Mais um texto traduzido que eu achei por aí, dessa vez um artigo da Marie Claire! Eu amava Jovens Bruxas quando era mais nova - e acho que agora eu entendi um pouco o motivo!
Se você cresceu nos anos 90, provavelmente vai lembrar de ter assistido (e amado!) Jovens Bruxas. Era o filme para todas nós. As outras. As deslocadas. Era para meninas que não conseguiam se identificar com as personagens de “Patricinhas de Beverly Hills”, mas ainda estavam à procura de uma representatividade autêntica nas telas.
Pelos padrões de 2016, Jovens Bruxas inicialmente não aparenta ser um trabalho audiovisual feminista. Mas para uma adolescente em 1996 que estava na dúvida qual era seu lugar no mundo, esse filme representou em um nível profundo e poderoso. Jovens Bruxas celebrava a garota não convencional. Encorajou adolescentes a esquecerem o medo constante de não se encaixarem e abraçou o poder de ser diferente. E chegou nos cinemas em uma época em que os filmes não representavam as peculiaridades femininas.
Aliás, os anos 80 e 90 foram prolíficos para exaltar o menino estranho (vide filmes como Vida Sem Rumo, Conta Comigo e Goonies) mas as representações de jovens femininas eram limitadas à papéis tradicionais de cuidadoras (como The Babysitter’s Club). Em raras ocasiões uma mulher peculiar era representada - como Allison em Clube dos Cinco ou Tai em Patricinhas de Beverly Hills - e seus diferenciais eram eclipsados por garotas populares e mudanças de estilo.
Mas o que realmente distanciou Jovens Bruxas foi sua brilhante desconstrução da metáfora da bruxa velha. Há muito tempo bruxas têm sido retratadas como mulheres horríveis, intimidadoras e sedentas de poder que queriam mais do que os homens davam para elas. Bruxas são a forma mais fácil de descrever “mulheres horríveis”, mas o escritos de Jovens Bruxas, Peter Filardi, resolveu mudar isso em sua cabeça. Ele usou a bruxaria como ferramenta de empoderamento feminino ao invés de usá-la como uma forma de intimidar mulheres a obedecerem o patriarcado.
Graças a essa mudança de significado, Jovens Bruxas conseguiu não só representar mas popularizar um tipo de menina que estava sendo ignorada até então no cinema. As personagens principais realmente acreditavam que serem taxadas de estranhas era legal - ou pelo menos mais empoderador do que ser popular - e o filme provou que a) tem um grande espaço para filmes sobre mulheres “deslocadas” b) personagens femininas fortes podem lotar os cinemas. Depois de seu lançamento, cinemas foram invadidos por uma onda de filmes adolescentes que celebravam meninas deslocadas: As Virgens Suicidas, Da Magia à Sedução, Um Crime Entre Amigas - e esses temas também podem ser encontrados em Charmed, série de TV que durou anos.
Claro que as deficiências de Jovens Bruxas ficam óbvias quando revemos sob as lentes de 2016, e várias partes do filme não são particularmente feministas (cof, cof, fazer feitiços para fazer um cara se apaixonar por você). Mas mesmo assim quebrou barreiras ao mostrar para meninas adolescentes o poder da sororidade e a importância de desafiar papéis de gênero.
Como todo classico cult, vai rolar um remake - e enquanto poderá ser uma decepção para os fãs mais apaixonados, Joves Bruxas é um ótimo tema para ser revisitado. O esqueleto de um filme feminista está ali, deixando uma oportunidade para contar a verdadeira história empoderadora do que acontece quando meninas se apoiam.
- por Lisa Lagace






