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4 em entretenimento/ séries no dia 29.11.2016

Personagens que influenciam

Eu vejo muitas séries. Hoje em dia bem menos do que gostaria, mas continuo acompanhando muitas religiosamente e agradeço todos os dias aos inventores do Netflix por me darem a possibilidade de rever séries antigas (tá faltando Dawson’s Creek, #fikdik) e me atualizar com as novas.

Aí outro dia, minha amiga Thais postou um texto dizendo como queria ser a Lorelai Gilmore (aliás, taí uma série que nunca vi e comecei essa semana! hahaha Mais uma vez, culpa do Netflix) e eu parei para pensar sobre isso. Quais personagens me marcaram, influenciaram ou até mesmo inspiraram?

Jen Lindley

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Eu tinha mais ou menos uns 15 anos quando comecei acompanhar Dawson’s Creek religiosamente. Por muito tempo eu me identifiquei com a Joey, personagem certinha, careta, tímida e eterna romântica apaixonada pelo Dawson. Mas Joey nunca me acrescentou nada por um simples motivo: eu era muito parecida com ela.

Já Jen era meu oposto. Livre, sem medo de falar o que pensa, rebelde mas com um coração enorme. Uma das personagens que mais amadureceram ao longo da série. Eu demorei para entender que Jen me inspirava, mas a verdade é que ela foi uma das poucas personagens da série que me fazia enxergar tudo por outro ângulo, então é merecido que ela encabece essa lista (mesmo não tendo ordem de preferência).

Piper Halliwell

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Você é uma das pessoas mais fortes e capazes que eu já vi. E não esqueça que eu estou por aí há bastante tempo.

Ainda nas séries antigas, assim como Dawson’s Creek, em Charmed eu sempre me identifiquei com a Piper. Sim, gente, eu sempre fui atraída pelas personagens mais certinhas, caretas e apaixonadas que vivem grandes amores.

Quando revi ano passado ela me inspirou novamente pois passei a enxergar a Piper como irmã preocupada, mãe zelosa, esposa dedicada mas que ainda conseguia arrumar tempo para ser dona da boate mais famosa de São Francisco. Mesmo sendo a mais quieta das 3 irmãs, ela foi a única que me deu esperanças que dá para dar conta de tudo, mesmo que as coisas saiam da ordem de vez em quando.

Joan Holloway

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As vezes quando as pessoas conseguem o que querem, elas percebem como seus objetivos eram limitados

Eu tinha esquecido dela até a Sil lembrar e eu recordar como Joan é uma personagem incrível, forte e ambiciosa. Nunca foi de levar desaforo pra casa e soube se impor no meio predominantemente masculino da publicidade nos anos 60 - que infelizmente nem é tão diferente do meio de hoje em dia. Aliás, raros foram os momentos que ela permitiu ser anulada por alguém, seja no trabalho ou no ambiente familiar, total dona do próprio nariz e poderosíssima por ter tanta consciência disso

Acho que toda mulher deveria levar Joan como inspiração, só vejo benefícios. Inclusive fiquei morrendo de vontade de rever Mad Men só para analisar melhor as cenas dela!

Callie Torres

Quando comecei a ver Grey’s Anatomy ela era apenas mais uma personagem. Mas Callie tem carisma, opinião, é bem resolvida e tem um coração gigante, me ganhou. Ela me inspira sempre a achar liberdade nas pequenas coisas e saber confiar no próprio taco.

A cena dela botando a Sofia para dormir e pegando o fone de ouvido para dançar é uma das mais inspiradoras da minha vida de seriadista (ficou mais significativa ainda pós Arthur haha)

Abby Whelan

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Eu AMO como essa personagem cresceu até o momento e tenho medo do que ela pode vir a se tornar, mas vamos conversar sobre Abby até agora.

No início da série ela era apenas uma mulher que vivia às sombras de Olivia Pope, que não sabia fazer nada sem o aval da amiga e parceira. E de repente ela deu uma reviravolta e virou outra mulher, passou a ser dona do próprio nariz e das próprias decisões. Mas a mudança não aconteceu do nada, ela não se empoderou de um dia para outro e de repente virou assessora do presidente. Ela foi indo aos poucos, com medo em alguns momentos, duvidando de si mesma em certas horas, mas foi aceitando os desafios e vendo no que ia dar até perceber que ela podia ir além.

Acho que recentemente Abby foi a personagem que mais me inspirou, mas veremos se ela vai se corromper muito nessa própria temporada (aliás, quem não se corrompe em Scandal, né?).

E vocês? Têm personagens inspiradoras? Quais são?

Beijos!

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8 em Autoestima/ Convidadas no dia 29.11.2016

“Eu queria ser branca”

Há alguns meses estava falando com a Marina e ela me pediu um favor: se ela podia comprar uma boneca para a irmã e mandar entregar aqui em casa. Falei que sim e enquanto a gente conversava, ela me contou uma história que eu achei que precisava vir para cá. Pedi para ela escrever e aqui está a história da Ma e da Julia.

Essa frase do título foi a que mais mexeu comigo nos últimos tempos. Saiu da boca da Julia, minha irmã de 4 anos. Logo ela que sempre teve o maior orgulho da cor e de ter o cabelo “tonhonhoim”, como ela mesma fala. E por quê? Porque ela disse que só existe uma princesa da Disney que é negra.

Mas a história não acabou aí. Ela queria muito uma boneca Baby Alive igual a que minha filha ganhou de aniversário. Catarina ganhou a versão morena, mas ela queria a negra. Na caixa da boneca você vê as 3  versões, a branca, a morena e a negra. Eu procurei em tudo quanto é loja e nada da boneca negra. “Não recebemos” - é o que eu sempre ouvia. 

Foi aí que numa conversa com a Carla, ela comentou que a mãe dela iria visita-la em NY. Então eu, com a cara de pau de uma irmã desesperada, perguntei se a mãe dela poderia trazer a boneca. Ufa! Ela disse sim! Eu não consigo criar uma princesa negra, mas a boneca ela vai ter. <3

Tudo isso me fez pensar muito em como ainda vivemos num pais tão atrasado culturalmente. Na verdade num mundo, mas falemos de Brasil. Julia é só um exemplo de como uma criança negra se sente hoje. E isso afeta diretamente a autoestima da criança, que em breve será um jovem e logo depois um adulto. Deu pra entender a gravidade?

Julia é uma criança doce, linda, cheia de charme. Ama a Frida Khalo e tem um sinal grande de nascença no rosto e, ao contrário de muitas crianças que morrem de vergonha de aspectos que as diferenciem das outras, ela adora ele. Se tirarmos uma foto em que ele não apareça, ela briga. “Quero que apareça meu sinal. É minha marca”. É uma criança com alma grande. Justamente por isso me incomodou tanto vê-la falar que queria ser branca. Fiquei chocada, triste, pensativa. Se a Julia está se sentindo assim, imagina as outras crianças que não têm todo esse orgulho da sua cor?

Quando ela era menor, ela estava andando na rua com a mãe e um homem (não lembro por que razão) comentou que o cabelo dela era ruim. Imediatamente, ela respondeu: “não é ruim nada, meu cabelo é lindo”. E em seguida, gravou um video pra mãe dela postar no Facebook de como ela tinha orgulho do cabelo dela. Ela é uma mistura de doçura e firmeza.

Só que recentemente ela veio me contar que uma amiguinha da escola falou pra ela que o cabelo dela era feio. Eu perguntei: “e o que você disse?”. Ela não respondeu…. Eu completei que ela devia falar pra essa amiga que o cabelo dela não era nada feio, era lindo. E pronto.

Mas o que mais me incomodou desse episodio foi o silêncio dela quando eu perguntei o que havia respondido pra menina. Julia está se calando… E pra mim, isso é muito serio.

Quero muito que minha irmã volte a encher a boca pra falar que é “pretinha”, como ela mesma se define. E que o cabelo dela é incrível. Para isso, todo esse padrão de beleza, de esterótipo tem que mudar. O Brasil precisa se abrir para uma multiplicidade que já existe. Ser branca, negra, amarela, gordinha, magra ter olhos castanhos ou claros, tudo é legal. Quem disse o contrário? Como podem ter dito o contrário?

Precisamos lutar para quebrar esse paradigma da moda, do estereótipo imposto à gente. Ele é falso, já que o Brasil é feito de uma mistura incrível. É preciso ser mais solidários, mais democráticos. A indústria da moda, as empresas de consumo, a midia são responsáveis pela formação de nossas crianças. Mesmo que indiretamente. Por isso, precisam ter responsabilidade social com cada uma delas.

Juju, existem milhares de crianças sendo “abafadas” por aí. Se sentindo menos porque não veem uma princesa num filme ou uma boneca da sua cor na prateleira. Mas você não está sozinha. A gente vai lutar para que o brilho da mistura não se perca no país onde a mistura é o brilho