Não sei se eu parei no meio daqueles momentos em que vejo várias pessoas ao meu redor falando as mesmas coisas ou se é realmente alguma espécie de inconsciente coletivo, só sei que de uns tempos para cá eu tenho ouvido muita gente dizer que odeia falar no telefone, que odeia quando ligam e odeia ligar para as pessoas. “Para quê discar o número de alguém se dá para resolver tudo por e-mail/mensagem/áudio no whatsapp?” é uma das frases que eu mais ouço para justificar todo esse ódio.
Eu não chego a odiar - na verdade só não curto muito falar com quem eu não conheço - mas também não consigo mais me ver pendurada no telefone por 2 horas seguidas com alguma amiga (que tanto de assunto era esse que não conseguiu ser concluído nos intervalos de aula no recreio?) ou ficar 45 minutos de tatibitati com o namorado. Tudo bem que com um marido em casa eu também não preciso mais disso, mas não consigo me imaginar naquele eterno “desliga você primeiro”. Minha paciência não permite mais aturar esse tipo de coisa! rs
Assim como (provavelmente) toda a minha geração, eu também prefiro a praticidade de redes sociais, e-mail e mensagens pelo celular. Consigo falar com muito mais gente, consigo resolver mais coisas e ainda consigo me convencer que não estou atrapalhando - lembram que no texto dos mimos da gravidez eu contei que odeio achar que estou incomodando? Aliás, eu já reparei que de uns tempos pra cá toda vez que eu ligo para alguém eu pergunto primeiro se a pessoa está ocupada.
Apesar de todos os benefícios, outro dia me peguei pensando se essa fobia de telefone e essa dependência do celular não estão ajudando a nos deixar mais dispersos, impacientes, ansiosos e até mesmo distantes. Só sei que eu parei para pensar nas coisas - eu to muito analítica ultimamente, né? - e me toquei que eu deveria estar com mais medo do meu smartphone do que do meu telefone que, tadinho, mal toca. rs
- Eu fiquei muito mais ansiosa - Essa história de marcar que a pessoa recebeu a mensagem é um verdadeiro horror! No whatsapp, então, que mostra que a mensagem foi lida (e não respondida), é pior ainda! Só não digo que não existia isso na época que só havia ligação porque é mentira, afinal, quem nunca deixou 30 chamadas não atendidas no celular da amiga ou do namorado?
- Mais amigas, menos profundidade: Hoje em dia eu falo diariamente com muito mais gente que eu falava quando só existia telefone, celular sem redes sociais e ICQ. Mas se antigamente eu sabia cada detalhe de relacionamentos, brigas com os pais, no trabalho ou na escola, hoje isso me parece humanamente impossível (a Jô, por sua vez, é mestra em conseguir dar atenção pra todo mundo, fico em choque e admirada com essa capacidade).
- Faço tudo e não faço nada - Dificilmente você está falando com uma pessoa e só fazendo isso. Até dar o tempo de resposta, eu já acessei o instagram, o facebook, o snapchat, já vi meu e-mail, já interagi em um grupo de whatsapp, enfim. Essa história de multitask é ótima até a página 2, pelo menos para mim. No fim das contas, eu percebo que fiz mil coisas, não prestei atenção em nada e, se minha memória já não é das melhores, com essa falta de atenção ela fica verdadeiramente péssima. De certa forma, esse item está bem relacionado com o anterior. rs
Repararam que tudo que mais me incomoda é exatamente o que acho mais prático, né? Vai dizer que não é para eu ficar com muito mais medo do meu celular? rs
E aí? Alguém aqui também tem fobia de telefone? Quero saber seus motivos!
Beijos!
Cá




