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0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 02.12.2020

Autoconhecimento é uma merda

Olha, preciso dividir uma coisa com vocês: autoconhecimento é uma merda. Calma, não to dizendo que ele não é necessário. Ele é. Irei defendê-lo sempre. O problema é que quando a gente fica sabendo certas coisas sobre nós mesmas, o bicho pega.

Nesses últimos anos de terapia descobri que sou mais controladora do que gostaria de admitir. Que tenho um conformismo que muitas vezes me paralisa. Que muitas coisas que eu levo pra reclamar na, verdade, são causadas pela minha dificuldade de impor limites. Que meus mecanismos de defesa são bem mais teimosos do que eu gostaria. Que eu tenho mais medo da opinião alheia do que eu gostaria de admitir.

ilustra: @tangerine.illustration

As vezes rola um pequeno arrependimento por ter descoberto um traço meu que eu não tinha conhecimento.

Descobrir que você não é o alecrim dourado que você acredita que é pode ser um tapa na cara. Saber que você tem traços na sua personalidade que impactam de forma negativa quem convive contigo machuca. Que você tem parte da responsabilidade em todos os seus relacionamentos. A vida parecia mais simples antes. Sabe, aquela coisa de a ignorância é uma benção. Mas ao mesmo tempo também pode ser uma maldição, porque você passa anos em looping, repetindo os mesmos padrões.

Autoconhecimento é uma merda mas também liberta.

Ô se liberta.

Hoje ficou muito fácil me atentar a esses padrões, e tentar seguir por um outro caminho. Afinal, não adianta querer os mesmos resultados se a gente está sempre fazendo a mesma coisa, né?

Ainda estou caminhando nesse exercício de tentar ser mais leve comigo, me levar menos à sério. Ainda caio em armadilhas de querer agradar todo mundo – e ficando infeliz no meio do caminho. Mas cada vez mais eu prefiro abraçar cada pedacinho que vou descobrindo sobre mim e acolhê-los com o mesmo amor.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 24.07.2020

Muitas versões de mim

“(…) eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu.” (Lewis Caroll)

Eu sou poeta, escritora amadora nas horas vagas e, no meio da pandemia, tenho me reunido em coletivos de escrita. Um dos desafios dos últimos dias foi escrever sobre tretas do passado. O texto ou ficava fofo demais, romântico demais, ou direto demais. Não tinha cara de treta.

Qual é a cara de treta, você sabe? 

Acabei falando de uma situação muito incômoda que foi um envolvimento com um cara de esquerda que cantou minhas amigas. Quem nunca teve esse tipo na vida? Que você admira pelo discurso, mas na prática é um zé?  Na época, foi uma mistura de decepção com incredulidade. A poesia ficou ótima, mas carrega em si certo ressentimento. E fui me debruçar sobre aquele sentimento, afinal autoconhecimento não é uma jornada fácil. 

Me deparei com uma mágoa que achei estar resolvida.

O primeiro sentimento foi me sentir trouxa. Aí pesquisei o que significa ser trouxa e percebi que não fui. Fui apenas uma versão de mim. Recém saída de um casamento longo, vulnerável, inábil. E aí me peguei pensando naquela versão. Quanto tempo ela durou. Aparentemente forte, mas lá no fundo, inexperiente e frágil: 

A jornada que me trouxe aqui não começou lá na separação.

É impossível olhar para mim e não perceber quantas já fui e quantas ainda posso me tornar. Perceber quem fui, antes e depois do abandono paterno na infância; da morte da minha mãe na juventude; do nascimento da minha filha na idade adulta, da minha separação na maturidade; e quantas ainda poderei ser. 

Já fui dura, conservadora, tímida, sonhadora, sempre escritora. Jà fui confusa, engravidei, tive todas as dúvidas de mulher, mãe, trabalhadora. E com certeza, em boa parte da trajetória, falhei. Enfrentei muitos medos, eu sobrevivi. E se você me perguntar qual versão prefiro, digo que é essa que vos escreve, neste momento, bebendo suco de Kiwi. 

Sou cada pedacinho de tudo que já vivi.

Sou mistura constante do que aprendi. O futuro ainda virá e sei que vou conseguir. Pois, existe uma força ancestral das mulheres que vieram antes de mim e das tantas versões que construí. Você já se perguntou quantas versões de você te trouxeram até aqui? 


“Cada tic tac é um segundo da vida que passa, foge, e não se repete. E há nele tanta intensidade, tanto interesse, que o problema é só sabê-lo viver. Que cada um o resolva como puder.”

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 03.03.2020

Feliz ano novo, seja ele sabático ou não.

Eu gostaria de tirar o tal ano sabático. Pegar a mochila e ir andar pelo mundo. Quando mandasse mensagem, eu responderia: “estou rezando com as mulheres na Índia”. Tudo isso poderia ser possível se eu não tivesse uma filha de 11 anos e um trabalho, onde isso está fora de cogitação. 

No entanto, é possível alguns aprendizados aqui mesmo da zona norte do Rio de Janeiro. Mas antes, agora que Carnaval terminou: Feliz Ano Novo!!!

Imagem: Amy Shamblen

Voltando ao assunto, o que posso fazer sem pegar a mochila e ir para Bali?

Posso aprender a dizer não ao que me incomoda. Ao que não combina mais, ao que não tem a ver. A relacionamentos tóxicos ou que não te acrescentam nada. 

Amizades reais aguentam meus surtos e perguntam: “mana o que está acontecendo com você?” Um namorado de verdade não vai criticar meu jeito de ser. Uma família amorosa vai me apoiar em todos os momentos. 

Vou seguir me conhecendo. Aproveitar aquele vinho, cinema, teatro, até aquele chopp no final de tarde sozinha. Amigos e parceiros (as) não são pessoas para preencherem lacunas na minha agenda. O mesmo acontece com filhos, eles crescem e as demandas mudam.

Minha história é única e incomparável. Não a comparo com ninguém. Cada um vive sua história, que tem altos e baixos, sucessos e fracassos. Quando me comparo, esqueço de celebrar minhas virtudes e conquistas. Minha autoestima não pode estar calcada em me sentir melhor do que outro, repense isso. Tenho orgulho de você!

Os outros são espelhos de mim mesma. A forma como os interpreto diz mais sobre mim do que sobre eles. Então, procure se ver com mais complacência e ter mais complacência com os outros. É mais fácil quando vemos o outro como espelho de nós mesmos. O outro nos muda e nós mudamos o outro.

Por fim e não menos importante, vá ao encontro de quem é real e recíproco em sua vida. Pare de insistir em relações vazias e sem troca, sejam elas: familiares, amorosas ou fraternais. 

E, por fim, março, ano que se inicia. Faça diferente. Seja diferente. Você não perde nada em tentar.

Bebam água.
Abracem.
E sejam felizes.