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16
out
2015

Telefonefobia

Reflexões

Não sei se eu parei no meio daqueles momentos em que vejo várias pessoas ao meu redor falando as mesmas coisas ou se é realmente alguma espécie de inconsciente coletivo, só sei que de uns tempos para cá eu tenho ouvido muita gente dizer que odeia falar no telefone, que odeia quando ligam e odeia ligar para as pessoas. “Para quê discar o número de alguém se dá para resolver tudo por e-mail/mensagem/áudio no whatsapp?” é uma das frases que eu mais ouço para justificar todo esse ódio.

Eu não chego a odiar - na verdade só não curto muito falar com quem eu não conheço - mas também não consigo mais me ver pendurada no telefone por 2 horas seguidas com alguma amiga (que tanto de assunto era esse que não conseguiu ser concluído nos intervalos de aula no recreio?) ou ficar 45 minutos de tatibitati com o namorado. Tudo bem que com um marido em casa eu também não preciso mais disso, mas não consigo me imaginar naquele eterno “desliga você primeiro”. Minha paciência não permite mais aturar esse tipo de coisa! rs

Assim como (provavelmente) toda a minha geração, eu também prefiro a praticidade de redes sociais, e-mail e mensagens pelo celular. Consigo falar com muito mais gente, consigo resolver mais coisas e ainda consigo me convencer que não estou atrapalhando - lembram que no texto dos mimos da gravidez eu contei que odeio achar que estou incomodando? Aliás, eu já reparei que de uns tempos pra cá toda vez que eu ligo para alguém eu pergunto primeiro se a pessoa está ocupada.

Apesar de todos os benefícios, outro dia me peguei pensando se essa fobia de telefone e essa dependência do celular não estão ajudando a nos deixar mais dispersos, impacientes, ansiosos e até mesmo distantes. Só sei que eu parei para pensar nas coisas - eu to muito analítica ultimamente, né? - e me toquei que eu deveria estar com mais medo do meu smartphone do que do meu telefone que, tadinho, mal toca. rs

- Eu fiquei muito mais ansiosa - Essa história de marcar que a pessoa recebeu a mensagem é um verdadeiro horror! No whatsapp, então, que mostra que a mensagem foi lida (e não respondida), é pior ainda! Só não digo que não existia isso na época que só havia ligação porque é mentira, afinal, quem nunca deixou 30 chamadas não atendidas no celular da amiga ou do namorado?

- Mais amigas, menos profundidade: Hoje em dia eu falo diariamente com muito mais gente que eu falava quando só existia telefone, celular sem redes sociais e ICQ. Mas se antigamente eu sabia cada detalhe de relacionamentos, brigas com os pais, no trabalho ou na escola, hoje isso me parece humanamente impossível (a Jô, por sua vez, é mestra em conseguir dar atenção pra todo mundo, fico em choque e admirada com essa capacidade).

- Faço tudo e não faço nada - Dificilmente você está falando com uma pessoa e só fazendo isso. Até dar o tempo de resposta, eu já acessei o instagram, o facebook, o snapchat, já vi meu e-mail, já interagi em um grupo de whatsapp, enfim. Essa história de multitask é ótima até a página 2, pelo menos para mim. No fim das contas, eu percebo que fiz mil coisas, não prestei atenção em nada e, se minha memória já não é das melhores, com essa falta de atenção ela fica verdadeiramente péssima. De certa forma, esse item está bem relacionado com o anterior. rs

Repararam que tudo que mais me incomoda é exatamente o que acho mais prático, né? Vai dizer que não é para eu ficar com muito mais medo do meu celular? rs

E aí? Alguém aqui também tem fobia de telefone? Quero saber seus motivos!

Beijos!

22
set
2015

Gravidez: as quebras de expectativas

Gravidez

Como eu já disse algumas vezes, com a novela que passamos com o Jack meu maior aprendizado foi saber quebrar minhas expectativas. Esse foi um processo que acabou me deixando um pouco mais pé no chão, mais realista, um pouco fria talvez, mas mais prática. Acho que hoje eu perco menos tempo lamentando o leite derramado e, ao invés disso, prefiro arrumar uma solução para tirá-lo do chão.

Quando eu estava muito confortável com esse meu “novo eu”….pá! Fiquei grávida, justamente um dos momentos mais cheios de expectativas na vida de qualquer pessoa, até mesmo daquela que, como eu, nunca havia parado para planejar como essa fase seria.

Ao longo desses 6 meses, eu tenho me surpreendido de várias formas e quebrando várias expectativas que eu nem sabia que tinha. Imagino que até Janeiro eu ainda vá quebrar outras tantas, mas por enquanto, resolvi dividir algumas com vocês:

Eu achava que meus cabelos ficariam incríveis. Já ouvi tanta gente falando que grávidas ficam com cabelos maravilhosos, que eles crescem absurdamente e ficam macios e brilhosos que eu passei a acreditar inconscientemente. Nada de muito diferente aconteceu comigo nesse quesito, e hoje eu agradeço, afinal, também fiquei sabendo de vários casos de grávidas que os cabelos começaram a cair muito mais. Nem 8 nem 80 por aqui.

Eu achava que minha pele ficaria maravilhosa! Em compensação, aconteceu o contrário comigo em relação à minha pele. Eu, que nunca fui de ter espinhas, comecei a ter várias internas no queixo e algumas nas bochechas. Sem contar as rosáceas, que voltaram com tudo por um período! Como eu ando numa fase de agradecer as coisas boas, pelo menos não tive melasma, reclamaçãozinha bem frequente. (e por favor, ninguém me conta que só surge depois do 7o. mês ou algo assim, hein…hahaha). Mas eu sei que boa parte disso é culpa minha, que não tomei vergonha na cara e dei um jeito de ir na minha dermatologista. Minha desculpa é que ela fica no Rio. :/

Eu jurava que a essa altura do campeonato, a gravidez já estaria perceptível. Mesmo eu tendo essa mania de só usar roupa larga, o que dificulta a identificação, eu jurava que lá pelo 5o. mês eu já estaria ostentando uma discreta barriguinha inconfundível de gravidez. Bem, estou no 6o. e diria que minha barriga está mais para um bebê hamburguer do que para um bebê real. Mas tá tudo bem e ele tá crescendo direitinho apesar de não querer aparecer! rs

16 semanas| 23 semanas, ainda não tirei nenhuma por agora, mas de roupa ainda não dá para ver direito! rs

Falando em quilinhos, achei que engordaria mais até agora. Por mais que eu tenha botado na cabeça desde o começo que eu não gostaria de engordar muito mais de 10kg durante esses meses, e por mais que eu não tenha caído na história de comer por dois, fiquei surpresa comigo mesma. Até mês passado (sexta eu dou o update aqui rs), eu tinha engordado apenas 3 quilos. Sei que é a partir de agora que os tais quilos a mais aparecem, mas sabendo que me mantive “na linha” até o presente momento, fico mais tranquila para o que está por vir!

Jurava que minha maior dificuldade durante esses meses seria a falta de bebida! Eu comecei a beber bebidas alcoólicas bem tarde, com 24 anos mais ou menos, e desde então, vinho branco e caipivodka eram presenças constantes na minha vida. Sábados, domingos, feriados, jantares no meio da semana, férias….Sem contar aqueles dias mais complicados que praticamente pediam uma tacinha de vinho depois das 7 da noite. Quando descobri que estava grávida, jurava que ia sentir muita falta desse hábito, mas foi muito mais fácil do que eu pensava, parece que o corpo já sabe, né? Claro que tem dias e situações que uma bebida faz muita falta, mas não preciso fazer nenhum esforço para resistir a nada.

E eu tinha certeza que seria manteiga derretida. Eu tenho no meu histórico maluquices como chorar no final de Branca de Neve (porque ela deixou os 7 anões para morar com o príncipe, em vez de levar todos para o castelo) e Pocahontas. Se a TPM me deixava mais sensível, jurava que a gravidez iria fazer com que eu virasse aquele tipo de pessoa que não pode ver comercial fofo sem cair no choro. Nada aconteceu e acho que nesse período eu só chorei em Divertida Mente, mas é porque ele me fez lembrar uma grande amiga que tinha depressão e não teve um final feliz. Acho que eu choraria em qualquer condição.

Foto da semana passada!

Também achava que não seria tão ativa. Eu sempre fui de fazer academia pelo menos 4 vezes por semana, mas sei lá porque eu jurava que grávidas tinham várias restrições, principalmente spinning e musculação que são as principais atividades que eu pratico. Gravidez não é doença, mas não costumo ver muitas grávidas praticando exercícios, e achava que eu teria que parar também. Bem, meu médico não só perguntou se eu fazia academia, como me deu sinal verde para continuar fazendo musculação (um pouco mais leve, claro) e só me pediu para trocar o spinning por caminhada ou transport.

Tinha certeza que eu reconheceria o primeiro movimento! Essa expectativa quebrada, para mim, foi a mais decepcionante! Desde a 17a. semana meu médico falou que eu poderia sentir alguma coisa, mas que depois da 20a. seria muito mais fácil de reconhecer. Passou a 17a., a 18a., a 19a., a 20a., e eu de fato comecei a sentir algumas coisas, mas tinha certeza que era meu estômago, meu intestino, qualquer coisa, menos o bebê. Fui procurar na internet - coisa que ando evitando - o que eu deveria esperar sentir e teve gente falando que pareciam borboletas no estômago, outras que associavam a um frio na barriga, mas todas dizendo que era inconfundível. Pois bem, eu confundi.

Acho que por enquanto é só! E vocês? Quais expectativas foram quebradas? Quero saber de todas! :)

Beijos!

16
set
2015

Moda: A crise e a crise de identidade

Reflexões, Sapatos

Esse assunto poderia estar no DQF dessa semana, mas achei que ele merecia um post próprio. Não sei se todo mundo ficou sabendo, mas desde segunda feira vários sites e jornais estão noticiando que a Shoestock está fechando as portas e encerrando as atividades.

Fachada da loja da Vila Olimpia, que era um mundo de sapatos, bolsas e acessórios.

Fachada da loja da Vila Olimpia, que era um mundo de sapatos, bolsas e acessórios.

Nas redes sociais, a marca confirma o fechamento do e-commerce juntamente com várias lojas, inclusive a gigantesca da Vila Olímpia, em SP, que era praticamente um ponto turístico na cidade. Segundo eles, a única loja que ficará aberta é a de Moema, mas já ouvi falar de gente que deu de cara na porta em um horário que era para estar funcionando.

Apesar de existir o boato (até então não confirmado) de que o dono está fechando porque está se mudando para a Espanha, onde tem negócios, a grande maioria das pessoas resolveu culpar a crise. Realmente não duvido que a crise tenha influenciado - e muito - essa decisão, mas para mim, o buraco está mais embaixo, em outro tipo de crise que a Dilma não poderia resolver mesmo se quisesse, a de identidade.

Lembro perfeitamente quando conheci a tal loja megalomaníaca da Vila Olímpia. Eu ainda não morava em São Paulo e fui passar uns dias na casa de um casal de amigos que tinham se mudado para cá. Essa minha amiga foi uma super guia turística durante esses dias, e num dos passeios que fizemos, ela fez questão de me levar à loja da Shoestock.

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Quando cheguei lá, fiquei chocada. Era um mundo de sapatos e bolsas! Prateleiras e mais prateleiras de scarpins, sandálias, sapatilhas, tênis….era achar o seu número e se perder na quantidade de opções disponíveis, desde as mais básicas até as últimas tendências. Estávamos em 2009, e pelo menos na minha lembrança, nessa época a febre de seguir os últimos gritos da moda (como bem diz minha vó rs) estava começando a chegar no seu auge. Na verdade, 2009 foi um ano decisivo para mim em termos de moda, talvez por isso essa minha experiência na loja tenha sido tão memorável. Antes disso, eu comprava sapatos e bolsas de acordo com a minha necessidade e ocasião, eu não pensava neles como atualizadores de looks.

Depois de horas experimentando milhares de modelos, acabei levando 3 sapatos. Não vou lembrar preços agora, mas lembro que saí satisfeita em relação a isso. E em relação à qualidade, também achei bem boa. Pelo menos os modelos que eu escolhi duraram anos e só foram embora do meu armário recentemente, em ótimo estado (tirando uma sandália, que o Jack comeu o salto quando era mais novinho rs).

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Quando finalmente vim para São Paulo - uns meses depois dessa experiência na Shoestock - estava crente que iria passar na loja quase todo mês, mas com pós acontecendo, casamento sendo organizado no Rio e trabalho, só voltei lá em 2011. E a marca não era mais a mesma que tinha me encantado em 2009. Claro que nessa época, várias outras marcas resolveram apostar nessa vibe fast shoe fashion e fazer algo inspired não era mais novidade, ou seja, o trunfo que eles tinham em 2009 já não era mais um diferencial. Para piorar, a qualidade estava visivelmente pior e não era raro encontrar alguém reclamando de tiras que se soltavam, solas que descolavam ou sapatos que desintegravam depois de 45 dias (né, Elô? rs).

A cada ano que passava, a impressão que eu tinha é que eles criavam inspireds cada vez menos inspirados enquanto a qualidade ia descendo a ladeira e apesar dos preços terem se mantido mais baixos do que a concorrência, eles não eram mais compatíveis com o produto vendido. Desde então, a marca saiu do meu radar e pelo o que eu tenho falado com amigas, esse movimento não aconteceu só comigo. Na realidade, quando o assunto começou a rolar nos meus grupos do whats, as respostas eram muito parecidas, todas mais ou menos assim: “faz tempo que as coisas da Shoestock não me chamavam mais a atenção”.

A coleção feita em parceria com a Gloria Coelho.

A coleção feita em parceria com a Gloria Coelho.

Sei lá, achei triste, ainda mais sabendo que existia público, existia potencial e até existiam ideias boas para agregar relevância, como a coleção com Costanza Pascolato em 2012 e a parceria com a Heineken na final do Champions League, em que eles fizeram uma liquidação na hora do jogo para que as mulheres que não curtem futebol aproveitassem enquanto os namorados assistiam a partida. Tudo bem que a Heineken forçou no estereótipo das mulheres-consumistas-loucas-por-sapatos e foi acusada de ter feito uma propaganda sexista, mas pelo o que eu (ou melhor, o Google) lembro, as pedras foram mais direcionadas à cerveja do que à sapataria.

Sei que parece que estou chutando cachorro morto, mas esse caso em específico só serve para mostrar que quando a crise de identidade bate, não tem economia - boa ou ruim - que segure a onda.

Beijos

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