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2 em Comportamento/ crônicas/ Relacionamento no dia 05.05.2016

Crônicas da Jô: refém de si mesma!

Giovana é o tipo de garota que está sempre correndo. Refém do trabalho 24 horas por dia, 7 dias por semana e 30 dias por mês, ela tem 365 pepinos para resolver todo ano e nem nota que eles estão passando enquanto ela vive essa vida caótica que escolheu pra si.

O trabalho começou como sua maior motivação. Ela queria ter uma vida especial e os frutos colhidos no trabalho poderiam proporcionar isso a ela. Todo mundo se admirava com seu foco e determinação e as pessoas próximas realmente acreditavam quando ela dizia que esse caminho a levaria a realizar seus sonhos de ter uma casa legal, fazer viagens maravilhosas e ser independente. E de fato ela conseguiu muitas coisas através do seu esforço.

O problema começou quando os sonhos ficaram pelo caminho. Primeiro eles ficaram para amanhã, depois para daqui a um ano ou anos pra frente. Os contratos viraram seu maior passatempo, as roupas de escritório seu uniforme por tempo integral e as bolsas de marca seu maior troféu, afinal, elas eram a prova física do quanto era bem sucedida.

Entre uma série de acessórios da Prada, Chanel e Fendi não se encontravam sorrisos. Entre dezenas de saias lápis não tinha uma roupa confortável. Para ela, aplicativos de comunicação não eram uma forma de ficar mais perto de quem ela gosta, eram apenas ferramentas de trabalho, meios de comunicação onde se discutem cláusulas, prospecção de novos clientes e viagens da empresa. Enquanto isso, em seus grupos de amigas pipocavam save the dates de chás de panela, despedidas de solteira, casamentos. Todo mundo sabia que provavelmente ela não compareceria aos chás e despedidas mas que iria estar presente, mais linda do que nunca, no grande dia. Estaria lá, por mais que estivesse sempre cansada e dançar até o chão fosse algo tão raro quanto jantar com as amigas.

Entre tantos embarques e desembarques já era vaga pra ela a sensação de dormir na sua própria cama, que a esperavam com lençóis de mil fios que ela trouxe de Miami arrumados sobre o colchão top de linha. São Paulo já não parecia lar, parecia ponto de parada entre uma chegada e uma partida. Outro dia, entre uma aterrisagem da TAM e um novo check in na GOL, ela foi em casa tão rápido que só teve tempo de deixar uma mala e pegar a outra que já estava pronta.

Ela finge que não vê o tempo passando, também prefere acreditar que é absolutamente normal ter um apartamento de cinema nos Jardins e não aproveitá-lo. Nesse mês ela dormiu 8 dias em casa, viu a mãe durante um almoço de domingo, mas não foi encontrar o pai no fim da tarde porque tinha que revisar um documento para segunda-feira. O carinha que ela encontra casualmente e suas amigas? Encontrou zero vezes.

Acho que para sobreviver ela parou de acreditar no meio termo, que dá para ser bem sucedida, realizada e ter uma vida. No universo dela só existem as workaholics e as que não são “tão competentes”, mas todo mundo sabe que existem muito mais do que cinquenta tons de cinza entre o preto e o branco.

Ao querer fazer dinheiro, ela se pegou refém do ganhar dinheiro e esqueceu quais sonhos a levaram a ir às batalhas em primeiro lugar. Em algum momento ela foi engolida por algo que não era exatamente o que buscava e nem percebeu. Os sonhos da sociedade se tornaram os dela, o inconsciente coletivo tirou o espaço dos seus desejos. Quando ela menos notou, já estava ali, vivendo em automático.

Não haveria nada de mau nessa vida se eu realmente visse a Giovana confortável com suas escolhas, se o sucesso fosse seu ponto de chegada, mas a verdade é que nas palavras dela, esse era apenas o meio de fazer as coisas acontecerem.

Quando ela viu, seus sonhos se transformaram em metas que o mundo esperava dela: segurança, casa, viagens e compras. Por muitas vezes esses são investimentos altos que ela faz e se tornam maiores ainda quando ela paga por tudo isso e não aproveita quase nada. Hoje eu diria que tempo é o único luxo que ela realmente não consegue comprar.

No fim das contas, ela tem uma louça linda, facas especiais, um sistema de som na sala que é maravilhoso, mas ela não tem tempo de aprender a cozinhar. Ela chega morta entre tantos voos e acaba pedindo comida no primeiro restaurante que ela vê que está aberto na hora que ela chega em casa. Vive sozinha, cansada e acreditando que isso é temporário.

Acho que o maior pesadelo da Gio é pensar nas consequências das suas escolhas.

Todo mundo acha que é mentira quando ela diz que tem inveja da minha vida, dizem que é coisa de irmã e que ela está fazendo charme, mas a verdade é que eu acredito que essa brincadeira tem um fundo de verdade. Por mais que eu não tenha um terço do que ela tem, eu tenho consciência de muito do que cerca minha vida e tenho tempo para aproveitar amigos e momentos.

Claro que não acho que a Giovana seria feliz levando a minha vida, eu sou a filha caçula sem grandes ambições que escolheu uma vida mais leve, metida a bicho grilo, sem tantos luxos e oportunidades. No entanto, só queria que a Giovana tivesse tempo de aproveitar a vida que ela mesma conquistou.

Por mais que ela tenha conseguido a independência que sempre sonhou, ela se viu completamente dependente do mundo de ilusões que ela impôs pra si mesma, onde ela tem tudo e vive nada.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

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Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

12 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 03.05.2016

Relacionamento: e se você soubesse que é a última vez?

Quando o assunto é amor, paixão ou tesão sempre me pergunto se as pessoas sabem quando vai acontecer o último suspiro de cumplicidade. Se tem algo que aprendi no último ano - para não dizer em toda a minha vida - é que por mais racionais que nós sejamos, a gente nunca sabe quando vai ser a última vez que vamos expressar fisicamente o que sentimos por alguém, principalmente de forma natural e espontânea.

As vezes a gente até sabe que está em crise, que tem um problema para resolver, mas ninguém nunca vai te dizer que aquele vai ser seu último abraço. A verdade é que provavelmente faríamos tudo diferente se soubéssemos que aquela é a última chance de manifestar algo bom que sentimos pela outra pessoa.

Me dei conta disso outro dia. Por mais que eu tenha certeza que não gostaria de mudar nenhum status de “fim” no meu currículo, talvez tivesse gostado de ter apreciado com carinho os últimos momentos das minhas relações mais importantes.

Minha última carta de amor foi sem saber que ela seria a última, todo último beijo que eu dei foi sem saber o que estava por vir. O último abraço, a última tarde de domingo junto, o último sexo ou mesmo a última vez que usei emojis de coração. Se eu soubesse que esse era o último pedaço do bolo teria dado mais valor, por mais que eu nunca mais quisesse repetir aquele sabor de recheio.

Acho que esse texto vai destoar da mensagem de desapego que venho trazendo aqui no blog, mas a verdade é todo mundo pode ficar meio nostálgico de vez em quando. Acho que nem precisamos estar sentindo saudade de ninguém pra que isso aconteça, as vezes só queria ter uma “última memória” mais especial, ou então menos ordinária de algo ou alguém.

Sempre que me despeço de uma viagem o faço de todo o coração, porque sei que é o fim de um tempo. Mesmo que eu volte, provavelmente não serei quem sou agora, o que me leva a um fim consciente. Com pessoas é mais difícil fazer isso.

Ontem, ao arrancar as páginas usadas de um caderno, dei de cara com o rascunho da última carta de despedida que escrevi, pior é que nem entreguei pois preferi resumir os tópicos em uma conversa. Me dei conta que no encontro anterior àquelas palavras de fim eu não tinha certeza do que estava por vir. Será que eu teria chegado mais cedo na casa dele? Será que teria aproveitado melhor o café da manhã que ele fez? Teria dado mais um abraço apertado? Teria guardado uma memória mais gostosa? Nunca vou saber.

Na minha vida sempre comi deixando o melhor pedaço para o final, mas na minha vida amorosa nunca foi assim. Não me arrependo de ter pulado fora das minhas histórias, muito menos me incomodo com as vezes que levei algum tipo de pé na bunda. Acho que todo fim aconteceu na hora certa, em todos os casos, nas mais diversas situações, mas queria ter a sensação de que me despedi à altura das pessoas mais importantes que cruzaram meu caminho.

Em 2008 tive uma grande paixão (dessas bem doidas, que não fazem o menor sentido). Ele me roubou um beijo em um dia aleatório durante um tempo que passei na Espanha. Lembro de tudo que passamos juntos, mas esqueci do maldito último beijo. Eu jurava que o tal último beijo havia acontecido em um outro dia, em outra ocasião. Lendo meu diário de viagem vi que o tal beijo foi roubado e eu nem me lembrava dele. Sem contexto, sem história, sem romance, sem música de fundo, sem nada que fizesse aquele episódio ser marcante de alguma forma. Queria que tivesse sido mágico, à altura de tudo que a gente havia vivido antes, mas não.

Não foi diferente com a minha maior história de amor. Não podia imaginar que aquele dia, um domingo como outro qualquer, ia ser nosso último momento como um casal. Se eu pudesse prever que depois dali nada mais faria mais sentido, acho que teria tirado a mala do carro com mais calma, teria dado um abraço mais longo e o beijo de despedida teria sido mais cinematográfico. A verdade é que foi o contrário disso, foi rápido, rotineiro e comum. Me despedi como quem ia viajar por 5 dias e já faz quase um ano. Quem diria que nosso último beijo seria correndo na porta de entrada do aeroporto do Galeão?

Quando me pego pensando sobre isso me vem a cabeça uma dúvida: se você soubesse que era o fim teria sido melhor? Ou pior? Será que não ficaria automaticamente mais difícil pular fora de uma relação com boas memórias recentes? Será que aquele clima de fim de festa, cheio de defeitos e bagunças não é uma alavanca para sairmos mais rápido do luto? Taí uma série de perguntas que nunca serão respondidas.

Acho que na verdade é melhor não sabermos que é o fim, por mais que isso implique em não guardar grandes momentos do final. Talvez tenha uma razão de ordem prática para a gente não saber quando será o nosso último suspiro. Deve ser a mesma razão que nos impede de saber que aquele é o último momento gostoso que antecede o triste fim de uma relação, seja ela qual for.

A lição que eu tirei disso foi passar a escolher manifestar todo carinho pelos que amo aqui e agora, afinal não sei o dia de amanhã. Não importa se aquela história vai durar 10 dias, um mês ou uma vida inteira. Vejo que tenho uma nova oportunidade de viver o presente de forma tão inteira, que não vai fazer diferença se foi a última ou a primeira vez. Daqui pra frente espero que seja assim.

A meu ver, agora só existe o hoje. Então espero que todo encontro e desencontro seja bom como se fosse o último. Ainda que seja o primeiro de todo o resto da minha vida.

Beijos

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10 em Comportamento/ crônicas/ Reflexões/ Relacionamento no dia 12.04.2016

Crônicas da Jô: a moral da história…

Minha cara,

Você anda se perguntando o quê aprendeu nessa confusão toda,não é mesmo? Eu acredito ter a resposta que você procura. Estou meio chateada contigo, não sei nem se deveria jogar tão limpo, mas agora vou agir em benefício próprio e mostrar a verdade que você tanto reluta em enxergar.

Por mais que você odeie admitir, você ainda entende pouco sobre mim. Julgou que bastava me conquistar uma vez e eu estaria sempre ali, alta, linda e feliz te apoiando. Ledo engano esse seu. Caso você não saiba, toda relação precisa ser alimentada constantemente, e comigo não seria diferente.

Foi isso que você aprendeu nessa história tão sem propósito, tão dolorosa e sem grandes lições. Parou de vigiar a si mesma, perdeu o controle de si própria e eu escorreguei pelos seus dedos.

Você me tomou por garantida. Achou que precisava me compreender uma vez, me jogou nas alturas e quando menos percebeu, se descuidou e também descuidou de mim. Ao descuidar de mim, você terceirizou a responsabilidade de me manter no lugar, de ser tão boa pra mim quanto posso ser pra você. Quando eu percebi seu erro já era tarde, ele já estava me fazendo mal e você não notava. Pelo menos não no início.

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Agora eu voltei para o lugar, você levantou a bandeira branca e eu estou aqui, sendo uma ferramenta positiva na sua vida novamente. Espero que você tenha aprendido sua lição. Não tem homem, chefe, amiga ou familiar que possa me validar ou me prejudicar se você não deixar. Eu não ligo que você me use, mas o faça a seu favor.

Eu não sou algo que demanda um selo de “maravilhosa” uma vez na vida e pronto. Eu posso chegar nas alturas, mas ao chegar nesse ponto é preciso fazer uma manutenção, me alimentar todos os dias. E como fazer isso? Não é díficil. Além de se amar, se achar bonita e vibrar aquilo que você quer emanar para o mundo, também é preciso se respeitar e se compreender.

Do momento que você permite que outra pessoa me abale, se prepare, a partir dai você perdeu a batalha. Ficou clara a sua lição? Essa história só aconteceu para você entender que quando você dá o poder de me destruir para outra pessoa, quem morre por dentro é você.

Alguém que me jogue pra baixo não pode permanecer na sua vida, em nenhum aspecto.

Você entendeu? Eu espero que sim pois não quero passar por isso de novo.

Obrigada

Sua Autoestima

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava
Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

 

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