Browsing Tag

Moda

0 em Autoestima/ Moda no dia 31.10.2018

Eu tenho idade para fazer isso? Para usar isso? Dica: pode parar com essa história!

Semana passada eu fui fazer uma aula de automaquiagem. Estávamos em uma turma pequena, num lugar super agradável, um desses studios de maquiadores onde a gente fica querendo morar lá e olhando cada uma das penteadeiras com aquela quantidade surreal de produtos e querendo mexer em todos. Não tinha como pensar que algo ali poderia render uma reflexão, né? Mas sempre dá, hahahah.

Entre as 5 alunas, contando comigo, tinham duas amigas na faixa dos 40 e poucos anos. Eu, com 36, já estou quase ali na faixa delas. Eis que no meio da aula, entre um côncavo marcado e um delineado gatinho, vem a pergunta: “mas isso combina com a minha idade?”.

Travei. Queria parar a aula ali mesmo e conversar com elas. Mas me contive e pra não atrapalhar a aula, disse apenas: “acho que você poderia usar o que gosta, sem levar isso em consideração”.

E fiquei pensando sobre isso quando no mesmo dia, um pouco mais cedo, fui impactada pela campanha da loja Madewell. Quem estrelava é uma mulher mais velha, na faixa dos 50 ou 60 anos, e simplesmente tão maravilhosa e confiante em sua própria pele que me fez querer comprar tudo o que vi, incluindo peças que eu nem gosto muito.

A gente precisa parar com essa coisa de que idade limita. Seja na hora da maquiagem ou na hora de se vestir. Se não nos limita de realizar coisas, de recomeçarmos a vida, por que é que temos que deixar de usar um short ou alguma roupa que nos faça sentir bem porque nascemos alguns anos antes de outras pessoas?

O mundo é um tanto cruel com as mulheres. É um mundo que faz com que a gente acredite que os homens melhoram com a idade enquanto nós temos que nos acostumar com a nossa maturidade e sabermos o nosso lugar. Opa, a gente já aprendeu que nosso lugar é onde a gente quiser. Né?

Tenho exemplos bem próximos a mim de duas mulheres maduras que se enxergam de forma bem diferente. Uma usa o que quer, mesmo que às vezes pareça inapropriado em teoria. E o resultado são looks que têm muita autenticidade e que só ela conseguiria carregar tão bem. Não é isso que se fala sobre estilo pessoal? Então por que ele precisa ficar de lado depois de algum momento da vida?

A outra segue as regras que a sociedade impôs: nada de certos comprimentos, prefere sempre esconder os braços e os cabelos precisam encurtar. Ela não faz isso porque se sente melhor assim, elas faz isso porque acha que é o certo. E ela tenta, por muita vezes diminuir a outra, que é livre se expressando com a roupa que quer. Quem você acha que é feliz ali?

Moda é sobre expressão de quem somos, é sobre usarmos o que nos faz feliz. Idade não deveria ser um fator determinante para escolher nossas roupas, muito menos para definirmos nosso estilo pessoal. Imagine que vida triste você ter que deixar de usar delineador gatinho (se você amar) só porque fez aniversário e agora não combina mais?

Usem seus batons vermelhos, seus delineadores gatinho, seus glitters. Sejam felizes, em todas as idades.

0 em Autoestima/ Moda no dia 25.10.2018

A liberdade de vestir o que quiser e a importância do olhar afrontoso

Acho que já dei umas pinceladas aqui no blog sobre como as pessoas aqui em Nova York são muito livres para serem quem quiserem. Para vestiram o que derem na telha. Acho que essa é uma das coisas que mais me encantam nessa cidade.

A liberdade que as pessoas têm com a moda é algo muito maravilhoso. Você pode estar vestida toda de paetê as 7 horas da manhã. Você pode ir no mercado de pijama e pantufa. Você pode usar o cabelo da cor que você está afim. E ninguém está nem aí com as suas escolhas.

E quando está, dificilmente vai ser para te julgar. Aqui o elogio acontece quando você para na esquina, quando você vai no mercado ou até mesmo quando você está andando na rua. Aliás, esse comportamento merecia um post à parte, porque é algo muito bacana. “Sua bota é linda/que batom bacana/que casaco maravilhoso!” Quem não está acostumado a receber um elogio gratuito e surpresa, geralmente olha com certa desconfiança. “Será que essa pessoa tá me zoando?”. Mas não. É totalmente genuíno. As pessoas elogiam, e isso é algo que eu quero levar para a vida, para qualquer lugar que eu vá.

Só que hoje eu queria falar sobre um fenômeno local: o olhar afrontoso.

foto: Michelle Cadari

Deixa eu explicar melhor. Volta e meia eu cruzo com pessoas que têm todo um estilo próprio super definido - e nada parecido com o que você por aí normalmente. Essas pessoas sabem que chamam atenção, por mais que essa seja uma sociedade onde cada pessoa está muito ocupada cuidando da própria vida. Quando você olha para o rosto dessas pessoas, você percebe que elas têm um olhar específico, que eu carinhosamente apelidei de olhar afrontoso.

Na verdade, ele não é afrontoso porque ele afronta alguém diretamente. É um olhar que não permite a intimidação alheia. Um olhar que, mesmo sem cruzar, diz tudo: “eu não vou deixar que ninguém me diminua.” Ele traz em si uma força e uma determinação que eu admiro.


Visualizar esta foto no Instagram.

Uma publicação compartilhada por Man Repeller (@manrepeller) em

o olhar da mulher que sabe que não tem nenhuma satisfação para dar para ninguém.

Eu sou super travada no quesito moda. Eu sigo o padrão. Por mais que eu tente ser criativa, eu não sou de inventar muito. Dificilmente saio muito espalhafatosa. E quando saio - com um batom mais escuro que seja, ou uma saia metalizada durante o dia - eu já fico achando que tá todo mundo olhando para a minha cara e me achando muito estranha.

É uma merda, eu sei. Já contei aqui que eu ainda me importo muito com a opinião alheia. Mais do que gostaria. Estou trabalhando pra melhorar isso - e acho que já melhorei muito, inclusive.

>>>>>> Veja também: Não é só timidez, eu também ligo muito para o que vão pensar <<<<<<

As vezes eu treino o olhar afrontoso. Só para ver como é. Saio com o queixo erguido, a postura ereta e simplesmente olho para um ponto fixo na minha frente que não me faz cruzar olhar com ninguém. Por aquele tempo, consigo ser a pessoa que não está nem aí para a opinião alheia porque eu banco meu estilo e minhas escolhas. Mas acima disso, eu banco quem eu sou completamente e não preciso de ninguém para me validar ou validar o que eu visto. E posso falar para vocês? É libertador.

0 em Autoestima/ Deu o Que Falar/ Moda no dia 22.10.2018

A democratização da moda está quase lá, mas ainda falta

Na última quinta-feira (18/10), o mundo da moda brasileira comemorava com uma super festa de aniversário os 30 anos de uma marca de roupas. Eles prepararam um evento enorme, com direito a transmissão online ao vivo e muitas celebridades dentro e fora das passarelas. Confesso que tomei conhecimento apenas pelo excesso de divulgação bem feito, mas no dia seguinte, em um grupo de amigas, algo se destacou: uma imagem onde a cantora Preta Gil e a atriz Mariana Rios posaram lado a lado, com o mesmo look.

A legenda da Preta comemorava a democratização da moda, já que tanto ela quanto Mariana, que vestem os tamanhos extremos das grades - GG e PP, respectivamente - estavam usando a mesma peça de roupa. Na mesma hora ficou ali a deixa pra gente vir conversar sobre isso.

foto: insta @pretagil

Ao mesmo tempo em que eu fico feliz de ver que algumas marcas já incluem uma grade de tamanhos diversificada, me dá um certo desânimo pensar que ainda estamos na fase que comemoramos isso, algo que deveria ser completamente normal. Porque, se a moda realmente fosse democrática, todas, sem exceção deveriam ter direito de se expressar como quiserem, em todos os tamanhos disponíveis. E a gente sabe que é a questão é bem mais complexa que isso.

Vou até dar o meu exemplo aqui, que apesar de não ser plus size, estou em um outro extremo dessa balança que faz com que nem sempre seja fácil eu achar roupas. Eu sou alta, bem alta, 1,88 cm. E por ser alta e normal - isso é, não tenho o corpo nem as medidas de uma modelo de passarela - isso inclui que eu vista tamanhos grandes. Eu não sou considerada uma pessoa plus size, no entanto, me vejo muitas vezes passeando nessas sessões procurando algo que me sirva. E aí entro em outro ponto aqui que Preta Gil acabou não comentando: quantas vezes as vendedoras quiseram me convencer que eu não era o tamanho que eu estava procurando? Fico cansada porque penso que de nada adianta uma moda democrática se muita gente que trabalha com ela ainda é gordofóbica.

Desculpa se estou sendo um pouco menos entusiasta do discurso da Preta do que eu gostaria, mas são tantas questões que me vêem à cabeça quando penso em moda democrática que tive que dividir aqui, afinal, esse espaço é para isso.

>>>>>> Veja também: ser alta - e da moda - num mundo de baixinhas <<<<<<

Outro dia mesmo, por exemplo, me peguei em uma conversa onde uma pessoa próxima estava se vangloriando que foi comprar roupa na sessão infantil. Eu sei que tem muita mulher mais baixa ou então bem magrinha que não vê outra saída além de procurar peças que lhes servem melhor na sessão infantil. Também sei que desse grupo, tem muita mulher que detesta ter apenas essa opção, e odeia ter que escolher uma roupa tamanho infantil que não seja infantilizada. Então, quando vejo uma pessoa que sempre foi um 36, no máximo 38, se vangloriando por ter emagrecido tanto a ponto de estar consumindo na sessão infantil, não consigo achar bacana. Tive que sair da conversa para não ser a chata do rolê.

Agora, voltando aos tamanhos PP e GG de Mariana e Preta, precisamos exigir sim, que as marcas percebam que podemos ter mais de um tipo de corpo. Mas também acho que precisamos viver desapegadas do número na etiqueta. Mais importante ainda: precisamos mesmo é querer viver num mundo onde seja perfeitamente normal que todas as pessoas possam encontrar as roupas que querem no tamanho que as sirvam e que isso não seja algo digno de ser enaltecido.