7 em Comportamento/ Deu o Que Falar no dia 01.12.2014

Deu o que falar…

1 - História para boi dormir…

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Quase todas as marcas usam do artifício de contar uma história para que o branding fique redondo. Uma história bem contada fortalece as bases e os valores de qualquer empresa e criam um elo especial com os clientes. Pode até dar uma embelezada aqui, uma maquiada acolá, mas inventar tudo?

Foi isso que aconteceu semana passada com as marcas Diletto e Do Bem. As duas foram fiscalizadas pelo Conar depois que descobriram que a história que eles contavam sobre as marcas eram completamente inventadas. Por exemplo, a Diletto conta que nasceu com o avô do fundador da marca, que fabricava sorvetes na Itália e veio para o Brasil fugindo da 2a. Guerra. O tal do avô sorveteiro nunca existiu.

Entendemos que em áreas com tanta concorrência, vai ganhar aquela marca que consegue envolver seu consumidor de forma mais completa. Não somos contra a criação dessa atmosfera, principalmente quando o produto é de fato muito bom e a gente sente que vale a pena gastar mais independente da história, mas achamos que esse método é uma faca de dois gumes. O cliente compra a sua história, confia no seu produto, topa pagar mais por ele e, de repente, descobre que boa parte daquilo que ele acreditava era uma mentira. De que adianta investir tanto na construção de uma credibilidade se ela pode ser tão facilmente quebrada?

Para ler tudo sobre isso pode vir ir no R7.

2 - RIP Chaves!

Como todo mundo sabe, nessa semana que passou, Roberto Bolaños, mais conhecido como Chaves e Chapolin, entrou na lista das pessoas que nos deixaram em 2014.

E talvez a maior prova da importância que ele teve na TV aconteceu no Facebook, quando a fanpage da Globo compartilhou a foto do SBT, canais totalmente rivais, ainda mais na época que Chaves e Chapolin sempre passavam os programas da Globo no Ibope.

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Mais do que as várias imagens em homenagem ao ator e criador da série que nos acompanhou durante infância e adolescência, achamos esse print histórico. Valeu, Roberto! Valeu, Chaves! Valeu, Chapolin!

4- Chega de Fiu Fiu!

Vocês já ouviram falar da campanha Chega de Fiu Fiu? Se não ouviu veja esse video, leia essa matéria do Globo.com e por fim vai no site da campanha.

A gente quer muito ver o filme, não gostamos nada desse assédio de rua e achamos que essa causa merece ganhar espaço. A verdade é que o homem precisa poder “chegar” na mulher com respeito e educação, com conversa e charme. Homem que pensa que chamar a mulher de gostosa no meio da rua é um elogio não tem ideia do incômodo que essa atitude pode causar.

Esse assunto é tão importante que pode virar uma pauta qualquer dia desses não é?

3 - HOMBRIDADE who?

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E lá vamos nós falar de mais um caso bizarro de machismo. De acordo comessa matéria que lemos aqui, um Diretor da USP declarou que as vítimas de estupro precisam ter a HOMBRIDADE e a HONESTIDADE de levar tais casos à direção.

Se as mulheres do nosso país já têm medo de levarem os casos de estupro para a delegacia de mulheres, imagina as alunas da USP depois dessa declaração infeliz?

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7 Comentários

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    Ale Garattoni
    01.12.2014 às 23:16

    Meninas,
    talvez eu seja a única, mas to horrorizada com esse bafafá em torno do caso Diletto/Do Bem. Não é como se as marcas falassem, por exemplo, que usam ouro em vez de usar metal - o que, aí sim, afetaria tudo. Elas apenas romancearam uma coisa sem prejuízo pro produto final. Estão querendo colocar o filtro politicamente correto até no storytelling da publicidade, o mundo tá ficando muito literal e meio chato! Que diferença faz pro produto se o nome do dono da fazenda de laranjas è Antonio, João ou José? Sou super defensora da importância da credibilidade, mas o que li dos dois casos me faz ver muito mais uma romanceada do que uma mentira.
    Não sei, mas eu realmente acho que, por tabela, esse tipo de ação vai tirar toda a graça do mundo!

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      Nina
      02.12.2014 às 0:07

      Ale, se eu puder discordar…
      Acho que aqui não tem nada a ver com politicamente correto. Storytelling existe, é legal, vende e é legítimo. Ele pode ser baseado numa fantasia (pensando, por exemplo, em produtos que contém personagens místicos como centro da história), sem nenhum problema. O problema é quando essa história se apropria de um conceito real e, principalmente, definitivo na decisão de compra. Nesse caso, a “story” do Do Bem se apropria do conceito de “eat local/buy local”, extremamente importante e definitivo para quem opta por alimentos orgânicos como base da alimentação. Ao comprar o suco Do Bem, o consumidor (que se importa, é fato) é levado a acreditar que está comprando um tipo de produto, quando na verdade, é outro. Imagina passar séculos comprando o tomatinho da venda da feira, achando que está valorizando o produto e produtor local, que está valorizando a forma artesanal de produção, para descobrir que isso tudo é mentira. É duro. Vai além do storytelling.

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      RE
      02.12.2014 às 16:20

      Concordo com a Nina. Para algumas pessoas faz toda a diferença comprar um suco que beneficia pequenos produtores e produção local, assim, a propaganda além de “fantasiosa” é enganosa. No caso da Diletto também há ofensa a direitos básicos do consumidor, como a informação clara, correta e precisa.

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    Nina
    02.12.2014 às 0:11

    Jô e Carla,
    acho importante reforçar que o assédio na rua não tem nada a ver com “chegar” na mulher. Como é visto na campanha, ele é apenas um reforço do poder patriarcal. É o homem dizendo que “manda na parada”. Mesmo que seja inconsciente. É importante separar bem as duas coisas para defender o nosso ponto.

    Beijão
    hoje eu estou chatinha da estrela.. :P

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      Joana
      02.12.2014 às 0:22

      Bem colocado Ni! :)
      Quisemos colocar esse lance de “chegar” para salientar que muitas vezes o interesse é oprimir mesmo, afinal se o interesse fosse genuíno em “paquerar” ou cortejar a pessoa a aproximação poderia ser feita de outra forma.
      Eu entendo muito pouco desse lado subconsciente, tenho que começar a ler mais sobre isso para abordar esses temas, ao meu ver inicialmente já acho ruim o suficiente se olhar pela ótica do cara achar que pode chamar a mulher do que quiser de acordo com seu desejo sexual, não tinha parado para pensar nisso ser uma forma de “mostrar quem manda” (claro que não manda né).

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    Gabi
    02.12.2014 às 14:14

    Só mais um detalhe de como o adorado Chaves foi capaz de mobilizar bons sentimentos e manifestações. A Rede Globo replicou a notícia do SBT e este agradeceu a homenagem da rival! Muito bacana em um meio de puro canibalismo!!! Bj

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    Gabi
    02.12.2014 às 14:29

    Meninas,
    Quanto ao “suco do bem”, conheço pessoas que compram exclusivamente essa marca por acreditarem estar comprando um produto diferenciado, cuja matéria prima é fornecida por pequenos produtores, de qualidade superior e com mais benefícios para a saúde. Para quem lê pode parecer estranho, mas os amigos que me apresentaram a marca compram os produtos religiosamente e não trocam de forma alguma, ainda que sejam o mais caros da gôndola.
    Desta forma, concordo plenamente com a Nina, isso vai além de storytelling.

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