Apesar de eu ser fã número 1 das amadas camisetas podrinhas, recentemente eu entrei em um caso de amor sério com blusas poderosas. Pode ser ombro a ombro, ter uma manga diferentona, decote “ombrinho gelado” ou como no look de hoje, com decote e manga aparecida!
Eu já mostrei parte dessa blusa quando contei que estava encantada com estampa de vichy p&b, e desde então eu não paro de ver esse tipo de xadrez em tudo que é loja. E mesmo tentada a comprar outras peças da mesma estampa, eu tenho certeza que já encontrei a blusa que eu queria.
Adoro usar com calça preta skinny, em um look mais noite e mais elegantezinho, daí outro dia fui tentar com short jeans e não é que eu gostei? Aproveitei para registrar exatamente o mesmo look que eu tinha usado outro dia com a Adriana Carolina, na sessão que fizemos na Rough Trade, uma loja de discos com espaço para shows e até mesmo um café aqui em Williamsburg, super linda e vale a visita para quem estiver pensando em dar um pulinho por essas bandas! <3
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Enquanto eu escolhia esse look para levar para a sessão, confesso que testei com um sapato de salto fino e ficou IN-CRÍ-VEL. Modéstia à parte, era o tipo de look que eu daria pin no Pinterest, eu fiquei me achando, me senti linda e tudo o mais. Só que aí eu parei para pensar se eu realmente queria fotografar um look que eu de fato não teria como usar por aqui. Acho legal ter fotos com produções diferentes, mais aspiracionais, mas eu realmente não estava no clima para isso.
Acho que ter levado o Arthur para a sessão ajudou nessa sensação de querer fazer algo mais a ver com o meu dia a dia. Aí literalmente botei meus pés no chão e preferi fotografar um look não tão incrível ou inspirador quanto o original, mas que tem tudo a ver com o meu estilo de vida atual.
E no fim ficou bem eu: confortável, prático e a blusa sendo o ponto poderoso entre o short jeans e a sandália. Melhor assim, né? :)
Eu sempre fui uma criança magrinha. Tinha as perninhas finas que pareciam 2 varetinhas. Além de finas, eram um pouquinho tortas! Meus braços então, nem se fala. Tão finos que pareciam que iam quebrar com um peteleco! Eu me sentia praticamente um ET.
Meus colegas na escola e vizinhos faziam questão que eu não esquecesse essa sensação. Me chamavam de Olívia Palito, pau de vira tripa, magricela, e por aí vai… Cresci odiando meu corpo.
Na minha adolescência, isso não foi diferente. Eu continuava magrinha. Pra vocês terem uma ideia, eu só ia para os bailes e festas de calça e de t-shirt. Eu fazia de tudo para cobrir meus ossos. Tinha pavor da minha “saboneteira” e das pernas finas e queria escondê-las acima de qualquer coisa!!! Eu achava que nenhum garoto iria me dar bola quando visse minhas pernas e meus ossos.
Tinha vergonha de ir à praia, piscina e tirar a roupa na frente dos outros. Sempre tentava me esquivar, virar de costas para expor meu corpo o menos possível.
No espelho, eu só conseguia enxergar os ‘defeitos’ que eu achava que tinha. Eu me comparava com outras meninas da minha idade e ninguém era tão magra quanto eu. Eu não conseguia enxergar uma menina saudável, apesar de eu ser.
Com 20 anos comecei a trabalhar e só ia de calça para o escritório. Não porque eu gostasse, mas porque queria esconder as minhas pernas. Nos meus primeiros 6 anos (!!) trabalhando, eu fui de saia 1 única vez e me senti super desconfortável.
Eu achava que todo mundo ia olhar para as minhas pernas do mesmo jeito que eu as olhava. Os possíveis olhares me lembrariam o quão finas elas eram. Isso me incomodava MUITO! Parece que por algum motivo eu me enxergava muito mais magra que eu era.
E as reuniões familiares? Sempre tinha um parente que falava “Nossa Paulinha, você está tão magrinha”. De repente achavam que estavam me elogiando, mas para mim, aquilo soava como uma crítica e tocava na minha maior ferida. Doía ouvir aquilo. E claro, pra mim, só reforçava o fato de eu realmente ser muito magra!!!
Claro que apesar de ser chamada de apelidos que me machucaram e ter me privado de muitas coisas, tenho consciência que ninguém nunca me atacou com palavras pesadas, ninguém nunca disse que eu era preguiçosa ou que não me cuidava por causa do meu peso. Eu nunca tive dificuldades em encontrar roupas em qualquer loja que eu entrasse e também nunca fui destratada por vendedoras por causa do meu corpo. Nunca passei por constrangimentos públicos.
Apesar de não ter sofrido nada disso, senti muita pressão de ter um corpo mais definido, mais parecido com os “padrões impostos“ pela sociedade, pelas revistas, mídias sociais, etc. Esses “padrões“ são muito cruéis com todas nós. Algumas mais, algumas menos, mas todas nós sentimos a pressão de alguma maneira.
Conforme eu fui ficando mais velha, fui mudando minha visão de mundo e da vida, meu corpo foi tomando mais forma e volta e meia alguns gramas a mais marcavam na balança. Lembro do dia que alcancei 40 quilos na balança. Que alegria!!!
Hoje eu AMO meu corpo. Mas como relatei, não foi sempre assim. Demorei anos pra chegar aonde eu estou hoje. O mais importante foi reconhecer que esse é o MEU corpo, e é o ÚNICO que eu tenho. Não há ninguém no mundo que tenha um corpo exatamente como o meu. Todos nós temos formas e corpos diferentes. Com isso, parei de me comparar com os outros e abracei a honra de ser única!!
Essa foto do artigo foi tirada quando eu tinha uns 14 anos. Eu a ODIAVA pois só conseguia enxergar a minha magreza excessiva. Deixei ela escondida por muitos anos numa caixa em cima do armário. Não queria nem ver.
Mais de 20 anos depois, achei a foto. Gente, eu me emocionei ao me ver ali. Me achei TÃO linda!!! Sabem o que eu vi? Vi uma jovem sorridente, alegre, saudável, cheia de vida. Uma gracinha! Chorei por não ter visto isso antes. Chorei porque vi o quanto eu me privei e me cobrei durante anos por me achar muito magra.
Isso me fez refletir: daqui há 20 anos quando eu estiver bem mais velha, eu vou olhar para as minhas fotos de hoje com carinho e vou sentir saudades desse tempo e do corpo que eu um dia tive. Por isso quero terminar esse texto te dizendo: SE AME HOJE. NÃO espere 20 anos para ver o quão linda e única você é.
Eu contei como consegui superar o meu complexo nesse vídeo aqui.
Se esse assunto te magoa demais, recomendo que você também procure ajuda profissional de um nutricionista e um terapeuta.
Outro dia estava conversando com algumas amigas sobre essa história de como desromantizar a maternidade publicamente tem sido bom e libertador. Falar sobre tudo aquilo que a gente queria ter ouvido ou lido antes de ter filhos nos ajuda a encarar essa tarefa de forma mais leve, com menos cobranças e obrigações. Até que uma delas fez a seguinte observação, que eu achei pertinente:
“o único problema de falar dos perrengues é que fica parecendo que ser mãe é apenas um eterno, interminável e cansativo perrengue”.
E a verdade é que ser mãe é perrengue mesmo, não tem palavra melhor pra definir. E a cada fase da criança o perrengue muda.Eu, por exemplo, estou na fase em que a casa arrumada fica de pernas pro ar no minuto seguinte que Arthur acorda. Que acho comida de 5 dias jogada atrás do sofá. Que tenho que esconder tudo em gavetas - devidamente trancadas com dispositivos à prova de crianças- e lugares altos para evitar as mãozinhas nervosas. Aliás, eu estou tendo que botar essas fechaduras em lugares estratégicos que nunca pensaria como banheiro (porque ele entra na banheira e abre a torneira - de roupa, claro, e geralmente quando estamos prontos pra sair) e lavanderia (porque ele desprograma a máquina e lá vamos nós ter que lavar a roupa toda de novo e um processo de 1 hora e meia dura 5 horas). To na fase dos ataques histéricos. Da independência. De fingir que não entende para não obedecer. To na fase das subidas nas cadeiras, no carrinho, no sofá - e quanto mais perto eu chego, mais ele quer fazer movimentos potencialmente perigosos.
Cansou? Eu cansei só de lembrar.
A foto tá fofa, mas no fundo eu tava mesmo era exausta enquanto ele tinha energia pra dar e vender. Foto por Adriana Carolina
Mas sabem o que me dá energia para encarar tudo novamente?
Porque eu também to na fase que ele vem espontaneamente dar um abraço. Que pega meu queixo para dar um beijo. Que solta gritos de alegria porque vê um pássaro, um avião ou um helicóptero (imaginem se um dia for o Super Homem? Ficarei surda). Que me ajuda a botar a roupa para lavar. Que me chama para brincar depois de um tempão brincando sozinho. Que sabe escolher qual programa quer ver no Ipad ou no Iphone. Que dá beijos e abraços no Jack. Que explora o brinquedo do parquinho e se sente muito orgulhoso quando desce sozinho no escorrega. Que topa tudo e é um super companheiro. Que gargalha gostoso e de verdade.
Eu reconheço todas as maravilhas e privilégios e eu me permito ficar orgulhosa de cada fase. Fico orgulhosa dele, fico mais ainda de mim. Saber reconhecer os sentimentos bons é uma delícia, dá um quentinho no coração, faz a gente acreditar por um momento que aquela foto clássica da mãe olhando a cria e babando por ela acontece 24 horas por dia.
Mas o que mudou a minha forma de encarar a maternidade de um jeito mais saudável foi me permitir.
Abraçar os perrengues, as felicidades, o amor e as frustrações por igual. Saber que faço tudo que está ao meu alcance, mas também me permitir ficar frustrada porque não consegui babá para que eu pudesse cortar e pintar meu cabelo, por exemplo. Sentir um amor que as vezes nem sei como cabe aqui dentro, mas não me julgar quando o que estou sentindo passa a ser uma vontade enorme de não ter ninguém dependendo de mim, nem que seja por apenas um dia.
E no fim, independente de você preferir apresentar uma visão romantizada ou desromantizada da maternidade, de encarar os perrengues de forma tranquila ou arrancando os cabelos, o que importa mesmo é sabermos de que somos todas boas mães(e nós somos, pode ter certeza).