Quem conhece minha história sabe que a coisa mais grave que eu passei em relação à minha autoestima na adolescência foi a minha crise de acne, inclusive foi bem mais complicada do que os 20kg que ganhei na mesma época. Tive um grave problema em casa, estudava em um colégio que demandava muito e ainda estava numa enorme confusão hormonal - na época, desconhecida - tudo isso no ano do vestibular, aos 18 anos. Complicado, não? Realmente, foi bem difícil.
Para vocês terem uma ideia, nesse período eu fui parada na rua para me ensinarem receitas caseiras para tratar minha pele! A coisa ficou tão peculiar - para sermos gentis - que desconhecidos se sentiam solidários a me dar receitas de cura. A intenção até podia ser boa, mas eu sofria com isso. A coisa não estava legal e quando decidi com a minha dermatologista começar o Roacutan a pele deu uma piorada sensível - coisa que ela me avisou que iria acontecer - mas mesmo assim eu não estava preparada para tanto. As pústulas mudaram o formato do meu rosto e além de tudo, doíam muito. Da primeira vez que passei por isso quase não usei maquiagem e por causa de tantas mudanças, eu fiquei meio pra baixo e não encarei bem o tratamento.
Hoje, no alto do meu achismo, lembrando do meu quadro e dos meus sintomas, diria que foi naquele ano que eu desenvolvi a Síndrome dos Ovários Policísticos, que muita gente (eu, inclusive) chama de SOP. Eu pesquiso muito esse assunto, mas na época tudo era menos simples. Em 2004, o melhor que conseguimos pensar foi em tratar a minha pele com o Roacutan, que não é o tratamento mais leve do mundo mas foi o que pareceu mais possível naquele momento.
Depois de tudo que vivi de 2004 para 2005, eu fiquei absolutamente neurótica com a pele. Pensa numa pessoa que não sabia a real proporção do problema? Esse alguém era eu. Tudo era um real pavor de reviver a experiência de acne. Um ano e pouco depois minha pele desandou de novo e lá fui eu tratar novamente com o remédio. Foi chato tomá-lo de novo, mas ao mesmo tempo foi muito mais tranquilo. O anticoncepcional ajudou e tudo ficou muito mais fácil do que da primeira vez. Eu também já usava mais maquiagem e fui conseguindo lidar.
De 2007 até 2017 esse monstro da acne me assombrou muito pouco mesmo. Os primeiros meses sem o anticoncepcional foram chatinhos, eu parei em outubro de 2014 e eu diria que só no segundo semestre de 2015 minha pele ficou BOA. Demorou uns meses para o tratamento que a minha ginecologista passou começar a fazer efeito, mas eu já sabia que seria assim e tudo correu conforme ela me disse que seria. Fui levando a pele numa boa, era uma queixa, mas muito pontual.
Outros efeitos colaterais do SOP, por sua vez, não se resolviam. Eu sempre fazia ultra e lá estava o quadro, minha menstruação não regulava, tudo isso ia se repetindo até que minha homeopata em pouco tempo resolveu tudo. Deu muito certo pra mim. Saiu um cisto, regulei a menstruação e nunca mais vimos a cor do SOP nas minhas ultras. O que não quer dizer que a síndrome não seja uma questão, quer apenas dizer que não tem mais o mesmo quadro que antes no exame de imagem. Em nome de rever quais remédios de alopatia eu realmente precisava tomar, resolvemos tirar o tratamento que vinha segurando a pele desde junho de 2015 e vinha cuidando da questão da testosterona.
As duas únicas queixas da retirada do primeiro tratamento? Queda de cabelo e acne. A queda de cabelo tem diminuído muito, então diria que em crise hoje só temos a acne. Motivo pelo qual eu estou fazendo esse post, que eu jamais pensei que teria que escrever de novo.
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dia 03/03
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dia 18/03
Hoje eu fico impressionada comigo por várias razões. A primeira e mais importante é pela tranquilidade com a qual estou lidando, mesmo nos dias mais difíceis. Durante esses dez anos eu passei a ter pavor da oleosidade da minha pele, das espinhas mínimas do dia da menstruação e de qualquer acne eventual que aparecia. Ter uma espinha era SUPER DIMENSIONADO pra mim, o trauma me fazia reagir de uma forma exagerada.
Fato é que a Joana de uns anos atrás estaria no poço sem fundo com a crise de acne na qual eu estou passando hoje. No entanto, eu fiz todas as escolhas muito consciente, pensando na minha saúde a longo prazo e eu sei que vamos encontrar uma solução, seja na homeopatia ou de novo na alopatia. Só estou me dando uma chance. Eu sei que vai ficar tudo bem e isso me ajuda a não cair na armadilha de super dramatizar o quadro - que já não é fácil - de acne.

Eu confio muito na minha homeopata, dermatologista e ginecologista, todas elas me explicaram tanto sobre essa questão que eu já entendo e vejo o que há em comum em todos os discursos, assim sendo, eu resolvi correr esse risco.
É mais difícil do que imaginei que seria? Com certeza. Mas nesse aspecto minha dermatologista Dra. Vanessa Metz está me dando uma bela retaguarda. Estamos fazendo um tratamento combinado de três ponteiras que eu nunca vi igual, nunca nada reduziu tanto meus poros. Além disso tento fazer uma ou duas vezes por mês limpeza de pele na clínica.
Para minha felicidade, a SkinCeuticals comprou meu barulho e me mandou todos os produtos que estão na receita que a Dra. Vanessa me passou. Hoje eu uso desde o gel de limpeza da marca, até o blemish e o retinol. Já para dormir eu coloco a máscara de argila branca como secativo. Toda noite, em cima de cada espinha. Gasta a máscara? Com certeza, mas ela dorme doendo e acorda menos inflamada. É realmente impressionante.


gel de limpeza LHA 
BLEMISH + retinol 0.3

máscara de argila (tem tudo sobre ela nesse post aqui)
Se lá no passado me contassem que eu passaria por isso novamente eu diria que seria o fim, que eu ia sofrer muito. Agora, com a causa, o grupo e o projeto “papo sobre autoestima”, eu estou conseguindo olhar pra tudo de uma forma tão mais tranquila e redimensionara Por causa desse olhar diferente eu me sinto mais forte, mais corajosa e pronta para qualquer coisa.
Eu escolhi passar tudo isso por uma boa causa, eu estava tendo uns quadros que se repetiam e no fim, eu vivia à base de remédios pesados. Eu era refém de remédios chatos, refém da emergência de otorrino e vivia com questões que hoje eu não tenho. Se o preço que tive que pagar é essa fase? Tudo bem, eu vou passar por ela e vai ser só uma fase. Por mais frágil e vulnerável que eu possa vir a ficar, eu tenho consciência real de que vai passar, e vamos encontrar uma solução pra isso.
Enquanto isso eu vou seguindo, fazendo instastories sem maquiagem, com máscara de argila ou com uma super base, com a pele toda corrigida. Eu me amo e me respeito das duas maneiras e quanto mais meu emocional me ajudar, melhor vou passar por tudo isso.
Coloquei todo o problema no seu tamanho real, nem sempre é fácil, mas nesse caso eu tenho conseguido e isso me deixa orgulhosa de mim. Eu jamais estaria passando assim por isso assim, sem o coletivo.
Eu fico muito grata por tudo e por isso vim compartilhar minha experiência.
Beijos
Jô