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Convidadas

2 em Autoestima/ Convidadas/ Viagem no dia 03.06.2017

Viajar: um conselho que transformou minha autoestima

Olá! Meu nome é Julia Ramil, sou carioca e moro em Londres. Eu acompanho o Futi desde o início e fico muito feliz de poder colaborar principalmente nesse novo momento #papo sobre autoestima. Espero poder trazer um pouco do meu ponto de vista de quem mora fora e as experiências que encontro por aqui.

Resolvi começar com um assunto que pra mim tem TU-DO a ver com autoestima e foi tão importante pra mim nesse processo de autoconhecimento.

Fui uma adolescente “normal”: insegura e com a autoestima baixa, sempre me comparando às amigas e receosa com as críticas ao redor. É da idade, é fase, é normal. Mas quando foi que eu “virei a chavinha” e comecei a me amar? Estava com uns 18 anos, terminei o namoro de alguns anos e estava começando a faculdade. Um dia, meu melhor amigo me convidou pra ir pra Europa com ele. Meus pais deram a maior força. Tranquei a faculdade e na minha mala o que tinha de sobra eram os meus medos e inseguranças. Estava indo passar alguns meses sozinha na Europa, ia passar a primeira semana com meu amigo e depois cada um ia seguir sua vida. Mas a coragem veio do melhor conselho que ganhei naquele momento (e na minha vida!). Minha mãe me disse: “seja a sua melhor companhia! Se você não gosta de estar com você mesma, quem vai querer estar na sua companhia?”.

E lá fui eu, sozinha, rumo à Barcelona, desbravar o mundo mas principalmente conhecer a mim mesma. E assim nasceu a minha maior paixão: viajar! Há quem diga que viajar é uma fuga da realidade, e eu te digo: viajo para me reencontrar por aí. Pra mim, a mágica acontece quando estamos fora da nossa zona de conforto. Quando dominamos e nos sentimos seguras naquele ambiente que vivemos, não precisamos mudar nada e muito menos nos arriscar. Mas quando a gente se joga no mundo, na nossa vulnerabilidade (que palavrão), é quando nos expandimos e nos permitimos ser quem somos.

Com certeza a Julia que saiu sozinha pela primeira vez de casa nunca mais voltou a mesma. O crescimento e amadurecimento que temos quando estamos viajando parece ser mil vezes maior do que quando estamos “em casa”.

Em Marrakech

Tive momentos difíceis, claro. Mas aprendi a lidar com meus sentimentos, a me aventurar, a ser quem eu sou e atrair pessoas interessadas em me conhecer de verdade. Viajando nós descobrimos a força que temos pra superar os perrengues, a leveza de não ter compromissos e a maravilhosa sensação de não ter que agradar ninguém além de si mesma.

Hoje, quase 11 anos depois desse primeiro embarque rumo à minha autoestima, ainda tenho muito ainda pra melhorar e me conhecer. Mas sigo viajando o mundo, já tive algumas casas por aí e não perco nenhuma oportunidade de embarcar rumo ao desconhecido. Cada viagem é um grande aprendizado e volto um pouco mais bonita.

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Convidadas/ Moda no dia 02.06.2017

Com amor, Ju: A liberdade de poder ser você

Muita gente acha que mulher adora se arrumar. Comprar roupa. Escolher um look. Se maquiar. Arrumar cabelo. Grande parte do mundo, inclusive, é organizado em volta disso – não apenas o mercado da moda/beleza, mas também eventos, publicidade, e toda uma atitude social extremamente importante.

Bom, não é mentira que muitas mulheres adoram se arrumar. Conheço muitas, muitas mesmo, que AMAM. Amam ir ao salão. Amam fazer a unha, cortar o cabelo, fazer procedimentos de beleza mil, botox, etc. Amam comprar roupa. Amam ter uma festa mais glamourosa para ir, assim dá para usar aquele mega vestido, fazer uma superprodução, etc. E não vejo absolutamente NADA de errado com isso. Entendo completamente a diversão. Entendo a coisa de “se olhar no espelho e UAU tô linda” que pode acompanhar tudo isso.

O que é mentira é que TODA mulher adora se arrumar. Tem mulher que não gosta. Que não quer. Só que ela é obrigada a se arrumar, boa parte do tempo. Porque não dá para ir trabalhar “desarrumada”. De cara lavada. De chinelo. De camisetão. Não dá pra ir assim pra festa, pra balada, pro encontro com o boy.

Vou te contar uma coisa. Eu estou no grupo das mulheres que não gosta de se arrumar. Olha que coisa. Passei quase a vida inteira trabalhando justamente no mercado de moda/beleza.

Parece uma contradição que uma pessoa que trabalhe com isso não goste de se arrumar? Pois não é. O fato de gostar disso não implica em querer estar DENTRO disso o tempo todo.

É tipo um chef de cozinha que passou o dia inteiro cozinhando no seu restaurante. Ele ama seu trabalho. Mas quando chega em casa, á noite, talvez ele não esteja tão a fim de cozinhar de novo. Dá pra entender?

Sempre adorei montar os looks para os ensaios de moda que produzia nas revistas em que trabalhei, mas sempre ficava de saco cheio de montar os MEUS looks. Tinha idéias ótimas para as makes das modelos. Mas não queria ter que pensar, TODO DIA, na MINHA make.

Mas pensava. Modéstia à parte, sempre me vesti bem, de um jeito divertido, original, sempre maquiada, de cabelo bonito, salto, montação. Até porque, que outra opção havia? Eu era editora de moda, depois blogueira de moda. Vai vendo.

Sempre demorei HORAS para me arrumar. Não achava divertido, como muitas mulheres. Achava um SACO. Ficava exausta. Montar mala de viagem de semana de moda era um PESADELO.

“Vai lá, Ju, tem uns looks pra pegar na loja tal, é presente”. Não quero. Que preguiça. Não tenho tesão nisso. Vou lá, escolho em cinco minutos, não experimento nada.

Acontece que depois, de repente, não sou mais editora de moda, não sou mais blogueira, eu pinto bolsas, sou artista. Não preciso me arrumar, não preciso impressionar ninguém, meu trabalho não é ser “linda”.

De repente, não uso mais salto. Não uso mais maquiagem, só saio de cara lavada. Corto o cabelo curtinho. Acabou o trampo. Nem sutiã uso mais. Nem para ir a evento. Não precisa e não quero. A maior parte do tempo, uso calça jeans, chinelo e camisetão. É tipo um sonho. Me arrumo em dois minutos para ir a qualquer lugar. Não faço a unha desde 2015. Não compro roupa há mais de um ano.

As pessoas, certamente, notam a mudança. Muitas não tem coragem de falar nada. Outras, acham que Juliana agora “se largou”, não se preocupa mais com a aparência, desencanou da vida.

Não percebem que isso NADA tem a ver com se largar. Não me largo. Nem sei o que significa isso, aliás. Tenho autoestima. Me acho gata, me acho sexy, me acho o máximo….de camiseta e cara lavada.

Não desencanei da vida, entende? Sou como quero e me acho bem incrível assim, muito mais do que me achava “arrumada”. Gosto do meu novo não-estilo, que na verdade é o meu estilo desde sempre, só que não dava para ser como eu queria.

Essa simplicidade de viver.

Semana passada fui cortar o cabelo. Como agora uso bem curtinho, pixie mesmo, vira e mexe tem que cortar de novo e até isso ficou simples. Chego, corto em dois segundos e vou embora. Murilo, que me conhece há quase 30 anos, desde que eu era criança, é expert, corta vapt vupt e eu pico o pé. Prático.

Mas nesse dia cheguei no salão e, por coincidência, estava rolando um evento, um lançamento de um produto de beleza X – nenhuma relação com Murilo – e atravessei o burburinho para chegar á bancada do meu amigo. Vi, de longe, algumas pessoas conhecidas da minha época de revista. Falei com uma ou duas, que me viram e vieram a mim, dar oi, queridas.

Eu estava com meu look fashion super fino atual: camisetão sem sutiã, jeans velho, birkenstock no pé, cara lavada, óculos. Falei com minhas conhecidas sem o menor constrangimento em relação á minha aparência, embora elas estivessem todas arrumadinhas, de salto, maquiadas. Afinal, não precisava me constranger. Eu não estava lá para o evento – como tantas vezes, no passado, estive em salões de beleza para eventos. Semana passada, só fui cortar o cabelo. Rapidinho. Depois ia voltar pra casa e pintar, que é meu trabalho.

Disse tchau para as meninas, sentei na bancada do Murilo, me olhei no espelho e uma sensação de liberdade maravilhosa me invadiu. Nunca vi uma Ju tão linda.

5 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque/ Looks/ Moda no dia 29.05.2017

Listras horizontais e plus size combinam? Óbvio que sim!

Como mulher plus size, sempre notei o quanto a moda me exclui e me ignora. Toda nova tendência lançada vem sempre com uma observação para mulheres que possuem o corpo como o meu, acima de 44. Lembro que em 2009, quando eu tinha uns 14/15 anos, lia algumas revistas adolescentes e nunca conseguia me enxergar nas matérias. Depois de anos estudando moda e comportamento, hoje vejo o quanto ela, mesmo sem querer, pode ajudar a melhorar minha autoestima.

Não, você não leu errado. Eu sei que é um paradoxo pensar que a mesma moda que é tão opressora com quem está fora do padrão de beleza é a que me faz ter forças para quebrar esses padrões e melhorar minha autoestima. Falam que o top cropped é moda, mas gorda não pode usar. Falam que comprimento midi é moda, mas gorda não pode usar. Quem disse? Saber o que dizem que eu não posso usar me dá ainda mais vontade de testar, experimentar e ousar. Depois de grande parte da minha vida sendo podada, descobri que posso usar todos os artifícios que a moda me oferece para quebrar padrões e estereótipos falhos, aumentando assim minha autoestima.

O primeiro grande exemplo de quebra de regras diz respeito às estampas. Ouvi a minha vida inteira que eu não poderia usar estampas de listras horizontais pois elas ampliam visualmente a silhueta. Sim, ampliam mesmo. Só que essa ampliação toda não me incomoda. Me sinto bem de listras horizontais, é uma das estampas que mais tenho em meu guarda-roupa, de todas as cores e formas possíveis.

Muitas vezes a gente se prende tanto às regras ditadas, que esquecemos o nosso estilo pessoal, do nosso gosto. Nada melhor do que vestir uma peça que nos transforma, que nos deixa maravilhosa, que nos faz olhar no espelho e só ver qualidades. É exatamente assim que me vejo quando uso listras horizontais e isso independe do que a moda diz sobre minha silhueta poder ou não usar esse tipo de peça. Quando quero dar esse ar de alongar o corpo, opto pela terceira peça, que geralmente é um colete ou uma jaqueta jeans. Quando não quero, me jogo sem neura e sem culpa de “parecer maior”.

E quando se trata de mix de estampas o problema é ainda maior na visão dos fashionistas maníacos. Se uma estampa dá aquela impressão de aumentar a silhueta, imagine duas? Pois aos poucos eu consegui experimentar em meu dia a dia. Comecei com versões mais simples, as vezes com a mesma padronagem em diferentes cores ou larguras.

Optei pela listra horizontal, por exemplo, como zona de conforto para aos poucos ganhar confiança nesse novo habitat de estilo. Depois, parti para mix mais ousados, porém em regiões distantes como a blusa de poá e o calçado de animal print. Logo eu já estava louca para fazer misturas mais ousadas e cheias de estilo. Me sinto confortável, por exemplo, com um maxi colete chevron e blusa listrada. Ainda uso combinando com minha calça destroyed, que quase anda sozinha por ai, para ter mais a minha cara.

Eu sei o quanto é importante descobrir qual a nosso tipo de corpo para valorizá-lo, quais os pontos positivos para ressaltar o que nos faz sentir bem. Porém, acho que ditar uma regra de estilo pode ser perigoso para nossa saúde mental. É muito difícil afirmar para uma pessoa o que ela deve ou não vestir, apenas julgando pelo formato do corpo. Pra mim, o correto seria avaliar primeiro o estilo da pessoa e adequar as peças favoritas ao seu tipo de corpo. A moda deve nos servir, não o contrário.

Queria agradecer imensamente o convite da Jô e da Cá para escrever esse post-desabafo aqui no Futi, um blog que acompanho há anos. Espero ter ajudado a inspirá-las a quebrar um pouquinho dos padrões que a moda nos empurra goela abaixo todos os dias, seja nas revistas, jornais, TV ou blogs de moda comuns.