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0 em Comportamento/ Destaque/ entretenimento no dia 26.02.2019

A diversidade no Oscar em 4 momentos para a gente ver e rever

Podemos falar só mais um pouco sobre o Oscar? Porque este ano foi mesmo muito especial e ainda estamos digerindo alguns momentos muito legais que aconteceram durante a cerimônia. A diversidade no Oscar vem trilhando um caminho interessante desde os movimentos #AskHerMore (onde atrizes questionaram as perguntas tão futeis nos red carpets) e #OscarsSoWhite (um protesto contra o pouco reconhecimento dos artistas negros na indústria do cinema). E a gente ousa dizer que a cada cerimônia, isso vem sendo cada vez mais claro.

Então, caso você tenha perdido, tenha dormido no meio ou simplesmente quer rever para a gente conversar aqui, separamos alguns momentos especiais que merecem nosso destaque do #paposobreautoestima. Que mostram como a diversidade no Oscar é algo que precisa ser reverenciado.

1 – O discurso de Gaga sobre resiliência e determinação

Desde seu depoimento no Grammy, Gaga continua nos inspirando com seus discursos. Ela ganhou mais um prêmio, dessa vez de melhor canção com Shallow – mais conhecida como o hino de 2018/2019 e trilha Sonora de “ Nasce uma Estrela” – música que ela compôs, produziu e cantou. E seu discurso de agradecimento merece ser destacado.

“Se você está em casa e está sentado em seu sofá e está assistindo isso agora, tudo o que tenho a dizer é que é um trabalho árduo. Eu trabalhei duro por um longo tempo e não se trata de vencer. É sobre não desistir. Se você tem um sonho, lute por isso. Há uma disciplina para a paixão: não se trata de quantas vezes você é rejeitada ou cai e é espancado, mas quantas vezes você se levanta, é corajosa e continua em frente.”

E apesar de ter sido postado ontem, não vou deixar a oportunidade de botar o vídeo da apresentação de Lady Gaga e Bradley Cooper novamente. Shallow era a música mais esperada da noite e foi O momento mais falado também.

2 – O discurso sobre representatividade de Rami Malek

Quem também fez um discurso que deu o que falar foi Rami Malek. Ele subiu ao palco para agradecer o prêmio da categoria Melhor Ator, pelo seu papel como Freddie Mercury em “Bohemian Rhapsody”. Rami, que é filho de imigrantes egípcios, falou um pouco sobre o quadro abordado no filme, trazendo a diversidade no Oscar para discussão.

“Aquele garoto estava lutando com sua identidade … Eu acho que para qualquer um que está lutando … nós fizemos um filme sobre um homem gay, um imigrante, que viveu sua vida apenas sem pedir desculpas. O fato de eu estar celebrando ele e essa história com você esta noite é a prova de que estamos ansiando por histórias como esta. Eu sou filho de imigrantes do Egito. Sou americano de primeira geração e parte da minha história está sendo escrita agora e eu não poderia ser mais grato.”

3 – A homenagem e o alerta de Spike Lee

Um dos momentos mais ovacionados da noite foi quando, enfim, Spike Lee venceu seu primeiro Oscar como melhor diretor. Sim, somente agora. Apesar de ser um nome que serve como referência há tantos anos. Suas palavras foram super conscientes e com impacto social, talvez as mais importantes da noite toda!

“Quatrocentos anos. Nossos ancestrais foram roubados da África, depois levados para Jamestown, Virgínia e escravizados. A minha avó, que viveu até 100 anos de idade, apesar de sua mãe ter sido escrava, conseguiu se formar. Ela viveu anos com seu seguro social, e conseguiu me levar para a universidade NYU. Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios. Os ancestrais que vão ajudar a voltarmos a ganhar nossa humanidade. As eleições de 2020 estão chegando, vamos pensar nisso. Vamos nos mobilizar, estar do lado certo da história. É uma escolha moral. Do amor sobre ódio. Vamos fazer a coisa certa”.’

Não é à toa que foi tão elogiada – menos por Trump, que resolveu usar o argumento do racismo reverso (olhos revirando pra sempre).

4 – Um toque de identificação com Olivia Colman

Não podemos esquecer do discurso de Olivia Colman. Ganhadora do Oscar de Melhor Atriz por sua interpretação em A Favorita, Olivia subiu no palco e fez todo mundo se divertir. Não diríamos que ele faz parte da diversidade no Oscar, mas o discurso teve um toque de bom humos e identificação únicos. Uma proximidade que poderíamos imaginar nossa mãe – ou nossa amiga – falando o mesmo.

“Isso é realmente bem estressante. Isso é hilário. Eu ganhei um Oscar! [risos] Ok, tenho que agradecer um monte de gente. Se, a propósito, eu esquecer alguém, vou te achar depois e te dar um beijão. Yorgos – meu melhor diretor e o melhor filme com Emma e Rachel, duas das mulheres mais amáveis no mundo para se apaixonar e acompanhar no trabalho todo dia. Vocês podem imaginar que isso não foi uma tarefa difícil. E estar nessa categoria com essas mulheres extraordinárias e Glenn Close – você é meu ídolo há muito tempo, não era assim que queria que acontecesse. Acho que você é incrível e te amo muito. (…) Meus filhos, que estão em casa e assistindo. Bem, se não estiverem, bem feito, mas meio que espero que vocês estejam; isso não vai acontecer de novo. E qualquer garotinha que esteja praticando o discurso para a TV, você nunca sabe. Eu costumava trabalhar como faxineira e amava aquele trabalho, mas gastei muito do meu tempo imaginando isto. Meu marido, Ed, meu melhor amigo, eu te amo tanto. 25 anos e você tem sido meu maior apoiador. Ele vai chorar! Eu não vou. Muito obrigada – Fox, todo mundo, o elenco e a equipe. Obrigada.”

Ainda sobre esse prêmio, vocês viram a felicidade de Emma Stone quando Olivia ganhou o Oscar? Foi das felicidade mais genuínas que vimos ultimamente. Bem dentro daquele texto que fizemos aqui sobre se sentir feliz pelos outros, foi lindo!

Só sabemos que em um ano que muito se discutiu a importância da representatividade, foi maravilhoso ver tantas mulheres talentosas ocupando espaço!

E ver a diversidade no Oscar desse ano foi emblemático pois nos trouxe aprendizados maravilhosos.

Além disso também tivemos Ruth Carter sendo a primeira mulher negra a ganhar o Oscar na categoria figurino por Pantera Negra. Hannah Bleacher foi a primeira pessoa negra a ser indicada na categoria design de produção. E levou a estatueta! Tivemos Yalitza Apatricio, que saiu de um povoado indígena do México onde era professora à indicada ao Oscar de melhor atriz por Roma. Tivemos Rami, Olivia e Mahersala Ali, que ganharam nas categorias de atuação, todos com personagens LGBT+.

Também tivemos Melissa McCarthy, que apesar de ser subido ao palco para fazer piada, estava concorrendo à estatueta de melhor atriz por um papel dramático. É fundamental lembrarmos que atrizes gordas não precisam fazer apenas comédia e podem ser reconhecidas por seu talento, independente do juízo de valor social sobre seu peso.

Só sabemos que em um ano que muito se discutiu a importância da diversidade, foi maravilhoso ver tantas mulheres talentosas ocupando espaço! E ter tanta representatividade foi emblemático pois nos trouxe aprendizados maravilhosos.

Em uma das fotos de divulgação dos indicados ao Oscar, o diretor Alfonso Cuáron, Yalitza Apatricio, Spike Lee e Rami Malek.

A diversidade no Oscar 2019 foi um reflexo real das discussões positivas que estão rolando no mundo hoje. Em tempos de tanta intolerância e conservadorismo, onde nem sempre diferenças são respeitadas, uma cerimônia desse tamanho tocar em ponto sensíveis e trazer muita representatividade é muito importante.

Nem sempre é fácil ter uma boa autoestima quando se é diferente de um padrão que tentam nos impor como certo. Algumas pessoas topam abrir mão de se aceitar pra se moldar e atender a essa aprovação social. Outras não.

A diversidade no Oscar tem tudo a ver com representatividade que precisamos pra lembrar que não existe só um jeito certo de ser. Você pode apenas ser você.


0 em Autoestima/ Comportamento/ entretenimento/ Relacionamento/ séries no dia 20.02.2019

Dirty John, mais uma série que deixa claro que a culpa nunca é da vítima

É bem possível que você tenha passado o fim de semana maratonando Dirty John, que estreou semana passada na Netflix. Baseada numa história real, ela narra os muitos golpes de John Meehan, focando mais especificamente em sua relação com a empresária Debra Newell. Além disso, ela fala sobre todas as relações abusivas que cercaram a vida não só da empresária, mas também do próprio John. A série te prende pela história (e também pelo Eric Bana, que faz um cafajeste perfeito) e tem um final surpreendente.

E num primeiro momento, é possível que você, assim como eu, caia num erro muito comum. Que atire a primeira pedra quem viu os episódios e não se perguntou sobre a autoestima da Debra. Como pode ser tão baixa a ponto de se deixar enganar por um cara que nitidamente está se aproveitando dela?

Pare na mesma hora em que esse pensamento vier, porque é aqui que quero mostrar um outro ponto de vista sobre essa situação narrada em Dirty John.

A autoestima da Debra é, sim, baixa. A gente nota por várias questões que vão além de seu relacionamento com John. Mas a culpa por ela ser enganada e estar num relacionamento abusivo não é dela. A essa altura do campeonato, a gente sabe muito bem que a culpa nunca é da vítima.

E isso vale não apenas para relacionamentos abusivos, mas para qualquer tipo de relação onde alguém foi enganado. É muito comum que, ao sermos enganadas, a gente se questione: “o que eu fiz para que me enganassem?” Na verdade, essas perguntas não deveriam ser feitas.

A gente precisa parar de uma vez de achar que se alguém nos engana, seja na vida, no trabalho, nos relacionamentos, a culpa é nossa.

Na verdade, não precisamos de Dirty John para entender isso. A verdade é que a gente não nasceu pra viver desconfiada, se precavendo de tudo e todos. Viver em estado de alerta não é saudável. Se alguém não foi honesto com conosco, não foi porque fomos trouxas para deixar isso acontecer. Não importa se não percebemos ou não previmos. Relações não existem para vivermos preocupadas esperando o golpe, mas para que exista confiança e respeito mútuos.

Mas calma. Também não estou dizendo que devemos ser ingênuas e não desconfiarmos de nada. Nem nos precavermos antes de conhecermos melhor as pessoas, não é isso. Até porque nem isso impede de sermos surpreendidas, como foi o caso da mulher que falou com o homem pelo aplicativo por 8 meses e na noite que eles passaram juntos, ela acordou sendo espancada por ele. Mas acredito que uma vez que a gente decide acreditar em alguém, viver em desconfiança, insegura ou preocupada não é bom. Nem saudável, e não é como nenhum tipo de relação deve ser.

Em Dirty John, a relação de Debra com John não foi diferente. Foi uma aposta de confiança como tantas outras. A gente tende a achar que faria diferente porque estamos vendo de fora. Mas a verdade é que não dá para julgar.

Fique atenta a detalhes, acredite na sua intuição mas, se por acaso ela falhar – ou estiver certa, dependendo do caso – não se culpe. Não deixem que digam que faltou algo em você ou que foi algo que você fez. Errado é sempre quem age mal, não quem foi vítima. Guardem isso.

Veja também:

1 em Autoestima/ Comportamento/ entretenimento/ séries no dia 14.02.2019

Dumplin’, é filme mas poderia ser uma tour do #paposobreautoestima

Essa não é mais uma história sobre a “fofinha” que desabrocha e conquista o bonitão. Mas é também. No dia da live que Carla e Joana realizaram no Instagram, a Carla falou de Dumplin’. Ele chegou à Netflix Brasil e eu corri pra assistir.

O filme fala de relacionamentos tóxicos, mães que sufocam, frustrações, perdas. Fala também de luta contra os padrões, autoaceitação, insegurança nos relacionamentos. Não satisfeitas? Pois também aborda competição, comparação, lugar de fala, protagonismo da mulher oprimida. Mais? Amizades verdadeiras, representatividade, pluralidade, inconsciente coletivo, gordofobia, preconceito estrutural. E sobre autoestima, claro! Parece até que as roteiristas de Dumplin’ stalkearam o Papo por um tempo.

Eu esperava ver um bom filme sobre uma garota gorda oprimida por sua mãe. Mãe essa que foi Miss quando mais nova, e desde então ajuda a organizar os concursos de Miss da região.

Assim que acabei de assistir, só conseguia pensar que a Anelise de 17 anos precisava ter assistido esse filme. Mas a Anelise de quase 35 ficou emocionada.

“Eu sou Dumplin. E Will e Willowdean. Eu sou gorda. Eu sou feliz. Eu sou insegura. Eu sou ousada.”

Bons personagens constroem uma excelente trama em Dumplin’

Esse filme tem tudo aquilo que a gente já espera. A mãe ex-miss (Jenifer Aniston), a adolescente gorda (Danielle Macdonald) cheia de conflitos internos e a melhor amiga dentro dos padrões sem esforços (Odeya Rush). Tem também umas pessoas “esquisitas”, o gato da cidade e a tia sensacional. Esses são os personagens perfeitos para um filme teen, mas Dumplin’ (adaptado do livro de mesmo nome que, inclusive, quero <3) entrega maturidade e revela mulheres envoltas em suas certezas e fraquezas.

A trama gira em torno da inscrição de Willowdean, Odeya e algumas outras meninas no concurso de miss da cidade. Parece ser sobre vingança e protesto, mas percebemos que Willowdean é uma defensora das pessoas mais frágeis. Ela também é doce, mas mostra uma face negativa e julga as pessoas pela aparência (inclusive o seu “crush). Sempre presa às suas convicções, ela busca um jeito de receber atenção e carinho de sua mãe. 

Willowdean é incrível, super segura no trabalho e entendedora da opressão que a cerca. Mas também guarda alguns preconceitos justamente por ter sido tão massacrada pelo bullying – e aqui nós nos parecemos. Enquanto adolescente, para mim, existiam dois tipos de mulheres: as bonitas e as inteligentes. Se eu não conseguia corresponder ao padrão da magreza e beleza (e sempre me lembravam disso), eu não era a bonita. Logo, precisava fazer valer a minha inteligência.

Em algum momento eu achei que o filme cairia no lugar comum da desistência e da cessão à opressão, tornando a protagonista no estereótipo da recalcada. Mas com o desenrolar do filme, vi que Dumplin’ é tudo o que Insatiable ou Sierra Burguess quiseram ser. E ambos pecaram em não exaltar mulheres gordas como vencedoras. Ou melhor, vencedoras DA VIDA – fiquem tranquilas, não é spoiler.

Então quer dizer que tudo é lindo e perfeito? NÃO!

Tem afirmação de que a protagonista tem um rosto lindo (e a intenção era essa mesma). E mais uma vez, vemos uma mulher gorda ter o seu corpo anulado diante de uma afirmativa gordofóbica de que só corpos não-gordos podem ser bonitos.

Tem também uma tradução que só colocou a palavra GORDA na fala de uma personagem sincerona. Ninguém diz que é gorda com tranquilidade – sempre dizem com raiva ou quando buscam ofender outra pessoa. Gorda sendo palavrão, como quase sempre.

Devo abrir um parêntese para o figurino: tem drag no rolê, gente! vocês acham que é um bapho, sim ou com certeza?

Encerro essa resenha-desabafo com o final que publiquei no #papo:

“Dentre tantas outras questões e lições, o filme nos mostra que todas podemos lutar para que os corpos sejam aceitos, respeitados e admirados em sua diversidade. Mas permitam e promovam o protagonismo de corpos que foram esquecidos, demonizados, ridicularizados, negligenciados e anulados por toda a vida. Com uma ou outra ressalva, esse filme é uma ode ao plural e ao mais importante dos amores – O PRÓPRIO!”

E vocês? O que mais encontraram nas variadas nuances de Dumplin’?