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Saúde

0 em Autoestima/ Saúde no dia 17.10.2019

Quer emagrecer? Não caia em ciladas.

Não é de hoje que a gente fala em nossos consultórios, aulas e redes sociais sobre o tanto de produtos, programas de emagrecimento, e alimentos tidos como milagres que são vendidos por aí. Também não é de hoje que batemos na tecla do quanto eles são extremamente problemáticos. Existe toda uma indústria que lucra com a insatisfação corporal das pessoas, especialmente nós, mulheres. Se temos uma parcela enorme da população insatisfeita com seu corpo, temos aí um excelente mercado em potencial que sempre vai procurar“resolver” essas demandas. Quem nunca viu a famigerada “Quer emagrecer? Pergunte-me como!”?

Nos últimos dias recebi inúmeras mensagens e postagens de diversas pessoas sobre algumas novidades nesse ramo de quem quer emagrecer a qualquer custo. Tudo com detox no nome.

Não estou falando apenas dos clássicos sucos e bebidas, que sempre bato na tecla que são nutritivos mas não desintoxicam. Pois agora também temos adesivos detox para colar no pé e emagrecer dormindo. E até mesmo programas de emagrecimento detox com foco em mudar a sua flora intestinal, para que você tenha a “flora do magro”. E eu queria estar brincando, mas não.

Quando discutimos em nossas redes, as pessoas são categóricas: “ah, mas o problema é que tem gente que compra”. E eu to aqui pra responder: Não, o problema não é de quem compra, e sim da má fé de quem vende!

Como podemos culpabilizar essas pessoas? Não podemos! Como podemos culpabilizar quem é refém desse padrão e dessa indústria?

Não dá para negar que estamos falando de um mercado extremamente sedutor. E é claro que, se há demanda há mercado, vai ter oferta. Mas essa demanda foi criada com base em que? Na insatisfação, na inadequação, na insegurança, na procura por resultados rápidos com o mínimo de mudanças. É uma indústria que usa estratégias de marketing totalmente mirabolantes, e pegam carona na vulnerabilidade para vender. “Quer emagrecer? Pergunte-me como.”

E não vamos esquecer: o padrão de beleza é inacessível para TODAS.

Além disso, esse mercado fala com um público totalmente adoecido com seu corpo por conta do padrão de beleza pautado na magreza inatingível. Visto que essas pessoas querem atingir esse objetivo, elas farão qualquer coisa para chegar ali. Sim, qualquer coisa. Elas compram programas de emagrecimento absurdos. Gastam rios de dinheiro com medicamentos, suplementos, alimentos milagrosos. E aí, chegamos nas propostas surreais que mencionei.

Sim, esses produtos só existem porque tem quem compre. Mas isso não impede o fato de discutirmos sobre a falta de responsabilidade desse mercado. No oportunismo em cima da vulnerabilidade alheia. E em como, nessa equação, a consumidora (porque é inegável que o público alvo é majoritariamente feminino) é também a maior vítima. E a verdade é que, enquanto não houver esses diálogos, continuaremos a adoecer mais gente e a termos que repetir o já dito. Temos que questionar quem vende e sensibilizar quem compra.

0 em Saúde/ Sem categoria no dia 30.09.2019

Você já pensou nos riscos da roupa apertada?

Invariavelmente eu escuto de diversas mulheres que a grande motivação que as levam querer emagrecer é para caber em uma roupa. Voltar a caber em uma roupa apertada, em uma peça antiga ou mesmo vestir um look do qual elas não querem se desfazer é um argumento muito repetido nos consultórios mundo a fora. Visando emagrecer para “voltar a caber em uma roupa apertada”, mulheres comuns se dividem em muitas estratégias, nem sempre muito saudáveis, para emagrecer. O problema começa quando escolhas que não são boas são feitas para entrar num ciclo complicado que envolvem 3 variáveis: dieta x roupa x corpo.

Que atire a primeira pedra quem nunca usou uma roupa apertada na vida porque não conseguiu se desfazer dela. Por mais que todas tenhamos passado por isso tendo a me questionar o quanto isso é saudável, não acho esse hábito bom para a saúde. Nesse contexto me peguei refletindo sobre o lance da roupa e do tamanho que acreditamos ser e ter. Já falamos disso aqui, dessa vez me peguei pensando mais especificamente no impacto e nos riscos da roupa apertada.

A roupa apertada para alguns pode ser um termômetro, para outros um risco ao amor próprio. Encolher a barriga e ficar sem respirar direito para a calça fechar. Usar cintas ou modeladoras para a roupa “não marcar” ou até mesmo para diminuir um tamanho. Ou até mesmo passar o dia desconfortável por causa de tanto aperto.. Roupas que apertam são uma forma de machucar ou agredir nosso corpo? Acho que sim.

Será que as nossas prioridades não estão invertidas?

Por que estamos fazendo isso com nossos corpos? Por que estamos agredindo nossos corpos dessa forma? Não estou questionando a moda como adorno ou forma de expressão, mas sim o impacto das roupas apertadas que tão comumente fazem parte da rotina de uma mulher.

Por que não podemos entender que nossos corpos vão mudar ao longo da nossa vida?

Estamos em constante processo de evolução. A firmeza da pele muda ao longo dos anos, o formato do corpo também. Há um ganho de peso comum a idade, o nosso metabolismo que muda.

Me pergunto se estamos acolhendo esses processos naturais do nosso corpo. Aceitar que certas roupas da juventude não irão caber num corpo mais velho não deveria ser um processo natural de amadurecimento?

E não. Não estou falando que temos que nos acomodar então com essas mudanças e largar o corpo de mão, nada disso. O que proponho aqui é que temos que entender que o nosso corpo vai mudar. O número da roupa também e isso não é nenhum fracasso. Quanto mais insistirmos em usar roupas apertadas mais críticas, julgamentos e xingamentos com nosso corpo nós fazemos. Focar toda nossa atenção na parte do nosso corpo que está sendo massacrada a servir a uma roupa só nos leva a pensar que aquele tamanho não nos serve e facilmente entramos num ciclo de frustração.

E por que isso não é legal? A resposta é bem simples: Quanto mais eu acolho e sou gentil com meu corpo, mais estratégias efetivamente saudáveis eu faço em relação a ele. Cuidar do nosso corpo com amor e respeito é muito mais sustentável do que fazer planos mirabolantes por odiar esse corpo. Por fim, comprar uma roupa um pouco maior para não agredir meu corpo pode ser uma forma de passar por esse processo, bem como pensar em melhorar a minha relação com ele e com a comida que eu como. Me propor a melhorar a minha relação com a minha comida me livra do aprisionamento que são as dietas e invisto efetivamente em uma alimentação saudável. Passível de mantermos de maneira equilibrada ao longo da vida.

Acho que as vezes a gente esquece que na verdade as roupas existem para servir nosso corpo. Não o contrário. Nosso corpo não é uma massinha de modelar que pode ser transformado para servir a uma peça de roupa, a um estilo de look ou a uma tendência de moda. Nosso corpo é vivo e ele muda, precisamos reconhecer isso e trazer um pouco de paz pra essa relação.

1 em Autoestima/ Saúde no dia 17.09.2019

Minha história com a tricotilomania

Olá, eu me chamo Bruna. Quem está no grupo do Papo sobre autoestima já me conhece de outras datas.  Vou aproveitar que falei sobre o grupo para começar a contar a minha história, porque ele foi um marco importante na minha vida. Mas começamos pelo começo, não é mesmo? Hoje eu vim contar um pouco sobre a minha história com a tricotilomania. Pra quem não conhece, é a compulsão de arrancar cabelos. 

A tricotilomania me acompanha desde muito cedo. Descobri de fato o que era e que eu tinha tricotilomania aos 13 anos, assistindo MTV e um programa chamado Transtornos Mais Bizarros. O que foi um tanto chocante, mas me abriu a mente para pesquisar mais sobre o que eu estava vivendo. 

Obviamente as pesquisas no Google não foram as mais agradáveis. Tudo o que você joga no Google aparece que você pode morrer. Não foi diferente com a trico (vou chamar assim para simplificar). Fiquei por semanas assustada e tentando me controlar à força. Tentei ocupar minhas mãos à todo custo. Diversas tentativas frustradas, que me deixaram muito insegura e retraída.

Durante a minha adolescência eu sempre tentava esconder as falhas que iam se formando na minha cabeça.

Primeiro usei penteados, depois uma touca. Quando cheguei no auge das minhas crises – onde realmente fiquei careca – precisei usar uma prótese capilar. Foi onde a Mari, minha cabeleireira, entrou na minha vida e nunca mais saiu. A Mari foi a única cabeleireira que se dispôs a tentar colocar a prótese nos pequenos fios que eu tinha. O que deu muito certo, apesar de doloroso. 

Usar a prótese foi uma das minhas primeiras libertações nesse processo. Finalmente eu podia fazer coisas simples de uma adolescente, como por exemplo, frequentar a educação física sem medo de ficar exposta. Mas com o passar do tempo, a existência da prótese se tornou um escudo. Eu depositava nela todas as minhas ansiedades e frustrações. Com isso surgiram as crises de ansiedade na minha vida, o que fez com que eu me escondesse cada vez mais.

E eu escondia por medo dos julgamentos. Por diversas vezes tentei buscar ajuda médica, até de pessoas próximas. Todas falavam que eu era louca de fazer aquilo com a minha aparência. Que se eu tivesse força, eu conseguiria parar (como se eu nunca tivesse pensado nisso), entre outros argumentos.

Até que eu decidi cursar Psicologia e me deparei com aulas e análises sobre a tal tricotilomania.

Dessa vez encontrei matérias e até grupos de apoios para desabafar. Foi assim que conheci o Papo sobre autoestima. Observei um tópico sobre o primeiro Picnic do papo em 2017. Como eu estava buscando lugares para ser acolhida e sair um pouco do escudo que eu criei, comecei a interagir e me comprometi em ir ao picnic. Confesso que quase desisti de ir. Tive uma crise de ansiedade na noite anterior, saí chorando de casa. Precisei que meu namorado ficasse andando pelo parque para que eu tivesse quem me socorresse, caso eu não conseguisse ficar lá.

Logo no primeiro momento que eu pisei no Parque Ibirapuera, minha vontade era sair correndo. Me sentei num canto atrás de várias meninas, e quando a Jô chegou, ela fez questão de abrir a roda. Com isso, eu tive que ficar no meio de todas. Não esqueço o quanto eu tremia naquele dia. E não era de frio, não, era de ansiedade mesmo. Até que todas começaram a se apresentar e chegou a minha vez.

Aquele momento foi tão importante na minha vida, porque pela primeira vez eu falei abertamente sobre a tricotilomania. Contei sobre minhas crises, meus medos e o quanto eu estava tremendo só de estar ali. Não pensei muito bem nas palavras que saiam da minha boca. Quando vi, já tinha contado tudo e estava recebendo abraços e ouvindo outras pessoas se identificando com a minha história. Foi surreal!

A partir daquele dia, eu comecei a falar na terapia sobre a necessidade que eu tinha de ser entendida pelas pessoas.

Eu tinha me retraído tanto que ninguém sabia ao certo o que acontecia comigo, então comecei a me abrir com amigos e familiares. E falar sobre tricotilomania tornou-se recorrente na minha vida. 

Com muita terapia e apoio da Mari, minha cabeleireira, meus cabelos começaram a crescer. Comecei a investir em produtos que me ajudassem no crescimento. E assim, a Bioextratus, que conheci através das meninas, entrou na minha vida com a linha Força com Pimenta. Ela não só ajudou no crescimento dos meus fios, mas também me ajudou a cuidar do meu couro cabeludo, retirando todas as casquinhas de machucado que eu fazia com a unha. Elas faziam a minha cabeça coçar e, consequentemente, arrancar mais fios. Hoje eu indico essa linha para todos e não tem um dia que ela não esteja no meu chuveiro!

Mas retornando. Com a ajuda da minha psicóloga e da Mari, comecei a entender que a tricotilomania não era algo negativo em minha vida.

Selecionei essa foto que tirei pouco tempo depois de tirar a prótese e colocar o aplique.
É uma foto que diz muito sobre como eu me sinto nessa fase.

Por diversos momentos de crise ela foi um refúgio. E descobri que eu tinha, sim, domínio sobre aqueles sentimentos que me faziam puxar cabelo. Comecei a tentar novamente, e agora com tentativas bem sucedidas, conseguia controlar por dias, e até mesmo semanas. Meu cabelo ficou grande demais para esconder debaixo da prótese. Então, no ano passado, eu assumi os meus fios, trocando a prótese por um aplique apenas onde as falhas ainda são maiores.

Finalmente realizei o meu desejo de fazer um coque! Sim, pode parecer bobo, mas eu sempre quis fazer um belíssimo coque desconstruído.

Hoje em dia eu tenho o meu cabelo à mostra, me reconectei comigo mesma e voltei a me enxergar no espelho. Aprendi que não devo me envergonhar das crises, e muito menos me envergonhar de pedir ajuda nos momentos de crise. Ainda arranco uns fios, mas hoje consigo entender que esses momentos são alertas sobre outras questões que talvez eu esteja ignorando. Aprendi a me entender, me aceitar, me olhar com carinho. E todos os dias tento ser menos rígida comigo mesma. Eu estou em transição todos os dias, e nada se compara ao sentimento que tenho ao me olhar no espelho e finalmente me reconhecer, sem escudos e sem disfarces.