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0 em Autoestima/ Colaboradores/ Destaque/ Moda no dia 10.05.2018

Roupa de mãe?

Eu mesma já usei muito esse termo. Lááááááááá nos anos 2000, numa época em que eu era praticamente uma adolescente que nem sonhava em ser mãe um dia (e que não sabia absolutamente nada de feminismo e empatia, ou melhor, que não sabia de nada e ponto) e eu achava que mães eram seres, hummmm, digamos, de outra categoria.

Mas daí a dizer que existe roupa de mãe é um abismo de diferença, não? E o que seria a tal roupa de mãe?

e segundo o Google, roupa de mãe precisa combinar com a da filha também, pelo jeito.

e segundo o Google, roupa de mãe precisa combinar com a da filha também, pelo jeito.

Pelo o que eu vejo, roupa de mãe é a roupa que não é sexy. Mas é feminina. Ou seja, é a roupa que mostra que ela é uma mulher não sensual. Digo isso pelas milhares de newsletters de marcas que eu recebi nos últimos dias sugerindo presentes para as mães: tons neutros (porém delicados), florais (nenhum em fundo escuro), sapatos baixos, de bico redondo, roupas folgadas e austeras. Ou seja, TUDO que grita “tão feminina e fofa que chega a ser infantilizada (pra não dizer envelhecida e beatificada, amém)”.

E ainda lembrei de outro exemplo: o que seria “mom jeans”? É aquela calça semi-bag que nossas mães usavam quando a gente era criança lá nos anos 80/90. É confortável? É! É sexy? Nem um pouco.

Não vamos esquecer que até outro dia - ok, uns 3 anos atrás - a gente achava beeeeem cafona. Na verdade, vamos combinar que quando olhamos fotos antigas de família, da primeira questão que surge é “Como a gente usava isso? Como vocês usavam isso?”. E vamos ser sinceras, desde que o mundo é mundo os filhos estão aí pra contrapor seus pais para depois perceberem que eles estavam certos ou, se não chegarem a essa conclusão especificamente, aprenderem a não julgar suas escolhas.

Perguntinha reflexiva: por que a tal calça não foi batizada de 80’s jeans ou algo do tipo e tiveram de associar a bendita às nossas mães?

Perguntinha reflexiva: por que a tal calça não foi batizada de 80’s jeans ou algo do tipo e tiveram de associar a bendita às nossas mães?

Acham também que roupa de mãe é a roupa comum, básica do dia a dia. O famoso jeans (ou legging, ou calça de moletom – insira aqui a parte de baixo simples/básica que preferir) + camiseta. Digo isso com conhecimento de causa: sou consultora de estilo e mãe de dois. Minha sócia também. Quando estamos em algum evento ou falando com alguma pessoa que não sabe que temos filhos, e usando algum look mais ousado (isso é, mais colorido, com design mais diferentão, sei lá) e comentamos algo das crianças, ouvimos: “O QUÊÊÊÊ???? VOCÊS TEM FILHOS? NO PLURAL? NOSSA, NUNCA DIRIA”.

Eu já me incomodei mais quando esse tipo de coisa acontecia. Mas acabei descobrindo, a duras penas e muitas doses de autoconhecimento, que é importante para mim exercer o autocuidado. E uma das minhas formas de fazer isso é me sentir bem vestida, com looks que me representam (eu gosto de dizer que dentro de mim mora uma periguete, uma drag queen e uma preguiçosa. E que eu nunca sei quem vai acordar primeiro e dar o tom do dia, hahahaha!!!!!). Ou seja, eu não preciso ser uma coisa só, muito menos uma coisa que me disseram que eu tenho de ser só porque eu sou mãe. Aliás, sou ariana, né, mores? Só porque me disseram que eu tenho de ser algo é que eu não vou ser aquilo MEEEEESMO - só de raiva, hahahaha!!!!

Brilho, transparência, seja o que for, continuarei sendo mãe.

Brilho, transparência, seja o que for, continuarei sendo mãe.

Né?

Né?

Ah, e sabe a mom jeans que eu falei? Preciso comentar aqui um acontecimento curioso, já que desde que ela alcançou o status de “roupa das modas”, não se espera mais que mães usem – aiaiaiaiaiai, isso tá ficando complexo. Mas quer saber? Vou usar sim, muito jeans de mãe, muito brilho, muita camiseta, muita fenda, muito tudo o que eu quiser. Inclusive o moletom, se me der nas tampas. Ou seja, roupa de mãe é a roupa que ela quiser! E que todas aqui que são mães tenham um ótimo dia das mães, bem livre de padrões e maravilhoso!

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Saúde no dia 08.05.2018

Seja seu auto suporte

Quando nascemos dependemos integralmente dos cuidados do outro. É o outro que vai ler (nem sempre corretamente) as minhas necessidades e tentar (ou não) atende-las. Nosso cérebro possui a capacidade de se transformar durante toda a vida, é o que chamamos de plasticidade neuronal, mas definitivamente os primeiros anos, justamente esses nos quais somos 100% dependentes, são o período crítico do desenvolvimento neurológico. O crescimento visível da nossa cabeça não é a toa: nosso cérebro está realmente crescendo. Em massa, em matérias, em estruturas.

Ele vai crescendo se adaptando ao meio. Vamos compreendendo o mundo, entendendo o que devemos fazer para sobreviver, que é o grande impulso de todas as espécies: sobreviver para reproduzir. E o que vamos aprendendo? Que dependemos do outro. E esse outro é livre, separado da gente, independente. Por que, então, esse outro nos atura e cuida de nós?

Porque nos ama.

Passamos, então, a desenvolver estratégias para sermos amados, aceitos e cuidados. É como se, percebendo que dependemos do cuidado alheio, instalássemos um software “convencer o outro de que eu tenho valor e fazê-lo cuidar de mim”. Existe um vídeo que mostra uma pesquisa realizada para investigar a reação dos bebês quando a mãe para de interagir amorosamente e só fica com uma “cara de paisagem”.

Já tão pequenos eles sentem o medo de não serem apreciados. Já é possível ver o funcionamento do software do qual falei acima.

Acontece, porém, que nós não dependemos dos cuidados alheios para sempre. Claro que, por sermos animais gregários, sempre vamos precisar de vínculos, de afetos, de relações. Mas a aprovação incondicional, a nutrição da sensação de valor próprio, o alimento da auto estima, o suprimento das próprias necessidades, tudo isso, ao longo da vida, vai passando a ser responsabilidade NOSSA, e de mais ninguém.

Nós precisamos migrar da necessidade de ter um outro nos dizendo de que precisamos a cada momento para a necessidade de identificar nossas próprias sensações e sentimentos para descobrir qual é a nossa necessidade genuína. Precisamos desenvolver recursos para não mais aguardar passivamente que o outro nos dê o que desejamos dele, e sim mobilizar nossas energias na direção de obter por nós mesmos aquilo que desejamos. Obviamente não estou dizendo que isso é fácil, só estou expondo a direção na qual é saudável que caminhemos.

É a partir do momento em que acolhemos nossos sentimentos, que acolhemos nossa carência, que aceitamos nossa condição humana de desamparo e nos damos conta de que podemos, sim, contar com a ajuda de outras pessoas para superar momentos difíceis, mas que nossa maior responsabilidade nessa vida é aprender a dar conta de cuidar de nós mesmos, que começamos a caminhar para uma vida mais autêntica. Para uma vida com angústia, sim, mas com a angústia necessária, inerente à existência, da qual não se pode fugir, e não a angústia infrutífera e sofrida que nos toma quando nos sentimos como bebês impotentes que não podem fazer nada além de sofrer enquanto esperam que alguém perceba e atenda suas necessidades.

Precisamos atualizar nosso cérebro com softwares mais modernos, que aproveitem toda a capacidade do nosso organismo maduro. Migrar do hétero suporte para o auto suporte. E o primeiro passo para começar a caminhada nessa direção é aceitar que É UM PROCESSO. A pressa e a cobrança para transformar seu cérebro de um dia pro outro são o caminho mais rápido para NÃO CONSEGUIR transformá-lo. É necessário aprender a acolher suas angústias para dar um passo de cada vez.

5 em Autoestima/ Camilla Estima/ Convidadas/ Destaque/ Saúde no dia 07.05.2018

Quando eu for magra…..

Eu não consigo nem de longe imaginar como dever ser a vida de uma pessoa famosa, daquelas que arrasta multidões em shows, cinema, televisão. Fico de longe acompanhado e imaginando a pressão que essas pessoas devem sofrer com isso. Não, não vamos começar com o discurso “mas ela que quis ser cantora”, “ah mas vida de atriz é isso mesmo” pois eu sei que em algumas profissões, isso é inerente. Ok.

Mas voltando à história da pressão, imagina o quanto palpitam na vida dessas chamadas celebridades? Estado civil, a roupa que está usando, o restaurante que foi, e o que costumamos discutir muito por aqui, o corpo. E todas suas vertentes como peso, forma, cabelos, pele e por aí vai.

Rolou esses dias no grupo do #paposobreautoestima no Facebook uma matéria sobre o emagrecimento da cantora Marilia Mendonça. Paralelamente, muita gente estava lá nas minhas redes sociais compartilhando a mesma questão. Fui me informar mais sobre o assunto.

Quando coloquei no Google apenas “Mari…” a busca já completou com “Marilia Mendonça magra”. Pois é….respira fundo e segue o baile.

O emagrecimento “relâmpago” dela não me chamou atenção, pois isso é bem comum no mundo das pessoas famosas e influenciadoras. Não posso opinar sobre as estratégias que ela fez pois não é do meu conhecimento. Se ela fez reeducação alimentar, cirurgia, procedimento estético ou qualquer coisa do tipo, também não sei, mas algumas coisas me chamaram atenção no post em questão, então é disso que vamos falar.

É a velha história do “quando eu for magra eu vou” e aí complete a frase com qualquer outra ação: conseguir um emprego melhor, fazer a viagem dos meus sonhos, arrumar um namorado, usar aquela roupa, fazer tatuagem e, no caso da Marília Mendonça, cortar o cabelo.

Nesse caso do cabelo, esse assunto ainda vem com a carga de uma vida ouvindo que “pessoas gordas não combinam cabelo curto”. Sim, cabelos são a moldura do rosto, mas ainda assim não consigo estabelecer a tal relação. Inclusive acho de uma maldade absurda reproduzir esse tipo de pensamento, porque só é mais uma forma de gerar insatisfação.

Mas vamos voltar ao problema do “quando eu for magra”? Por que pensar assim é complicado? Porque a gente está sempre condicionando magreza à felicidade, sucesso, conquistas. A Jô falou sobre isso no seu vídeo com a Daiana Garbin, para quem ainda não viu:

E o outro problema que encontramos ao falar essa frase é que caímos na inverdade que pessoas gordas não são felizes. Essa convenção social, que infelizmente já virou uma crença, é um dos grandes problemas dos dias atuais. A ideia de que perda de peso virou sinônimo de sucesso e conquista e ganho de peso sinônimo de fracasso gera uma das maiores prisões que podemos reproduzir.

Além do problema do “quando eu for magra”, me deparei com uma outra coisa que eu considero problemática nesse meio. Uma resposta que ela deu para um seguidor, com uma outra frase que a gente já está cansada de ouvir e saber, mas que mesmo assim vale a pena conversar sobre:

marilia-mendonca-resposta-fa
Essa resposta sempre me assusta. Não foi ela que inventou esse termo, isso é outro discurso totalmente enraizado no mundo das dietas. E qual o problema dele? O preconceito que traz acerca dos obesos. Vira uma relação direta de que a pessoa só é gorda porque quer, porque não tem força de vontade, porque não se cuida, porque é relaxado (a). Como disse brilhantemente uma nutricionista colega Fernanda Pisciolaro no vídeo que também gravou com a Daiana Garbin, se você tentou um método por muitas vezes e ele não funcionou, falta de vontade é tudo que você não tem, senão você não teria tentado tantas vezes. Como sempre falamos, talvez seja o método que esteja equivocado, não você.

Então, da próxima vez que você tiver um pensamento no estilo “quando eu emagrecer”, repense os motivos dessa crença, se questione, porque por mais que tentem te fazer acreditar no contrário, a verdade é que FELICIDADE E EMAGRECIMENTO não são sinônimos. Será que você precisa atingir um objetivo de emagrecimento para fazer coisas que você tem vontade de fazer agora? Será que você precisa atingir um peso ideal para ser feliz? Um spoiler - e uma boa notícia - não.

E quanto à Marília? Vamos continuar curtindo as músicas dela que a gente sai ganhando mais.