Vamos falar de uma forma de espalhar amor no Instagram? Não estou falando de fotos com o boy, selfie com o cachorro ou registros com crianças fofas. Tudo isso é bem lindo, mas dessa vez estou falando de outro amor, o amor próprio.
Semana passada lançamos a nova casa do futi e vocês conheceram nosso novo slogan: Um papo sobre autoestima. Nós duas já sabíamos que esse seria o nome há algum tempo, a Carla estava para criar o grupo no face e eu “inocentemente”, no dia 10 de outubro de 2016, fiz um post falando do meu cabelo e da minha relação com a minha autoestima no insta e usei pela primeira vez a #paposobreautoestima.
Foi mais ou menos nessa época que eu comecei a alinhar nossos pensamentos para entender qual o nosso posicionamento na vida. De lá para cá fui me jogando nas postagens com #paposobreautoestima e compartilhando um pouco de como é minha relação comigo mesma, por dentro e por fora. Coisa que quem lê o blog há mais de dois anos sabe um pouco.
Algumas coisas já estão muito claras: não gostamos de viver num mundo onde só há um padrão de beleza incentivado pela mídia, pelas redes sociais, pelas famílias e por nós mesmas. Padrões precisam ser quebrados para que a opressão diminua e cada uma possa descobrir quais das ferramentas disponíveis no mundo da beleza de fato fazem bem à si mesma, tirando da conta aquela necessidade de ser perfeita o tempo todo. Hoje quero tirar da minha vida o medo de ser inadequada. Quero dar fim a neuroses tipo aquele quilinho extra que a gente perde por causa do boy. Se for perder, que seja por mim, não porque tenho vergonha de postar uma foto como sou no meu insta.
Aqui no blog a proposta é pensar da seguinte forma: você quer mudar? Ótimo, mas mude por você. Todo mundo pode se sentir incomodado com algo no seu corpo e querer mudar esse algo, mas vale sempre se perguntar: por quem eu estou fazendo isso? Qual é o gatilho dessa mudança? Qual o propósito?
Eu pessoalmente tendo a acreditar que se formos a fundo nessas perguntas quase sempre vamos ver o meio externo nos influenciando, o que a meu ver é a parte mais delicada de tudo isso. Porque como diz minha amiga Nina Ribeiro: nós vivemos na sociedade em que fomos criadas (estou tirando a frase do contexto dela, mas esse ponto existe para o bem e para o mal). Propor o questionamento é muito legal, mesmo que não mude sua decisão final, só para entender o quanto hoje somos reféns do que entendemos como imposto pelo outro para se sentir adequada.
Não acho que existam respostas certas generalizadas. Acho que cada pessoa vai encontrar aqueles elementos que vão trazer libertação no espelho, para cada uma será uma coisa diferente.
Dito isso, entra o segundo ponto: quer perder peso? Operar o nariz? Tirar as estrias? Legal, vai fundo, mas faça isso com saúde, com consciência e amorosidade, sem paranóias. Se olhe nua todo dia no espelho e pergunte: o que eu gosto no corpo que eu tenho hoje? No meu caso a resposta seria: amo meu cabelo, meu bumbum e as curvas. Com 15 kg a menos eu não consiga me amar nem um terço disso.
O que mudou? A cabeça, a minha relação com a minha autoestima e a forma como eu encaro o espelho.
Um dia minha terapeuta me disse: por que você é tão dura com você mesma? Você se joga para baixo e se prende em crenças limitantes. Vamos dar um voto de confiança para o universo? Vamos vibrar diferente e ver o que acontece?
Pois bem, os últimos 20 meses aconteceram, os melhores 20 meses dos meus 30 anos.
Joana, mas qual foi o segredo? Eu ainda quero mudar, voltar a vestir as roupas todas do meu armário, mas não quero ter um corpo que não combina com meu estilo de vida e com meu biotipo. Hoje eu entendo que posso ter que mudar várias coisas para alterar meu contexto, mas seja lá qual for a mudança que eu venha a fazer, será com total acolhimento com o corpo, a mente e o coração que tenho aqui agora, no hoje. Não condicionando a felicidade para amanhã.
Quando comecei a desconstruir verdades que antes eram absolutas sobre mim mesma entrei num processo de compreender que não existe unanimidade. Independente do peso na balança: meninas magras e gordas levam fora, meninas magras e gordas são rejeitadas por clientes e por aí vai. Se a gente ajustar o olhar, vamos ver que temos muitas crenças que nos limitam.
“Quando eu emagrecer vou me vestir melhor no trabalho”, “quando eu operar o nariz vou tirar foto de perfil”, “quando eu tirar as estrias vou por o biquini” ou a mais comum do mundo “quando eu ficar magra vou arrumar um namorado”.
Se a gente não mudar a cabeça, fazendo a mudança física ou não, nada disso vai acontecer. A minha história e os depoimentos que leio todos os dias provam isso quase numa conta matemática.
As pessoas mais lindas e sexys que eu conheço se vestem de si mesmas, são seguras. E é isso que queremos propor para todas nós: que nos tornemos mais seguras de nós mesmas, das versões de hoje. Independente do que planejamos para o futuro.
Essa # que parece coisa boba me ajudou a ficar mais segura. Foi nela postei minha primeira foto de maiô, fotos sem nenhum retoque, foto de lingerie e foto da parte do meu corpo que menos gosto DESDE SEMPRE, que é de uma gordura localizada nas costas. Curioso, foi a foto com mais likes da minha vida e a legenda que mais rendeu comentários para mim também. Não me vi mais sozinha nessa hora.
Para ler minha legenda e os comentários clique aqui.
Com todo o trabalho de compartilhar minha história na #paposobreautoestima e no grupo comecei a ver outras mulheres incrivelmente inspiradoras se jogando no mesmo movimento. Primeiro no grupo. Quantas mulheres sensacionais estão lá de biquini, sem atender a padrão algum contando como vêm tentando se sentir bem consigo mesmas. Depois no instagram - e isso me surpreendeu muito, por essa eu não esperava. Diferentes mulheres começaram a espalhar a ideia, tirar ele daquele ambiente fechado. A proposta de lançar um novo olhar sob si mesma começou a chegar nos seguidores de cada uma. Em quase todas as legendas haviam mensagem de libertação.
Nossa, acho que foi uma das poucas vezes nesses 7 anos que meu trabalho me arrancou lágrimas. Quando eu vi mulheres de todo tipo: influenciadoras ou não, brancas e negras, magras e gordas, novas e não tão novas, todas contando pro mundo que agora ia ter liberdade e eu fiquei completamente emocionada. Por ver o mundo caminhando contra a corrente, com legendas que mostram pessoas que não querem mais ser reféns do inatingível, que ainda querem se sentir melhores consigo mesmas mas já olhando com uma ótica menos rígida no espelho.
Hoje não estamos propondo uma guerra contra o exercício, a boa alimentação, a maquiagem ou qualquer coisa que consideremos ajuda nesse processo. Estamos só começando a sugerir que olhemos para essas ferramentas como auxilio, caso tenhamos vontade de usá-las, não mais para sermos reféns delas.
Vamos nessa?
Beijos
Jô



4 Comentários
Alicita
10.01.2017 às 11:16A hashtag #paposobreautoestima é a coisa mais libertadora do ano de 2017 pra mim.
<3
Não vou me alongar no comentário, Jô, porque você já sabe como eu me sinto em relação à sua forma de se expor e nos mostrar o que há de melhor dentro de você. E você foi ajudando diversas mulheres (eu inclusa) a começar a nos olhar com olhos de amor e não de crítica!
OBRIGADA! Essa é a melhor hashtag do instagram :)))
Beijos
Joana
10.01.2017 às 15:50Olha, depois do nosso papo por DM ver a sua foto no insta me deixou EMOCIONADA.
Eu espero que todo esse projeto toque muitas, mas muitas vidas, como ta tocando as nossas!
Ana Luiza Palhares
10.01.2017 às 13:43Vi tanta libertação nesse grupo que fico até emocionada. Parabéns pela iniciativa! Adorei compartilhar um pouquinho da minha história.
Joana
10.01.2017 às 15:50Obrigada por todo carinho, mesmo!