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1 em casamento/ Comportamento no dia 20.12.2018

O meu casamento não foi como eu havia sonhado. Mas deu tudo certo.

Eu sempre tive um sonho: me casar. Eu sei que parece incoerente com vários textos meus onde falo que a gente precisa se aceitar sozinha. Mas não. Eu continuo dizendo e acreditando nisso. Porém, eu tinha esse sonho: se um dia eu encontrasse alguém com quem dividir a vida, alguém que me acrescentasse algo, eu queria sim, um casamento. Daqueles bem lindos que faz a gente olhar no album daqui a 40 anos e lembrar cada detalhe, sabe? Era esse o meu sonho.

Eu sempre gostei de fazer festa. Sei todos os melhores fornecedores para todos os itens de uma cerimônia. Com qualquer tipo de budget, opções, referências. Inclusive é comum que minhas amigas me perguntem a respeito ou me peçam ajuda quando vão fazer festa de casamento. Até acho que eu seria uma ótima cerimonialista de casamento. Já fiz esse papel informalmente muitas vezes, por amar o ritual.

E estou contando tudo isso pra vocês para dizer que o meu casamento aconteceu..e não teve nada que eu imaginava.

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Não teve festa, não teve cerimônia, não teve vestido, não teve docinhos. Nada. Como assim, né? E é justamente isso que eu quero dividir com vocês.

Eu tenho um relacionamento muito feliz, somos aquele casal insuportável que soltam corações um pelo outro quando nos olhamos. As pessoas viviam pedindo pra gente casar, que seria lindo, essas coisas. Até que chegamos num momento decisivo das nossas vidas, que nos colocou diante dessa possibilidade. Existia a possibilidade de uma mudança grande na nossa vida, de país, e para que isso acontecesse e pudéssemos ir juntos, teríamos que nos casar.

Não era o nosso melhor momento financeiro, precisávamos economizar para a nova vida. Tínhamos que fazer escolhas para termos uma vida relativamente confortável nessa mudança. Não adiantava ter uma festança se isso implicasse em ter que passar meses no aperto. E foi aí que eu me vi trocando um sonho em favor de ter noites tranquilas de sono.

Mas quem disse que esse casamento inesperado foi uma escolha simples? Não foi.

Estamos falando de sonho, daquilo que mexe com o que vive no lugar mais bonito do nosso coração. Eu estava ali, vivendo o que eu imaginei que seria o momento mais maravilhoso da minha vida. E nada do que eu sonhei estava acontecendo.

Eu tive dúvidas, angústias, me questionava se iria me arrepender da decisão, se iria me ressentir de tudo isso. Perguntava para mim mesma como as famílias iriam reagir. Tudo isso em meio a muitas noites sem dormir e muito, muito choro. Como eu já disse, estamos falando de uma coisa que era importante no meu coração. Era o único sonho que eu carregava comigo ao longo de toda a minha vida.

E eu dei o passo racional. Naquele momento me pareceu o mais sensato a fazer. Meu vestido eu achei em uma loja fast fashion. A sandália eu já tinha, a maquiagem foi de minha autoria. Mas me precavi de ter coisas que depois eu poderia me arrepender de não ter tido: tivemos uma noite num hotel, escolhi um vestido branco, tivemos um fotógrafo para registrar o momento com nossas famílias.

E ali, naquele cartório pequeno, eu senti uma alegria tão grande, que eu fui surpreendida.

Por mais que eu soubesse que seria um dia feliz, eu jamais vou saber descrever o que senti. É uma alegria totalmente diferente, uma sensação de realização diferente das muitas que já tive…só casando pra saber. E tenho certeza que essa sensação não seria maior ou mais intensa se envolvesse uma festa dos sonhos porque, no fim, o que motivou o meu casamento é o amor, e ele está presente independente do cenário.

Se eu descarto uma festa no futuro? Não sei. É bem possível que um dia a gente faça algo. Mas muito mais para comemorar a alegria de continuarmos juntos do que para resolver alguma frustração, pois não tenho nenhuma. E porque eu realmente acredito que aquela alegria daquele dia, daquela hora, me preencheu de tal forma que hoje, posso dizer sem medo algum que meu casamento foi como sonhei: feliz.

2 em casamento/ Comportamento no dia 03.10.2018

As noivas que não comiam macarrons – ou a gordofobia no mercado de casamentos

Quando comecei a trabalhar com casamentos, os macarrons – deliciosos doces de amêndoas de confeitaria francesa – eram o último grito da moda casamenteira.

Meu coraçãozinho de jovem empreendedora não resistia ao encanto daqueles disquinhos coloridos – porém caros e difíceis de achar – e vez ou outra eu me permitia ao luxo de encomendar alguns para servir às minhas clientes do cerimonial, afinal, toda noiva estava apaixonada por macarrons nessa época.

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Realmente faziam sucesso: elas queriam tirar fotos, saber onde encomendar, quanto custavam, como servir. Mas para a minha surpresa, poucas delas chegavam a prová-los. Ou quando provavam, logo se autocriticavam por aquilo que consideravam uma pequena transgressão.“Preciso caber no vestido”, “Se eu não perder peso vou adiar o casamento”, “Não estou comendo nada” eram algumas das frases que eu ouvia constantemente no meu escritório.

>>>>> Veja também: Não faça loucuras para caber em um vestido de noiva <<<<<

Quando a Carla postou um texto sobre emagrecer para caber no vestido de noiva, os relatos me doeram. Por mais que eu saiba que essa pressão estética é fruto de uma construção que permeia toda a sociedade e não só o mercado de casamentos, eu não poderia ficar calada sobre a responsabilidade dos profissionais dessa área na manutenção dessa cobrança que vêm adoecendo várias mulheres em um momento que deveria ser de alegria.

E de fato, os casos mais comentados de pressão estética e gordofobia no mercado de casamentos estão relacionados à escolha do vestido. Frequentemente, as visitas aos estilistas ou lojas de vestidos se tornam uma longa sessão de comentários sobre o corpo da noiva. “Quantos quilos você deseja perder até o grande dia?”, “Você não pode usar esse modelo porque vai ficar vulgar no seu corpo”, “Vamos esconder essa gordurinha debaixo do braço” “Vou criar um vestido com corselet que vai remodelar todo o seu corpo” foram alguns dos comentários que presenciei ao acompanhar minhas clientes. Diante disso eu sempre precisava reafirmar o que parecia óbvio: É o estilista que deve criar um vestido para o corpo que você tem e não você que deve criar um corpo para se adaptar ao vestido do estilista.

Tenho consciência de que algumas noivas chegam ao profissional com muitas questões sobre o próprio corpo, mas não isso não autoriza comentários sobre emagrecimento ou ganho de peso sobre determinado corpo ser ideal para “arrasar” no altar ou o comentário mais cruel de todos: “Não se preocupe, toda noiva emagrece durante os preparativos”.

Essa frase é repetida cotidianamente e sem muito pudor por fornecedores de todas as frentes: estilistas, fotógrafos, maquiadoras, cerimonialistas, confeiteiras como uma espécie de alento. Além de não ser uma afirmação real, não consigo compreender de que maneira um emagrecimento por ansiedade deva ser comentado, celebrado e até mesmo romantizado por aqueles que foram contratados para cooperar com a tranquilidade de um casal.

Tudo isso, agravado pela ausência de representação de corpos de outros tamanhos nas revistas, desfiles e até mesmo nos portfólios dos profissionais. Mulheres gordas casam, são produzidas, fotografadas e filmadas, mas eu não tive a oportunidade de ver uma noiva gorda como capa do portfólio de nenhum dos muitos profissionais que visitei ao longo de seis anos de profissão.

Mas o que eu mais preciso dizer é: O casamento não é sobre o corpo da noiva.

Não é nem mesmo sobre a figura da noiva; é um evento que faz parte de uma tradição maior que o mercado de casamentos, que envolve um casal que tem uma história e compartilha uma série de significados e promessas diante das pessoas mais importantes das vidas deles.

Reconhecer isso e conduzir a noiva de volta a esse contexto não apenas é um gesto de empatia, mas algo que pode fazer o trabalho do fornecedor brilhar no mercado.

Já não trabalho como cerimonialista, mas sigo na torcida por casamentos com mais macarrons e menos julgamentos.

3 em Destaque/ maternidade no dia 22.05.2018

Quem foi que disse que filho segura casamento?

Quem nunca viu algum filme ou novela onde a mulher resolve engravidar para segurar o homem? Quem nunca ouviu falar no “golpe da barriga”, expressão que pode ser usada tanto para aquele cenário em que a mulher engravida de um cara rico quanto da mulher que se vê em um relacionamento que está perigando e engravida para ficar com o cara?

Vou tentar ignorar o enorme grau de machismo presente em todos esses pensamentos para focar em outra coisa: QUEM FOI QUE INVENTOU ESSA IDEIA?

Juro, adoraria que alguém me apresentasse a pessoa que criou essas teorias (posso dizer com 99% de certeza que foi um homem, né?), ou queria conversar com quem falou pela primeira vez que “filho une o casal” só para entender a teoria, porque até o momento, a prática e a vida real zero romantizada foi me dizendo outras coisas.

Aliás, foi conversando com outras mães que eu tive certeza que no dia a dia, o que acontece é justamente o contrário. Assim como a maternidade intensifica todos os nossos sentimentos e joga na nossa cara todas as nossas qualidades e defeitos (mas como somos seres humanos, acabamos focando nos defeitos e esquecendo das qualidades, claro), a chegada de um filho também faz isso tudo no casal.

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O que era bom pode ficar ainda melhor, mas o que incomodava mais ou menos também pode tomar proporções gigantescas. Soma a isso a falta de tempo para o casal que naturalmente acontece quando temos uma criança em casa e bota nessa conta uma pitadinha do machismo nosso de cada dia – que pode acontecer até mesmo com o boy mais desconstruidão – e da carga mental que é consideravelmente maior na mulher e pronto, temos uma receita pronta para um casal potencialmente desgastado. Isso porque nem estou botando na conta homens com o mesmo nível de maturidade das crianças e que acham que estão perdendo a atenção da mulher para os filhos.

Segundo uma pesquisa do Relationship Research Institute, cerca de 25% dos casamentos terminam em divórcio depois dos filhos. Então se as coisas podem desandar com um casal que desejou, esperou e realizou o sonho de ter um filho, imagina só se engravidar para segurar alguém vai funcionar?

Mas calma, não estou aqui para aterrorizar ninguém. Filho pode unir o casal, sim. Principalmente aquelas duas pessoas que estão igualmente dispostas a entenderem suas novas funções e seus novos papeis dentro desse novo relacionamento.

Se estamos aqui batalhando para desromantizar a maternidade, acho que vale apontar também que não precisamos sonhar com a ideia da família de margarina, todos felizes, ensolarados e de muito bom humor às 7 da manhã.

Me contem, como vocês lidaram com o casamento depois dos filhos?