0 em Autoestima/ Moda no dia 25.10.2018

A liberdade de vestir o que quiser e a importância do olhar afrontoso

Acho que já dei umas pinceladas aqui no blog sobre como as pessoas aqui em Nova York são muito livres para serem quem quiserem. Para vestiram o que derem na telha. Acho que essa é uma das coisas que mais me encantam nessa cidade.

A liberdade que as pessoas têm com a moda é algo muito maravilhoso. Você pode estar vestida toda de paetê as 7 horas da manhã. Você pode ir no mercado de pijama e pantufa. Você pode usar o cabelo da cor que você está afim. E ninguém está nem aí com as suas escolhas.

E quando está, dificilmente vai ser para te julgar. Aqui o elogio acontece quando você para na esquina, quando você vai no mercado ou até mesmo quando você está andando na rua. Aliás, esse comportamento merecia um post à parte, porque é algo muito bacana. “Sua bota é linda/que batom bacana/que casaco maravilhoso!” Quem não está acostumado a receber um elogio gratuito e surpresa, geralmente olha com certa desconfiança. “Será que essa pessoa tá me zoando?”. Mas não. É totalmente genuíno. As pessoas elogiam, e isso é algo que eu quero levar para a vida, para qualquer lugar que eu vá.

Só que hoje eu queria falar sobre um fenômeno local: o olhar afrontoso.

foto: Michelle Cadari

foto: Michelle Cadari

Deixa eu explicar melhor. Volta e meia eu cruzo com pessoas que têm todo um estilo próprio super definido - e nada parecido com o que você por aí normalmente. Essas pessoas sabem que chamam atenção, por mais que essa seja uma sociedade onde cada pessoa está muito ocupada cuidando da própria vida. Quando você olha para o rosto dessas pessoas, você percebe que elas têm um olhar específico, que eu carinhosamente apelidei de olhar afrontoso.

Na verdade, ele não é afrontoso porque ele afronta alguém diretamente. É um olhar que não permite a intimidação alheia. Um olhar que, mesmo sem cruzar, diz tudo: “eu não vou deixar que ninguém me diminua.” Ele traz em si uma força e uma determinação que eu admiro.


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o olhar da mulher que sabe que não tem nenhuma satisfação para dar para ninguém.

Eu sou super travada no quesito moda. Eu sigo o padrão. Por mais que eu tente ser criativa, eu não sou de inventar muito. Dificilmente saio muito espalhafatosa. E quando saio - com um batom mais escuro que seja, ou uma saia metalizada durante o dia - eu já fico achando que tá todo mundo olhando para a minha cara e me achando muito estranha.

É uma merda, eu sei. Já contei aqui que eu ainda me importo muito com a opinião alheia. Mais do que gostaria. Estou trabalhando pra melhorar isso - e acho que já melhorei muito, inclusive.

>>>>>> Veja também: Não é só timidez, eu também ligo muito para o que vão pensar <<<<<<

As vezes eu treino o olhar afrontoso. Só para ver como é. Saio com o queixo erguido, a postura ereta e simplesmente olho para um ponto fixo na minha frente que não me faz cruzar olhar com ninguém. Por aquele tempo, consigo ser a pessoa que não está nem aí para a opinião alheia porque eu banco meu estilo e minhas escolhas. Mas acima disso, eu banco quem eu sou completamente e não preciso de ninguém para me validar ou validar o que eu visto. E posso falar para vocês? É libertador.

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