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resenha de livros

2 em Book do dia no dia 04.07.2016

Book do dia: Lugares Escuros, de Gillian Flynn

Esse livro não é dos mais novos e já tem até filme, que foi lançado ano passado com Charlize Theron no papel principal. Só que eu tenho um problema sério na hora de comprar livros e dificilmente compro vários títulos do mesmo autor ao mesmo tempo. Primeiro, porque gosto de revezar. Segundo porque ficaria chato demais vários books do dia com a mesma temática seguidos, né?

Como eu soube da existência dele há um ano, isso é, na época que li Objetos Cortantes, acabei esquecendo que Lugares Escuros existia. Até me deparar com o filme nas sugestões do Apple TV. Fiquei morrendo de vontade de ver - até porque eu me lembrava da resenha da Sil, que tinha me deixado curiosa - mas preferi comprar o livro primeiro.

Para quem não sabe a história, Lugares Escuros é mais ou menos isso: Desde o dia do assassinato de sua mãe e suas duas irmãs, Libby passou a viver sem rumo. Uma vida paralisada no tempo, sem amigos, família ou trabalho. Mas, vinte e quatro anos depois, quando é procurada por um grupo de pessoas convencidas da inocência de seu irmão, Libby começa a se fazer as perguntas que até então nunca ousara formular. Será que a voz que ouviu naquela noite era mesmo a do irmão? Ben era considerado um desajustado na pequena cidade em que viviam, mas ele seria mesmo capaz de matar? Existiria algum segredo por trás daqueles assassinatos? Gillian Flynn intercala a trajetória detetivesca de Libby com flashbacks dos acontecimentos do dia dos crimes com tanta habilidade que o leitor é levado a diferentes direções.

Esse é mais um daqueles livros da categoria “só mais um pouquinho”, que é praticamente impossível parar de ler. Mesmo sendo um livro típico de Gillian - isso é, com seres humanos que fazem as piores coisas que a gente pode imaginar e que dá vontade de desistir do mundo - ele te prende do começo ao fim. A narrativa, feita de capítulos que intercalam a história atual de Libby com o dia que os assassinatos aconteceram, é a maior responsável por isso. Quando você já está super envolvido em um lado, a autora te joga para outro canto e te envolve por lá também.

Outro motivo que ajuda na imersão é Libby. Apesar de ser uma personagem cheia de defeitos, completamente atormentada e que não conquista muito a simpatia no leitor, ela gera muita curiosidade. Aliás, a autora fez isso com a maioria dos personagens desse livro, já que Ben também é um personagem estranho, supostamente mau, mas instigante. Meio doido isso de se interessar tanto pelo destino de personagens que nem despertaram simpatia ou são simplesmente asquerosos, né? Mas Gillian Flynn consegue fazer isso com maestria.

A única coisinha que me incomodou um pouco é que eu tive a impressão que teve uma parte - não direi qual, claro - que a autora se empolgou demais nas loucuras e eu não achei que precisava. Não prejudicou a história em nenhuma parte, até porque não estava esperando nenhuma leitura leve, mas achei curioso ela ter optado pelo exagero em alguns momentos.

Gillian Flynn mais uma vez mostrou que suspense policial com personagens completamente perturbados é seu estilo de literatura e ela se manteve fiel à ele em Lugares Escuros. Quem leu Garota Exemplar ou Objetos Cortantes e curtiu, com certeza vai adorar esse - e se puder, compre aqui e ajude as blogueiras que vos falam! ehehe #caradepau

Quem já leu, curtiu? Me contem!

Beijos!

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2 em Book do dia no dia 07.06.2016

Book do dia: As primatas da Park Avenue, de Wednesday Martin

A primeira vez que eu fiquei sabendo sobre “As Primatas da Park Avenue” foi folheando alguma revista no consultório do dentista. Lá tinha uma resenha que me deixou bem interessada, tanto que eu tirei uma foto para lembrar de comprar depois. Só que, obviamene, como eu não sou muito organizada com fotos de celular, ela ficou perdida por algum tempo até o dia que eu estava apagando algumas coisas e me deparei com ela. Precisava de livros novos para me entreter então o timing foi perfeito!

Attachment-1A sinopse também dá uma instigada: Quando chegou ao Upper East Side com o marido e o filho pequeno, Wednesday Martin foi jogada em uma tribo superfechada de mães megarricas e glamorosas com ambições altíssimas e determinação ferrenha. Em um mundo onde cumprimentos não são retribuídos, juntar as crianças para brincar é um esporte sangrento e até caminhar pela calçada é um exercício de dominação e submissão, ela sofreu um verdadeiro choque cultural.
Usando seus conhecimentos em antropologia e primatologia para descobrir uma forma de sobreviver, Wednesday fez na Park Avenue de hoje o mesmo que a antropóloga Jane Goodall e seus chimpanzés na Tanzânia da década 1960: passou a observar os rituais de acasalamento, os ritos sagrados e as mães na saída da escola agindo como babuínos. Para entender a migração sazonal, os ritos de culto ao corpo e o desejo avassalador dela própria de possuir uma bolsa que era puro fetiche, a autora se aprofundou nas teorias antropológicas de Margaret Mead.
Sem um distanciamento seguro, porém, uma reviravolta levou a autora a perceber que nem mesmo as coberturas luxuosas e os carrões com motorista conseguiram fazer daquelas mulheres uma tribo insensível à tragédia. Quando sua vida virou de cabeça para baixo, Wednesday testemunhou a força e a profundidade dos laços que, mesmo naquele círculo, a amizade entre mulheres é capaz de construir.

Como uma mãe que está quase de malas prontas para se mudar para Nova York, eu acabei me interessando, mas a verdade é que mesmo se eu continuasse em São Paulo e não tivesse filhos eu provavelmente iria me interessar do mesmo jeito. Apesar de amar vários cantos de Manhattan, é inegável que o Upper East Side exerce um pouco mais de fascínio. Eu diria que é uma área da cidade quase mítica, culpa de tantas séries e filmes - oi, Gossip Girl! - que ilustram o UES com todo o luxo e glamour que ele tem direito.

O livro poderia ser bobo se fosse apenas sobre uma mulher que foi morar na área dos milionários da cidade e resolvesse contar sua experiência de forma quase caricatural. Wednesday consegue transformar “As Primatas da Park Avenue” em uma leitura muito mais interessante ao usar seus conhecimentos em antropologia não só para se adaptar ao novo local - o que é muito estranho, já que ela apenas mudou de bairro! - como também para analisar as upper east siders como uma tribo. Suas histórias vão sendo contadas e equiparadas a seus estudos com primatas e, no fundo, é engraçado ver que certos hábitos se repetem tanto no mundo animal quanto no mundo milionário de lá,

Aliás, falando em caricatura, fiquei chocada em ler trechos de relatos que eu jurava que eram exageros de roteiristas. E fiquei surpresa com a ousadia da autora de expor não só apenas a parte boa do Upper East Side, como a parte ruim. Ela conta de forma bem analítica não só sobre os hábitos das mães super magras, ricas, sem um fio de cabelo fora do lugar e que se equilibram em saltos 15 apenas para pegar seus filhos na escola, mas também sobre os seus medos e anseios.

Conforme ela vai se adaptando à esse mundo, ela percebe como a maternidade por lá pode ser mais cruel do que em qualquer outro lugar de Nova York, mesmo com todas as facilidades e recursos que essas mulheres têm ao seu dispor. A ansiedade para criarem filhos exemplares, o medo de seus filhos ficarem isolados porque as outras mães não te aprovaram, a dependência não apenas financeira, mas também social dos maridos e a insegurança por causa da instabilidade dessas relações deixa todas à beira de um ataque de nervos. Em um primeiro momento achei tudo muito fútil, muito “tadinha da pobre menina rica”, mas Wednesday consegue nos passar empatia em todas as histórias, inclusive naquelas que em um primeiro momento ela também achou ridículas. Sem contar que ela é gente como a gente, até naquelas horas que ela começa a pensar como uma legítima upper west sider.

Bem, eu achei esse estudo em forma de livro bem interessante, mas muita coisa não me surpreendeu porque, por incrível que pareça, São Paulo tem um pouco disso. Muitos relatos que Wednesday contou não me eram estranhos. E, como alguém que morou a vida toda no Rio, eu sempre estranhei essa competição que eu sabia existir em SP, mas tive a sorte de viver pouquíssimos momentos desse tipo. Toda hora fiquei pensando que eu seria engolida em Nova York, mas aos poucos fui relaxando, até porque não irei para o Upper East Side! rsrs E caso eu viver histórias tão marcantes quanto as dela, vai que eu consigo fazer virar um livro também? ;)

Acho que tem muita leitora aqui que vai curtir esse livro! Alguém já leu?

Beijos!

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11 em Book do dia no dia 19.05.2016

Book do dia: A garota que você deixou para trás, de Jojo Moyes (versão da Carla)

A Jô já falou sobre “A garota que você deixou para trás” aqui no blog, mas como ela mesmo admitiu em janeiro, ela pegou a dica que a leitora me deu, leu o livro, fez o post e só então me emprestou. Como eu estava terminando outras leituras, só comecei a ler na semana passada, segunda feira.

Pra quê?

Botei o Arthur para dormir, escovei meus dentes, tirei minhas lentes e devo ter começado a ler umas 21:30. Fui até as 3 da manhã e li quase a metade do livro, sendo que eu tive que me obrigar a parar. Acordei as 6h por causa do Arthur, passei o dia zureta e finalmente me dei conta que meus tempos de varar a noite por causa de um livro acabaram.

Mesmo diminuindo o ritmo o máximo que eu pude (isso é, dormi quase todos os dias quase 1 da manhã, porque não conseguia parar antes), só não terminei mais rápido porque nesse meio tempo tiveram dias que eu saí à noite, e agora é assim, ou eu faço uma coisa ou faço outra. rs

To chovendo no molhado eu sei, mas como não amar Jojo Moyes? “A garota que você deixou para trás” tem o mesmo tipo de narrativa de “A última carta de amor”, onde duas histórias que se passam em épocas completamente diferentes se cruzam. As opiniões por aqui se dividiram: muita gente AMOU, algumas acharam que “A garota…” é o livro mais fraco de Jojo.

jojoA sinopse para quem se interessar: Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo — a família, a reputação e a vida — na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

Eu estou no time que amou de paixão! Achei um livro que, apesar de ter momentos pesados que mexem com a gente, consegue ser leve e gostoso. Sophie e Liv, as protagonistas, são mulheres completamente diferentes mas igualmente determinadas e decididas. Só achei engraçado que, diferente da maioria das pessoas que amou a Sophie e achou a Liv mais ou menos, eu me identifiquei demais com a Liv apesar de ter me envolvido muito na parte da Sophie.

Mais uma vez Jojo prova que dá para criar chick lit que foge do lugar comum, que é inteligente, envolvente, que usa o romance como escada e não como mote principal. Se é o melhor livro dela? Vou fazer como Gloria Pires no Oscar, não posso opinar. Eu não sei dizer nem qual é o meu preferido, imaginem se conseguiria definir se é o melhor?? Só afirmo com toda a certeza do mundo que está longe de ser o mais fraco (até porque depois de “Depois de você” provavelmente nenhum outro vai ocupar o lugar de mais fraco).

Quem quiser uma leitura envolvente, intrigante, que mexe com você e ao mesmo te deixa leve e feliz, aposte sem medo em “A garota que você deixou para trás“..

E quem tiver mais dicas de livros, já sabem, né? Me digam!

Beijos!