Eu e Jô ganhamos esse livro há uns dias do marketing da Editora Guarda Chuva e ele veio em ótima hora, quando tinha terminado de ler Extraordinário e já estava pesquisando qual seria minha nova escolha.
“A festa é minha e eu choro se eu quiser” é o primeiro livro de Maria Clara Drummond, foi lançado em novembro do ano passado e fala sobre um assunto que é mais atual impossível: “Quanto mais você se aproxima de ser um adulto bem sucedido mais você se afasta da felicidade.” Davi, o narrador do livro de estréia da jornalista carioca M. Clara Drummond, sabe exatamente o que está atraindo para sua vida quando aceita uma proposta de emprego que se encaixa com suas aspirações e se muda do Rio de Janeiro para São Paulo. À medida que sua carreira deslancha, a angústia e as incertezas aumentam, alojado de maneira incômoda no seu flat minimalista e clean.
Davi é um personagem que poderia ser descrito como um reflexo das piores características da geração que nasceu nos anos 80, com certeza todo mundo conhece alguém com resquícios de Davi. Uma pessoa que quer tudo e ao mesmo tempo não quer nada. Que quer relações com significado, mas por conveniência, acaba andando com as mesmas pessoas superficiais que adoram fingir uma felicidade que não existe. Que é visto como um sucesso, mas morre de medo que seus amigos mais próximos descubram o fracasso que ele acha que é. Uma pessoa observadora, angustiada, questionadora e eternamente insatisfeita.
A narrativa é rápida e totalmente focada em Davi. Apesar de ter me identificado em várias situações contadas no livro (a mudança do Rio para SP, os personagens “entendidos das artes”, as pessoas que gostam de mostrar seu melhor lado nas redes sociais, enfim…), eu não consegui conectar o suficiente com Davi. Apesar dele ter uma depressão leve, ele é angustiado e pessimista demais. Sabe aquela pessoa que você nunca seria amiga na vida real porque ela cansa sua beleza? Então….pra mim, esse é o Davi.
Achei um livro pequeno demais para o meu gosto, mas é porque eu amo muitas páginas! Quando olho um exemplar com poucas folhas, sempre acho que falta história! No caso, paguei com a língua, Maria Clara Drummond conseguiu, em apenas 80 páginas, fazer um livro redondo, interessante e com vários questionamentos que, com certeza, passam na cabeça de quase todos os jovens em seus 20/30 anos. Quem vier a ler, por favor, me conta o que achou!
Beijos!
Carla





