0 em Autoestima/ Deu o Que Falar/ Moda no dia 22.10.2018

A democratização da moda está quase lá, mas ainda falta

Na última quinta-feira (18/10), o mundo da moda brasileira comemorava com uma super festa de aniversário os 30 anos de uma marca de roupas. Eles prepararam um evento enorme, com direito a transmissão online ao vivo e muitas celebridades dentro e fora das passarelas. Confesso que tomei conhecimento apenas pelo excesso de divulgação bem feito, mas no dia seguinte, em um grupo de amigas, algo se destacou: uma imagem onde a cantora Preta Gil e a atriz Mariana Rios posaram lado a lado, com o mesmo look.

A legenda da Preta comemorava a democratização da moda, já que tanto ela quanto Mariana, que vestem os tamanhos extremos das grades – GG e PP, respectivamente – estavam usando a mesma peça de roupa. Na mesma hora ficou ali a deixa pra gente vir conversar sobre isso.

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foto: insta @pretagil

Ao mesmo tempo em que eu fico feliz de ver que algumas marcas já incluem uma grade de tamanhos diversificada, me dá um certo desânimo pensar que ainda estamos na fase que comemoramos isso, algo que deveria ser completamente normal. Porque, se a moda realmente fosse democrática, todas, sem exceção deveriam ter direito de se expressar como quiserem, em todos os tamanhos disponíveis. E a gente sabe que é a questão é bem mais complexa que isso.

Vou até dar o meu exemplo aqui, que apesar de não ser plus size, estou em um outro extremo dessa balança que faz com que nem sempre seja fácil eu achar roupas. Eu sou alta, bem alta, 1,88 cm. E por ser alta e normal – isso é, não tenho o corpo nem as medidas de uma modelo de passarela – isso inclui que eu vista tamanhos grandes. Eu não sou considerada uma pessoa plus size, no entanto, me vejo muitas vezes passeando nessas sessões procurando algo que me sirva. E aí entro em outro ponto aqui que Preta Gil acabou não comentando: quantas vezes as vendedoras quiseram me convencer que eu não era o tamanho que eu estava procurando? Fico cansada porque penso que de nada adianta uma moda democrática se muita gente que trabalha com ela ainda é gordofóbica.

Desculpa se estou sendo um pouco menos entusiasta do discurso da Preta do que eu gostaria, mas são tantas questões que me vêem à cabeça quando penso em moda democrática que tive que dividir aqui, afinal, esse espaço é para isso.

>>>>>> Veja também: ser alta – e da moda – num mundo de baixinhas <<<<<<

Outro dia mesmo, por exemplo, me peguei em uma conversa onde uma pessoa próxima estava se vangloriando que foi comprar roupa na sessão infantil. Eu sei que tem muita mulher mais baixa ou então bem magrinha que não vê outra saída além de procurar peças que lhes servem melhor na sessão infantil. Também sei que desse grupo, tem muita mulher que detesta ter apenas essa opção, e odeia ter que escolher uma roupa tamanho infantil que não seja infantilizada. Então, quando vejo uma pessoa que sempre foi um 36, no máximo 38, se vangloriando por ter emagrecido tanto a ponto de estar consumindo na sessão infantil, não consigo achar bacana. Tive que sair da conversa para não ser a chata do rolê.

Agora, voltando aos tamanhos PP e GG de Mariana e Preta, precisamos exigir sim, que as marcas percebam que podemos ter mais de um tipo de corpo. Mas também acho que precisamos viver desapegadas do número na etiqueta. Mais importante ainda: precisamos mesmo é querer viver num mundo onde seja perfeitamente normal que todas as pessoas possam encontrar as roupas que querem no tamanho que as sirvam e que isso não seja algo digno de ser enaltecido.

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