1 em Autoestima/ Convidadas/ Moda no dia 17.08.2017

Sobre padrões e consultoria de estilo

A gente reproduz por aí um discurso de “padrão imposto” pela mídia e, de fato, são muitos os estímulos negativos que recebemos nesse sentido. O. Tempo. Todo.

Só que, pensa comigo, o padrão não tá sendo imposto no literal. Não tá na constituição. Ainda temos liberdade de ir e vir - com a roupa que for, de preferência. Aí eu paro e penso: estamos entrando de graça nas caixinhas que impõem pra gente, não acham?

Exercitando tolerância e amor com os outros é que a gente passa a ser mais tolerante e amorosa conosco. E o corpo em que a gente vive – hoje - deve ser motivo de muita gratidão. Ele te carrega por aí para ser e sentir cada coisa incrível, pensa só.

Se conhecer e vestir a camisa de quem se é de verdade rende muita segurança, mais e mais a cada dia. Mas não é fácil. Fácil mesmo é reproduzir comportamento imposto, seguir listinha de pode/não pode, de tem-que-ter e correr atrás de tendências que não falam nada sobre quem a gente é, sendo apenas atestado de posse de um cartão de crédito.

Na consultoria de estilo, profissão que aprendi recentemente e estou colocando em prática, aprendemos muitas ferramentas para lidar com quem somos, com o corpo que temos e com a vida que a gente vive. Com ilusão de ótica, melhores caimentos, melhor cor e tecidos a gente direciona o olhar do outro para onde nós mesmas nos olhamos com mais amor <3.

Mas pode acontecer de detectarmos aspectos nas análises técnicas (de cor e proporções ideais para a silhueta) que não têm impacto direto com a personalidade da cliente e com as mensagens que ela quer passar pro mundo. E aí?

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Pensa em uma mulher de pele, cabelo e olhos bem clarinhos, coisa meio angelical. Quase certo que sua cartela ideal será bem clarinha e de baixo contraste também. Mas e se essa mesma pessoa tiver uma personalidade fortíssima, voz grossa, presença (de alma) e de quebra uma profissão em que precisa traduzir essas qualidades em elementos visuais? Como eu, enquanto consultora de estilo, vou orientar que ela se vista de rosa bebê? Não dá!

E se for uma pessoa fora do tal padrão, que AMA seu corpo, se aceita como é e tem isso como parte importante da personalidade e das mensagens que quer passar no vestir? Para quê vou ensiná-la a disfarçar seu quadril, seios ou sobrepeso com truques visuais? Não tem propósito.

Como profissional de consultoria a gente aprende um monte de ferramenta bacana e sabe as regras, mas as vezes descobrimos que mais do que seguí-las, muitas vezes é sobre ensinar a cliente a burlar algumas dessas regrinhas.

Porque mais do que roupa, consultoria de estilo é sobre gente (de verdade!).

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1 Comentário

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    Tamara Louro
    19.08.2017 às 2:29

    E vamos substituir consumo por autoestima pra sempre! E ser feliz todos os dias com o que a gente carrega e não apenas quando estivermos com a sacola de compras! Adorei!

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