1 – Ei, não é ok falar besteiras
Depois da Elle ter dado o que falar na semana passada, essa semana foi a vez da revista Glamour, mas não exatamente por um bom motivo. Primeiro, deem uma lidinha no manifesto que estampa a carta da editora da edição de Dezembro e depois a gente conversa:
Ou então, dá para ver por aqui também:
Carta da Môni – Glamour dezembro 2015Por um 2016 com mais opinião (e respeito à diferença dela, please!)Vou dar…
Posted by Mônica Salgado on Segunda, 7 de dezembro de 2015
De fato, 2015 foi um ano de opinião. Muita gente que nunca tinha tido voz passou a ter, muita gente que falou o que queria sofreu as consequências por não ter pensado antes de falar, muita gente aprendeu na marra que liberdade de expressão não quer dizer sair por aí destilando discursos de ódio e, como disse a própria Mônica, o mundo ficou chato.
Uma pena que ela não conseguiu entender que essa “chatice” é maravilhosa e só tem benefícios a longo prazo! Uma pena que ela não conseguiu entender que todo mundo pode ter suas opiniões, só que a partir do momento que você influencia uma pequena multidão (de 15 ou de 1 milhão de pessoas, não importa), você tem a obrigação de saber o poder das suas palavras. Uma pena que ela não entendeu que a partir do momento que você não respeita a opinião (ou opção) dos outros, perde os direitos de ter a sua respeitada. Uma pena que ela não utilizou uma revista com o alcance da Glamour para dar espaço a tantos assuntos importantes que aconteceram esse ano porque preferiu intitular tudo como chatice, ou achar que é por causa das polêmicas que as entrevistas estão ficando mais sem graça.
É super ok ser workaholic, está tudo bem se você não se gosta quando está gorda, não tem problema se sentir infeliz com a possibilidade de largar seu emprego para cuidar de casa, marido e filhos. Mas a partir do momento que você julga quem não fez as mesmas escolhas que você, a plaquinha de “empatia power” precisa ser enterrada e é grave que uma revista – com alcance nacional, ainda por cima – não entenda essa diferença e publique imposições disfarçadas de opiniões (“Uma mulher jovem ser feliz sem ter uma carreira hoje em dia? Acho difícil!” ou “Ei, não é ok ser gorda”) sem nem parar para pensar em suas leitoras.
Patrulhar é preciso? Com certeza! De que outra forma a gente aprende? Não é porque há 10 anos era “normal” falar certas coisas que precisamos continuar estagnadas no tempo, não é? Então, esperamos que 2016 tenha muito mais opinião, principalmente se for para fazer a gente parar para pensar em todas as coisas erradas que são faladas por aí!
2 – Reagindo a elogios
Um dos vídeos mais compartilhados essa semana ao mesmo tempo que é fofo, nos faz pensar. Uma aluna de um colégio em Chicago criou um projeto onde ela fotografava pessoas que ela achava que eram bonitas. E ela filmou a reação delas no momento que ela explicava o motivo da abordagem. Aconteceu isso:
Muita gente ficou sem graça – provavelmente a reação mais natural, né? – mas tiveram pessoas que reagiram de uma forma inesperada, como a menina que foi meio grossa porque achou que ela estava de sacanagem (muito provavelmente ela já sofreu por causa disso) ou o menino que não acreditou muito quando ela disse que achava ele bonito.
O mais legal, porém, foi ver a reação depois do acanhamento e notar como as pessoas ficaram felizes por serem notadas e elogiadas. Já rolou um texto desse tipo por aqui e esse foi o típico vídeo que deu vontade de sair elogiando mais as pessoas.
3 – Sendo madura do alto dos seus 13 anos
A gente ainda lembra da Maísa como sendo aquela garotinha dos cabelos encaracolados à la Shirley Temple que ia no programa do Silvio Santos ser fofa e engraçadinha e depois virou apresentadora de programa infantil. A verdade é que ela cresceu e além de apresentadora, ela também tem atriz e cantora no seu currículo.
Maísa acabou de lançar seu segundo clipe voltado para o público infantil, o que gerou alguns comentários dizendo que ela já estava meio grande para isso e “precisava ser mais sensual” (sério, QUEM SUGERE ESSE TIPO DE COISA???). A resposta foi super madura e maravilhosa, tanto que sentimos necessidade de compartilhar!
Em um mundo que tem pré adolescente sexualizada pelo próprio pai só para fazer sucesso e em um mundo onde um programa de culinária com meninas de 9 a 12 anos recebe comentários pedófilos, ver esse tipo de posicionamento vindo de uma menina de 13 anos restaura nossa fé que essa geração que está crescendo vai ser muito melhor que a nossa!







12 Comentários
Lola
14.12.2015 às 19:49Sobre a Glamour: chama atenção a ausência de mulheres negras e não-magras. Talvez se a revista tivesse um corpo editorial mais plural, teria maior sensibilidade e empatia para ver que o mundo não está chato, ele só está começando a respeitar as minorias.
Sobre o vídeo: simplesmente maravilhoso. Viva o amor.
Sobre Maísa: ídola. Que essas meninas cresçam com muita força.
Alice
14.12.2015 às 20:06Ótimo saber desse posicionamento da glamour, não compro mais a revista. Eu também não gosto de patrulha e acho q muitas vezes há um exagero no políticamente correto. Mas daí a querer que todo mundo engula calado uma opinião sua sobre algo como sendo o certo/verdadeiro é demais! Vi muitas coisas ditas nas frases citadas nessa carta da editora como preconceito e não opinião. A frases foram ditas generalizando e não personalizando ou individualizando os temas, tão simples de fazer essa diferença importantíssima.Uma pena que a revista valide isso.
Carolina
14.12.2015 às 20:48Carla achei sensacional sua abordagem quanto a Glamour, leio ela e não deixarei de comprar, mas achei que a Monica, que sempre admirei muito, perdeu a mão em alguns pontos da sua carta, sou uma joven mae de 29 anos, formada, com uma boa condicao financeira e nao trabalho, estou em casa por escolha, para cuidar de perto dos meus filhos e nao tercerizar a educação deles, me sinto feliz e privilegiada por estar em casa e viver cada momento de sua infancia e digo mais, nao me arrependerei! Reforçar esteriótipos, pré- julgamentos e pré- conceito, hoje em dia é muito boring, cada um sabe de sua vida e deve encontar nela o que deixa feliz, seja ser dona de casa, gordinha, trabalhar 15 horas por dia, não importa desde seja a sua verdade, o seu objetivo e não o espelho da massa, não o que esperam que vc faça, isso sim é ter opinião!
Beijoss
Sil
14.12.2015 às 21:08Caraca, é justamente essa postura de ser chata ou não ser, me abrir de mais ou não, que eu fico ainda travada. Eu tenho que resolver isso, mas eu sempre escuto também que é preciso falar e ter a minha voz. Como eu resolvi comprar uma “briga” complicada, que é me aventurar no mundo feminista dentro do universo Nerd, é duplamente complicado.
Enfim, é complicado. MUITO complicado e com patrulhas ideológicas te falando “Você é feminista demais” ou “Você compra muito a causa GLBTQ” ou ainda “Pq você fala sobre a sua vida?”… Arf! Depois reclamam que falta opinião
Agora sim, está faltando MUITA EMPATIA no mundo, cada dia as pessoas só pensam mais nos seus próprios umbigos. Isso me incomoda tanto.
UFA! Desabafei, risos! Mas realmente esse texto aí tá difícil de engolir, depois da minha semana…
Beijos!
Ane
14.12.2015 às 21:15Em relação a revista Glamour, tem uma frase de um livro do Tolstói que eu guardei para a minha vida de tão singela e profunda que diz “julgava os outros por si mesmo”. Eu acho que isso resume muito esse momento que vivemos. Que em 2016 tenhamos um olhar com mais compaixão pelas diferenças.
Sissi
14.12.2015 às 23:39Carlinha,
Amei em especial esse post. Quanta pertinência vc falou a respeito da Glamour… Que incoerência nela mesma. Um desastre!
Faltou maturidade pra falar de uma pauta tão complexa… Realmente às vezes o mundo pende pro politicamente correto ou profundo demais (vide postszzzz de FB), mas eu ainda acho que infelizmente pende mais pro pensar de menos. E entre um e outro, prefiro a parte pensante – chamem as feministas exageradas no discurso sobre vaidade opressiva, mas o fato é que a revista aí decretou o IMC adequado pra felicidade. Ou seja, precisa avisar elas que por motivos como esse o mundo às vezes tem que ser chato mesmo…
Bjos
Roberta
15.12.2015 às 8:49Post perfeito como sempre, meninas. Concordo com tudo e assino embaixo, principalmente com relação à Glamour. Erraram a mão feio ali… Beijos
Lyanna
15.12.2015 às 9:40Post perfeitíssimo!
E eu só tenho uma coisa a acrescentar: Maísa deveria ser a redatora chefe da Glamour!
Fim.
Rafa
15.12.2015 às 10:06Concordo com a abordagem de vocês! Sobre a Glamour, faltou muita empatia. E querer impor regra é muito ultrapassado! Cada um sabe das suas escolhas e oportunidades. Eu já não era leitora assídua, agora não quero mais comprar. E o caso da Maísa, ela falou tudo. É uma menina, com comportamento de menina, trabalhando pró público que ela escolheu! Beijos!
Cibele
15.12.2015 às 15:12Simplesmente adoro esta tag! Adoro ler a opinião de vocês!!
Daiana
16.12.2015 às 2:17Pelo que eu li da matéria, não parece que ela está criticando quem resolveu ficar em casa, está gorda ou aborto… Fala mais sobre “opinião”!!! Não sobre a sua opinião (o que vc acha)
Mari
16.12.2015 às 15:35Fico feliz demais com essa mudança de opinião de vcs em relação à Glamour. Lembro que, em setembro ou outubro, essa mesma revista falou algo similar e vcs a defenderam aqui no DQF. Fiquei, na época, tão decepcionada que nem quis comentar.
E palmas pra Maísa!! Por mais crianças como ela!!
Beijo pra vcs!!