Essa semana só se falou em uma coisa: o peso da Rihanna. Por causa das pre estreias de Valerian, filme que ela está participando, a cantora apareceu em alguns tapetes vermelhos pela Europa, e qual não foi a minha surpresa ao me deparar com milhões de comentários ofensivos sobre ela estar gorda.
E se você imagina que estou falando de revistas e portais de notícia, é aí que a surpresa fica maior ainda. Quase não cruzei com aquelas famosas matérias que deveriam noticiar um acontecimento mas metem o corpo das celebridades (mulheres apenas, claro) no meio da notícia. Claro que vocês sabem do que eu estou falando, afinal quem nunca cruzou com um link cujo título parecia com esse?
Pois é, dessa vez eu mal vi isso. Nos perfis do Instagram de várias revistas e perfis de fofoca vi posts noticiando apenas que ela vestia estilista X e estava ali para a pré estreia de seu filme e ponto final. E tudo estaria lindo se não fossem os comentários. Me desiludi muito e por um momento até entendi porque tanto veículos se mostram resistentes a incluírem mulheres de todos os tipos físicos em suas publicações. Afinal, como se encorajar quando aparece esse tipo de comentário em uma publicação?
99% dos comentários que eu li nesse naipe foram de…MULHERES. E aí vocês me respondam: como uma revista consegue quebrar o padrão se teoricamente seus seguidores - e supostos consumidores - fazem comentários como esses?
Se formos ver os comentários nas fotos que a cantora postou, que supostamente deveriam ser de fãs dela ou admiradores de seu trabalho, mais um choque. A premiere que ela estava divulgando? Ninguém estava nem aí. Até quem deveria estar elogiando, estava chamando-a de “gorda mas continua rainha” ou então “parabéns, hot mama, com esses peitos e essa cara redonda, certeza que está grávida!”.
Nessas horas eu me desanimo e penso como parece que nós, com nosso #paposobreautoestima e continuamente falando sobre a aceitação e a celebração de todos os corpos, perdendo nossos medos de postarmos fotos de biquini ou com gordurinhas aparecendo e recebendo tanto feedback positivo e encorajador de volta, estamos vivendo numa bolha.
É triste ver que a gente luta tanto para um padrão ser quebrado, mas a ditadura da magreza ainda está tão enraizada que é só uma celebridade conhecida por ter um corpo magro sair um pouquinho desse padrão (e um pouquinho mesmo, porque pra mim Rihanna continua sendo magra), que é recebida com comentários como esses que eu postei acima e tem seu trabalho eclipsado pelo número - que ninguém sabe qual é, acho válido lembrar - na balança.
Rihanna vai continuar sendo uma ótima cantora e um verdadeiro mulherão da porra independente do seu peso, então por quê dar tanto valor à isso? Enquanto isso continuar gerando polêmica ou pauta, enquanto comentários como esses que eu botei aqui continuarem acontecendo, ainda veremos mulheres com todos os tipos de corpos se achando inadequadas. E onde isso tudo vai nos levar? À eterna insatisfação.
E eu termino esse texto com a conclusão mais direta e bem colocada que eu li sobre o assunto até agora, feita pela Miriam Bottan (quem não segue, comece agora, @mbottan).


