Olá, meu nome é Carla, tenho 28 anos, sou alta, não me considero nem magra nem gorda e amo Photoshop. Não passo um dia sem usá-lo, acho que o Facetune é uma ótima alternativa para ajustes de última hora no celular, mas isso não quer dizer que eu fico milimetricamente me alterando para parecer que tenho um corpitcho estilo musas fitness.
Esse assunto já apareceu em tantos DQF’s que eu até já perdi as contas. Tanto eu quanto a Jô sempre concordamos com um ponto: se a pessoa photoshopada não arrancar braços, pernas, umbigos e outros membros no meio do processo, ou não distorcer tudo ao seu redor, não vemos mal nenhum em um Photoshop corretivo. Sem contar que esses programinhas mágicos não existem apenas para deixar as pessoas magras, eles também são ótimos para tirar uma mancha, ajustar luz, contraste, saturação, nitidez, etc. Vivemos em um mundo de imagens em que muitas das coisas que a gente vê não é 100% fiel à realidade. Poucas pessoas, principalmente da nossa geração, publica uma imagem bruta (quem nunca botou um filtro numa foto que já estava bonita que atire a primeira pedra) e nada mais natural que apps como Facetune, Perfect 365 e o próprio Photoshop façam tanto sucesso quanto outros aplicativos de edição de foto.
Achei que nem tinha mais o que falar sobre isso, até o dia que eu me deparei com a conta We Photoshopped What, que existe apenas para mostrar exageros photoshopísticos. Nele, você vê tantas distorções, que sinceramente, eu acho até engraçado.
Mas o perfil também mostra casos como esse, onde a foto postada não condiz exatamente com a realidade:
E nesse caso sempre vai correr o risco de estar muito diferente nas fotos das outras pessoas!
Foi aí que eu percebi que tinha mais coisa para falar sobre esse assunto, sim. É claro que existem poses emagrecedoras, ângulos que favorecem, posicionamento da câmera, a lente usada ou até mesmo a roupa escolhida (alô, consultoria de imagem) que ajudam na busca da silhueta perfeita. E também é óbvio, que nesse mundo onde tiramos fotos com o intuito de compartilhá-las, é mais do que natural que você queira postar aquelas em que você esteja mais bonita, mais magra ou com o melhor cabelo. Mesmo tendo noção disso, não pude deixar de ficar curiosa com o caso da menina que consegue diminuir 4 números de manequim de uma foto pra outra.
O mais curioso é que o tratamento é muito bem feito, tanto que ninguém desconfiaria se não visse uma foto da menina sem retoques. Só que eu fico me perguntando: qual é a graça de você postar uma foto sua que nem se parece com você? Qual é a necessidade disso? Por que enganar dessa forma? Por que SE enganar dessa forma? De que adianta aparecer com medidas de modelo da Victoria’s Secret na foto se elas não condizem com a realidade?
Foi pensando sobre esses assuntos que me bateu uma paranoia que eu achei que só ia resolver com terapia. Comecei a questionar se eu não estava me aceitando, se eu estava me enganando, ou pior, enganando vocês (pode parecer besteira, mas para uma blogueira que sempre foi elogiada pela credibilidade, entrei em um mini parafuso), enfim. Criei um drama quando me dei conta que eu poderia não ser tão diferente dessa menina que eu estava julgando, apesar de ter a consciência tranquila de que eu não estou tão longe da realidade caso alguém me veja na rua. rsrs
De leve: Um pouco de nitidez e mudança de luz para destacar o que a foto original não conseguiu destacar.
Comecei analisando minha auto aceitação. O que eu não gostava em mim, eu já mudei com cirurgia plástica muito antes de eu saber mexer direito em Photoshop. Hoje em dia, o máximo que eu mudaria no meu corpo seria uns quilinhos a menos, mas tenho a consciência que só não perco tudo de uma vez porque não estão me incomodando a ponto de eu me esforçar mais para irem embora. Eu malho, eu tento me alimentar bem o máximo possível, mas se eu sair da linha, eu não fico super encanada.
Depois, resolvi ver algumas fotos que eu tratei e postei para tentar analisar o meu caso e entendi o motivo de nunca ter me preocupado com a questão do uso do Photoshop. Para mim, essas ajeitadinhas que eu dou equivalem à truques de maquiagem: uma solução pra disfarçar defeitinhos que incomodam, mas que provavelmente ninguém mais além de mim se incomodaria, ou então realçar aquilo que eu quero que seja destacado.
Nível médio: mexidinha na luz, no constraste, nos dentes e no braço, porque eu estava achando que o da frente não estava tão legal quanto o de trás. A foto postada foi a modificada.
Não quero passar pra ninguém a imagem que eu sou 36, sendo que eu sou 42 (e já falei sobre isso e não tenho o mínimo problema de aceitar meu tamanho). Mas gosto de deixar minha foto harmônica e agradável aos meus olhos, seja ajeitando a cor, tirando gordurinhas do braço que não saem nem quando eu estou levando a malhação super a sério ou até mesmo deixando meu dente mais branco, já que o aparelho foi algo que realmente mexeu com a minha autoestima e esse retoque me faz sentir mais segura.
Para mim, o que define o limite do exagero do Photoshop é o bom senso, e essa é uma barreira muito pessoal. Enquanto eu acho ok quem corrige um defeitinho aqui outro ali, sei que vai ter gente que vai achar que eu me enquadro no mesmo caso da menina que fica irreconhecível. Eu tenho noção que ambos os casos são causados por insegurança e eu amo quando vejo uma foto que eu não sinto necessidade de retoques. Meu objetivo é chegar nesse ponto de segurança que eu não sinta mais vontade de fazer nada, mas sei que esse é um caminho longo para trilhar.
Sem contar que estou bem consciente de que o que podia ser uma ajuda em uma sobrinha no braço, se torna uma alteração de 100% do seu corpo e isso é um prato cheio para sermos vítimas dessa ditadura da magreza que existe hoje. Infelizmente, acredito que esse “regime de facetune” seja perigoso se olharmos a longo prazo. Hoje muita menina que mesmo sendo magra, busca mostrar um corpo seco nível modelo. Seja apenas na foto ou na realidade, isso acaba sendo um desejo muito perigoso. Principalmente quando a realidade já é boa.
Nível hard (proposital): Alterei essa foto em 5 minutinhos para mostrar toscamente que dá, sim, para tentar parecer dezenas de quilos mais magra do que você é. Claro que a foto postada foi a da esquerda.
No fim das contas, o que eu realmente pude concluir com essa reflexão/auto análise é que cada um sabe onde o calo aperta e não cabe a ninguém julgar. No fundo, todo mundo tem uma insegurança e tenta ultrapassá-la com os meios possíveis. Se usar Photoshop está melhorando a auto estima, que bom! Só acho que você tem que estar consciente dos seus atos, assim como tudo na vida.
E é claro, se você tiver uma amiga nessa situação, vale dar uma alertada caso ela esteja exagerando na falta de poros ou na cinturinha de pilão que você sabe que ela não tem.
O que vocês acham sobre esse assunto? Pensam que é enganação, insegurança ou que é um recurso que vale ser usado?
Beijos!
Carla












