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Convidadas

0 em Autoestima/ Beleza/ Convidadas/ Destaque/ Make-up no dia 13.02.2020

Impressões e dicas aprendidas na aula de automaquiagem de Carnaval!

Joana e Carla já falaram algumas vezes o quanto queriam modificar o formato dos eventos do blog esse ano. E elas não estavam brincando. Elas queriam fazer algo além do bate papo, mas que ainda assim integrasse as participantes e envolvesse tempo de qualidade juntas. Dessa vez o evento foi uma aula de automaquiagem com as profissionais do Studio Lu Rech só com produtos da Vult, inclusive lançamentos, para gente conhecer!

A Vult é patrocinadora do blog e é bem conhecida por aqui! Já o Studio Lu Rech oferece um serviço de fast beauty. Ele conta com make e penteados simples, mas profissionalmente executados, de forma rápida e a preços acessíveis.

Mas dessa vez a proposta do evento foi passar pra gente um pouquinho do que as maquiadoras do Studio sabem. Até mesmo pra nos garantir mais autonomia na produção. Até porque uma coisa não exclui a outra. Muitas de nós sabemos fazer o básico em casa, mas às vezes quer um serviço com aquela cara de salão, não é?

No evento, nos unimos em duplas pra dividir uma infinidade de opções de produtos. Logo em seguida fomos para o passo a passo, com instruções das profissionais: preparação de pele, olhos, cílios, blush e boca. A make que aprendemos era simples, mas com uns macetes bem legais. Até mesmo pra quem já se aventura mais no assunto, como eu.

A primeira dica que eu acho muito digna de compartilhar foi a de misturar um pouco do iluminador líquido com o primer, em vez de passar depois.

Dessa forma, dá para chegar naquele glow saudável sem ficar um risco de brilho muito marcado. Quando eu disse que gostava de iluminar em cima ou embaixo das sobrancelhas com lápis ou sombra, a Carol, profissional do Studio Lu Rech, também deu a dica de fazer isso antes da base. Anotadíssimo! 😉 

Usamos o iluminador líquido booster radiante e o BB primer efeito blur com FPS 15. Ambos têm a textura bem leve e secam rápido. O primer dá super certo pra dar aquela fechada nos poros antes de passar a base.

Na hora de fazer os olhos, pudemos escolher entre as cinco paletas lindas de sombra recém-lançadas: confiança, beleza, amor por mim, liberdade e poder. Fomos orientadas a esfumar um marrom opaco no côncavo do olho, pra dar mais profundidade. Eu já marcava o côncavo, mas nunca soube esfumar direito, aprendi que deve ser do canto de fora pra dentro em movimentos circulares. Também nunca tinha tentado com um pincel decente. Rs Usei o nº 15 da Vult e foi sucesso total!

Depois veio ele, o lançamento protagonista do evento: o pigmento ecobrilho. E bota brilho nisso! Além de ser um produto vegano, pessoalmente vi também outro diferencial. Eu tenho mil alergias e vários pigmentos de glitter me pinicam muito, até mesmo em sombras cintilantes. Pra vocês terem uma ideia, eu sou uma pessoa que ama brilho e não pode usar lurex. Ah, a frustração! 

Mas pra minha surpresa eu fiquei super confortável com essa make, e olha que passei sem dó. O ecobrilho vem em 4 cores: um tom de cobre, um de vermelho, um de lilás e um de grafite. Todos são maravilhosos e dá pra enxergar seu brilho do outro lado da rua. Quem não merece um bapho desses?

Pra aplicar o ecobrilho passamos o primer fix, que é basicamente uma cola. Quando começa a secar, você consegue sentir o dedo colando um pouco na pálpebra. Ou seja, passa o primer fix, aplica o ecobrilho e vá divar sem preocupação. Elas avisam que não é ideal pra passar sombras comuns porque pode craquelar.

Descobri também que o pincel em formato de leque fininho é perfeito pra limpar aquela sombra que cai nas maçãs do rosto, sabe? É o nº 18 da Vult. 

Para os lábios, pudemos escolher entre as cores do batom stick matte, em lápis. Ou então outro lançamento, o batom surprise. Ele é um líquido matte que, quando seca, é só pressionar os lábios e tchanãm, aparecem uns brilhinhos fofos e discretos.

Por fim, conhecemos o item que eu acho que foi meu favorito em termos de novidade e funcionalidade. Eu já estava com vontade de comprar um pó translúcido pra dar aquela finalizada na make, mas nunca tinha testado antes. Lá, acabei descobrindo que aqueles esbranquiçados – que são a maioria – “estouram” em peles morenas e negras. Nessas, o seria ideal usar um pó mais amarelado. Por isso tínhamos à disposição o pó translúcido baunilha e o banana. Ter conhecido essa última cor foi legal, certamente vou usar muito!

resumo dos produtos usados!

Também não posso deixar de contar que tudo saiu muito facilmente depois, o que é uma vantagem enorme quando se trata de make com brilho! Só lavei o rosto com sabonete demaquilante e pronto. Rosto limpinho.

Ao final do evento, o Lucas, fotógrafo que trabalha com o blog, ainda tirou fotos individuais de todas pra gente guardar com carinho o resultado das nossas makes divas e cheias de glitter.

Se eu amei? Muito!

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Mayara Oksman no dia 11.07.2019

Sobre essa efedepê chamada ansiedade

Uma noite dessas não dormi. Deixei a ansiedade entrar escancarada pela porta da frente e de todas as formas possíveis. Me vi frágil, duvidando da minha capacidade, questionando decisões. Julgando o meu presente e preocupada com o meu futuro. Às cinco da manhã vi o sol nascer pela janela com a sensação de que a vida está passando e eu estou aqui sentada, imóvel. Racionalmente, lááá no fundo, eu sabia que estava errada.

Mas a ansiedade é um bichinho que mexe com emoção e não com a razão.

A ansiedade consegue cegar a gente completamente por alguns segundos, minutos e até dias, se deixarmos. E é por isso que estou desenvolvendo na terapia algumas formas para tentar driblar essa efedepê. Até agora, o mais eficaz para mim é verbalizar o que eu estou sentindo para alguma pessoa que confio. Minha sorte é que além do meu querido terapeuta, tenho amigas muito fodas.

Amigas daquelas que posso ligar a qualquer hora e falar: “mana, me ajuda aqui porque eu não to conseguindo sozinha”. Amigas que eu não tenho receio algum de expor meus medos, sejam eles pequenos ou grandes, e que eu sei que vão me dar bronca se precisarem. Amigas que vão argumentar com fatos concretos o que a mente ansiosa teima em fantasiar.

Nessa noite/madrugada/manhã específica, liguei para uma dessas amigas. E disse que eu não estava me sentindo um mulherão da porra.

Que eu estava insegura, me perguntando que diabos tinha de errado comigo. Recentemente fiz duas novas tatuagens que homenageiam a mulher que eu sou e o amor da Mayara pela Mayara, mas acabei desabando, sim. Porque nem todos os dias são flores, nem todos os dias a gente olha no espelho e enxerga o quão fodásticas somos por dentro e por fora. Enquanto chorava (minto, soluçava, aos prantos) no telefone, ela me acalmou, mandou eu respirar fundo. E perguntou exatamente o que eu estava achando de mim mesma naquele momento, qual era o problema exatamente.

Quando respondi, ela deu uma risada alta e brevemente me xingou. Depois de respirar fundo e mais calma diante das baboseiras ouvidas, disse: “você sabe que está falando merda, você sabe que isso não é verdade e eu não vou deixar você pensar assim nem por mais um minuto”.

E então a minha amiga rebateu cada um dos supostos problemas criados pela Mayara ansiosa com fatos concretos. Com piadas, com coisas que a própria Mayara (mais racional) já tinha dito no passado. Com mais broncas e mil palavras carinhosas. Todo esse conjunto de argumentos positivos e o cuidado vindo dela me fizeram respirar fundo.

Parei de chorar e entendi que eu precisava apenas fechar os olhos, dormir e repensar em tudo aquilo depois de algumas horas.

E foi isso que eu consegui fazer mais descansada: enxergar exatamente o que desencadeou essa crise de ansiedade. E apesar de ter me deixado levar, chorar, fazer drama e achar um monte de coisa ruim, vi um avanço em mim mesma.

Fico feliz e satisfeita porque hoje consigo:

1) entender que estou me deixando levar pela ansiedade, mesmo que demore algumas horas para tal;
2) tentar, de alguma forma, racionalizar o que está acontecendo, mesmo que eu precise da ajuda de alguém para isso;
3) enxergar o que desencadeou o problema e tentar evitar que isso ocorra novamente.

Pode ser que eu não durma essa noite e a ansiedade e os medos batam de novo na porta. Pode ser que eu ainda tenha que tratar desses assuntos por mais muitas sessões de terapia. Pode ser que eu ainda gaste milhares de minutos levando bronca das amigas.

Mas o importante mesmo é dar pequenos passos para não deixar as horas de crise se tornarem dias. Ou os pensamentos virarem problemas de verdade. Ou os medos me impedirem de tomar os próximos passos.

Um abraço carinhoso nas minhas terapeutas do passado. Um beijo de luz cósmica pro meu terapeuta do presente. E tudo isso em dobro pras minhas amigas do coração, que tá cheio de gratidão. É um privilégio dos grandes ter por perto gente que ajuda e nos acolhe em momentos de crise.

0 em Convidadas/ corpo/ crônicas no dia 25.01.2019

A gordofobia nada invisível na minha família

Pertenço a uma família que as curvas predominam. Sorrisos e quadris largos. Gargalhadas altas, muita força e garra para lutar e chegar aonde quer. Paralelo a isso, um desejo absurdo de não ser o que realmente é. São anos tentando se encaixar em padrões injustos e cruéis de magreza.

E cada passo revela a gordofobia presente ali.

O bonito está no outro, provavelmente naquela moça alta e magra ali, não em mim. Dia desses ouvi alguém falando para minha filha:

– Come tudo para ficar alta e esbelta como a Crecilda! – Nome fictício para a única prima magra da família, que naturalmente deve ter puxado o biotipo da família do pai.

Bateu uma revolta! Medo de que ela acredite que ser bonita é estar dentro de um padrão X ou Y. Porque ela não pode ser bonita como a mãe? Só porque a mãe é gorda e bem resolvida com isso?

Gorda também é feliz, tem vida sexual, sucesso profissional, namora, casa, tem parto normal, amamenta, dança, usa biquíni no verão, se diverte, é bonita.

Dá para ser tudo que quiser na vida, sem arredar um passo de ser quem você realmente é. Ou sem diminuir um manequim.

ilustra: uma brocolis

E é exatamente assim que me sinto. Às vezes me incomodo e logo percebo que meu incômodo vem dos outros. Vem dos olhares maldosos. Vem do julgamento de “fulana está linda, emagreceu que é uma beleza”, sem se importarem com o motivo real do emagrecimento.

Será que não cogitam perguntar para uma pessoa se ela está realmente bem diante de um emagrecimento repentino? Pode estar triste, pode estar doente, passado por um trauma. Nem todo emagrecimento é proveniente de uma conquista feliz ou saudável. Isso só estigmatiza. Por que gorda é que está sempre com a saúde em risco?

Preocupação seletiva nada mais é que disfarce para preconceito.

Na família, a contagem é aproximadamente a seguinte: duas bariátricas, depressão e alguns transtornos alimentares. O resultado dessa soma? Uma tristeza profunda de poucos enxergarem a sua verdadeira beleza. Aquela que ilumina todo e qualquer ambiente, beleza que sobra e transborda por aqui. A que vem de dentro.

Estive hospitalizada logo depois do parto do meu quarto filho. Uma bactéria forte contraída no bloco cirúrgico quase me levou à morte. Foi mais de um mês entre idas e vindas ao hospital, outras três cirurgias. Emagreci muito e o curioso foi o efeito que isso causou nas pessoas. Até familiares acharam bom o fato de eu ter emagrecido, mesmo nesse contexto. Mesmo sendo resultado de um grave problema de saúde. O emagrecer a todo custo vale até neste quesito.

Sabe o que dói? Por mim mesma, me sinto ótima, me acho linda e sexy. Só que os dedos continuam apontados, percebo o olhar atravessado, a alfinetada nos almoços de domingo. Fico me perguntando quando as mulheres irão perceber o quanto são realmente lindas? Quantas meninas da família ainda ouvirão que precisam emagrecer para agradar alguém? Que a beleza dos quadris e sorrisos largos não é o suficiente, que é preciso emagrecer mais pra ser feliz?

Hoje me preocupo com elas, com as outras mulheres da minha e de tantas outras famílias. Porque quanto a mim, diante de um espelho, visto meu vestido retrô que amo, calço uma sapatilha para correr atrás da cria, capricho no delineador, passo batom vermelho e sinto-me linda. Exatamente como toda mulher deveria se sentir. Exatamente como desejo que elas se sintam.

Você pode ler outros textos do blog também:

Você se submeteria a qualquer coisa pra emagrecer?

A gordofobia da sua mãe é sobre ela, não sobre você!

Preocupação com a saúde vs. Gordofobia