, e para quebrar um pouco do meu brilho, eu tive uma grande hemorragia na gengiva, a maior de todas. E nesse momento eu descobri, que o risco de morte não se dava só em uma cirurgia, eu descobri que eu corria risco a todo instante. 

Mesmo com perigo iminente, eu fiz minha formatura, fiz o meu discurso, fiz o exame de suficiência (para ser efetivamente contadora) e depois fiz uma cirurgia para garantir minha vida. 

Desse procedimento que eu só esperava sair viva, eu saí quase sem hemangioma. Os médicos conseguiram retirar quase todo o volume e em 15 dias eu estava dançando um baile. 

Nesse ponto, minha autoestima que já era alta cresceu ainda mais… porém a alegria durou pouco.

Em um ano eu precisei de uma nova cirurgia depois de uma grande hemorragia externa, durante o banho. Depois dessa operação, o resultado estético não foi dos melhores. 

Eu precisei passar por um enxerto de pele, e muitos pontos, tantos que nem sei contar. A primeira vez que me vi no espelho foi um tremendo susto, mas passado o susto, eu voltei a me amar. 

Eu já era contadora, virei professora universitária. A maioria dos meus alunos era mais velha do que eu. E desde o primeiro contato eu soube que era aquilo que eu amava. Eu soube que compartilhar o que eu sabia, e aprender com o que os seus olhos diziam, era o que me levava à satisfação. 

Sempre fui segura, sempre confiei no meu potencial, e por isso encarei todos os desafios de cabeça erguida. Como encaro os olhares de pena ou de repulsa que recebo. 

Uma alta autoestima, é sabido de todos, é imprescindível para uma vida mais feliz. No meu caso, uma altíssima autoestima era muito mais que isso, para mim: era a garantia da minha vida. 

Depois disso eu passei por mais 14 procedimentos cirúrgicos para me manter viva, e a malformação arteriovenosa (nova nomenclatura científica) que tenho na face, continuou a crescer. Mas ela crescia, e eu também. Ela evoluía e o meu amor próprio, ainda mais. 

E o maior salto, o período em que o meu carinho por mim mesma se potencializou, foi quando, eu resolvi criar um blog chamado “Eu tenho um hemangioma e daí?!?”em 2015. O nome tem a ver com o que eu sempre senti. Eu tenho um hemangioma, sim, mas eu nunca deixei de viver por conta disso. Pelo contrário, ele sempre me deu forças para eu querer fazer o meu melhor, para eu querer viver intensamente a cada dia. 

O intuito do blog era ajudar pais de crianças com problemas semelhantes aos meus. As informações sobre o assunto são muito escassas e, no fim das contas, o blog ajudou muitas pessoas sem nenhum problema aparente.

E ajudou ainda mais, a sua própria criadora. 

É, porque no blog eu abri meu coração, eu contei tudo o que sentia. Fazendo isso, eu só aumentei o meu orgulho pela minha história. 

Depois do blog surgiram os convites para palestras, que hoje já somam mais de 130. Depois da palestra veio a coroação do meu trabalho, com a publicação do livro Entre Ondas de Emoção. Uma obra literária que conta toda a minha história, com uma riqueza incrível de detalhes emocionais.

E hoje, continuo trabalhando como contadora durante os dias. Larguei as salas de aula por conta de um problema nas cordas vocais, mas continuo com minhas palestras e minha missão de mostrar ao mundo que é possível ser feliz e realizada mesmo com um sério problema de saúde e uma grande diferença estética. 

E mais que isso, mostrar que a autoestima é um grande presente. Um presente que não podemos desperdiçar jamais, pois é o presente que nos leva à felicidade. 

0 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 10.09.2019

Livros infantis que estimulam a autoestima nas crianças

Outro dia levei para o instagram um questionamento que surgiu sobre cabelo bom x cabelo ruim. Mencionei o documentário “Good Hair”, do Chris Rock, que foi criado depois que a filha deles – na época com menos de 10 anos – veio perguntar por quê ela não tinha cabelo bom. Conversa vai, conversa vem, algumas leituras sobre o assunto foram indicadas.

E eu comecei a pensar em outros títulos de livros infantis que ajudam na construção da autonomia, empatia e autoestima nas crianças.

Perguntei no grupo do Papo Sobre Autoestima e hoje eu venho aqui dividir as dicas recebidas.Se você quiser montar uma pequena biblioteca com diversidade e histórias inclusivas para seus filhos, anota aí essas dicas:

1 – O cabelo de Lelê, de Valéria Belém

Esse livro fala de um jeito bem gostoso e ritmado a história de Lelê ao encontrar a história sobre seus cabelos. E como ela passa do não gostar a amar o que vê. Ideal para crianças com cabelos cacheados e crespos.

2 – Meu crespo é de rainha, de bell hooks

Ainda nessa linha sobre cabelos crespos, esse livro é indicado para crianças a partir de 3 anos de idade. bell hooks é feminista, ativista social, artisa e autora de muitos títulos importantes. Nesse livro, ela enaltece a beleza negra, exalta penteados e textura dos crespos e é pensado para incentivar a expressão da individualidade. Uma forma gostosa de criar união através dos cabelos.

3 – Amoras, de Emicida

Joana deu esse livro para o Arthur, mas ele virou muito mais o meu xodó que o dele. É normal que a identificação com ele não aconteça de imediato, afinal, meu filho é um menino branco – e esse livro é feito para que meninas negras se reconheçam. Mas mesmo assim, é muito bacana contar essa história para ele e vê-lo absorvendo – de forma muito básica, claro – a ideia de que se identificar e se valorizar nas coisas mais simples é algo lindo de se ler.

4 – Coisa de Menino e Coisa de Menina, de Pri Ferrari

Esse eu comprei porque achei a mensagem muito bacana. É uma desconstrução de masculinidade tóxica na versão be-a-bá. Em poucas páginas, passamos as mensagens que meninos podem chorar, podem dançar, podem abraçar, cuidar e serem o que quiserem. Existe a versão para meninas também.

5 – Sinto o que Sinto: e a incrível história de Asta e Jaser, de Lázaro Ramos

Esse eu não conheço, mas foi super indicado. Então, trago aqui a sinopse: “Este livro tem como protagonista o personagem Dan, já conhecido entre os fãs do Mundo Bita, e discute temas importantes para crianças e adultos – sentimentos, ancestralidade, pertencimento, diversidade cultural, aceitação e respeito às diferenças.”

6 – A parte que falta, de Shel Silverstein

Se você só lembra desse livro por causa da Jout Jout, vem cá, estamos juntas. Teve uma época que Arthur viciou no “livro da bolinha”, passei umas 3 semanas seguidas lendo ele toda noite. E toda noite lembrava dela lendo. Mas a verdade é que, Jout Jout à parte, ele é um livro muito bacana que tem como lição a ideia de que a felicidade não está nos outros, e sim em nós mesmas. Vale a pena.

7 – O monstro das cores, de Anna Llenas

Também não conheço, mas foi indicado e eu fiquei curiosa para ter comigo. Vou passar a sinopse: “O monstro das cores não sabe o que se passa com ele. Fez uma bagunça com suas emoções e agora precisa desembolar tudo. Será capaz de pôr em ordem a alegria, a tristeza, a raiva, o medo e a calma? A história estimula as crianças a identificar as diferentes emoções que sentem, como alegria, tristeza, raiva, medo e calma, através de cores.”

8 – “Princesas escalam montanhas?” e “Ninjas cuidam do jardim”?, de Rafaela Carvalho

A Rafaela tem um perfil no instagram maravilhoso chamado @a.maternidade e ela também e autora de livros. Esses dois são infantis e eu diria que são complementares. Ambos foram criados para desconstruirmos a ideia de que meninas têm um jeito definido e meninos idem. E pensados para que a gente estimule nossos filhos a se apaixonarem por quem são.

9 – Tudo bem ser diferente, de Todd Parr

Não conhecia também, mas foi indicado e adorei a proposta. Trago para cá a sinopse para ver se vocês curtem também: “Este livro trabalha com as diferenças de cada um de maneira divertida, simples e completa, alcançado o universo infantil e trabalhando com assuntos que deixam os adultos de cabelos em pé, como adoção, separação de pais, deficiências físicas, preconceitos raciais, entre outros.”

10 – “Não me toca, seu boboca”, de Andrea Viviana Taubman

É claro que a gente queria viver num mundo onde violência sexual não deveria ser abordada com crianças. Mas infelizmente não é bem isso que acontece. E poder trazer esse assunto à tona de uma forma lúdica e linguagem simples é importante. Esse livro mostra à todas as crianças o que é a situação de violência sexual e o que fazer para evitá-la. Vale a pena ter.

11 – Histórias de ninar para garotas rebeldes, de Elena Favilli

Eu não tenho, mas conheço muita gente mesmo que tem. E que lê para filhas e filhos. Vou deixar aqui a breve descrição do livro: “Em Histórias de ninar para garotas rebeldes, tudo o que podemos sentir é esperança e entusiasmo pelo mundo que estamos construindo. Um mundo onde gênero não defina quão alto você pode sonhar nem quão longe você pode ir.”

12 – Contos para garotos que sonham em mudar o mundo, de G.L. Marvel

Não conhecia, mas trago aqui porque também foi bem indicado. “O que Albert Einstein, Beethoven, Ayrton Senna, Leonardo da Vinci e Martin Luther King tinham em comum? Todos foram jovens que não sabiam o que o futuro lhes reservava – assim como é para muitos de nós. Mas esses jovens cresceram e se tornaram verdadeiros modelos, inspirando crianças do mundo todo.”

Você tem algum livro para indicar? Conta aqui!