Ganhei esse livro em 2011 e, não tenho ideia do motivo, ele foi para a prateleira e ficou lá, intocado. Semana passada, estava dando uma arrumada no meu escritório e tirando a poeira acumulada dos livros e me deparei com ele. Como tinha acabado de ler Divergente e não tinha comprado nenhum dos livros que está na minha lista de dicas de títulos que vocês têm me dado, resolvi começar.
A sinopse, para quem quiser saber mais sobre a história: Crescida numa família modesta de Nova Jersey, Patti Smith trabalhou em uma fábrica e entregou seu primeiro filho para adoção, antes de se mandar para Nova York, com vinte anos, um livro de Rimbaud na mala e nada no bolso. Era o final dos anos 1960, e Patti teve de se virar como pôde - morou nas ruas de Manhattan, dividiu comida com um mendigo, trabalhou e dormiu em livrarias e até roubou os colegas de trabalho, enquanto conhecia boa parte dos aspirantes a artistas que partilhavam a atmosfera contestadora do ‘verão do amor’. Foi então que conheceu o rapaz de cachos bastos que seria sua primeira grande paixão - o futuro fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem Patti prometeu escrever este livro, antes que ele morresse de aids, em 1989. ‘Só Garotos’ é uma autobiografia nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato confessional da contracultura americana dos anos 1970. Muitas vezes sem dinheiro e sem emprego, mas com disposição e talento, os dois viveram intensamente períodos de grandes transformações e revelações - até mesmo quando Robert assume ser gay ou quando suas imagens ousadas e polêmicas começam a ser reconhecidas e aclamadas pelo mundo da arte.
Não sei se eu já disse isso por aqui, mas eu adoro biografias. E fazia um certo tempo que eu não lia uma. Talvez esse tenha sido o motivo de ter terminado o livro tão rápido, apesar de eu suspeitar que o motivo principal é que o livro é muito, muito bom!
Na verdade, ele é uma biografia de Patti, mas bem focada na relação que ela teve com o artista e fotógrafo Robert Mapplethorne. E, apesar de não ser bem uma história de amor, é uma história de carinho, compreensão, amizade acima de tudo.
É impossível não ficar encantada com o período histórico que ela viveu e as pessoas que fizeram parte da vida dela. Jimi Hendrix, Janis Joplin, Lou Reed e muitos outros monstros da música e das artes frequentavam os mesmos lugares e faziam parte do mesmo grupo de amigos. Em segundo lugar, a descrição que ela vai fazendo da Nova York dos anos 70 é tão bem detalhada que é quase impossível não entrar nesse mundo e ficar com vontade de se teletransportar para lá.
Achei bem curioso como ela consegue escrever de forma tão romântica, mas tão verdadeira, sem ilusões e sem fazer do passado um momento onde tudo era fácil. É uma leitura gostosa, deliciosa na verdade, e nada cansativa.
Quem curte esse estilo de livro, com certeza vai amar! Alguém já leu Só Garotos?
Beijos!
Carla








