0 em Autoconhecimento no dia 04.06.2017

O que eu queria ser quando crescer? Na dúvida, fiz vestibular pra tudo!

Eu sempre tive pavor da pergunta “O que você quer ser quando crescer?” Eu, como boa libriana que sou, não gosto de escolher e sempre dizia mil opções. Meu pai vivia preocupado porque tirando veterinária, tudo que eu queria ser soava meio doido/ idealista. Queria ser atriz de novela, jornalista de viagem na MTV, qualquer coisa que me levasse a me comunicar. Eu queria fazer moda, mas essa carreira não era das mais bem vistas aqui em casa. Comunicação social/jornalismo era o que me restava, mas eu tinha um problema, uma pedra no sapato que não me levaria a seguir por esse caminho: as notas de redação, português, gramática e literatura.

Quando eu cheguei no ano do vestibular, ser atriz já era um sonho do passado, tudo que era proveniente da minha imagem tinha deixado de ser uma opção. Eu era só mais uma das milhares de adolescentes com conflitos de autoimagem e baixa autoestima, assim sendo, qualquer coisa que envolvesse ganhar dinheiro “sendo bonita e aparecendo” estava fora de questão. Eu precisava usar da minha inteligência, mas que tipo de inteligência? A ainda não diagnosticada dislexia era um empecilho que eu não sabia nomear. Mesmo sendo curiosa, interessada e uma pessoa que genuinamente gostava de prestar atenção nas aulas, hoje acho que eu fui só mais uma criança desestimulada pelas baixas notas em línguas de uma forma geral.

Não importava o quanto eu tinha de dom pra comunicação, marketing e relações públicas. Uma menina com notas tão baixas em português e redação não teria a menor chance, ainda mais lendo tão devagar. Foi nesse contexto que eu me vi fazendo uni-duni-tê e prestando um vestibular para cada faculdade: Veterinária na UFF, Oceanografia na UERJ, História na UniRio, Design/Comunicação Visual na PUC, moda na Estácio e Comunicação Social na UFRJ, a última era minha tentativa mais ousada.

Não passei nem perto na UFF, UERJ e UniRio. No entanto fui a última a entrar na lista do ENEM e em novembro eu vivi o milagre de saber que na PUC eu estaria matriculada para uma excelente faculdade de Design, o que não mudou o fato de que eu continuei tentando até o último segundo entrar na UFRJ (sem sucesso, por 0,3).

O mais curioso é que eu sabia quase nada sobre design. Havia me interessado sobre o assunto no Japão no início do ano antes do vestibular, e eu escolhi meio que na sorte entre comunicação visual e design de produto. Por incrível que pareça, foi a palavra comunicação que me seduziu e me fez escolher esse caminho, e que bom eu fiz isso. Foi quase uma roleta russa, eu era muito nova, estava com muitos problemas e não tinha estrutura para saber o que eu queria.

Nessa época não me lembrei dos tempos de brincadeira de âncora de tv, de atriz de novela, de mochileira do programa da MTV ou da revista/jornal que eu e a minha amiga Constança fizemos na infância. Eu havia esquecido do sonho de comunicar, da vontade de escrever.

Por isso, acho que ninguém poderia imaginar que aquela garota que foi fazer design sem a mínima noção do que aquilo significava, iria ouvir de pessoas bacanas que ela deveria escrever um livro. Nunca em tempo algum eu poderia sonhar que viajaria para contar sobre minhas experiências e que meu ganha pão seriam as palavras.

A verdade é que por mais que eu tenha tentado tudo diferente, terminei no lugar onde queria começar: me comunicando e gerando conteúdo. Olhando em retrospecto, vejo que eu me transformei em um pouco de tudo que a Joana da infância queria ser, e ela não poderia estar mais feliz com isso.

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