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0 em Autoestima/ Beleza/ Cabelo/ Destaque/ Parceria no dia 21.02.2020

Transição para os cabelos brancos!

Hoje posso dizer com certeza que das coisas mais importantes que aprendi na vida foi como lidar com as mudanças na minha vida. Nós vivemos mudanças desde que nascemos e ao longo da nossa jornada, elas ajudam a definir quem somos. Mudamos ao crescer, ao aprender a andar, ler, falar e quanto mais o tempo passa, mais as mudanças se tornam significativas e saber lidar com elas faz diferença.

O tempo passa e nosso corpo e nossa imagem mudam. Enquanto mulheres inseridas nessa sociedade, isso acaba tendo um peso maior. Nossa aparência é algo que acaba nos afetando e afligindo facilmente. Apesar das mudanças constantes serem absolutamente naturais, nosso corpo é vivo e nem todo mundo lida bem com isso.

Nos ensinaram a associar a aparência à realização. Passamos a acreditar que se formos magros, seremos felizes automaticamente. Se tivermos aquele cabelo de determinada cor nos validarão na hora. Essas associações automáticas não passam de crenças que criam expectativa e ilusões na nossa cabeça em busca de padrões cada vez mais inatingíveis.

E pra que isso? Podemos escolher outros caminhos!

Nos ensinaram a querer mudar tanta coisa em nossa aparência que propostas de transformação acabam sendo das mais atraentes. Além de serem as que mais nos expõem à julgamentos, abrindo uma porta para uma certa crueldade conosco. Precisamos parar pra pensar e ver conscientes de tantas pressões, o que cada uma de nós quer fazer.

Pronto, agora vou sair do coletivo e falar de mim. Como não é mais segredo para ninguém, abandonei as tinturas de cabelo e estou na transição para uma cabeleira completamente grisalha. E esta tem sido uma fase interessante de autoconhecimento. Já não me reconheço mais nas fotos antigas de cabelos pintados, mas ao mesmo tempo estava no meio da minha transição. Nesse processo tenho sido mais amorosa e compreensiva comigo mesma, tá sendo incrível viver isso.

Desde maio de 2019 não uso mais coloração nos cabelos. E em junho do ano passado descolori a parte que ainda estava bem escura na tentativa de aproximar os dois tons: raiz grisalha e comprimento com coloração. Minha ideia era assim amenizar o impacto da transição. Infelizmente há quem considere desleixo a raiz grisalha crescendo, dai quis organizar isso.

Nesse primeiro momento, ainda em 2019, fiquei loura. Senti o primeiro baque pois não fazia ideia de como cuidar de cabelo descolorido. Foram muitos produtos e conselhos de quem usa madeixas louras para aprender a lidar com esta nova  realidade. Junte à isto a textura completamente diferente e livre da parte grisalha dos cabelos e você terá um visual muito complexo. Impossível de definir em poucas palavras.

ANTES DE QUALQUER MUDANÇA

Mas eu estava determinada a abraçar esta minha nova fase. No entanto nem sempre era fácil, numa conversa (meio desabafo) com Joana, expus minhas considerações à respeito das diferentes texturas e cores de cabelo que eu tinha naquele momento e da minha ignorância sobre como lidar com isso. Nessa hora ela teve a ideia que nos trouxe pra esse post: procurar uma profissional especialista em químicas e coloração pra nos ajudar a fazer a transição para os cabelos brancos.

VAMOS COMIGO NO PROCESSO?

Ela me levou para a Jussara Fernandes, do salão Ju Fernandes em Ipanema aqui no Rio. Ela cuidados cabelos da Jô com muita propriedade e conhece cabelos como ninguém. E para melhorar, ela está fazendo a transição de dezenas de mulheres em busca da melhor versão possível para os cabelos grisalhos naturais.

Chegando lá a equipe da Ju fez uma análise criteriosa do meu cabelo e estabeleceu o que ela considerou a melhor estratégia para igualar ainda mais os fios e suas diferentes texturas e cores.

DEPOIS DA PRIMEIRA DAS DUAS IDAS AO SALAO DA JU

Jussara optou por uma química suave somente próximo das raízes, para igualar o cabelo que tinha uma textura ao redor da cabeça e outra completamente diferente no restante. Foi um tratamento bem rapidinho, sem formol nem nada destas substâncias agressivas, que deixou meu cabelo muito macio, brilhante e o principal – muito mais uniforme. Agora tenho o mesmo tipo de fios por toda a cabeça, e acreditem, isso é maravilhoso, um alívio na verdade!

Textura resolvida, fizemos um corte curto desfiado, que já eliminou grande parte do cabelo descolorido, deixando meu cabelo elegante, muito mais grisalho e muito moderno, e me senti linda e muito feliz, sem qualquer vestígio do estigma da vovó. A Ju também cuidou de uniformizar um pouco a cor da parte onde ainda se vê o cabelo descolorido, deixando tudo mais harmônico e bonito. Sério, esta mulher é maravilhosa, e todo mundo deveria conhece-la!!! 

Vocês não tem ideia do quanto eu estou grata de ter encontrado uma profissional que entende mesmo de fios para me ajudar nesta minha transformação!

DEPOIS DA SEGUNDA VISITA AO SALAO

Cabelos grisalhos são parte de nossa história, são como um registro de que somos sobreviventes em nossos ecossistemas. Deveríamos ser elogiadas por eles, nunca julgadas ou rotuladas como “velhas”. Somos a prova de que guerreiras podem sim sobreviver às batalhas, e a gente deveria comemorar o surgimento deles, mas ao invés disso nos sentimos envergonhadas, diminuídas pela pseudo constatação do fato de que o tempo está passando para nós, e que estaríamos chegando ao final do caminho, quando não é nada disso!

Sou (muito) grisalha desde os 30 anos de idade. Na verdade meus primeiros fios brancos surgiram aos vinte e poucos anos. Hoje sabemos que o embranquecimento dos fios pode estar relacionado ao estresse a que somos expostos, e nossa, como me estressei nessa minha caminhada.

Hoje tenho uma belíssima juba prateada, que me deixa orgulhosa por ver nesta cabeleira as batalhas vencidas, todos os meus sucessos, todos os meus fracassos, que na verdade foram enormes  fontes de aprendizado. Nem sempre me senti assim, tanto é que foram quase 30 anos de tinturas semanais. Porém percebi que não via iguais por aí, e isto fez toda a diferença neste meu novo momento – ver que existem mulheres maravilhosas, no auge de suas capacidades produtivas, lindas, jovens de corpo e de alma e grisalhas!

Espero sinceramente que com este meu depoimento, possamos diminuir um pouco nosso preconceito em relação à mulheres grisalhas, e que passemos a enxergá-las como de fato elas são: mulheres lindas, sábias, guerreiras e sobreviventes, sem qualquer estigma de velhice ou de incapacidade.

Mulheres que resolveram abraçar mais esta transformação dos seus corpos com leveza, com benevolência e com auto amor. Porque é assim que me sinto neste momento: muito mais generosa e feliz comigo mesma!

O retorno da turma do insta do @paposobreautoestima

Espero que vocês tenham gostado!

Beijos

Rosana

[ contato do São Ju Fernandes – telefones: 2513-2708 / 2522-4446 | instagram @salaojufernandes ]

1 em Autoestima/ Destaque/ feminismo no dia 20.02.2020

O Carnaval e a hotpant

Acho que esse é meu primeiro post para o Papo em tom de desabafo, revolta e tristeza pessoal. Justamente em uma época do ano que eu tanto amo, o Carnaval. Ele está aí e temos visto recentemente muito engajamento das pessoas em montar seus looks e fantasias. Muita purpurina e criatividade. Temas mil.

E também temos visto uma profusão de hotpant. Aquela parte de baixo no meio termo entre um biquíni e um short convencional.

Eu visto 46/48, dependendo da peça e da marca que a fabricou, e a verdade é que eu nunca pude usar hotpants pois simplesmente não encontrava peças do meu tamanho. Sempre fiquei incomodada com isso, pois todas as minhas amigas de corpos típicos ou magras saiam maravilhosas com suas hotpants no carnaval, mas eu não podia. E olha que eu não sou considerada uma mulher gorda maior. Nessas horas fico pensando nas meninas que são maiores que eu, e as dificuldades ainda maiores para encontrar peças como essas em seus tamanhos. Era um misto de raiva e sentimento de exclusão.

No carnaval de 2019 eu finalmente encontrei uma hotpant do meu tamanho. Comprei a minha e saí mega feliz no carnaval. Ouvi diversos comentários de amigas dos corpos mais variados possíveis.

essa foi a primeira hotpant que comprei!

“Nossa mas eu não tenho mesmo coragem de sair assim”.Ouvi de uma amiga magra.

“Ainda bem que você também está de hotpant pois assim não me sinto sozinha”, falou outra. Recebi muitos elogios e também alguns olhares julgadores. Não posso fazer nada a respeito dos olhares. E também amigas com corpos parecidos com o meu dizendo que se sentiam representadas ao me ver no meio do bloco com essa peça.

Agora, no Pré carnaval de 2020, passei por uma situação curiosa.

Eu toco há 5 anos em blocos – minha paixão – e sem dúvida o carnaval muda a gente em corpo e alma. Ele me trouxe uma liberdade comigo mesma que eu nunca havia experimentado. Tocar de hotpant toda purpurinada faz parte desse movimento, e virou um item básico para mim. Semana passada fui para São Paulo tocar com meu bloco de coração e fiquei hospedada na casa de uma amiga carioca, também super carnavalesca.

Ao me vestir, ela falou: “amiga você deveria ir de saia até o bloco”. Para a minha surpresa ela, com toda preocupação de me proteger, sugeriu que eu saísse “vestida” por medo de assédio. Na rua, no taxi ou em qualquer lugar.

Cara, eu já tinha pensado e resolvido a “problemática” de usá-la no bloco. Mas nunca tinha pensado na “problemática” do transitar na rua de hotpant.

Já é uma desconstrução imensa colocarmos nosso corpo à mostra na rua. Temos aprendido e repensado nossa relação com o corpo na praia, por exemplo, mas não em uma praça no centro da cidade. Já é difícil à beça achar a peça para usar, internalizar isso, conseguir vestir e sair de casa. E aí vem “outro obstáculo”, que é o transitar para chegar lá.

Parece o universo te testando em mais uma etapa. “Quer ir mesmo de hotpant? Então toma mais um desafio!”.

Me deu um misto de raiva, indignação (novamente). Me senti violentada por não “poder” sair como quero, na hora que eu quero. De não poder transitar como quero.

Obviamente a culpa não é da minha amiga. Amei seu cuidado e zelo. Também não é culpa da cidade de São Paulo, mas sim do sistema opressor que nos rege. Logo depois aconteceu a história do motorista em Porto Alegre que assediou uma menina de 17 anos. A justificativa? “Ela estava usando um short ‘tipo Anitta’, com uma mini blusa, com as pernas abertas no banco e chamando a atenção”.

A gente tenta se apropriar do nosso corpo, mas logo somos lembradas que esse sistema quer que as mulheres se escondam. Que não possam se expressar como gostariam. E que vivam com medo. E eu não aguento mais isso.

No fim, lá estava eu, no bloco de hotpant. Relembrando a maravilha de ser livre com o próprio corpo. E com mais vontade ainda de levar essa liberdade para novas esferas. Quando dizem que Carnaval é resistência, também tem a ver com isso.

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 19.02.2020

Ok, minorias importam pra você… Mas até que ponto?

Queria fazer uma pergunta delicada aqui no blog, mas antes preciso colocar um conceito em perspectiva. Quando falo em minorias, não falo de números absolutos, mas em ocupação de espaços de poder.

Considerando que ainda hoje em dia, o homem hétero branco é a maioria – ainda quase absoluta em alguns setores – de ocupação de espaço. Seja nos altos cargos na carreira, no poder público e privado. Eu queria saber de vocês aqui:

Quais de vocês já se relacionaram afetivamente com alguém que não atende ao requisito de homem hétero branco típico padrão?

Se você respondeu não, significa que você nunca se relacionou com homens negros. Ou com alguém que tenha alguma deficiência, ou até outras mulheres. Ou alguém com alguma questão que o/a transforme em uma minoria de ocupação de espaço.

Bom, esse post não tem a intenção de te julgar, mas sim de causar uma reflexão. Será que é coincidência? Provavelmente não.

ilustra: Mara Drozdova

Pergunto isso porque tenho visto algumas pessoas que INVALIDAM todo e qualquer debate sobre a importância de nos acostumarmos com pessoas diferentes ocupando espaços e dando a elas OPORTUNIDADE de chegar onde quiserem. E nesse caso, EM GERAL noto que são pessoas que falam que não têm preconceito. Mas percebo que elas JAMAIS se relacionariam com uma pessoa fora do esperado, em qualquer que seja a questão do padrão.

E que mal há nisso? Exemplifico. Noto gente que não convive com nenhuma pessoa negra dizer que não é uma questão de racismo, é uma questão social. Mas não há uma pessoa negra no mesmo nível social em seu convívio, então ela nem consegue saber se ela também passa por barreiras só pela cor da pele. Sem uma convivência real ou uma troca de ideias sem muros, não saberemos nunca o que o outro passa.

Sinto que o medo do que os outros irão achar causa um certo desconforto social. As vezes, para as pessoas serem quem são, é preciso ser compensado por algo só por não atender a um padrão. Pessoas que vivem a realidade de julgamento coletivo, de menos oportunidade, acabam tendo que se provar 20x mais. Já pensou ter que lidar o tempo todo com a dificuldade da sociedade aceitar o “diferente”? Cansativo.

A gente fala muito que não tem preconceito, mas o quanto a gente se cerca de gente diversa? O quanto estamos abertas a ouvir sobre outra perspectiva? Quanto espaço a gente abre pra enxergar os humanos todos com o mesmo valor? Essas perguntas levam a uma última, muito dolorida:

Nesse contexto a gente se questiona sobre nosso gosto, interesse e escolhas que parecem automáticas?

Minorias e seus debates não são todas iguais. Cada grupo fala da sua luta. Mas o que me preocupa é o que a maioria faz. Até onde nos propomos a ter empatia, a fazer a diferença ou mesmo a nos preocupar com o que os outros passam?

Quantos casinhos temos com pessoas que vivem em outras bolhas e recortes? Quantas amizades nutrimos com pontos de partida diferentes? Quanto de diversidade e de compreensão a gente procura ter na nossa vida?

Há muita coisa que só quem passa vive, mas quem tá perto aprende. Mas sem estar perto, é fácil dizer que não existe. Sem conviver acaba sendo muito fácil esquecer ou até não se importar, mas até se isentar é escolher.

Vejo muita gente invalidar ou invisibilizar essas lutas dizendo que somos todos humanos.

Somos, claro. Mas isso não nos faz menos capazes de enxergar as nuances e diferenças. Muito pelo contrário, isso faz com que lutemos por mais respeito coletivo. Não é porque nós tivemos oportunidades que devemos silenciar a luta de quem não teve. Não é porque um conseguiu conquistar tudo mesmo na adversidade que podemos romantizar a falta de oportunidade. Não é porque a outra pessoa é diferente de você que ela não pode ser parte da sua felicidade.

Então pare para refletir: Você se relaciona ou se relacionou afetivamente ou mesmo de forma próxima com pessoas que são minoria em ocupação de espaço de poder?

Eu posso dizer que sim e isso me fez aprender muito.

Agora, que fique claro: não sou boa samaritana ou salvadora por isso. Até porque eu mesma tive minhas questões com o sobrepeso das diferenças em algumas situações. Mas vivi, aprendi e aprendo com todas essas experiências que escolhi até aqui. Até mesmo enxergar o preconceito enraizado na sociedade de forma prática me ajudou a enxergar o mundo de uma forma mais consciente. E até hoje me pego caindo em certas questões que meu privilégio de mulher branca, hetero e com uma situação financeira legal me colocam.

Estamos inseridos nesses preconceitos. Querendo ou não, para lutar contra, precisaremos enxerga-los . É sistêmico, mas podemos fazer nossas escolhas conscientes do momento que nos abrimos a escutar.