2 em Book do dia no dia 07.06.2016

Book do dia: As primatas da Park Avenue, de Wednesday Martin

A primeira vez que eu fiquei sabendo sobre “As Primatas da Park Avenue” foi folheando alguma revista no consultório do dentista. Lá tinha uma resenha que me deixou bem interessada, tanto que eu tirei uma foto para lembrar de comprar depois. Só que, obviamene, como eu não sou muito organizada com fotos de celular, ela ficou perdida por algum tempo até o dia que eu estava apagando algumas coisas e me deparei com ela. Precisava de livros novos para me entreter então o timing foi perfeito!

Attachment-1A sinopse também dá uma instigada: Quando chegou ao Upper East Side com o marido e o filho pequeno, Wednesday Martin foi jogada em uma tribo superfechada de mães megarricas e glamorosas com ambições altíssimas e determinação ferrenha. Em um mundo onde cumprimentos não são retribuídos, juntar as crianças para brincar é um esporte sangrento e até caminhar pela calçada é um exercício de dominação e submissão, ela sofreu um verdadeiro choque cultural.
Usando seus conhecimentos em antropologia e primatologia para descobrir uma forma de sobreviver, Wednesday fez na Park Avenue de hoje o mesmo que a antropóloga Jane Goodall e seus chimpanzés na Tanzânia da década 1960: passou a observar os rituais de acasalamento, os ritos sagrados e as mães na saída da escola agindo como babuínos. Para entender a migração sazonal, os ritos de culto ao corpo e o desejo avassalador dela própria de possuir uma bolsa que era puro fetiche, a autora se aprofundou nas teorias antropológicas de Margaret Mead.
Sem um distanciamento seguro, porém, uma reviravolta levou a autora a perceber que nem mesmo as coberturas luxuosas e os carrões com motorista conseguiram fazer daquelas mulheres uma tribo insensível à tragédia. Quando sua vida virou de cabeça para baixo, Wednesday testemunhou a força e a profundidade dos laços que, mesmo naquele círculo, a amizade entre mulheres é capaz de construir.

Como uma mãe que está quase de malas prontas para se mudar para Nova York, eu acabei me interessando, mas a verdade é que mesmo se eu continuasse em São Paulo e não tivesse filhos eu provavelmente iria me interessar do mesmo jeito. Apesar de amar vários cantos de Manhattan, é inegável que o Upper East Side exerce um pouco mais de fascínio. Eu diria que é uma área da cidade quase mítica, culpa de tantas séries e filmes – oi, Gossip Girl! – que ilustram o UES com todo o luxo e glamour que ele tem direito.

O livro poderia ser bobo se fosse apenas sobre uma mulher que foi morar na área dos milionários da cidade e resolvesse contar sua experiência de forma quase caricatural. Wednesday consegue transformar “As Primatas da Park Avenue” em uma leitura muito mais interessante ao usar seus conhecimentos em antropologia não só para se adaptar ao novo local – o que é muito estranho, já que ela apenas mudou de bairro! – como também para analisar as upper east siders como uma tribo. Suas histórias vão sendo contadas e equiparadas a seus estudos com primatas e, no fundo, é engraçado ver que certos hábitos se repetem tanto no mundo animal quanto no mundo milionário de lá,

Aliás, falando em caricatura, fiquei chocada em ler trechos de relatos que eu jurava que eram exageros de roteiristas. E fiquei surpresa com a ousadia da autora de expor não só apenas a parte boa do Upper East Side, como a parte ruim. Ela conta de forma bem analítica não só sobre os hábitos das mães super magras, ricas, sem um fio de cabelo fora do lugar e que se equilibram em saltos 15 apenas para pegar seus filhos na escola, mas também sobre os seus medos e anseios.

Conforme ela vai se adaptando à esse mundo, ela percebe como a maternidade por lá pode ser mais cruel do que em qualquer outro lugar de Nova York, mesmo com todas as facilidades e recursos que essas mulheres têm ao seu dispor. A ansiedade para criarem filhos exemplares, o medo de seus filhos ficarem isolados porque as outras mães não te aprovaram, a dependência não apenas financeira, mas também social dos maridos e a insegurança por causa da instabilidade dessas relações deixa todas à beira de um ataque de nervos. Em um primeiro momento achei tudo muito fútil, muito “tadinha da pobre menina rica”, mas Wednesday consegue nos passar empatia em todas as histórias, inclusive naquelas que em um primeiro momento ela também achou ridículas. Sem contar que ela é gente como a gente, até naquelas horas que ela começa a pensar como uma legítima upper west sider.

Bem, eu achei esse estudo em forma de livro bem interessante, mas muita coisa não me surpreendeu porque, por incrível que pareça, São Paulo tem um pouco disso. Muitos relatos que Wednesday contou não me eram estranhos. E, como alguém que morou a vida toda no Rio, eu sempre estranhei essa competição que eu sabia existir em SP, mas tive a sorte de viver pouquíssimos momentos desse tipo. Toda hora fiquei pensando que eu seria engolida em Nova York, mas aos poucos fui relaxando, até porque não irei para o Upper East Side! rsrs E caso eu viver histórias tão marcantes quanto as dela, vai que eu consigo fazer virar um livro também? ;)

Acho que tem muita leitora aqui que vai curtir esse livro! Alguém já leu?

Beijos!

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Rafa
    07.06.2016 às 21:45

    Eu li esse livro mês passado! A primeira coisa que me chamou a atenção foi o título e gostei da capa também. Comprei sem ler a sinopse, e achava que seria mais como um romance. me surpreendi completamente. Em algumas partes senti o ‘pobre menina rica’, até porque é um mundo completamente diferente do meu, mas mesmo assim gostei muito. As comparações com os animais são ótimas!! Bjs

  • RESPONDER
    Mary
    08.06.2016 às 13:43

    Esse foi o primeiro livro que eu li esse ano. Achei tão bom! Também escolhi pela sinopse, achei incrível mergulhar num mundo nada nada parecido com o meu. Eu sempre achei esse estudo das tribos muito interessante, achei impressionante como os comportamentos se explicam pelas relações de poder e troca dentro do grupo. O modo como ela relaciona essas atitudes faz a gente pensar.

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