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2 em entretenimento no dia 04.11.2016

Poderia ter escrito: “Como Jovens Bruxas mudou o jogo de filmes direcionados à meninas adolescentes

Mais um texto traduzido que eu achei por aí, dessa vez um artigo da Marie Claire! Eu amava Jovens Bruxas quando era mais nova - e acho que agora eu entendi um pouco o motivo!

Se você cresceu nos anos 90, provavelmente vai lembrar de ter assistido (e amado!) Jovens Bruxas. Era o filme para todas nós. As outras. As deslocadas. Era para meninas que não conseguiam se identificar com as personagens de “Patricinhas de Beverly Hills”, mas ainda estavam à procura de uma representatividade autêntica nas telas.

style1996

Pelos padrões de 2016, Jovens Bruxas inicialmente não aparenta ser um trabalho audiovisual feminista. Mas para uma adolescente em 1996 que estava na dúvida qual era seu lugar no mundo, esse filme representou em um nível profundo e poderoso. Jovens Bruxas celebrava a garota não convencional. Encorajou adolescentes a esquecerem o medo constante de não se encaixarem e abraçou o poder de ser diferente. E chegou nos cinemas em uma época em que os filmes não representavam as peculiaridades femininas.

Aliás, os anos 80 e 90 foram prolíficos para exaltar o menino estranho (vide filmes como Vida Sem Rumo, Conta Comigo e Goonies) mas as representações de jovens femininas eram limitadas à papéis tradicionais de cuidadoras (como The Babysitter’s Club). Em raras ocasiões uma mulher peculiar era representada - como Allison em Clube dos Cinco ou Tai em Patricinhas de Beverly Hills - e seus diferenciais eram eclipsados por garotas populares e mudanças de estilo.

Mas o que realmente distanciou Jovens Bruxas foi sua brilhante desconstrução da metáfora da bruxa velha. Há muito tempo bruxas têm sido retratadas como mulheres horríveis, intimidadoras e sedentas de poder que queriam mais do que os homens davam para elas. Bruxas são a forma mais fácil de descrever “mulheres horríveis”, mas o escritos de Jovens Bruxas, Peter Filardi, resolveu mudar isso em sua cabeça. Ele usou a bruxaria como ferramenta de empoderamento feminino ao invés de usá-la como uma forma de intimidar mulheres a obedecerem o patriarcado.

Graças a essa mudança de significado, Jovens Bruxas conseguiu não só representar mas popularizar um tipo de menina que estava sendo ignorada até então no cinema. As personagens principais realmente acreditavam que serem taxadas de estranhas era legal - ou pelo menos mais empoderador do que ser popular - e o filme provou que a) tem um grande espaço para filmes sobre mulheres “deslocadas” b) personagens femininas fortes podem lotar os cinemas. Depois de seu lançamento, cinemas foram invadidos por uma onda de filmes adolescentes que celebravam meninas deslocadas: As Virgens Suicidas, Da Magia à Sedução, Um Crime Entre Amigas - e esses temas também podem ser encontrados em Charmed, série de TV que durou anos.

Claro que as deficiências de Jovens Bruxas ficam óbvias quando revemos sob as lentes de 2016, e várias partes do filme não são particularmente feministas (cof, cof, fazer feitiços para fazer um cara se apaixonar por você). Mas mesmo assim quebrou barreiras ao mostrar para meninas adolescentes o poder da sororidade e a importância de desafiar papéis de gênero.

Como todo classico cult, vai rolar um remake - e enquanto poderá ser uma decepção para os fãs mais apaixonados, Joves Bruxas é um ótimo tema para ser revisitado. O esqueleto de um filme feminista está ali, deixando uma oportunidade para contar a verdadeira história empoderadora do que acontece quando meninas se apoiam.

- por Lisa Lagace

5 em entretenimento no dia 24.06.2016

Filminho: O Começo da Vida

Desde que esse filme entrou no catálogo do Netflix, no dia 5 de Maio, muita gente estava me indicando e pedindo para que eu visse logo. Final de Maio eu já tinha visto e essa semana revi de novo, com o Bernardo. Como eu sei que tem muitas leitoras grávidas ou mães por aqui, achei que fazia sentido repassar a indicação!

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O Começo da Vida é um documentário que fala sobre os primeiros 1000 dias de vida de crianças de diferentes lugares do mundo para mostrar como a importância da formação de cada pessoa nesses primeiros anos. A diretora Estela Renner filmou em oito países diferentes e reuniu entrevistas com vários educadores, psicólogos e diversos tipos de família, o que só ajudou a enriquecer ainda mais o debate sobre como educar uma criança.

Ele aborda os mais diversos tipos de assunto, desde incentivar brincadeiras e dar uma certa liberdade para os pequenos explorarem sua criatividade até discussões sobre licença maternidade/paternidade. Uma das partes que eu mais gostei foi sobre o papel do pai como responsável pelo filho. Apesar do Bernardo ajudar desde o início, uma frase de uma mãe entrevistada me marcou muito. Ela disse que quando precisava do marido para cuidar do filho, ela não o chamava pedindo ajuda pois o que ele está fazendo não é ajuda, é uma responsabilidade igual à da mãe.

Como eu estou passando uma fase de transição e adaptação por aqui, em que não estou mais com ajuda da babá (aliás, quem estiver precisando de babá em SP, me avisa que eu dou a indicação dela :) ) e decidi que provavelmente só vou colocá-lo em um day care ou algo do tipo quando ele tiver mais ou menos 1 ano e meio, achei que esse filme abriu minha cabeça em vários momentos.

https://youtu.be/9NtUHLktmGc

O único ponto que me incomodou um pouco é que em vários momentos eu senti que o foco foi naquela maternidade romantizada que a gente sempre tenta desconstruir, como se as pessoas mudassem completamente assim que virassem pais, e não é bem assim que acontece. Pelo menos aqui essa transição de pessoas para pai/mãe nem sempre foi tão fácil quanto sugerem no filme. Senti falta do depoimento de uma mãe que não se sentiu tão completa apenas exercendo a maternidade, da família que demorou para o pai se adaptar e encarar todas as suas responsabilidades como pai ou dos pais que não conseguiram ser tão lúdicos nas brincadeiras mas arranjaram uma saída para lidar com isso.

Tirando o isso, o filme vale muito a pena ser visto. Eu sou a louca dos documentários, brasileiros, gringos, tanto faz. O que me chamou atenção nesse é que Estela conseguiu criar um documentário internacional, que facilmente poderia vir de qualquer lugar do mundo. Quem tem Netflix, pode clicar em Play ainda hoje! :)

Beijos!

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7 em Comportamento/ entretenimento no dia 21.06.2015

Filmes da Sil: Lugares Escuros

“Eu tenho uma maldade dentro de mim, real como um órgão.” é com essa autodescrição que Libby Day começa a contar sua história no livro “Lugares Escuros”, de Gillian Flynn. Livro que, infelizmente, não consegui acabar de ler antes de ver o tão esperado filme, que estreou nessa quinta feira nos cinemas. Se vocês estão achando semelhante com alguma coisa que já leram antes aqui no blog, estão certas: Gillian também é autora de “Garota Exemplar” (que li por “culpa” da Carla) e “Objetos Cortantes” (que já está em pré-produção para virar filme).

lugares-escuros(fotos: Paris Filmes/divulgação)

Já comentei aqui quando falei de “Mad Max: Estrada para a Fúria”, sobre o quanto eu adoro a atriz Charlize Theron. Bem, ela é a protagonista desse filme de suspense e, para variar, não decepciona. Além dela, Christina Hendrix - outra dessas atrizes que adoro e que fazia o papel de Joan em Mad Men - que interpreta a mãe da família Day. O elenco ainda conta com Nicholas Hoult, Chloë Grace Moretz e Corey Stoll - que fez House of Cards - no papel de Ben Day.

Se eu tive minhas implicâncias iniciais com as escolhas de Ben Affleck e Rosamund Pike em “Garota Exemplar”, a dupla Charlize e Christina já bastavam para me fazer assistir qualquer filme - acho que até uma comédia dessas bem idiotas, risos! Quando soube também que esse era mais um filme baseado em um livro de Gillian - eu sou do time que achou “Garota Exemplar” brilhante - é óbvio que parei tudo que estava lendo, me atraquei no livro “Lugares Escuros” e comecei a contagem regressiva para a estréia do filme.

Se em “Garota Exemplar” a escolha de diretor foi por David Fincher, um diretor experiente e bem elogiado; “Lugares Escuros” foi dirigido pelo francês, Gilles Paquet-Brenner, que só começou a sua carreira em 2001. A história conta a trajetória de Libby Day, única sobrevivente de um massacre ‘satânico’ em sua casa, que mata sua mãe e duas irmãs. O assassino? Seu irmão Ben, um adolescente não muito popular. Libby sobrevive ecoloca o irmão na prisão, fato que ela decide não confrontar durante quase 30 anos.

São os detalhes que contam a história além da narrativa: Libby aparece o filme inteiro com a mesma roupa, deixando claro que desde a sua infância, ela continua vivendo com pouco dinheiro. Apesar de serem os únicos a herdarem os olhos azuis da mãe Patty - no livro são os cabelos ruivos - Libby e Ben também teriam herdado o ‘sangue Day’ do pai, o responsável pela maldade que corre na veia de ambos. Além disso, os dois têm uma certa vergonha de serem da pobre família de fazendeiros endividada e uma certa atração por tingir os cabelos. Apesar de Ben ser um adolescente frio e satanista, ele tem uma forte ligação com a pequena Libby e isso é o suficiente para que ela não seja mais uma de suas vítimas.

lugares-escuros-2Mas o que irá acontecer quando Lyle - personagem de Nicholas Hoult - aparece na vida de Libby e faz com que ela se confronte seu passado? Para isso Libby se junta ao “The Kill Club” (algo como Clube da Morte), onde pessoas se reúnem para debater histórias de assassinatos, como o famoso caso da Família Day.

Gillian não decepciona na história e Gilles entrega um filme redondo. Eu assisti a cópia enviada pelo estúdio que não tinha legenda e tinha qualidade baixa - mas foi uma enorme vitória, afinal foi minha primeira cabine de imprensa oficial - então, confesso que tive uma certa dificuldade de compreender um pouco o sotaque dos atores (especialmente o de Nicholas) em alguns momentos, mas a verdade é que apesar disso, eu não perdi nada do filme.

lugares-escuros-3Posso ser suspeita, mas confesso que Christina me surpreendeu como a nada exuberante Patty Day. Para quem estava acostumada a vê-la poderosa, feminista, elegante e sempre com cara de rica e dona de si; a fazendeira pobre, espancada pelo ex-marido, em conflito de como criar um filho adolescente e mais três meninas, sempre com voz baixa e meio submissa, foi uma surpresa.

Charlize é Charlize, não se parece em nada com a descrição da Libby do livro mas isso importa? A força e a fraqueza que demonstra na tela é impressionante. Chloë, Nicholas e Corey também se saem bem em papéis não menos importantes - acho que o personagem de Nicholas, Lyle, foi reduzido no filme, mas não perde sua relevância. Só não podemos esquecer que Gillian é dessas autoras que parecem conhecer o que existe de pior dentro das pessoas e saber como colocar para fora em suas personagens. “Lugares Escuros” é um excelente filme, e recomendo até para as que não curtiram tanto “Garota Exemplar”, afinal Gillian me parece uma raridade: uma autora de suspense versátil.

Beijos

Sil