Resolvi dar uma pausa em Fashion Weeks, para voltar à programação normal (mas em breve farei mais posts de Londres! :) )
Em busca de um título para a novela de minha vida, minha amiga Gabi, brincando, me sugeriu o nome Novário, a novela do Ovário! Eu morri de rir, mas ri tanto, que implementei tal título para vocês. Hoje vamos falar da segunda parte da novela do Ovário, e pelo que senti não será a última!
Um dos textos mais lidos do último ano foi o meu desabafo a respeito do fim do anticoncepcional e do susto que vivi quando achei que estava grávida. Eu contei direitinho no post os motivos de eu ter parado de tomar pílula. Desde então, estou vivendo novos desafios, provações e consequências, em sua maioria bem melhores do que piores.
Como a pílula vinha trazendo um risco especial para a minha saúde, eu tomei coragem e parei de tomá-la no fim de setembro. Comecei meus 28 anos dando cabo desses hormônios que vinham vivendo comigo desde os 19. Nos primeiros anos eu não entendia os riscos, os defeitos e demais agravantes do anti, tudo eram flores.
Ao longo do tempo fui usando os hormônios e vivendo “muito bem”. Nos últimos dois anos, porém, um fator começou a mudar essa relação: a enxaqueca. O que era um problema que me causava “apenas” dores acabou me colocando numa situação mais chata: descobri que estava em grupo de risco para ter AVC. A OMS já alerta que pessoas que tem enxaqueca com aura têm que conversar com seus médicos sobre tomar pílula, elas podem correr um risco maior de sofrer um acidente vascular cerebral. No meu caso, as mesmas eram 100% ligadas ao ciclo e eu preferi não pagar para ver. Nas últimas consultas, minhas conversas com a ginecologista foram ficando mais sérias e resolvemos tentar mudar o cenário. Ela mesma achou que eu devia parar e tentar outra coisa.
Aproveitei para fazer um check-up antes de começar a me envolver com outros métodos. Há anos a Dra. Helena diz para mim que acreditava que eu devia ter o quadro de Ovários Policísticos e eu resolvi esperar os 3 meses indicados sem hormônios para fazer os exames. Esse era o tempo recomendado para os efeitos da pílula saírem do meu organismo.
Ela sempre achou que eu tinha tal questão, mas sempre me disse que não conseguiríamos ver nada nos exames devido ao fato de que a pílula mascarava/controlava isso. Realmente nada aparecia nas ultras. A pílula não cura e nem “trata a questão em si”, ela controla o quadro enquanto a gente toma e em geral fica tudo bem. Ainda assim, ela via sintomas que poderiam estar alinhados aos “tais ovários” no meu corpo e no meu histórico.
Hoje olhando friamente, tenho 100% de certeza de que tudo que aconteceu na minha vida em 2004, quando eu engordei 20 kg, parei de menstruar por meses e tive acne até ficar deformada, foi causado por causa dos ovários policísticos que já estavam lá. Quando tomei o Roacutan, acredito que estava combatendo esse quadro, obviamente mais delicado devido à fase do corpo e da adolescência. A segunda vez que tomei o remédio foi muito melhor, já com o anticoncepcional. Na época, a pílula foi a melhor coisa que me aconteceu, e permaneceu assim durante muitos anos, até as dores aparecerem e aí, só quem tem enxaqueca sabe como é. A primeira vez que tive, fui ao hospital achando que ia morrer, foram as sensações mais bizarras que eu já tive.
Voltando ao presente, minha situação atual me levou a ficar 3 meses sem o anti e exatos 90 dias depois eu estava entrando na sala da ultra. Finalmente tínhamos o veredicto, lá estavam os tais Ovários Policísticos.
Nessa hora tudo fez sentido, a menstruação que atrasou as duas vezes (na segunda nem assustei), a oleosidade da pele estava pior, os pêlos do buço e meia perna (onde não faço laser) cresceram mais rápido e a briga com o peso continuava, só que um pouco pior. Não engordei, mas estava um pouco mais difícil emagrecer. Sem contar algumas mini espinhas nas costas, coisa que não tinha desde a adolescência.
No mesmo dia liguei para a minha médica e começamos o outro tratamento, com metformina. Ela já tinha me contando que hoje em dia muitas das suas pacientes têm vida normal e engravidam normalmente usando metformina para tratar os tais OP. Algumas inclusive combinam com a pílula. Ao que tudo indica, vai dar tudo certo, daqui a 3 meses vou repetir a ultra novamente e conto para vocês como ficou meu quadro.
A verdade é que mesmo com algumas pedras no meu caminho, continuo feliz de ter parado o anti. Estou mais tranquila sabendo que meus riscos de ter algum problema mais sério foram reduzidos, assim como estou totalmente mais feliz com minha libido. A celulite diminuiu, as enxaquecas me deixaram em paz (só tive uma mini tentativa nessses 3 meses, que não fez nem cosquinha) e minhas unhas estão quebrando menos.
Claro que o anti podia jogar a favor do meu quadro, isso era um fato, mas na verdade era apenas um curativo. O meu tratamento atual pode ajudar mesmo o meu corpo e minhas células a se comportarem de uma forma melhor na minha condição, muito comum aliás. Ele pode fazer com que certos hormônios se movimentem como têm que ser e os sintomas melhorem, vamos ver.
De qualquer forma vou fazer um super exame de sangue e até avaliar os riscos de trombose, caso eu precise em algum momento considerar voltar para a pílula. Em todo caso, estou fazendo de tudo para que isso não aconteça, eu me sinto muito mais aliviada e estável agora.
Claro que a pílula ainda é uma escolha boa, confortável e ideal para uma boa parte das mulheres, não nego isso e já foi o meu caso, mas pra mim é importante ressaltar que não é a única alternativa. Muitas meninas contaram de diferentes métodos, no meu caso, os ideais são os sem hormônio e por isso, tenho pensado com carinho no DIU de cobre (até já comprei o meu mini online, caso eu vá colocar mesmo). De qualquer forma isso vai ser papo para um próximo post.
Estou pensando super positivo quanto aos sintomas, acho que tanto a pele quanto a balança vão me dar uma trégua. Está difícil de emagrecer, mas já perdi aproximadamente 5 kg. Nunca foi tão importante para minha saúde cuidar do peso e fazer exercícios físicos. A velocidade das coisas está mais devagar, mas estou focando e fazendo meu melhor. Quem sabe, logo, logo não volto a caber nas minhas roupas? Estou ansiosa por esse momento.
Estou tentando ser paciente com meu corpo, minha pele e seus novos limites. Estou otimista, acho que as mudanças que estou vivendo agora podem estar sendo definitivas, para melhorar em todos os aspectos.
Eu seguirei torcendo para dar tudo certo por aqui e continuo contando com o apoio de todas. Nunca pensei que os comentários do texto “Me desculpe, mas eu não sou o que você vê!” me fariam tão bem, foi incrível ler tudo que foi dito. Sinto que devagar eu vou conquistar tudo que precisa ser conquistado e vou virar o jogo na balança e no SOP.
Quem tiver boas experiências sobre o assunto pode compartilhar, eu vou adorar!
Beijos
Jô













