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3 em Comportamento/ Convidadas/ Destaque/ Deu o Que Falar/ Juliana Ali no dia 27.10.2017

Com amor, Ju: Ela é linda

Pois então, ontem um insta desses estilo “paparazzi de famosos” postou uma foto de Rodrigo Lombardi e sua mulher, passeando sei lá onde.

Abaixo da foto, comentários femininos achincalhando a mina. Em primeiro lugar, o que mais se via era “horrorosa”. Seguido por “velha”, “gorda”, “mal vestida” e, não menos presente, “sortuda”. Porque, de acordo com o que li no dito insta, uma verdadeira monstra daquelas precisa de muita, mas muita sorte para casar com um galã lindo e maravilhoso como Rodrigo Lombardi.

um dos comentários feitos na tal página

 

Como se não desse para ficar ainda mais chocante, as mesmas mulheres que estavam detonando a esposa do Lombardi começaram a brigar entre si, em um show de horror estilo “Tá falando o que? Você é mais feia ainda. Cala a boca sua imunda.”. Não estou inventando, li essas coisas assim mesmo.

Difícil saber por onde começar, mas vou tentar. Um dia teve o big bang e aí… Não, brincadeira, vamos lá. Mas é que precisa ser do começo mesmo.

Beleza. O que faz a gente achar alguém bonito parte de muitos critérios que são extremamente diferentes para cada pessoa. E grande parte deles não vêm nem de nós mesmas, sem mesmo nos darmos conta.

mas é o que?

Anos atrás, quando eu ainda era blogueira, gravei um vídeo para meu canal do YouTube. Meus vídeos não tinham muitas visualizações, o YouTube nunca foi meu forte naquela época mas, por algum motivo, esse em específico viralizou. Até hoje recebo comentários nele, e gravei há quatro anos, imagina. Adoro ler os comentários, que em geral não tem nada a ver com o conteúdo do vídeo e são de morrer de rir. Eles vão de coisas como “você é a mulher mais bonita que já vi na vida, casa comigo” até “você parece uma velha fumadora de crack”. Juro. E é louco porque tem meio que a mesma quantidade de elogios e de críticas. Ou seja.

O que estou querendo dizer? A beleza está nos olhos de quem vê, em primeiro lugar. Eu, JULIANA, não me levem a mal, prefiro belezas fora do padrão. Embora hoje em dia acho quase toda mulher bonita dentro do que ela é, me atraio loucamente por um rosto cheio de ângulos “estranhos”, um corpo arrendondado por quadris largos e coxas grossas, cabelos de cores diferentes como rosa ou azul, ou bem curtinho. Carinha lavada, roupinha básica ou então roupa chamativa mesmo. Sou aquariana, quanto mais diferente melhor. Você pode gostar de uma beleza exatamente oposta, e tudo bem. Todo mundo pode ser lindo, depende do observador.

as pessoas ainda não aprenderam a separar a novela da vida real, né?

Mas muito, MUITO mais importante do que isso, é perceber que o fato do Rodrigo Lombardi estar apaixonado por sua mulher pouco tem a ver com a aparência dela - que ele pode achar maravilhosa ou não, eu e você idem. Você sabe muito bem que beleza (o que quer que ela signifique a seus olhos) cansa rápido. A gente se acostuma com ela. A gente esquece dela no dia a dia. O que prende duas pessoas não tem NADA a ver com isso. Tem a ver por uns seis meses? Talvez até um ano? Passou disso, não.

Quer outra coisa MAIS IMPORTANTE AINDA? O pior de toda essa história, pra mim, foi a briga entre as mulheres. Quando a gente vai perceber que estamos no mesmo time? Que, ao julgar a mina do Lombardi, estamos replicando o julgamento que não queremos para nós e que foi imposto pela sociedade? Que é machista?

Você quer que alguém te olhe e diga “feia”, “horrorosa”, “SORTUDA POR ESTAR COM ESSE BOY”??? Nem sei como é esse boy na vida!!!!! Eu hein!!!! Sei lá se é sorte ou azar, não conheço o cara.

Estamos no mesmo barco, e dentro dele há o fardo de ter que ter certa aparência, certo comportamento, ter que nos encaixar em certos padrões que, para a maioria de nós, é impossível nos encaixar.

Então amigas, vamos olhar com carinho umas para as outras. Porque ninguém mais vai fazer isso.

9 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas no dia 24.10.2017

Outubro Rosa: Debs Aquino

Eu comecei com blog quando engravidei da minha filha. Minha ideia era fazer um diário para que ela lesse quando crescesse. Só que eu fui uma grávida muito ativa, corria, fazia exercícios e falava muito sobre isso, então, na época muitos programas me entrevistaram e eu passei a ganhar leitoras interessadas no que eu estava falando. Foi aí que começou o Blog da Debs, um blog mais focado na minha rotina grávida e de como eu me exercitava. O problema é que em paralelo a isso, eu tinha uma questão muito séria com meu corpo, uma neura mesmo. Tanto que quando engravidei, eu fiquei em pânico de engordar.

Engordei 8 quilos na gravidez, perdi 5 logo no parto e pensei que seria muito fácil perder os 3 quilos restantes, pensei que eu ficaria ainda mais magra do que antes de engravidar. Só que eu engordei 16 quilos enquanto estava amamentando. Para me incentivar, acabei estabelecendo uma meta de conseguir emagrecer esses 16 quilos para participar da maratona de Chicago. Enquanto isso, uma amiga me incentivou a falar sobre o assunto no instagram. Era o início da era da galera fitness, que eu lembre só tinha Gabriela Pugliesi - que ainda não tinha nem 10 mil seguidores - e Carol Buffara.

Eu pensei em usar o instagram como uma forma de automotivação, um jeito de eu me comprometer com outras pessoas e não furar minha rotina de exercícios. Eu comecei a ganhar cada vez mais seguidores por causa das minhas postagens. Agora eu vejo que era um discurso muito neurótico com meu corpo e meu insta era bem focado no visual. Hoje eu converso com muita gente que tem problemas seríssimos de autoestima por excesso de comparação com o outro, e a comparação não é com a amiga, com a vizinha, é com o povo das redes sociais. Isso foi uma coisa que eu redimensionei completamente na minha vida, já que eu era o tal extremo que as pessoas queriam se comparar.

E aí veio a notícia.

O primeiro pensamento que apareceu na minha cabeça quando meu médico me ligou não foi sobre meu cabelo ou sobre meu peito, foi: “se eu morresse hoje, o que eu ia deixar para a Duda? Como ela ia se lembrar de mim?”. E esse pensamento ficou constante na minha cabeça e foi minha maior insegurança.

Eu me achava o máximo não só por causa do meu corpo que eu cultuava, mas também porque eu corria bem, corria rápido e achava que ela super se orgulharia de todas as medalhas que a mãe tinha penduradas, mesmo que fossem medalhas amadoras, já que eu sempre corri por prazer, não por competição. Hoje vejo que naquela época, eu não deixaria nada pra ela a não ser algo muito relacionado à corpo e medalhas.

Depois as outras fichas foram caindo, como por exemplo, o peito. Como eu, com 37 anos, vou ficar sem peito? Eu sempre tive pouco e quando eu finalmente realizei o sonho de colocar silicone, eu entrei em um caso de amor com eles. Foi uma época que eu só usava decotes e blusas que valorizassem. Quando eu penso no que aconteceu e no tipo de cancer que eu tive, vejo como ele foi relacionado à vaidade e isso foi um dos maiores aprendizados que eu tive.

Eu passei por 7 cirurgiões, olhava as fotos de reconstruções e não conseguia achar nada bom. Logo eu, que botei o silicone de uma forma que tivesse o mínimo de cicatrizes possível, me vi diante de fotos em que cicatrizes eram obrigatórias. Na época não conseguia achar “que bom, pelo menos estou viva”. Fiquei brava, insatisfeita, chateada. Meu peito não ficou igual ao que era antes, até porque não é uma cirurgia de redução. É preciso tirar glândula, tecido mamário, o nódulo, e para reconstruir isso, o peito fica com aquele aspecto duro e artifical que a maioria tenta evitar quando faz uma cirurgia estética. Ele também voltou para o mesmo tamanho que eu tinha antes de botar silicone, ou seja, o tamanho que eu me sentia insatisfeita. Não foi de uma hora pra outra que eu aceitei, hoje encaro como uma das muitas lições.

Quando aos meus cabelos, eles eram enormes e eu gastava os tubos com eles, luzes, cremes, tudo. Só que, por incrível que pareça, minha primeira reação ao saber que precisaria fazer quimio foi querer raspar tudo logo de uma vez. Fui aconselhada a não fazer isso de uma vez só para não assustar a minha filha, por isso comecei reduzindo o comprimento e cortei bem curto.

Quando o cabelo começou a cair, ela acabou vendo os fios no chão e resolvi raspar de uma vez só. Minha desculpa para ela foi que era janeiro, estava calor e eu queria raspar. Ela achou estranho mas depois que mostrei algumas fotos de mulheres carecas, ela começou a curtir a ideia. Foi um momento super difícil porque eu queria passar por ele como um furacão e acabei sendo muito forte. Por isso eu não vivi o luto dessa perda, só me permiti sentir a tristeza pelo meu cabelo uns 2 anos depois, quando ele estava nascendo diferente do que ele era antes.

A quimio não faz com que você perca apenas os cabelos e sim todos os pelos do corpo, inclusive sobrancelhas e cílios. Isso me impactou mais do que outra coisa porque quando estava sem nenhum pelo no rosto eu realmente me vi doente. Foi o momento que eu chorei efetivamente durante o tratamento.

E teve também a parte do corticoide, que é quando a gente fica inchada a ponto de não se reconhecer. Ele esteve presente em 12 das 16 sessões de quimio que eu fiz e foi o que me fez repensar minha vaidade. Inchada, sem cabelos, sobrancelhas e cílios e sem poder tomar sol.

Durante a doença, a minha terapeuta me passou um exercício que eu fiz durante uns 4 meses. Ela pediu para que no fim do dia, eu tirasse o lenço e a maquiagem, olhasse o meu reflexo e perguntasse quem era eu. E eu não tinha ideia. Todo dia eu fazia esse ritual e ficava angustiada porque não conseguia responder essa pergunta. O momento que eu comecei a mudar a forma que eu me enxergava foi quando eu comecei a respondê-las. Eu tenho saudades de quem eu era antes da doença, do corpo que eu tinha, mas hoje eu me enxergo um monte de qualidade que eu tenho por dentro que eu não via antes porque eu era vazia.

Foi um período que eu tive que trabalhar muito a minha vaidade e aprender a me aceitar como eu estava naquele momento na minha vida. A gente nunca vai ser a mesma coisa sempre, nós envelhecemos, nós mudamos, nosso corpo muda, se não nos aceitarmos, ficaremos sempre insatisfeitas.

Mas nada supera os aprendizados. Para começar, o conceito de saúde mudou muito. Hoje vejo que ser saudável é um reflexo do bem estar físico, emocional e espiritual. Antes eu não parava para olhar e agradecer o que eu tinha, o que me fazia feliz. E hoje eu não consigo mais pensar em saúde sem ter tempo para mim, para meditar, para dormir direito. Hoje eu não consigo ver equilíbrio na saúde se um desses 3 pilares estiverem ruins.

Também repensei a minha humildade. A gente quer ser a mulher maravilha, que dá conta de tudo e quer levar tudo nas costas, mas a verdade é que não dá para sustentar isso sempre. Não é só você saber pedir, é saber receber também. Sempre tive essa tendência de ser mulher maravilha e descobri que não conseguia.

Outra grande lição, a maior talvez, é aprender a se aceitar independente das mudanças. Hoje eu voltei a correr maratonas, estou satisfeita com meu corpo, mas o mais importante é que aprendi a gostar de mim exatamente do jeito que eu sou, em cada fase da minha vida. Foi preciso muita cacetada e muita chinelada para eu entender que que a gente precisa se aceitar como estamos, senão ficamos loucos.

Seguir padrão imposto de internet, de televisão ou de revistas faz com que a gente caia nessa armadilha de não saber como lidar com nós mesmas caso algo nos aconteça. E aí, o que fazemos?

Hoje eu vivo de uma forma que todo final do dia eu me pergunto: “o que eu deixei de bom para a minha filha hoje? O que eu deixei de consistente, de coerente, de concreto na vida dela? Que exemplos práticos ela pode usar para que seja uma menina diferente de mim antes de ter cancer?” Resolvi preencher as lacunas que estavam faltando na cabeça da Duda, antes que outra pessoa o faça. Filhos moldam-se nos exemplos dos pais, isso está cada vez mais claro para mim. Então, que eu possa fazer o meu melhor, para ser o melhor exemplo que ela possa ter.

0 em Autoestima/ Convidadas/ Moda no dia 19.09.2017

Exercitar a autoestima não é fazer a Poliana

Eu trabalho com consultoria de estilo há 3 anos, e dentre tantas coisas que ensinamos para nossas clientes (e seguidoras: segue a gente lá no @estiloassinatura do instagram!), também acabamos trabalhando a questão de como resgatar a autoestima delas – que, normalmente, são mulheres que ficaram tempo demais cuidando dos outros e se esqueceram de si mesmas.

Autoestima não é uma condição mágica, que te permite ver beleza onde outras pessoas talvez não vejam. Tenho a impressão que há quem acredite que autoestima chega a ser algo até meio heróico, mas na verdade é algo que você cria, exercita e luta pra manter.

Ou seja, ter uma autoestima bacana não significa mentir pra você mesma e fingir que gosta de tudo. É aceitar que existem coisas preferidas e outras nem tanto - e tá tudo bem. O segredo é justamente entender como esse equilíbrio de sensações funciona pra que você possa valorizar o conjunto da obra.

Sair do piloto automático e tentar entender porque eu gosto tanto de determinada roupa em ciclana mas não em mim é super válido. Entender porque me sinto tão bem com a cor X mas não com a Y também. Avaliar, dentro da minha rotina de vida e opções pessoais, o que é possível mudar ou o que pode ser mantido é essencial.

Sou casada, tenho dois filhos pequenos e trabalho muito numa coisa que eu amo. Não quero deixar de trabalhar, de dormir ou de ficar com a minha família para ir a uma academia 6x por semana (no máximo consigo ir às minhas aulas de dança 2x na semana quando muito, rs). Meus prazeres, atualmente, são tomar um vinho em frente a TV enquanto petisco um belo queijinho com o meu marido, já que não dá pra sair mais com tanta frequência. Mas não sou muito fã da minha barriga, ainda mais depois das gravidezes.

Nem por isso vou me esconder num buraco e me cobrar todos os dias pra mudar isso, ou vou achar que um belo dia eu vou acordar, me olhar no espelho e passar a amar tudo que eu não curto tanto em mim, inclusive a barriga. Aprender a se amar é exercício diário, e não acaba quando termina. A forma que eu encontrei para lidar com essa questão é usar os truques que aprendi na consultoria para valorizar o que eu amo em mim e deixar a barriguinha em segundo plano.

E não se engane: eu não faço isso pros outros - faço isso 100% por mim. Pra EU me sentir bonita e segura. Pois é fato que esse tipo de recurso acaba fazendo tão bem pra mim e pra minha autoestima se usado sistematicamente, que quando a barriga estiver aparecendo (alô, verão de biquíni!) eu não vou estar nem aí, mesmo com ela em evidência.

Talvez eu tenha divagado, mas o que eu queria dizer, no fundo, é que os caminhos até alcançarmos a autoestima e a desconstrução dos padrões são muito peculiares, e esse foi o caminho que eu encontrei. Vale comentar que quando eu estava 10, 12Kg mais magra eu me gostava muito menos do que eu me gosto hoje e era muito menos segura das minhas decisões com relação ao vestir e ao meu corpo.

Ou seja, não importa o que vai te levar até esse ponto de evolução nem o que vai te manter lá, o que importa é o autoconhecimento, a autorreflexão e os insights que eles podem te render. Eu gosto de dizer que exercitar a autoestima não é fazer a Poliana e achar que magicamente vou me achar linda da noite pro dia. Por isso, se o vestir for a ferramenta necessária pra me fazer recobrar a autoconfiança e a autoestima (minha e/ou de alguma cliente), é por aí que vamos seguir.