Browsing Category

Gravidez

2 em Comportamento/ Convidadas/ Gravidez/ Saúde no dia 20.05.2016

Saúde: A pressão pela volta do peso e do corpo após o nascimento do bebê

Recentemente vimos a entrevista de uma atriz famosa à uma revista onde ela disse que durante sua gestação procurou um profissional de nutrição para não ganhar muito peso nesse período. Por conta disso, embarcou em uma dieta com a redução drástica de um dos grupos alimentares mais importantes – o dos carboidratos – e que contava ainda com períodos de jejuns prolongados. Tal declaração deu o que falar e tanto a atriz como a nutricionista se pronunciaram dizendo que esse tipo de dieta aconteceu após a gravidez.

A verdade é que cada vez que uma mulher famosa anuncia que está grávida, a pressão e algumas polêmicas surgem. Parece que todos querem ver “em quanto tempo ela vai voltar ao seu corpo” ou em qual “velocidade da luz” a famosa vai perder os quilos adquiridos.

POSGRAVIDEZVocê já parou para pensar que isso não é saudável para ninguém? Vamos aos personagens desses fatos: a famosa que sofre essa pressão por todos os lados, a mulher comum (sim, você que está lendo essa coluna), os profissionais de saúde que acompanham a famosa, a mulher comum ou qualquer outro tipo de paciente.

1) A famosa: Primeiro, vamos nos colocar no lugar delas. Já imaginou o que deve ser viver em um ambiente onde seu corpo, seu peso, suas celulites ou gordurinhas indesejadas viram pauta de toda revista e programa de fofoca? E de como essas mesmas revistas e programas as consideram “bem sucedidas” quando consegue voltar ao corpo de antes?  Não podemos afirmar com todas as letras mas, muito provavelmente, essa famosa deve ter junto a ela médicos, nutricionistas, educadores físicos, profissionais de estética e outros tantos profissionais que acabam propondo condutas não muito convencionais para atingir a tal meta da “velocidade da luz”. Isso, misturado com a pressão, pode levar a famosa a procurar estratégias contrárias à natureza que não são muito saudáveis.

2) A“mulher normal”: Vamos lá….sim, eu sei que você também quer voltar ao seu peso pré gestacional, ao seu corpo como era antes, de preferência também na tal “velocidade da luz” pois alguém em algum momento, mesmo que inconscientemente ou indiretamente colocou isso na sua cabeça (Sites? Revistas? Uma pessoa próxima? Um profissional de saúde mal preparado….xi, tanta gente!). Acontece que muito provavelmente você não vai ter esse “esquadrão da beleza” ao seu lado (o que não costuma ser divulgado no caso das famosas) e aí, o que acontece? Você não perde o peso adquirido na gestação de forma rápida, você não chega no corpo “capa de revista” (que é completamente construído por outra vasta gama de profissionais – um dia vamos falar sobre isso) e isso vai te gerando angústia, incômodo, sentimento de fracasso e derrota, o que para muitas pessoas acaba gerando mais fome, mais consumo de alimentos e, consequentemente, ganho de peso. Você já deve ter se pegado pensando “mas por que a tal famosa conseguiu perder o peso e ficar com a barriga chapada 2 meses depois de dar a luz e eu não consigo?”…. isso acaba com a sua auto-estima, com a forma como você se vê, como os outros te vêem. Uma confusão só!

Veja bem, você levou 9 m-e-s-e-s para ganhar esse peso, para nutrir de forma saudável a você e a seu bebê, você acha que é saudável perder 10, 12, 15 ou 20kg em apenas 2 ou 3 meses?

A natureza é sábia, e sabe como? Aleitamento materno é um dos grandes aliados na perda de peso pós parto (sim, mais um motivo para você insistir e amamentar o seu bebê!), comer de forma saudável também é outra forma para atingir a perda de peso adquirido na gestação, além de atividade física orientada por um profissional capacitado. E o mais importante e uma dica que pouca gente pensa ou fala: não tenha pressa.

3) Os profissionais de saúde: Você não acha que somos completamente pressionados a atingir a meta da paciente quando elas nos procuram querendo ter o mesmo peso e corpo que a famosa que falamos acima? As pessoas estão fazendo qualquer coisa hoje em dia para perder peso e pedindo as maiores loucuras aos profissionais de saúde, mas cabe a nós não cedermos a essa pressão e orientar o paciente de forma correta, ética e principalmente realista. Assim evitamos frustrações.

Por fim resolvi levantar algumas ideias para a gente pensar:

– Aliviar a pressão: Que tal as famosas e os meios de comunicação pararem com essa pressão generalizada?

– Acolhimento: Que tal menos matérias de como a fulana emagreceu “na velocidade da luz” e sim mais matérias sobre como elas estão no papel de mãe e por ai vai!

– Foco no que realmente importa: Que tal as “mulheres normais” pararem de se cobrar tanto, dar menos importância a isso e se preocuparem com o que realmente importa, que é o momento lindo que é a gestação, a construção de uma família, a chegada de um bebê tão especial. Vá curtir esse momento único na vida de uma mulher. Você é você, não se compare a todo mundo!

No fim, só uma verdade é absoluta: você pode até voltar ao peso que você tinha na balança, mas com certeza você se tornou uma pessoa completamente diferente após o nascimento do seu bebê. Isso é o mais importante, passe essa mudança adiante. Vá curtir o seu bebê e essa nova fase da sua vida sem neuras!

banner-camilla-estimaVocê também pode gostar dos textos da experiência da Carla sobre o assunto:

- Gravidez: as mudanças do meu corpo
#babynofuti: o corpo voltando para o lugar
5 em Comportamento/ Gravidez/ maternidade/ Reflexões no dia 15.02.2016

#babynofuti: as mudanças no corpo

Um dos meus maiores grilos em relação à gravidez sempre foi um dos mais fúteis mas que eu sei que acontece com muitas mulheres: as mudanças no corpo. 

Será que eu vou engordar muito? E se eu nunca mais voltar ao meu corpo de antes? Meu peito realmente vai cair? O quadril vai ficar mais largo a ponto de eu nunca mais entrar nos meus shorts e calças? Essas perguntas podem parecer bobas, mas tenho plena consciência que passam pela cabeça de 11 entre 10 mulheres e eu estava entre elas.

Breaking-Dawn-part-1-trailer-GIFs-bella-swan-25317322-512-218-1447430509-1

Conversando com pessoas próximas e amigas, vi muitas que voltaram ao corpo de antes rapidamente, outras que demoraram um pouco mais, algumas que nunca mais voltaram e até hoje encontram dificuldades. Não existia um padrão e isso me deixava apavorada! A única coisa que eu sabia era que aquela história de barriga sarada depois de 1 ou 2 meses acontece com 1% de todas as mulheres do mundo, e tinha certeza que não fazia parte desse seleto grupinho. Pelo menos era isso que eu pensava.

Em relação ao peso, para o meu espanto, com um mês descobri que já tinha perdido 8 dos 10 quilos que eu tinha engordado. Claro que o fato de eu ter permanecido ativa antes e durante toda a gravidez e o fato de eu cuidar da minha alimentação com certeza ajudou com que minha realidade acabasse sendo muito melhor do que minha expectativa mas mesmo assim, a mudança foi perceptível.

Minha barriga não está como antes, ainda estou com uma parte bem inchadinha em cima da cicatriz (já to sabendo que vai continuar assim por mais alguns meses) e esse tempo que eu fiquei parada fez com que o corpo todo desse uma caidinha, assim como meu condicionamento físico que foi para o beleléu. Só que eu percebi – com alguma surpresa – que eu olhava para o espelho, via todas essas mudanças e não me importava tanto quanto achei que me importaria. Foi tudo muito mais natural do que eu imaginei.

1 mês depois do Arthur. A parte mais visivelmente inchada o short escondeu (ainda bem, né? ehehe), mas a barriga ainda está meio flácida, mas bem menos do que eu achava que estaria!

1 mês depois do Arthur. A parte mais visivelmente inchada o short escondeu, mas a barriga ainda está meio flácida, mas bem menos do que eu achava que estaria!

Uma das pessoas que mais me inspirou a não surtar com isso – por incrível que pareça, já que não a sigo mas acabei caindo no seu perfil mais ou menos na época que ela engravidou porque fui pesquisá-la para um DQF – foi a Bella Falconi. Ela, que era saradíssima antes de engravidar a ponto de ter feito loucuras para conseguir chegar no corpo perfeito, mostrou um pós parto bem realista e saudável, dando tempo ao corpo e respeitando cada fase. Toda semana eu dava uma passadinha no perfil dela para acompanhar e acho que foi assim que fui me preparando.

Claro que o fato da prioridade mudar faz toda a diferença na cabeça, mas acho que não querer se pautar nos exemplos raros – isso é, modelos, atrizes ou aquela sua amiga que no mês seguinte já está com um corpaço – tem toda a sua importância. É essencial fazer tudo focando na saúde da mãe e do bebê, jamais do tanquinho. 

Assim como sabemos (mas nem sempre seguimos) que é melhor não focar em capas de revistas com mulheres que já têm um corpo bonito e ainda passam pelas mãozinhas do Photoshop, acho que tentar se espelhar em mães que são exceções também é roubada. É entrar numa onda que pode não ser a sua e que pode virar um desrespeito ao próprio corpo.

Eu amei a forma como a Bella lidou com o seu corpo pós parto! Hoje, 5 meses depois da Vicky nascer, ela já está praticamente com o corpo de antes, mas deu para ver claramente que ela não teve pressa nem neurose nenhuma para conseguir esse corpo de novo!

Eu amei a forma como a Bella lidou com o seu corpo pós parto! Hoje, 5 meses depois da Vicky nascer, ela já está com o corpo de antes, mas deu para ver claramente que ela não teve pressa nem neurose nenhuma para conseguir chegar nesse estágio de novo!

Também acho mais do que válido conversar com o máximo de amigas e conhecidas sobre o assunto e procurar exemplos com expectativas mais dentro da normalidade (como eu curti acompanhar a volta da Bella Falconi). Desmistificar o corpo pós gravidez foi de uma ajuda enorme para mim. Ter conversado com amigas e saber que todas estavam passando pelas mesmas estranhezas que eu em graus diferentes me deu um alívio e uma tranquilidade muito grande para encarar essa volta sem pressa e sem neurose.

Acho que por isso eu resolvi abrir esse assunto por aqui, afinal, a autoestima pode ficar um pouquinho abalada e quanto mais a gente descobre que está passando por algo normal, mais fácil a gente entende que está tudo bem. Só sei que descobri nessa experiência que não adianta se apavorar com o que pode acontecer. Seu corpo pode nunca mais ser o mesmo, mas quem disse que ele não pode mudar para melhor? :)

Como foi esse período para vocês que já tiveram filhos??

Beijos

7 em Convidadas/ Gravidez/ maternidade no dia 02.02.2016

#babynofuti: “Meu filho nasceu com um problema”

O Arthur está super bem, gente, graças a Deus. Mas em 2015 eu fiquei sabendo que uma amiga muito querida passou por uma barra durante toda a sua gravidez quando descobriu através do primeiro morfológico que seu bebê tinha Gastrosquise, uma má formação que pode deixar um ou mais orgãos para fora e pode ter várias complicações. 

Só fui saber de tudo isso quando o Ben, o filho lindo da Rosa, estava com uns 2 meses e toda a fase difícil de cirurgia, UTI e recuperação já tinha passado. Na hora falei com ela que essa história precisaria ser contada para servir de esperança para mães que estejam passando por algo parecido, mas ela ainda não estava preparada. Até que um dia, praticamente um ano depois da nossa conversa, ela escreveu tudo em seu blog, o Lolla, mas pediu que eu compartilhasse aqui também.

Tentei participar de uma pesquisa no Facebook agora de um grupo de mães bem especial pra mim e não consegui. O grupo é o Gastroschisis Support Group, um grupo de apoio às mães e familiares de bebês que nasceram com gastrosquise ou sobreviventes da doença. Não consegui participar da pesquisa porque era obrigatório marcar alguma “complicação” e como não tivemos nenhuma não posso ser selecionada. Naquela lista são 35 complicações. Algumas bem assustadoras, como transplante multivisceral e transplante de intestino – os casos dos bebês Sofia e Pedrinho que mobilizaram a internet nos últimos dois anos e que infelizmente carregam um fantasma junto com eles, a infecção hospitalar.

Benjamin

Meu filho nasceu com esse problema, a Gastrosquise. Um buraquinho na barriga, bem onde passa o cordão umbilical que deixa os órgãos da região expostos. No caso dele só o intestino estava para fora da barriga. É bem bizarro, aquele tipo de coisa que você nunca imaginou que poderia existir. A gente descobriu com 11 semanas, no 1º morfológico. Aquele exame que você faz morrendo de medo de dar alguma coisa mas que na verdade você tem certeza que não vai dar nada porque nunca deu nada pra ninguém, não vai ser com você que vai acontecer né? Pois é…

Foi horrível. Eu, meu marido e o médico na sala. Deve ser f* para um médico dar qualquer notícia diferente de “tudo perfeito” né? Mas, segundo ele, se fosse pra escolher uma malformação seria gastrosquise. Isso com certeza dá uma melhorada pra digerir a notícia, mas o que eu não sabia naquela hora era que eu só saberia se eu seria essa garota sortuda e abençoada que não pôde participar da pesquisa, depois dele nascer, ser operado, ter se recuperado e ido pra casa. Mais 7 meses, 29 semanas só de gestação pensando nisso 24/7 sem ter ideia do que iria acontecer. No melhor cenário ele iria nascer um pouco antes, 36/37 semanas porque é o procedimento, por cesariana, e iria direto para a cirurgia onde tentariam colocar o intestino pra dentro. Depois ficaria no mínimo 60 dias na UTI Neo, onde os primeiros dias pós cirurgia seriam de muita expectativa por um cocô – isso é a prova de que o intestino funciona. Cocô feito ele poderia começar a receber leite – até então a alimentação seria 100% pela veia. Depois aguardar pela recuperação e finalmente casa. Para isso ele precisava nascer com o pulmão 100% formado para não correr o risco de precisar de ajuda para respirar e que o intestino estivesse saudável. E a única coisa que eu podia fazer para contribuir pra isso era beber MUITA água, tipo 4L por dia. Grávida já faz um número de xixis bizarro por dia, pensa eu?

Os primeiros dois meses eu me alimentei de gastrosquise. Passava 8/10 horas por dia no computador buscando todas as informações possíveis sobre esse problema, lendo artigos científicos gigantes e complexos, estudos e pesquisas, entrando em contato com médicos e hospitais do Brasil e do mundo e conversando com muitas e muitas mães por aqui e pelo mundo. Vi que a realidade da saúde mundial é muito dura e não está tão longe quanto parece e que o dinheiro e a fé são determinantes na hora de definir em que lado da estatística você vai cair. Existe um paradoxo complexo entre fé e dinheiro. É mais fácil contar com a fé quando o dinheiro arruma todo o resto, mas tem horas que só a fé pode dar conta, louco, né? Aprendi muita coisa sobre estatísticas, opiniões e frases feitas:

  • Médicos mais velhos são mais experientes, mas são menos humanizados e menos conscientes. Eles têm outra maneira de encarar a vida e os problemas, são mais práticos e acho que um pouco cansados.
  • Não adianta nada perguntar a opinião de outra pessoa do tipo “o que você faria no meu lugar?”. Seja ela médica, amiga, parente ou sua gêmea. Opiniões são formadas pelo histórico de vida de cada um, experiências e referências pessoais, personalidade, situação social, psicológica e financeira. O que serve pra você naquele momento pode não servir pra quem você ta perguntando.
  • As estatísticas servem para ser interpretadas. Você tem que questionar todos os fatores que envolvem uma pesquisa, os números servem pra te guiar, não são uma resposta exata.
  • A legalização do aborto é uma das questões sociais mais urgentes. É simplesmente inaceitável que o Estado tenha poder de decisão sobre o rumo de uma família e da vida de uma pessoa.
  • Não queira convencer os outros sobre a sua opinião, eles não vão entender, é impossível. Para isso eles precisam morrer e nascer de novo na sua pele e viver a sua vida para entender o seu ponto de vista, desista antes que fique esgotada.
  • Coragem e humildade são super importantes nessas horas, aumente as doses das duas, todos os dias. A gente nunca sabe quando pode precisar.
  • As pessoas não falam sobre esse tipo de coisa, você só fica sabendo que um monte de gente que você conhecia também enfrentou dificuldades depois. Isso deixa a gente se sentindo muito sozinha e desamparada.
  • Conte a sua história. As pessoas vão ter mil opiniões e palpites. Dane-se todo mundo. No meio do caminho você vai encontrar pessoas incríveis que vão te surpreender. O saldo é positivo.

Aqui no Brasil tem pouca informação sobre essa doença. Algum ou outro artigo e alguns estudos estatísticos. Todos baseados nos números do HC, o Hospital das Clínicas de São Paulo, que é um excelente hospital, mas como é público não conta com os melhores equipamentos, equipe de enfermagem, etc. E isso faz toda diferença na recuperação de um bebê em uma UTI Neonatal. Existe um grupo no Facebook de mães brasileiras, mas o grupo não separa a gastrosquise da onfalocele, uma outra doença semelhante mas que é mais complicada e isso atrapalha muito quem tenta acompanhar. As vezes eu lia um post duro e triste de uma mãe e rezava pra ser sobre onfalocele, quando eu descobria que era ficava aliviada e ao mesmo tempo me sentindo um ser humano horrível por desejar que a doença do filho daquela mãe fosse pior do que a do meu filho, porque não queria passar por aquilo.

Encontrei apoio maior nos grupos americanos, lá existe até uma ong que faz um trabalho incrível de pesquisa e apoio fundada por uma mãe que infelizmente perdeu seu bebê por complicações da gastrosquise, a Avery’s Angel. As mães são super ativas e trocamos muita informação até hoje.

Durante toda a gravidez meu lema era “estar preparada para o pior, mas esperar pelo melhor”. Eu tinha que ser muito pé no chão pra aguentar a realidade, mas alguma coisa, uma fé só minha, que vem de dentro e não de religião ou fatores externos me dava muita segurança. Eu sabia que ia ficar tudo bem, mas não tinha coragem de falar em voz alta. Eu não tinha medo da UTI, eu não tinha medo da cirurgia e não parava pra pensar no tempo que ficaria longe dele. Eu tinha muito medo de perder meu filho e pavor das complicações. Porque essas duas coisas são tão fora da nossa realidade que o medo do desconhecido te apavora. Nenhuma mãe que perdeu seu filho para essa doença ficava postando no Face sobre como é o dia a dia dela e etc, simplesmente porque não cabe no contexto, é duro demais. E todas as mães que enfrentam complicações são mais duras, tipo você não mexe com elas porque elas são mais fortes do que você e isso te inibe.

Eu não curti minha gravidez, era como se eu não me permitisse, sabe? Eu precisava “ficar de luto” pelo meu filho pra poder ser forte. Arrumei o quartinho dele lá pelo 7º mês, viajei com meu marido e comprei algumas coisas, mas era duro demais comprar coisas sem saber se eu iria usar. Lembro de mim na Carter’s completamente perdida sem saber o que comprar, porque supostamente os bebês de UTI não usam roupinha, ficam de fralda. Ele só iria usar roupa depois de uns 30 dias e mesmo assim a roupa tinha que ter botão na frente para os fios poderem passar. Daí eu não sabia se comprava roupa de recém-nascido ou de 0-3 meses, porque normalmente bebês com gastrosquise são menores e mais magrinhos, mas o meu não parecia estar fora da curva, ele era um bebê normal. Bem complexo…

A pior semana foi quando eu descobri que caso ele precisasse usar um silo, ele não teria acesso aqui no Brasil, teria que usar algo improvisado, o que obviamente altera a estatística (viu?). O silo é um saquinho de silicone feito especialmente para os casos de gastrosquise que não podem ser operados logo que os bebês nascem. Esse saquinho protege os órgãos expostos até eles serem colocados para dentro, e só saberíamos se ele iria precisar do saquinho depois dele nascer. Foram 10 dias até descobrir o fabricante do silo nos Estados Unidos e conseguir algum pediatra infantil americano com licença para comprar os saquinhos pra mim e alguém para trazê-los a tempo dele nascer. Deu certo, mas nunca vou esquecer o quanto doía pesquisar saquinhos de silicone para colocar intestinos de bebezinhos ao invés de pesquisar por roupinhas de enxoval.

Com 35 semanas e 6 dias o Benjamin nasceu com 2.7kg, o que estava ótimo para um bebê de 8 meses. Minha bolsa estourou de madrugada e duas horas depois ele já estava em cirurgia. Pulmão perfeito, não precisou de ajuda pra nada e o intestino estava saudável. Foi tudo incrível, ele era forte e tinha a cara do bebê mais saudável do mundo. Parou de tomar remédio pra dor antes que eu. Ficou 25 dias na UTI, menos da metade do esperado. Não teve nenhum complicação e hoje é um baby lindo (ele é gato mesmo) e 100% saudável de 1 ano e 2 meses. Acho que esses 25 dias de UTI merecem um post só deles, fica pra depois. Ele não precisou usar os saquinhos, doamos para o HC e soube que um já foi usado.

Faz muito tempo que ensaio pra contar essa parte da nossa história. Acho muito importante compartilhar e dividir tudo isso e tentar ajudar de alguma forma quem está passando por uma barra como essa. Se alguém precisar de qualquer informação sobre gastrosquise, médicos, hospitais, uti neo e etc conte comigo!

rosa-z

Quem quiser ler mais textos da Rosa, é só clicar aqui para acessar o Lolla Blog