Vocês já notaram que a palavra Fitness está super na moda, né? Eu sou sempre a entusiasta dos projetos de corpo, saúde e mudança para melhor, desde que reflita positivamente no seu exame de sangue, consulta no médico e por aí vai. Como já se falava nos áureos tempos de Escolhinha do Professor Raimundo “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”. (Uma Cannabrava jamais esqueceria desse programa, vamos combinar?)
Não que eu ache que o resto não importa, mas pra mim, saúde e paz de espírito são mesmo a base do nosso corpo físico. Se você tem paz no seu coração, busca coisas boas e tem saúde, o resto vem. Hoje em dia já está mais que comprovado que obesidade e sobrepeso alteram a qualidade de vida, então, a luta contra um número elevado na balança é fundamental. Independente da questão estética ou do gosto pessoal, se você tem um peso normal, os quilinhos para cima ou para baixo serão ajuste fino, mas fugir da faixa de perigo é uma questão muito importante.
No meio dessa moda de magreza, fica muito fácil confundir o caminho para saúde, bem estar e peso ideal com a obsessão por pesar como uma pluma ou uma modelo de passarela. Como sempre, é preciso tomar cuidado com os seus objetivos, sonhos e projetos.
Falando em projetos, hoje quase toda usuária do instagram segue pelo menos uma “menina da academia” que posta fotos malhando, fazendo exercícios, pregando um lema “no pain no gain” ou algo do tipo. Isso me assusta um pouco. Sei que fazer dieta é sofrido, malhar é chato, mas será que para ter um corpo legal é preciso se dedicar à isso 7 dias na semana? Veja bem a conotação do termo escolhido, não falei que não é preciso fazer exercícios com tal periodicidade, estou falando de SOFRIMENTO, a ação do verbo é outra e essa diferença, nesse post, é bem importante.
Com a “tendência” forte de mania de esporte, perda de peso e restrição alimentar devemos ter muito cuidado para entender todos os conceitos, para escolher o que é melhor para nós . E é nesse contexto que resolvi fazer a reflexão dessa semana.
Em meio a uma “frustração de expectativa”, tive uma conversa muito legal com o Arthur Alegre, meu personal, e resolvi tentar contar essa história para vocês.
Vamos começar do começo?
Eu nunca fui entusiasta do exercício físico, sempre levei tudo meio na preguiça e até quando criança minha mãe não conseguiu incentivar a competitividade em mim, mesmo tentando dezenas de esportes diferentes. Isso não parecia um problema, não até outro dia, quando estava reclamando de não ser competitiva o suficiente nos meus treinos. Eu estava decepcionada comigo por estar sempre tentando ficar na minha zona de conforto, coisa que o personal não deixa, é claro, mas eu me esforço e quando não consigo, me frustro.
Em meio a essa crise existencial cercando a questão da minha “garra” no treino, eu tive que parar para refletir sobre muita coisa. Mesmo a corrida sendo meu esporte favorito, alguma coisa estava errada comigo, só não sabia que era a minha cabeça.
Cenário atual
Há 10 meses eu e o Arthur corremos de 2 a 3x por semana em diferentes lugares da cidade, há 6 eu estou de volta à Clínica da Patricia e já cheguei a emagrecer 11 quilos e 200 gramas. Com direito a duas viagens (sem dieta) no meio da história. Em termos de peso e corpo está tudo dentro das expectativas, mas e a cabeça?
Sei que a corrida me trouxe felicidade e não falo só na balança, não! Meu corpo e meu ânimo mudaram totalmente, a endorfina e as aulas botaram o desanimo para correr, literalmente. Os exercícios espantaram a minha insônia e trouxeram uma paz muito boa, se tornou um tempo que passei a gastar comigo, tudo como minha analista dizia que iria acontecer, enquanto eu teimava que não tinha tempo para isso.
Tudo parece lindo, né? Peso melhorando, felicidade, ânimo, saúde no caminho certo, mas ainda assim me peguei na tal crise existencial comigo mesma. Quase um ano se passou e eu continuo só gostando de quando o treino acaba e da qualidade de vida que ele me traz, amo os mil e cem benefícios, mas detesto o sofrimento que rola durante o exercício.
A crise: preciso começar a amar o treino, não só o pós, mas o durante…
Na rua, entre minhas amigas e na internet eu vejo uma turma que ama o prazer da corrida, adora a emoção da competição e encontra ali, naquele momento, sua paz de espírito. Sua busca é por fazer sempre mais e melhor. Eu queria ser assim, juro, Deus sabe o quanto eu estou tentando condicionar minha cabeça pra isso, mas parece que ela não aceita que o sofrimento deveria se tornar prazer.
Nessa hora o Arthur me disse: Você vai conquistar tudo que você está procurando, mas talvez você tenha que respeitar mais sua cabeça.
Ele me perguntou se eu achava que a maioria das pessoas da academia estavam ali pelo prazer do momento, curtindo e querendo sempre mais. Claro que respondi que não. E ele me disse que a maioria das pessoas está em busca do “welness”, com direito a um bom resultado estético. Quem busca um universo “fitness” é uma minoria. O “Fitness”, no emprego correto da palavra, está ligado a “aptidão física”, buscando um resultado estético mais perfeito e principalmente querendo melhorar sua performance.
Nessa hora ele me perguntou duas coisas:
A- Você sabia que tem uma diferença entre “Wellness” e “Fitness”?
J- Não! (cara de surpresa)
A- Você por acaso você se preocupa com sua performance ou sua competitividade na corrida?
J- Claro que não!
Foi aí que tudo ficou muito claro, eu estava procurando sentir uma coisa que não combinava comigo, que não tem a ver com o que eu estou buscando. Claro que muitas das pessoas que eu sigo e que postam fotos malhando estão fazendo isso pelos resultados, mas não são necessariamente todas que amam aquilo. Tem perfis que amam e perfis que não amam, o importante não é adorar o durante, é fazer independente de qual for seu perfil.
Parece a coisa mais boba, mas quando comecei a entender a diferença dos termos, eu saquei que meus objetivos são todos vinculados à saúde, bem estar, qualidade de vida e a estética do corpo é meio que uma conseqüência disso. Eu quero ter um corpo legal, mas não estou preocupada em buscar sempre mais e nem quais são minhas medidas, ou coisas assim. Esse conceito é o Wellness, o bem estar, buscando na atividade física maior qualidade de vida, além de melhora na saúde, seguindo os padrões sugeridos pelos médicos.
Nem por isso vou parar de tentar melhorar minha performance e me acomodar na minha zona de conforto, eu até tento, mas o Arthur não deixa. Só que vou ralar muito para atingir os meus objetivos, parando de criar expectativas irreais sobre meus sentimentos durante o exercício. Se eu não lutei para competir bem na infância, não vai ser agora que vou virar essa pessoa, o que posso é treinar para ir cada vez melhor nas corridas, nos treinos e daí por diante….
Se eu for feliz com o resultado de bem estar, corpo e mente, já está ótimo.
As vezes é importante entender o universo ao seu redor antes de querer pertencer a um grupo que não combina com você. Sei que estou na turma ligada no exercício físico, sei que meu desafio de peso aparece por aqui e, por ele, não posso nunca largar os treinos. Mas não posso me encaixar no grupo que acorda empolgado para correr as seis da manhã, infelizmente, isso não seria eu.
Essa reflexão pode até parecer “superficial”, mas pra mim foi fundamental para lembrar do que já sei: não é porque uma coisa está na moda que eu tenho que abraçá-la. Mesmo sendo ansiosa e querendo vestir a camisa de tudo que me parece bom, tenho sempre que parar para pensar e tentar entender o quanto aquilo tem a ver comigo. Na moda acho que enxergo isso mais facilmente, no universo do peso era mais difícil de entender o que fazia e o que não fazia parte de mim.
Agora que levantei meu ponto posso ser clichê? A felicidade não é um destino final, mas sim um caminho a ser perseguido ao longo da vida. O prazer na atividade física, pra mim, só chega quando termina, inversamente proporcional à felicidade. Vai ser pra sempre assim, espero ao menos acostumar com o sofrimento e usar o tempo do treino para pensar em novos posts. Seria bom, não seria?
Espero que tenha sido legal para vocês, como foi pra mim, pensar nesses diferentes objetivos, fitness x wellness! E vocês, quais são seus objetivos?











