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Saúde

0 em Autoestima/ Comportamento/ Destaque/ Saúde no dia 15.04.2020

Você não deveria fazer dieta na quarentena

Já perdi as contas do número de memes gordofóbicos que recebi nesse período de quarentena. As meninas já falaram por aqui, láááá no começo da quarentena. Já falamos por aqui como a gordofobia é um problema enraizado na nossa sociedade. E o compartilhamento desses memes parece inicialmente uma piada mas ele é carregado de preconceitos.  

As pessoas estão apavoradas em engordar nesse momento, pois estão confinadas dentro de casa e, muitas, na presença de comida. Isso pode gerar uma sensação de descontrole imensa. Para tentar reverter isso, a ideia de fazer uma dieta é bastante sedutora pois ela traz uma uma sensação de controle, algo raro no momento que estamos vivendo. 

Mas sabe por que as pessoas insistem em fazer dieta agora e não correrem o risco de engordar?

Porque na verdade a magreza continua sendo um valor para elas, frente à sobrevivência. “Como vai ser se eu acabar a quarentena mais gorda?”, “Como vou encarar as pessoas após isso e elas verem que eu engordei”. as pessoas ainda pensam nessa forma pois o corpo delas tem que ser validado socialmente pelos outros. Esse aprisionamento que as faz pensar em iniciar ou manter a dieta restritiva.

Adicionado à isso, parece ser uma boa pensarmos que “agora que estou em casa e com tempo, seria ótimo cuidar do meu corpo e iniciar uma nova dieta”.

Sabe qual o problema disso? Fazer uma dieta agora pode colocar o seu corpo em risco. Pela primeira vez na vida estamos sendo confrontadas com uma situação que nos exige pensarmos na nossa sobrevivência. Sim, sobrevivência! A não ser que alguém já tenha passado por uma situação grave de doença e que já teve risco de morrer, quem nunca viveu isso está experimentando essa sensação pela primeira vez. Dá medo, e muito. Medo de nos contaminarmos, das pessoas que amamos serem contaminadas….e o medo de morrermos.

Para isso, o nosso corpo precisa estar com a imunidade em dia.

Em uma dieta restritiva são retirados da alimentação tradicional diversos alimentos que atuam muito na imunidade como sucos, frutas, legumes e verduras. Dietas com base em proteínas, por exemplo, eliminam muitos desses alimentos. E a variedade deles também se faz totalmente necessária. Sabemos que você pode não conseguir comprar alimentos em variedade – é outra história – do que voluntariamente deixar de consumi-los.

Vale ressaltar que não há comprovação científica de nenhum alimento ou nutriente específico que previna a contaminação pelo corona vírus. Os órgãos competentes como Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde e Conselho Federal de Nutrição pontuaram isso. Shots de imunidade, vitamina C ou D isolada, água com limão etc. Eles são bons para a manutenção da imunidade, mas em altas doses ou isolados não resolvem. 

Algumas sugestões:

Procure um nutricionista para lhe orientar sobre a sua alimentação específica. O Conselho Federal de Nutrição liberou temporariamente o – atendimento on line de pacientes. Procure um profissional indicado e faça o acompanhamento.

É fundamental mantermos uma alimentação tradicional e saudável nesse momento. Não pule refeições, mantenha os horários tradicionais das suas refeições. Se possível, coma comida tradicional brasileira – o bom prato tradicional de arroz, feijão, uma carne, legumes e verduras é sensacional. Coma frutas, legumes e verduras todos os dias. Mantenha regularidade de sono, beba água, faça atividade física se possível. 

E não custa lembrar: 

– Siga as orientações dos órgãos competentes – Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde. Ambos trabalham com ciência e não achismos.

– Não siga conselhos de leigos no assunto – pessoas que não são profissionais e que “dão sua opinião”. Não se refuta ciência com opinião!

– Se puder, fique em casa! Cumpra as determinações do isolamento social. Estamos fazendo isso por nós mesmos e também pelo coletivo! Ficar em casa protege você e os outros.

– Lave sempre as mãos com água e sabão.

– Higienize os alimentos e produtos que chegam à sua casa.

– Use álcool se você tiver.

– Cuide da sua higiene pessoal! 

Fiquem bem. Independente do que vai acontecer com seus corpos no final da quarentena.

1 em Autoestima/ Comportamento/ Saúde no dia 13.04.2020

Minha relação com a Bipolaridade (e uma mensagem de aprendizado e esperança)

Depois do seu primeiro texto aqui no blog, a Ednalva está usando esse nosso espaço novamente para dividir um pouco mais de suas experiências. Hoje ela fala sobre bipolaridade. Se você é bipolar, se foi diagnosticada recentemente ou se conhece alguém, vem ler. É um texto que nos faz enxergar sob outro prisma e que nos faz ver a situação com esperança. <3

Bom, esse texto vai ser tenso demais, porque mais uma vez vou usar esse recurso para escrever em detalhes coisas que vivi e nunca falei com ninguém. Então, vou usar esse espaço que as meninas me concederam para relatar toda a minha experiência com o Transtorno Afetivo Bipolar (mais conhecida como bipolaridade) e tudo o que envolveu o diagnóstico. Muitos alertas de gatilho antes de começar o texto. E muita força para quem se identificar. <3

Os primeiros sinais de alerta:

Mais de um ano antes do diagnóstico, conheci um homem no trabalho. Ficamos 5 meses entre o primeiro beijo e a primeira vez que transamos. Ele tinha uma namorada há 12 anos, mas nunca falava dela. E me deixei envolver de uma forma avassaladora.

Estávamos sempre juntos, inclusive nos finais de semana. Tinha a impressão e a ilusão que ele terminaria com ela e ficaríamos juntos. Após a 3 vez que transamos, ele terminou. Comigo.

Dois meses depois fui até o andar que ele ficava e vi uma aliança enorme no dedo dele. Se tratava de um cara metódico que jamais casaria da noite para o dia. Ou seja, em resumo, fui feita de despedida de solteiro sem ser avisada. Não estou dizendo que estava certa, mas realmente me envolvi. Aliás, eu senti um amor tão grande por ele, que acho que nunca vou saber se era a bipolaridade que me fez viver algo tão intenso.

Já tinha feito terapia por um tempo e o psicólogo falou da hipótese de Bipolaridade, mas saí da empresa, perdi o convênio e acabei não indo atrás.

Quando descobri o casamento fiquei devastada. Me lembro como hoje, eu chamando minha amiga, me trancando no banheiro da empresa para chorar copiosamente. Voltei para mesa e liguei para ele, que disse que nunca me prometeu nada. Mas contestei até que ele assumiu que omitiu que iria casar, porque sabia que eu não iria continuar com ele.

Pouco tempo depois que isso aconteceu, fui mandada embora com vários outros funcionários.

Quando os sintomas da bipolaridade pioraram: Insônia

Quando fui mandada embora, fiquei muito desanimada. Meus dias eram
limpar a casa, deitar e ficar colocando um DVD atrás do outro. Sem me dar conta que estava deprimida.

Alguns meses depois disso a insônia voltou. Mas ainda assim tinha uma energia sem fim. Mania da bipolaridade, só não fazia ideia disso.

Um dia, conversando com meu irmão, comentei sobre a insônia persistente e ele me mandou ir ao médico. Fui ao posto de saúde e um clínico geral me
receitou um antidepressivo. Resultado: fiquei mais desperta e acabei ficando 2 meses sem dormir.

Outros sintomas: Síndrome do Pânico e Mania. E nenhuma ideia do que acontecia na minha cabeça.

Estava no terceiro semestre da faculdade e me lembro de pouca coisa desse período. Uma amiga, hoje mãe da minha afilhada, ia e voltava da faculdade comigo, junto de uma outra “amiga”.

Um dia me perdi delas na hora da saída. Procurei em vários lugares e nada. Quando me dei conta, estava em completo desespero, sem conseguir sair do lugar, chorando copiosamente, sem conseguir explicar o que estava acontecendo. Liguei para minha irmã, que foi me buscar. Entrei no carro em completo silencio, não falamos a respeito e me lembro de sentir uma vergonha avassaladora.

Outro momento marcante foi um dia que saí super cedo de casa para ir à missa. No caminho, fui distribuindo livros e objetos meus para desconhecidos na rua, eufórica demais. Lembro vagamente de tomar o microfone de alguém no final da missa para cantar. Isso é muito confuso na
minha cabeça, só sei que em sã consciência jamais faria isso.

Mais um desses momentos foi na casa do meu irmão. Não sei qual foi a sequencia de fatos, mas me lembro muito bem de estar jogada no tapete da sala, chorando e gritando por ajuda, com minhas sobrinhas me olhando assustadas.

Meu irmão me tirou de lá para não deixar minhas sobrinhas ainda mais apavoradas, e me alertou que parecia que eu estava com algum tipo de distúrbio, e que precisava de ajuda.

Essa cena me atormentou por anos. Até que a terapia me fez entender que que eu não estava em mim, portanto, não poderia me culpar. Isso foi uma das coisas mais difíceis de ressignificar.

Teve uma crise que aconteceu logo depois de uma entrevista de emprego. Lembro de flashes desse dia. Assim que terminei a entrevista, fui invadida por uma certeza que seria aprovada. Cheguei numa praça, perto da empresa, tirei os sapatos e fiquei pisando na grama sentindo o sol. Eu tinha dinheiro pra ir pra casa, mas não sei dizer porque achei que não tinha como pagar a volta e saí pedindo dinheiro para muitas pessoas na rua. Passei no trabalho de um amigo que ficava no caminho, explicando que não me sentia bem e pedi para ele me levar em casa.

Um belo dia dei muitas das minhas roupas para uma mulher que mal conhecia. Peguei os dois filhos dela, levei no complexo empresarial onde trabalhei. Cheguei numa loja de brinquedo e pedi para a dona dar brinquedos como doações para elas. Na minha cabeça, ela daria brinquedos caros, mas claro que foi só uma lembrancinha. Desse dia me lembro de poucas coisas, mas a sensação da euforia consigo sentir até hoje. Como
resultado, saíram falando de mim na empresa que trabalhei.

Fui atrás de uma paixonite da época de colégio, casado e com 5 filhos, mas que na minha cabeça (totalmente desconectada da realidade) iria separar, ficaríamos juntos e eu o ajudaria a cuidar dos filhos dele.

Tudo o que sentia era muito intenso, cansativo e desconexo.

A pior crise de Síndrome do Pânico veio depois de algumas atitudes aleatórias. Entreguei meu casaco de lã para um morador de rua. Novamente achei que não tinha dinheiro para sair de onde estava. Convenci um taxista a me levar para algum lugar, que eu faria sexo oral nele. Ele me deixou em um shopping em SP e, no caminho, fiquei tentando convence-lo a irmos para um motel. Um completo desconhecido.

Entrei em pânico no shopping, comecei a chorar muito e fui levada a enfermaria. Lembro de relatar que andava tendo síndrome do pânico e pedi para chamar alguém da minha família. Essa enfermeira – muito despreparada – disse que eu não deveria incomodar as pessoas sempre que tivesse isso. Que eu deveria me controlar.

Só que não era simples como ela fazia parecer. E a sensação de desespero tomou conta de mim. Sentei-me no chão próximo à enfermaria e voltei a chorar. Eis que apareceu um casal, pegaram meu celular e ligaram para um dos meus irmãos, que foram me buscar. Quando chegamos em casa, lembro deles falando que eu precisava aceitar ajuda, mas na verdade nenhum de nós sabíamos o que estava acontecendo. Só sabíamos que nada do que eu andava fazendo tinha a ver com o que eu era de verdade.

A internação:

Lembro da minha irmã e do meu cunhado me falaram para entrar no carro. Obedeci, me levaram para a casa e comecei a chorar. Falaram que engatinhei, que eles foram me buscar pois estava vagando pelo bairro.

Um tempo depois chegou o SAMU, levantei e fui com eles, como se nada tivesse acontecendo. Passei pela minha mãe, que estava chorando muito, e disse: “Mãe, não chora, vou ali e já volto.” Ela chorou mais ainda, por ficar tão claro que eu não fazia ideia do quanto fora de mim estava.

Chegamos no hospital e fui para a psiquiatria de um hospital em SP. Enquanto aguardávamos se teria um quarto para que fosse internada, vi monstros na parede. Por sorte, um quarto ficou disponível e fiquei 26 dias internada. Destes, 15 eu não lembro de quase nada. Alguns fatos me marcaram muito:

  • Achava que minha casa estava sendo reformada pelo Luciano Huck e estava internada para que fizessem essa surpresa.
  • Via a avenida do Hospital como se tivessem carrinhos hot wheels.
  • Eu achava que tinha uma sala do Harry Potter onde ficava guardada a bota de um dos personagens.
  • Via o Vin Diesel e o meu primeiro namorado abusivo como se fossem os seguranças.
  • Me lembro de pegar um shampoo, me sentar no meio do corredor e “tomar banho” porque me sentia suja. Achava que estava de lingerie mas falaram que estava nua.
  • Lembro de me amarrarem na cama, enfermeiras pedirem para deixar aplicar a injeção. Os seguranças e enfermeiras me seguravam e aplicavam à força na perna. A dor é algo inesquecível.
  • Meu irmão falando que enquanto eu visse o Vin Diesel, eu não poderia ir para a casa. Respondia: “Mas eu vi”. Hoje lembro dessas coisas e rio.

As coisas boas da internação:

  • Minha família e amigos se revezavam, não fiquei um dia sequer sem visitas, sendo que muitos pacientes da psiquiatria não recebem nenhuma visita.
  • Fui diagnosticada nessa única internação. O que certamente fez toda a diferença em como lido com a Bipolaridade hoje.
  • Sempre vou falar que o Hospital Campo Limpo – que tanto falam mal – salvou a minha vida.

Pós internação:

Passei um mês tomando 15 tipos de remédios diferentes. No começo vivia dopada, não conseguia ficar acordada mais que 30 minutos, mas segui tudo à risca. Aproximadamente 3 meses depois, já não tomava mais a maioria deles.

Faço tratamento há 10 anos. Nunca neguei o diagnóstico e nem deixei de tomar as medicações. O medo de perder a sanidade é infinitamente maior que os desconfortos por efeitos colaterais.

Hoje lido muito melhor com as minhas crises. Consigo identificar quando algo está fora dos eixos e procurar psiquiatra e psicóloga. A bipolaridade não toma mais conta de mim.

As pessoas só sabem que eu sou neuroatípica se eu contar. Vivo uma vida absolutamente normal.

Por não falar muito à respeito, fiquei anos me culpando pelos comportamentos que tinha nas crises. Sendo que muitas vezes nem lembrava, mesmo quando alguém me contava.

Para quem é bipolar ou convive com alguém com bipolaridade:

  • Fazendo tratamento dá para diminuir drasticamente as crises. Quando elas aparecem, não é na intensidade que poderíamos ter sem medicações e terapia.
  • Aceitem o diagnóstico. O encarem qualquer doença que precisa de remédios para a vida toda, mas que seguindo o tratamento tudo fica bem.
  • Faça terapia, fale todos os seus medos, culpas e traumas não só referente as crises, mas sobre toda a sua vida. Conforme for se entendendo. Tudo fica melhor.

Querido bipolar, é absolutamente normal se perguntar o que é sua personalidade e o que é a bipolaridade. A terapia ajuda muito a chegar nessas respostas. Acredite que dá para ter uma vida sem o inferno das oscilações de humor.

0 em Comportamento/ Destaque/ Saúde no dia 11.03.2020

O que fazer para não surtar nas redes sociais

Outro dia fiz um post no grupo do Papo Sobre Autoestima no Facebook dizendo que estava exausta. Recentemente eu entro em redes sociais que são mais para debates do que compartilhamento de imagens e o esforço para não surtar é grande. A sensação que eu tenho quando vejo minha timeline é que entrei em uma sala barulhenta, onde todo mundo está gritando e apontando os dedos para cara dos outros.

Eu amo redes sociais. Amo um textão. Amo usar para aprender. Mas mesmo tentando enganar os algoritmos, a impressão que me dá é que todos os assuntos estão inflamados. Do Big Brother à matéria do Fantástico, passando por política (que sempre está inflamada) e corona vírus.

Quis saber se mais gente estava com essa mesma sensação. E também quis saber o que as pessoas estavam fazendo para não surtar diante desse cenário.

Algumas das respostas que recebi foram bem interessantes. Quis trazer pra cá, caso alguém esteja à procura de não surtar, assim como eu.

Luna: “Hoje eu me mantenho atualizada, organizo minha opinião e não olho pro que os outros dizem. Só comento sobre coisas polêmicas pessoalmente, ou em um grupo de amigas que sei que terei opiniões bem embasadas e boas discussões, fora isso, escolho me ausentar.”

Karine: “O que eu to fazendo pra não surtar é falar de Love is Blind, The Circle, um pouco de BBB”

Taiza: “Eu de tempos em tempos deixo de lado. Depois, volto. Me faz bem porque eu sou bem viciada em redes sociais, então é importante dar uma descansada de vez em quando. Não parece mas a quantidade de informação (e de gente sem noção) cansa muito.”

Mayara: “Tem dias quero me desligo, é necessário se não minha ansiedade aumenta. Não acesso Instagram e Facebook e WhatsApp. Quem quiser falar comigo urgente liga.”

Ester: “ACHO que mais do que nunca aqueles princípios de moral x ética, mito da caverna, certo e errado, estão em pauta. E tem duas ondas: a onda da informação e dados, temos MUITAS informações sobre QUALQUER coisa. E a onda do palanque/arena virtual, onde TODOS temos voz. Redes sociais trouxe essa democracia da informação, da externalização, mas não acompanhou a nossa capacidade de adquirir responsabilidade e inteligencia (emocional, até) pra lidar com esse tanto de conteúdo. O @contente.vc fez um post hoje inteligentíssimo sobre a nossa capacidade de lidar com informações. NÃO DAMOS CONTA. É muita informação, é inteligencia artificial filtrando o que chega pra nós, é difícil pra caramba!”

Gabi: “Eu de verdade tenho tentado me informar o mínimo possível, então venho seguindo conteúdo mais leves, ver séries e filmes leves pra não me sobrecarregar. Foi a forma que eu encontrei, embora as vezes pense que não é a mais certa. Porém preciso pensar mais no que fazer do meu dia a dia pra mudar ainda que o micro do que acompanhar o macro e não conseguir gerenciar nada.”

Marina: “Tenho usado as redes cada vez menos e escolhido compartilhar mais das coisas que me fazem bem, do que as que me fazem mal. O mesmo para comentar, para ir atrás de notícias e tal. Sei que a informação é importante, mas não preciso estar informada a todo o tempo sobre tudo, acho que podemos nos dar esse “luxo” de vez em quando. Como se escolhêssemos mesmo nossas batalhas. Me sinto em conflito, mas ainda bem que cada vez menos, porque gostaria de produzir mais, mas ao mesmo tempo não fazer tudo por conteúdo. Tento manter um equilíbrio e tem dado certo por aqui…”

Luiza: “Eu, como jornalista, já fui uma pessoa totalmente sedenta por informações e todas as opiniões possíveis sobre alguma situação polêmica e entrar em parafuso considerando tudo. Desde as últimas eleições, eu decidi me preservar um pouco, mas como trabalho com isso, não posso me ausentar de nenhuma informação nem de redes sociais. E o que funcionou, para mim, foi: eu aceitar que 1) eu não tenho que ter opinião sobre tudo no mundo, até porque tem coisas que só admirar sua complexidade e camadas já mostram que ser categórica é burrice; 2) As pessoas expõem suas opiniões apenas por expor, na maioria das vezes, elas não querem debater, considerar ou repensar nada; então só nos gera um gasto de energia na gente que tem consideração por essas coisas, sabe, então infelizmente, ter pena dessa mesquinhez de pensamento e deixar pra lá tb tem me ajudado. Eu gosto de pensar que o mundo é isso mesmo porque a gente enquanto pessoa e sociedade é isso aí. É complexo, cabe o raso e o profundo e nós não podemos carregar o peso de todo esse caos sozinhas, sabe. Eu procuro agora sobre essas conversas, conversar mais pessoalmente que pela internet e com pessoas que eu tenho segurança de opinar, falar (nem sempre que tenham a mesma opinião que eu, mas que eu posso me expressar, sabe), e de vez em qd desligar mesmo botar um filme bem frufru, fazer alguma atividade bem aleatória como desenhar ou escrever. É isso, se não a gente surta mesmo.”

Você também tem se sentido assim? Quais as estratégias você usa para se manter sã?