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Convidadas

1 em Camilla Estima/ Destaque/ Saúde no dia 14.01.2019

Você se submeteria a qualquer coisa pra emagrecer?

Eu queria estar escrevendo algo feliz, novo, empoderado e good vibes no meu primeiro texto do ano pro futi. A verdade é que eu não consigo. Sendo muito sincera, eu nem sei direito como escrever sobre isso, estou fisicamente enjoada e com vontade de chorar. Mas o que tem contado mesmo é a minha vontade de ajudar mais gente.

Eu já estou na nutrição há muito tempo – 19 anos agora em 2019. Já vi muita coisa triste nas diferentes áreas que trabalhei. Desde gente passando fome, em situações de vulnerabilidade social onde não tinha acesso a comida, até pessoas em sofrimento com câncer ou outros diagnóstico. Recentemente no meu trabalho, lido todo dia com mulheres que sofrem com seus corpos. 

No dia 31/12/2018 foi ao ar o texto do meu querido amigo Alvaro Leme para o portal da Forbes, onde ele trouxe dados de uma pesquisa de resoluções de ano novo.

Em primeiro lugar ficou emagrecer (111.833 buscas), seguido de viajar (36.183 buscas), ser feliz (22.675 buscas), parar de fumar (13.266 buscas), ganhar na mega sena (2.650 buscas), guardar dinheiro (2.411 buscas) e ficar rico (2.358 buscas). 

foto: Thong Vo

foto: Thong Vo

Como diz o título da matéria, é meio chocante saber que as pessoas procuram por magreza mais do que por felicidade. Mas o que me chamou atenção para esses dados foi o “parar de fumar” em 4º lugar, perdendo de longe para o emagrecer. Contei sobre isso no stories do meu instagram e veio uma enxurrada de mensagens. Pessoas dizendo que fumar tirava a fome, por isso fumavam para emagrecer. Isso se desdobrou em outros stories onde eu questionava a SAÚDE em si. 

Como que pode? É mais do que sabido que o cigarro causa diversas doenças no ser humano. Câncer de pulmão, boca, laringe. Doenças respiratórias. Doenças cardiovasculares. Não, o cigarro nunca e jamais será uma estratégia positiva para nada. Não é fácil largar o cigarro pois existem fatores químicos que influenciam no vício. Sei que não é apenas querer parar. Mas não querer parar pois tem medo de engordar?

Por favor, pare de fumar!!! E depois procure ajuda nutricional e psicológica para não haver o ganho de peso em enxurrada.

Eis que recebo uma outra enxurrada de mensagens. Se eu achava que já estava ruim, o que li foi pior. Relatos de mulheres que, pra emagrecer, desejaram iniciar consumo de drogas, serem sequestradas, voltarem a ter depressão e anorexia. Outras que parabenizaram pessoas com câncer pois “pelo menos emagreceram”. Que desejaram ter diarreia, comer comida podre, infecção, amigdalite e por aí vai. Essa busca insana por esse corpo idealizado faz com que mulheres morram. Lembram do episódio do Dr Bumbum?

Usar drogas? Voltar pra depressão? Voltar a ter anorexia nervosa? Comer algo estragado de propósito? Querer ter câncer? Eu juro que não sei nem por onde começar. Eu não soube direito responde-las. Só consegui perguntar se elas estão bem e desejando que elas tenham saído desses tipos de pensamento.

Quando dizemos que as pessoas não querem emagrecer por saúde, essa é a prova viva de que estávamos certas.

Foi enfiado na cabeça que estar fora desse padrão de beleza magro é errado, é feio. Foi ensinado que quando você é magra é mais bonita, atraente, interessante. Que se cuida, que tem força de vontade. Isso se chama gordofobia, e eu expliquei em outro texto o que faz as pessoas pensarem dessa forma. E aí, claro, pra não chegar nesse ponto, as pessoas pensam inclusive em ficar doentes ou entrar em estratégias de doença para não correr esse risco. É, meu texto sobre gordofobia ficou desatualizado……

>>>>>> Veja também: “Não posso correr o risco de ser gorda” <<<<<<

Sabe qual a minha vontade? É de abraçar cada uma delas. Dizer que não tem nada de errado em seus corpos. Que elas são incríveis como são. Lindas, cheia de valores e com conquistas que merecem ser celebradas.  Que são merecedoras de tudo que a vida possa dar de bom a elas. Eu desejo demais que elas possam sair disso. E que o mundo melhore com elas. Que o mundo seja menos cruel, julgador e doente com elas e com todas nós.

Beijo carinhoso.

Camilla

1 em Mayara Oksman no dia 31.12.2018

Adeus ano velho…

Chega Dezembro e eu fico mais pensativa sobre o que aconteceu no ano que está acabando. Tento lembrar das coisas mais legais e das não tão legais, tento refletir se eu mudaria algo e imagino um pouco como eu gostaria que o ano seguinte fosse.

Em 2018 minha vida deu um duplo twist carpado. As principais mudanças foram pensadas, repensadas e discutidas. O resto foi consequência, foi o deixa a vida me levar, foi o dançar conforme a música. Algo que para mim foi especialmente difícil visto que sou meio (total) control freak.

Em 2018 fui madrinha (Maydrinha para os mais chegados) duas vezes. Vi duas amigas muito amadas casarem lindas, do jeitinho que elas imaginavam. Chorei, cantei, sorri, dancei com elas e com todos os amigos maravilhosos que estavam presentes. Saí muito com os meus melhores amigos, fui nos meus lugares favoritos em Sampa e já entre Maio e Junho senti que saía com a sensação de despedida. Ri muito com meus sobrinhos, vi dois deles virarem adolescentes e me assustei um pouco com o que isso significa hoje em dia. Curti muito cada colo dos meus pais e cada ida no Starbucks com o Oscar. Abracei meus avós mais apertado. Varei noite batento papo com os meus irmãos tentando entender como eles viam a felicidade na vida.

Trabalhei muito, viajei muito a trabalho. Aprendi coisas que achava que tinha pleno domínio na área. Mas no fim, não me sentia feliz, não via sentido no caminho que estava trilhando. Não sei se precisamos ter um sentido para tudo, mas eu sabia, no fundo no fundo, que naquele momento, aquele não era o caminho. E foi aí que tomei a decisão de pedir demissão.

Fui para a Itália, tirei minha cidadania, viajei com a minha mãe, tudo aquilo que fui contando aqui para vocês conforme ia acontecendo. Senti meu coração transbordar de alegria, amei conhecer lugares novos. Comer comidas novas, ouvir línguas diferentes, ver algumas coisas de outros pontos de vista. Entender o que significa “dolce far niente” e como a gente se deixa levar muitas vezes pela marcha automática da vida sem curtir pequenos momentos.

Teve muita despedida, teve muito choro, muito desapego. Tem saudade imensa de pessoas, lugares, sensações. Tenho tentado trabalhar bastante isso nesse último mês de 2018.

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Recomeçar em Amsterdam não é fácil. Tem burocracia, tem casa nova, tem cuidar da casa nova, tem trabalho novo, tem tudo novo e passar por isso sozinha foi e continua sendo difícil. Mas olha, se eu me achei forte em 2017, isso era só a pontinha do iceberg dentro de mim. A gente é muito, muito forte. E eu usei muito dessa força pra montar móveis sozinha, para me organizar nessa vida de dona de casa de primeira viagem, para ser cara de pau na hora de tentar fazer amigos, para ir no cinema sem ninguém do lado, para ir em restaurante e pedir mesa para uma pessoa, para não ter medo de conhecer gente nova, para driblar pedras no caminho, para levantar dos tombos, para levantar todos os dias mesmo com esse inverninho chato em que luz do dia só temos das 9-16 e com raros, raros dias de sol.

Algumas pessoas só olham as fotos no Instagram e acham que vida na Europa é puro luxo e a coisa mais linda e fácil de se fazer. Mas não é. E mesmo que fosse, sempre tem um turbilhão de coisas passando na nossa cabeça e fazendo a gente pensar e repensar e ter medo e ter arrependimento ou qualquer coisa que possa nos dar uma dose de medo e desânimo. Por isso tento sempre jogar a real nas legendas e contar para vocês o que se passa na minha cabeça. Porque não é perfeito, como nada na vida é, seja aqui ou na lua.

Eu honestamente não sei por onde começar a pensar sobre o que espero para 2019. Minha vida mudou completamente nos últimos meses e eu ainda não sei quais metas quero traçar, quais passos eu quero tomar a seguir. Mas isso é algo que eu vou ter que fazer, não dá para adiar muito. Uma coisa eu posso garantir, pessoal. Abrir as asas e voar é lindo! Curtir cada segundo desse voo é lindo, intenso, assustador. Mas vale.

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Independente de onde eu esteja ano que vem, eu estarei mais certa, mais forte, mais viva, mais intensa. Seja para continuar em Amsterdam, seja para mudar para outra cidade, seja para voltar para o lugar que sempre vai ser casa. Aprendi que tudo bem não saber. O importante é viver! 2018 foi um dos anos mais importantes da minha vida e sou grata por cada segundindo passado nele.

1 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque/ Moda no dia 26.09.2018

Você é o número da sua roupa? Eu acho que não.

Conversando a Jô e com a Carla no whatsapp tive a ideia dessa coluna. A gente tava discorrendo sobre situações em que as mulheres se deixam definir por um número de roupa. Não necessariamente número da etiqueta, mas também número da balança, da circunferência de cintura…

Junto com isso, eu sei que existe a dificuldade de encontrarmos tamanhos reais aqui no Brasil. Por exemplo, a quantidade de clientes que têm roupas que variam em até 3 números é gigante. Tem marcas com modelagens maiores, outras menores, isso quando não varia dentro da grade da mesma loja. Soma-se à isso a total falta de noção de algumas pessoas que trabalham em lojas e pronto: temos um combo arrasador de autoestima.

>>>>> Veja também: autoestima, autocuidado, o padrão e a moda <<<<<

Afinal, se pra ser bonita tem de estar dentro do padrão (leia-se: magra), pra servir na roupa tem de estar dentro do padrão também, certo? E não, você não leu errado: eu falei “pra você servir na roupa” e não o contrário.

tamanho-roupa

Eu acredito piamente que é a roupa que deve servir em você, mas fato é que fizeram a gente acreditar a vida toda que a gente é quem deve servir na roupa. Que a tendência é que deve escolher a gente, que a gente tem de estar sempre dentro dessas expectativas. Perigoso isso, né? Perigoso pra nossa saúde mental e financeira, inclusive.

E o que eu quero com todo esse discurso? Quero provar pra vocês que não existe nada mais libertador do que não permitir que esses números te definam! Não coube no 42 e teve de pedir o 44? Peça e não fique com vergonha disso. 

Colocou o 44 e o caimento não ficou bacana? Devolva e agradeça a ajuda. Sei que parece óbvio, mas conheço muita gente que já comprou roupa cara que não serviu só por vergonha da pessoa que estava fazendo o atendimento. 

Por isso, se a vendedora ou vendedor fizer cara feia, ignore. Se rolar algum comentário do tipo “desculpa, aqui não tem tamanho pra você”, procure uma loja que tenha. Não é um caminho fácil, muitas vezes vai nos deixar inseguras, mas é possível. Aceite que muita coisa foge ao seu controle como a grade de tamanhos e o posicionamento da loja, a atitude da pessoa que está te ajudando (ou pelo menos deveria), a disponibilidade das peças… assim fica menos frustrante e mais fácil absorver toda essa experiência sem abalar suas estruturas emocionais. 

Fora isso, vale dizer que tem muita gente bacana trabalhando com moda hoje em dia. Muita gente preocupada em atender o maior número possível de corpos e pessoas. Muita gente preocupada com inclusão de verdade e não só pra inglês ver.

Essas pessoas ainda não são maioria, mas se a gente começar a recorrer a essas pessoas e suas marcas, um dia elas podem sim virar a maioria e, melhor ainda, puxar o bonde e trazer mais gente pra esse movimento.

Pesquise, procure, prestigie. Porque é essa a moda que vai te libertar das amarras que a moda antiga colocou na gente e nessa paranoia de estar sempre dentro dos padrões.

Sei que muita gente vai dizer que é mais fácil falar do que fazer – acredite, apesar de eu estar no limiar entre a grade regular e o plus size, nunca tive grandes dificuldades em encontrar coisas que me servissem porque essa minha situação é relativamente recente (justamente quando a moda começou a mostrar um lampejo de inclusão) – mas o poder e o alcance que a internet traz para as nossas mãos hoje em dia é poderoso demais. Se tem alguém fazendo o que eu procuro, o que serve no meu corpo e na minha vida, eu vou atrás. 

A gente (aqui incluo Jô e Carla) sempre fala que o autoconhecimento é muito poderoso. E é mesmo. Entender não só o seu tamanho, mas entender o que é realmente importante pra você. Por exemplo, vamos usar uma calça rosa. Você quer qualquer calça rosa ou “A” calça rosa de determinada loja?

Por que essa peça é tão importante pra você? O que ela representa? Essas perguntas faze toda a diferença. O que te faz desejar determinada peça pode ser o começo de uma viagem sem volta – e devo dizer, MUITO produtiva com toda a certeza – pra dentro de você mesma.

Porque se você só quiser uma calça rosa, te garanto que você tem algumas boas opções pra explorar – desde lojas fast fashion até boutiques, brechós e até mandar fazer numa costureira. Por isso, não dar certo com a calça rosa de determinada loja não deveria ser um problema – pois você tem outras opções.

No entanto, se o que você busca é um sentimento de aceitação e pertencimento que a tal calça rosa de determinada loja te traz, tente entender de onde vem essa necessidade. E nem compre a tal peça se você não encontrar um outro motivo pra fazer essa compra, pois te garanto que esse sentimento de pertencimento vai passar rapidinho e logo você vai buscar alguma outra coisa pra te trazer isso de novo.

Ou seja, ao invés de te libertar, isso vai seguir te aprisionando.

Por isso, meu conselho do dia é: um número não te define. Uma modelagem não te define. Uma marca ou uma cor que não tenha rolado pra você não te define.

O que te define é você mesma. O que você quer, o que você busca e o que você sonha. A vida que você leva, os seus sonhos e o que te leva a ter esses sonhos. Complexo, mas empoderador. Porque aí, só você pode fazer isso e mudar tudo quando você quiser – porque, advinha só: quem manda em você é você mesma!