4 em Autoestima/ Celebs/ Comportamento no dia 26.07.2018

Cabe o termo body shaming e Gisele Bündchen na mesma frase?

Esta semana, passeando pelo Instagram, me deparei com aquela foto clássica do casal Gisele Bundchen e Tom Brady, juntos, andando pela praia num momento de carinho um com o outro. Até aí tudo bem, o amor é lindo, eles também, tudo certo no mundo. Até que fui olhar os comentários. Sempre eles, né? Mas em vez dos esperados “maravilhosos”, “linda”e “perfeita”, me deparei com uma chuva de críticas. Isso mesmo, críticas tanto ao corpo de Gisele quanto ao de Tom Brady, seu marido atleta.

Post do instagram @tricotadas

Uma sequência considerável de “sem cintura”, “barriga de tiozão”, ela está grávida?” e “não acredito que a maior modelo do mundo tem este corpo” me surpreendeu. Peraí, quando foi que no mundo nem mesmo o casal considerado o mais perfeito de todos em diversos aspectos parou de atender às exigências do público em geral? Qual será o novo padrão dessas pessoas? É algo humano?

Gisele é modelo padrão. Apesar de ter sim, sido revolucionária nos anos 90/00 mudando o padrão “heroin chic” para a beleza com aparência saudável e um pouco mais de curvas que prevalece até hoje, ela é mais do que padrão, já que segue super magra como o exigido atualmente das modelos. Tom é um atleta de ponta, considerado referência na sua área, assim como Gisele. Seus corpos cumprem as tarefas que eles escolheram ter como profissão com louvor, estão aí os fatos para comprovar. Então porque esperar essa perfeição física surreal deles?

Tom não tem os músculos do abdômen marcados, o famoso “tanquinho”, mas isso não faz dele um homem menos forte, muito menos um cara não atraente. Seu corpo é além de super saudável, potente e cumpre as funções necessárias para o esporte que pratica com excelência. O mesmo podemos dizer de Gisele. Ela está dentro do esperando atualmente para a passarela ou para fotos de campanha, como já notamos todos esses anos. Agora, a paranóia do corpo perfeito e a patrulha é tão grande que esquecem que nem Tom nem Gisele estão buscando o título de corpo perfeito que os críticos da internet imaginam existir, uma vez que, tanto para ser o melhor jogador ou a melhor modelo, mais do que o corpo que esperam deles, necessitam outras habilidades muito mais importantes como visão tática, habilidade para correr, desfilar, saber a melhor forma de posar, entre outras aptidões que independem de um corpo com gominhos na barriga ou uma cintura marcada.

As pessoas parecem não notar também que, ao cobrar padrões irreais das celebridades, se impõem ideais impossíveis de ser alcançados por nós, meros mortais. Pode até parecer inofensivo, mas não é. Ao usar o teclado do celular para atacar o corpo de outra mulher na internet a sociedade está se aprisionando ainda mais nas crenças limitantes. Assim as pessoas começam a oprimir da mesma forma que se sentem oprimidas. Chamar Gisele de imperfeita em tom de crítica só salienta a ideia de que ela não é perfeita o suficiente, criando um ideal de perfeição que nem mais a modelo mais bem paga do mundo atende.

É preciso entender que ao atacar o corpo daquela blogueira ou atriz famosa só se cria um ideal de perfeição inatingível, quase impossível de ser alcançado de forma natural e leve, sem sofrimento ou sacrifício. Assim, sem querer, alimenta-se o conceito de um único padrão de beleza cada vez mais segregador que pressiona a todos. Quando o criticado é o primeiro a criticar, precisamos parar pra pensar. Tudo isso acaba gerando ainda mais motivos para insatisfação coletiva com a autoimagem e desencadeando justamente problemas de autoestima, falta de autoconfiança e transtornos alimentares, apenas para citar os exemplos mais óbvios. Ou seja, quem ataca está na verdade criando armadilhas de inadequação e insegurança para si mesmo.

Por isso é importante desconstruir essa ideia do corpo perfeito, do ideal de corpo a ser seguido ou mesmo que exista um corpo para se considerar padrão, independente de qual seja sua forma, uma vez que o corpo humano é único e cada um tem sua particularidade. Aprender a se enxergar como indivíduo com suas particularidades e ver isso como um privilégio da natureza em vez de defeitos para se encaixar dentro de grupos é o que nos motiva a seguir com esse discurso de olhar amoroso sobre si mesmo. É saber que tá tudo bem não ter o corpo que será visto por aí como dos sonhos, desde que o seu corpo esteja plenamente apto para desenvolver as atividades que você gosta e deseja de fazer. Porque corpo perfeito é isso, aquele corpo que está preparado para fazer todas as coisas que gostamos de fazer, independente de forma e tamanho.

Está difícil viver num mundo onde nem Gisele está livre de episódios de “body-shamming”. Uma sociedade que cobra uma perfeição irreal e quase inalcançável até mesmo da modelo mais famosa do mundo está mesmo doente. E o pior de tudo? É enxergar o ciclo vicioso onde quem aprisiona é na verdade quem já foi aprisionado.

Gostou? Você pode gostar também desses!

4 Comentários

  • RESPONDER
    Marcela
    27.07.2018 às 12:38

    Nossa sociedade esta gravemente doente.

  • RESPONDER
    aline
    27.07.2018 às 15:07

    Acho que vai além de exigir um corpo perfeito, acho que o público tá adorando que ela não tem o corpo “perfeito” pra poder se sentir melhor, mas não sabe expressar isso. A patrulha da internet ainda não sabe se expressar e com isso ofende. Sabe criança que não tem filtro? Nossos adultos da internet acham que tem o mesmo direito.

  • RESPONDER
    Divana
    30.07.2018 às 7:52

    Parece que ninguém tem mais o que fazer além de observar o corpo, as roupas, os acessórios das outras pessoas e criticar, elogiar, dar likes ou bater palmas… Tem tanta coisa no mundo pra fazer, praticar, aprender… Isso é algo que precisa mudar de dentro pra fora. Nos amar mais e ter empatia com o outro. Os dois estão maravilhosos do jeito que estão e felizes com isso, sem neura nenhuma.

  • RESPONDER
    Manuela
    05.09.2018 às 2:10

    Geralmente essas pessoas que criticam os famosos pela barriga, peito e bunda não se encaixam no próprio padrão que impõem.

  • Deixe uma resposta