Faz algum tempo que não faço um post de relacionamento. Daqueles que vinham rolando com uma certa frequência, vocês lembram de alguns? Teve o de pular fora, apostar alto, racionalizar demais, medo de se envolver ou deixar os joguinhos de lado. Em meio às minhas crônicas, entre histórias reais e parcialmente inventadas, precisei de um tempo para pensar. Meu coração estava tão aprisionado em sentimentos que mudavam todos os dias que eu não conseguia traçar uma linha de raciocínio lógico para expor algo útil para vocês.
Usei cada dia desses sentimentos estranhos para escrever crônicas bem viscerais, que faziam sentido por um dia ou uma hora, tinham começo, meio e fim. No entanto, não é por estar levando essas histórias a sério que nós vamos parar de refletir sobre alguns fatos da vida a dois por aqui. Sei que alguns desses textos ajudam várias meninas e, por isso, pego fôlego para continuar conversando abertamente sobre tudo.
Em meio a tudo que vivi nos últimos meses, me dei conta de que as vezes a gente se contenta com pouco, floreia atitudes básicas e romantiza esse pouco para se convencer de que é bom. E nessa história, concluí algo que pode parecer óbvio, mas nem sempre é: Se você está tentando se convencer que algo é bom, provavelmente não é.
Parece que os caras legais estão em extinção e por isso a gente acaba tratando como normais coisas que na verdade são menos do que gostaríamos (de receber e de dar). Só que isso não é verdade, é apenas uma crença construída em cima de alguns estereótipos que se mostram mais disponíveis.
Não estou aqui dizendo que todos os homens do mundo precisam pagar contas ou abrir a porta do carro. Longe de mim querer endossar padrões de comportamento, acho que cada um deve ser como é desde que no final o balanço da relação seja positivo. No entanto, são poucas as amigas que me contam de parceiros fofos, que elogiam, cuidam de forma carinhosa do relacionamento e as jogam pra cima (infelizmente muitas vezes essa recíproca também é verdadeira, precisamos fazer bem ao outro).
Somar, acrescentar e jogar para cima são atribuições fundamentais de ambas as partes, mas isso só é bom quando é natural. Um elogio genuíno planta amor no mundo. Um elogio falso, quando mal disfarçado ou pelos motivos errados, pode desencadear uma rede de inseguranças.
Algo está bem errado quando a gente começa a baixar nossos padrões para “se convencer” de que aquela relação está somando. Não é fácil e é preciso ter um termômetro muito bom para notar, seja uma autocrítica lúcida, uma melhor amiga sensível ou uma terapeuta sagaz, alguém para levantar o sinal amarelo.
Relações precisam ser em sua maioria leves, precisam conter desejo, demonstrações de afeto (ainda que entre 4 paredes) e PRECISAM colocar a pessoa para cima. Você pode validar a autoestima do outro e permitir que ele faça o mesmo pela sua. Mal não vai fazer!
Quando paramos para analisar que tantas mulheres se contentam e agradecem por tão pouco (eventualmente já me inclui aqui), precisamos falar sobre isso. Quem não tem uma amiga linda, legal e inteligente que o namorado faz com que ela se sinta péssima?
Pode ser difícil sair dessas relações que tendem a serem abusivas, mas ao fazer isso e se permitir reconstruir é incrível ver que as novas pessoas aparecem e com elas você nota que a situação é tão melhor do que parecia. O mundo não é apenas feito de homens que adoram joguinhos, de caras que vêm cheios de traumas ou de gente que tem medo de se envolver.
Quando você vibra algo bom, está em paz com você mesma, a vida pode surpreender! (sim, esse é meu mantra) Em alguns momentos só precisamos de novas referências para entender que o que tínhamos não estava à altura do que desejamos, que estávamos achando lindo receber pouco.
Quando me contentei com pouco só atraí pouco, cada vez menos (ainda que não fosse por mal, cada um tem suas limitações). Quando julguei querer mais, tive mais palavras carinhosas, mais demonstrações de afeto, mais sorrisos, mais elogios (de todas as naturezas, físicas e intelectuais) e outros sentimentos tão maravilhosos que eu nem sei nomear. Só sei dizer que é gostoso!
Então por que eu estava ali, lutando tanto por uma relação que me dava tão pouco? Talvez para dar valor ao que a vida tem me mostrado, talvez para compartilhar tudo isso com vocês e quem sabe ser o sinal amarelo na vida das minhas amigas. Quem não quer ver alguém que a gente ama se sentindo linda, inteligente, capaz, incrível e desejada não é mesmo?
Vocês lembram quando eu escrevi aquele texto: sexo, quando menos não é mais? Na hora não realizei que na verdade essa máxima valia para tudo. Afeto, carinho, beijos, abraços, atenção e na manutenção da autoestima de ambas as partes. Ele tem que te jogar para cima, você tem que fazer o mesmo. Podemos repetir isso 10 vezes se necessário.
Mais um furação passou, ainda bem que esse foi mais curto e no fim pude perceber: não me basta viver pela metade, não me faz bem estar com alguém que não faz bem. Eu quero mais, posso entregar mais e receber mais. Eu me permito isso, desejo isso e assim, quando a ficha terminou de cair, comecei a atrair isso.
Existem tantas pessoas legais lá fora, a gente só precisa olhar com cuidado para separar o joio do trigo. ;)
Se as marcas de maquiagem investem milhões em campanhas para você acreditar na sua beleza, no seu valor e na sua autoestima, por que o cara que está com você não pode fazer o mesmo? Por que você não pode demonstrar o quanto ele também é desejado, admirado ou bonito?
Elogiar ou se declarar é uma forma de manifestação de amor. Abraçar é confortar e pertencer. Beijar é deixar de ser dois e passar a ser um por alguns segundos. E tudo isso é muito mais gostoso quando o somatório da relação é positivo!
Dizem que a felicidade é melhor quando compartilhada. Gosto de ser feliz sozinha, mas também amo estar aberta para o novo e ser feliz a cada encontro especial que vou tendo pela vida. Quando esses me fazem me sentir mais linda, inteligente, especial, gostosa ou espontânea, fico mais feliz ainda. Pois é o outro enxergando em mim aquilo que eu escolho manifestar, quem não gosta disso que atire a primeira pedra. Não preciso disso para acreditar no meu valor, mas acho bom quando o outro também nota!
Quando a gente se contenta com menos do que merece em pouco tempo passamos a ver a vida com véus de ilusão, passamos a autodestruir nossa autoestima e construimos assim um castelo de areia de falsa felicidade. Quando o vento bate, o castelo desmorona e quanto mais tempo passa, mais difícil fica.
Eu não quero isso pra mim, consequentemente não vou querer pra você. Claro que muitas vezes a gente erra, não reconhece, não somos fáceis e coisas do tipo, pra isso é legal propor uma reflexão para os dois lados.
Beijos
Jô




2 Comentários
Sil
08.04.2016 às 1:11Eu acho que é por aí, relacionamento precisa de reciprocidade. TEM QUE SER BOM PARA OS DOIS!!!!! O ok, não vale para uma relação duradoura. Lógico que em um casamento, um namoro longo, etc, vão ter momentos de desequilíbrio mas a gente sabe quem é aquela pessoa e o negócio é conversar! Mas mesmo assim, eu tenho amigas que quando o negócio parou de funcionar se separaram.
Enfim, o que importa é ser feliz sozinha ou acompanhada, certo?
Beijos!
Juliana
09.04.2016 às 20:31Eu simplesmente AMO esses seus textos reflexivos! Toda semana entro no blog só para ver se você postou algo novo nesse sentido!!! O jeito que você escreve parece o jeito que uma melhor amiga te conta seu ponto de vista e é muito bom aprender com as suas reflexões! Espero que venham mais e mais textos que nos ajudam a viver melhor, como este!
Beijos!