Assisti o filme na madrugada de quinta para sexta. Sexta, ao começar a escrever me deparei com a notícia de que o ator Johnny Depp havia batido na sua esposa Amber Heard. Essa notícia realmente me deixou fora dos eixos e sem saber o que continuar a escrever. Conversei com a Jô e a Carla, e no fim cheguei a conclusão que independente do que aconteceu, boicotar o filme seria desvalorizar o trabalho de atores e artistas que ralaram para o filme acontecer e que não têm nenhuma ligação com o caso de violência. Foi um episódio triste e horrível, estou desconcertada até agora, mas espero ser justa!
Filmes da Sil: Alice Através do Espelho
Acreditam que eu nunca tinha assistido ao primeiro filme até literalmente minutos antes de ir ao cinema ver a continuação? É que Alice não é, e nunca foi, um dos meus desenhos preferidos. É gosto, né? Até acho fofo o “desaniversário”, e talvez Freud entendesse porque eu adorava a Lagarta com seu Narguilé - embora eu seja super careta - mas o resto? Era muito “demais” para mim aquela loucura toda e bem, talvez fosse algo que eu não soubesse, mas eu não curto muito os vitorianos - é, eu não gosto do desenho do Peter Pan também. Mas mesmo assim, Lewis Carroll - o criador de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho - sempre foi bem visto, então eu juro que tentei e até li os livros, mas até então a única versão que eu havia curtido um pouco era uma série da BBC. Definitivamente Alice e eu somos princesas rivais no panteão da Disney, risos!
Aliás por falar em Disney vamos aos fatos: vocês já ouviram falar na série Once Upon A Time? Ela é da ABC, que pertence à Disney, e entre os dois filmes fez uma versão OUAT in Wonderland onde uma Alice adulta, resgatada por um coelho, volta para o País das Maravilhas para resgatar o amor da sua vida… o Gênio do Aladdin! Alguém pode me explicar o por quê dessa confusão? Depois do primeiro filme que já foi recebido com estranheza por alguns, para que enterrar ainda mais - perdoem-me a piada - Alice no buraco do Coelho? Voltando ao filme, confesso que foi uma surpresa quando anunciaram o segundo Alice, afinal o primeiro é um filme esteticamente interessante e uma mistura das duas obras de Lewis Carroll, mas não é nada de genial. Então,o que sobraria para uma nova história?
Tudo o que a Disney adiantou nos trailers e pôsteres é que dessa vez Alice, Mia Wasikowska, volta para salvar o Chapeleiro Louco. O filme começa praticamente onde o anterior termina, então talvez seja bom assistir ao Alice no País das Maravilhas antes de ir ao cinema. Apesar disso, Alice Através do Espelho é diferente do primeiro filme no bom sentido e posso adiantar que a continuação é bem mais interessante que o original. Se você espera alguma história clássica, esqueça! Através do Espelho tem memórias, alguns pedaços dos originais e pequenas explicações interessantes, mas isso é tudo o que você vai encontrar conectando o filme aos originais - desenho e livro.
Como em qualquer filme ligado ao nome de Tim Burton, podemos esperar uma estética exagerada e um pouco sombria. Entretanto, Tim dessa vez não está na direção e as escolhas estéticas beberam na fonte de Burton mas foram mais apropriadas para um filme que atrai um público infantil. Os jardins da Terra das Maravilhas no começo do filme e a FAMOSA mesa de chá são, particularmente, um delírio visual e eu duvido alguém sair do filme sem querer uma caixa de doces daquela mesa. A trilha sonora é do sempre impecável Danny Elfman e os figurinos estão deslumbrantes.
As versões de Alice, apesar de um pouco confusas, são histórias para crianças, e essa não é diferente. Para mim, a maior sacada do filme na minha opinião é que para salvar o Chapeleiro Maluco, Alice precisa se acertar com o Tempo: o Tempo aqui é um ser que habita a Terra das Maravilhas e talvez lidar com essa informação seja mais fácil para uma criança do que a questão do tempo abstrato. Além disso, a escalação de Sacha Baron Cohen para o papel me parece ter sido fundamental para que o filme funcionasse.
O ator tem uma excelente química com a atriz Helena Bonham Carter, a Rainha de Copas, e Ex de Tim. O problema é que Helena, Tim e Depp também já fizeram uma série de filmes juntos, o que cansou os críticos após algum tempo. O trio era tão intenso que quando Burton e Helena se separaram, a piada na mídia foi sobre quem iria ficar com a custódia de Depp. Então, ao trazerem Sacha para essa dinâmica, quebraram qualquer expectativa de tensão. Sem falar que Cohen está excelente no filme. Helena e Anne Hathaway, como as Rainhas do País das Maravilhas, estão um pouco exageradas mas não incomodam, faz parte da personalidade de suas personagens e da escolha desse mundo. Depp, vamos julgá-lo pela sua atuação, convence inclusive de bom moço (que ironia, não é mesmo?)! Mas o ponto forte do filme para mim é a Alice de Mia Wasikowska, que está melhor no papel do que na primeira versão.
O ponto mais fraco de todos é a falta de uma história coesa, mas temos que levar em conta que é um “conto de fadas” e coerência nunca foi o forte dos livros de Carroll. Honestamente, eu fui assistir um filme para crianças e saí maravilhada com as belezas que finalmente vi no País das Maravilhas. Aproveitei o que o filme tinha de melhor para me oferecer e me diverti, saindo leve do cinema. Ainda de brinde gostei de ver mais uma versão de uma Alice forte e heróica, não apenas uma menina - independente da idade - que apenas tem sorte nas decisões que toma ou que simplesmente acredita que algo pode dar certo. Essa Alice acredita em si, e vamos combinar que é muito bom e refrescante vermos uma protagonista não depender de príncipes encantados e com uma excelente autoestima.
Por um mundo com mais Alices! <3
Beijos,
Sil


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