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Relacionamento

0 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 28.01.2020

“Não consigo encontrar alguém legal”

Você provavelmente já ouviu alguma amiga sua falar isso. Ou você mesmo não aguenta mais falar essa frase. Tem até uma ótima frase que diz: “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes.” Claro que essa não é a definição de insanidade. Mas definitivamente aprender com nossos padrões deveria nos levar a essa reflexão lógica.

E isso vale pra tudo, incluindo relacionamento.

Inúmeras vezes vi mulheres reclamando de não acharem alguém legal. Ou de só arrumarem homens que têm um determinado tipo de comportamento.

Geralmente acabo encontrando rápido a origem desse problema. É só abrir o app de relacionamentos que elas usam ou de ver as conversas e é fácil de entender por quê nada muda. Muitas insistem em mais do mesmo. Procuram pela mesma lista de atributos de antes. Buscam o mesmo tipo de cara, com o mesmo padrão de comportamento, os mesmos valores.

Muda o nome, mas não muda a história. E o alguém legal nunca aparece.

Talvez pra encontrar uma relação de parceria justa e equilibrada, com troca, vontade, cumplicidade e amor, a gente precise transcender de vez os itens da lista dos filmes. Ao invés de super valorizar a aparência, o trabalho, o círculo de amigos, o sobrenome, a conta bancária ou o padrão de vida, podemos procurar CONEXÃO.

Estilos de vida que combinam. Gostos parecidos, química, troca e coisas em comum que vão além do óbvio. E que no longo prazo fazem muito mais sentido.

Coerência na atitude alinhada ao discurso ajudam mais na busca da pessoa amada do que anotar o telefone da vidente que está colado no poste.

A verdade é que conexão pode vir com os mais variados perfis de pessoas, mas se você só sai com os mesmos, tende a não ter outras referências.

Repensem o que estão procurando, ou o que vocês precisam na parceria. Abram mão da listinha de aparência que nos ensinaram. Busque o há de mais especial pra ser o elo das suas relações. Tente, e se não der certo, tudo bem!

Você pode tentar de novo, ficar sozinha um tempo, ou fazer o que quiser! Só não aceite pouco em nome de um status de compromisso. Ou o mesmo.

2 em Comportamento/ Destaque/ Relacionamento no dia 07.01.2020

Em Frozen II, preste atenção em Kristoff

Frozen II estreou semana passada aqui no Brasil e provavelmente você já deve estar vendo trailers, posts e comentários sobre o filme em tudo quanto é lugar.

Eu vi pela primeira vez em novembro, quando estreou nos Estados Unidos. E vi também há alguns dias, aqui no Brasil. E a cada vez que eu vejo o filme, mais eu gosto. Gosto das pautas que o filme traz, gosto das discussões que ele pode trazer de acordo com a profundidade de quem assistiu. Amo reparar nos detalhes, como por exemplo a evolução capilar da Elsa, que vai ficando cada vez mais solto a medida que ela vai se sentindo mais à vontade consigo mesma. E amo saber de histórias dos bastidores, como a quantidade de tempo que foi gasto para fazer o cavalo que Elsa encontra no filme.

A forma que o cabelo de Elsa vai se soltando de acordo com o grau de confiança que ela vai ganhando nela mesma é muito incrível de se ver.

Isso tudo em um filme de criança? Pois é. Mas falando em evolução de personagens, hoje queria falar sobre o Kristoff.

Pensei em fazer esse post sobre ele depois de ter visto parte de uma entrevista que a Kristen Bell (que dá voz à Anna no filme) deu para um programa de TV. Ela explica que a parte do filme que mais a deixou orgulhosa foi justamente o arco do Kristoff. Pode parecer que tem, mas não tem spoilers aqui! ;)

“A coisa que eu tenho mais orgulho é a forma que eles representaram o Kristoff… “Lost in the Woods” é sobre seus sentimentos por Anna. E meninos não veem sempre essa representação de outros meninos tendo sentimentos profundos.

Ele também tem 2 falas que eu amo. Ele olha para ela e a primeira coisa que fala é: “to aqui, o que vc precisa?”. Ele não fala “Saia, eu tenho o controle da situação”. Eu levantei da cadeira a primeira vez que vi isso. Você tem noção do quanto isso é profundo?

E no fim, Anna se desculpa por algo e ele responde: “tá tudo bem. Meu amor não é frágil”. Não é incrível?”

Se em Frozen, ele era o coadjuvante com boas tiradas e uma personalidade calma e cativante, em Frozen II ele continua sendo isso tudo mas com um twist. Nesse filme, ele mostra uma faceta de masculinidade saudável dentro de um relacionamento que é difícil de vermos representada em filmes, ainda mais os de princesa.

Não é à toa que ele ganhou uma cena onde canta uma música super romântica, extravasando seu amor por Anna. Sabe, aquelas músicas que a gente suspirava quando ouvia boy bands cantarem na nossa adolescência? Pois bem, no caso, Kristoff não está cantando letras românticas da boca para fora, mas ele sustenta cada palavra que está sendo cantada.

Uma das coisas que mais amei ver foi a relação de companheirismo dos dois como um casal. Ele sendo a pessoa que estende a mão e pergunta o que a companheira precisa, ao invés de tentar fazer por ela. Ela como sendo uma pessoa que não quer mudar o outro para se adequar.

É tudo sobre parceira e individualidade, e confesso que queria ter crescido com cenas como essa.

Concordo com a Kristen Bell no quesito profundidade desse ato e quanto à importância de apresentar personagens com esses comportamentos para uma plateia de crianças que ainda estão criando suas próprias referências. é muito bacana ver que a masculinidade tóxica (que afeta, inclusive, os próprios homens) é algo que está sendo desconstruído cada vez mais. Todo mundo só tem a ganhar.

A gente já sabe que Frozen nunca foi sobre príncipes encantados. Ele não se encaixa nesse time, e acho que Anna nem deixaria. rs Mas parando para pensar sobre o histórico de príncipes encantados em contos de fadas e histórias infantis, eu quero mais é que eles deixem de existir de uma vez por todas. Por mais histórias com Kristoffs, por favor.

0 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 03.12.2019

O crush do supermercado

Eu estava no mercado, como tem sido a rotina de todos os meus finais de tarde. Faz parte dessa rotina: re-aprender matéria do ensino fundamental, freqüentar farmácias e encher carrinhos virtuais de coisas que nunca vou comprar. Mas voltando ao supermercado, lá estava eu na fila do caixa. A caixa bem humorada fala que a esteira está quebrada, sendo que nunca houve esteira. E segue conversando. 

Um homem bem bonito está atrás de mim. Dou aquela olhada. Afinal, além dos aplicativos de relacionamento, quê outros espaços tem uma mãe solo para flertar? O Supermercado! Ele já virou crush, é claro. O Crush me ajuda com as compras sempre com um sorriso no rosto e conversamos sobre como povo anda alienado sobre o que anda acontecendo ao redor.

ilustra: @anneliesdraws

O crush vai ficando ainda mais bonito, afinal, além de charmoso, ainda entende de política e justiça social. Claro que ele nem faz ideia de que é meu crush. Nos despedimos com um troca de sorrisos, quase dei beijos no rosto, porque sou assim. Segui pensativa.

Além de todas as demandas que temos, ainda nos cobramos por um par. As frases mais ouvidas por uma mulher solteira e empoderada são: “você é independente demais”. “Mulher bem resolvida assusta”. “Você não quer compromisso”. E fiquei pensando o que seriam todas essas questões.

Realmente como posso eu ser mulher, trabalhadora, mãe, solteira e não ser independente ou buscar independência? Como não ser bem resolvida? E o que seria querer compromisso? Porque certos comportamentos assustam ? E por que deveríamos nos comportar de forma diferente de quem somos?

A resposta vem a cavalo e sem biscoito: porque socialmente crescemos a nos comportar de uma determinada forma. “Uma mulher não pode fazer isso, não fala palavrão, não bebe desse jeito, não escreve essas coisas”.

A conclusão, à beira de 2020, é que podemos ser sim o que quisermos. Encontramos a felicidade sozinhas, acompanhadas, com as amigas, com filhos, e quem sabe com o crush do supermercado. O importante é sentir que somos inteiras para transbordar em qualquer relação que seja.