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11
dez
2013

Book do dia: Crônicas da Surdez

Book do dia, Lifestyle

Quem achou que eu só iria escrever dois “books do dia” esse ano, se enganou. 2013 está chegando ao fim e eu consegui completar mais um post da categoria. Já falei aqui que tenho muita dificuldade para ler, minha velocidade pode ser equivalente a de um caramujo passeando sem rumo em um domingo. Os motivos são muitos, dois deles são a dislexia e a falta de aptidão para línguas, outro talvez seja a falta de costume, já que eu estou quase sempre trabalhando ou estudando.

Hoje vou falar de um livro muito especial da Paula Pfeifer, que tem dois blogs o Sweetest Person e o Crônicas da Surdez (que deu nome ao livro). Quando eu descobri o blog dela sobre esse assunto eu me encantei. Lembro que deixei um comentário enorme admirada com a capacidade que ela tem de usar sua experiência para ajudar a informar os outros. Em linhas gerais, somos muito ignorantes quanto à deficiência auditiva e a Paula chegou para mudar muitos desses conceitos com a ajuda da internet.

cronicas-da-surdez

De cara ela conta que a surdez não é homogênea, existem diversas categorias de surdos. Eu confesso que apesar de ter um primo surdo oralizado, caso da Paula, não conhecia essa diversidade e colocava todos eles em apenas dois sacos: o dos surdos que se comunicam por meio da língua de sinais e os demais, que falam, de alguma forma entendem e levam a vida “normal”. Logo que comecei a leitura entendi que eu estava fazendo algo que detesto, generalizando levianamente algo bem mais complexo do que isso.

Existe uma vasta diversidade de deficientes auditivos e cada um tem sua particularidade. O livro da Paula é um dos primeiros textos publicados focados na experiência de um deficiente auditivo que fala, usa aparelho e afins. Em geral o surdo oralizado não está fadado a ficar 100% fora do universo dos sons, existem alternativas de aparelhos e implantes, coisas sobre as quais a autora fala muito melhor do que eu.

No livro, a Paula começa contando sobre como foi todo o processo na vida dela e como ainda quando pequena, ela já ouvia muito mal e não sabia disso. Ela lia os lábios (até das fonos que a testavam) e demorou muito para ela “descobrir” o problema. Aceitar então?! Mais ainda. Ela conta como foi o processo no colégio, faculdade, quando tinha vergonha e escondida toda sua questão até a hora que ela aceitou e se abriu para novas experiências com seus aparelhos.

Se você pensa que ela se fez de vítima, de coitada, não conhece a figura. Ela é uma mulher forte, corajosa, que ama um desafio e, de quebra, não tem muito medo de enfrentar verdades, pelo menos não mais. Ela descreve crises de adolescência que todo mundo tem, mas dentro de um universo dela, com a diferença dela. Aliás, falando em diferenças…

Outro ponto alto do livro é olhar a deficiência em geral de um ponto de vista que não o “geral”, bem fora da zona de conforto, que nos faz entender qualquer tipo de diferença de uma forma mais especial. Corroborou tudo o que aprendi com o “Wonder”, livro do qual já falei por aqui.

cronicas2

Enquanto eu lia, dividi a leitura com a minha mãe, que não andava muito bem dos ouvidos e resolveu perder o medo. Ela correu pro médico e fez sua audiometria, ainda não precisa usar aparelho, mas tem uma parte da audição de um ouvido comprometida. A Paula a inspirou a não ter medo de procurar ajuda para se manter perto dos sons que ela tanto ama.

Minha mãe, que como eu, ama disseminar uma história boa, já contou sobre a Paula para meus tios avós que estão com questões dessa natureza e por aí vai. Todo mundo por aqui já quer ler o livro e entender o ponto de vista de quem vai perdendo a audição, entender como lidar com aquela pessoa da forma mais amiga e confortável para ela.

Ainda com toda essa influência sobre o tema surdez, a Paula falou de muitos pontos que envolvem outras diferenças/ deficiências. Acredito que se você tem alguém com algum tipo de questão especial na sua família, vale a pena encarar a leitura. Se você não conhece ninguém, o livro continua sendo um prato cheio de aprendizados.

Na Livraria Cultura o livro está sendo vendido em dois formatos, o e-book & o impresso.

Quem ficou na dúvida pode ler o que a autora escreveu sobre o livro em seu blog.

Beijos

5
dez
2013

Book do dia: O tempo entre costuras, de María Dueñas

Book do dia, Lifestyle

Faz tempo que essa categoria não aparece por aqui, né? Fiquei tentada a levar o Ipad para a viagem, até porque eu estava com mais ou menos 70% desse livro lido, mas acabei desistindo em cima da hora porque achei que não teria muito tempo para ler e o tablet acabaria virando um peso morto no meio das minhas tralhas tecnológicas que eu já levo normalmente.

Minha sogra já havia me contado desse livro há meses atrás mas na época eu tinha comprado vários títulos ao mesmo tempo, achei melhor esperar a fila diminuir….Quando comecei a ler a sinopse do Iba e vi que a autora estava sendo comparada a Carlos Ruiz Zafón (ainda falta comprar os outros livros, mas é que não quero ficar monotemática aqui no blog! rs), nem terminei de saber sobre o que era a história e cliquei em comprar já sabendo que eu ia gostar!

resenha-livro-tempo-entre-costuras-maria-duenas

A sinopse: A escritora María Dueñas é um verdadeiro fenômeno. Quando ela lançou este maravilhoso O tempo entre costuras, em 2009, não esperava a repercussão que alcançou. Hoje, disputada pelas maiores editoras do mundo, María Dueñas é comparada a Carlos Ruiz Zafón por sua prosa hipnotizadora e a forma cheia de imaginação e delicadeza com que combina fatos e personagens reais com ficcionais. A verdade é que depois que se conhece Sira Quiroga, a encantadora costureira que protagoniza esta aventura, é impossível esquecê-la. O cuidado de María Dueñas com as palavras faz o leitor ouvir a respiração daquela frágil e pobre trabalhadora que um dia se apaixona loucamente, parte de Madri para o romântico Marrocos, meses antes da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), para ter sua inocência triturada pelos caminhos da vida. Até que se transforma uma vez mais para mergulhar, durante a Segunda Guerra Mundial, em um novo mundo, agora repleto de espiões, impostores e fugitivos.

De fato, não me enganei! Eu amei o livro! E sim, é impossível não compará-la a Carlos Ruiz Zafón. A narrativa ultra detalhista e muitas vezes quase poética de Maria Dueñas é super envolvente, mas para mim, o trunfo da história é a protagonista.

Impossível mesmo é não se envolver com Sira Quiroga. Sabe aquela frase que diz que você nunca sabe a força que tem, até o momento onde sua única alternativa é ser forte? Então, acho que ela resume bastante o livro, mas a característica que a fez se tornar tão irresistível para mim foi o amadurecimento de Sira ao longo das páginas. Ela começa como uma menina inocente, boba e que não sabe nada do mundo e termina como uma mulher forte, determinada, inteligente e sagaz.

Nas primeiras páginas eu não dei muita coisa pela personagem, cheguei a questionar se teria assunto para preencher tanto espaço (são 480 pg, eu acho!), mas depois que a reviravolta aconteceu, simplesmente apaixonei.

De quebra, María Dueñas ainda conseguiu criar uma história onde personagens e fatos reais (Serrano Suñer, Rosalinda Fox, Coronel Juan Luis Beigbeder, a Segunda Guerra Mundial, o protetorado em Marrocos, etc) interagem com personagens fictícios de forma tão natural que as vezes é difícil não achar que é tudo fruto da imaginação da autora. E não vou falar mais porque não quero soltar nenhum spoiler! hehe

Para todas as meninas que falaram sobre o Carlos Ruiz Zafón, essa é a minha dica de agradecimento. Acho que quem ainda não conhece, vai gostar de María Dueñas!

Para quem gosta de histórias que envolvem romance, mistério, espionagem e História, também indico muito!

Depois me contem o que acharam??

Beijos!

Carla

24
out
2013

Book do dia - 1808, de Laurentino Gomes

Book do dia, Cultura, Lifestyle

Estou fazendo resenha de livro que li há quase um ano atrás só porque agora eu estou lendo um MARAVILHOSO, mas um pouco grande. Espero que semana que vem eu consiga terminar a tempo de mais um book do dia!

Na verdade, só pensei em falar desse livro porque meu marido se interessou, resolveu comprar semana passada e em vários sites ele estava esgotado! Provavelmente pelo fato de Laurentino Gomes ter lançado há pouco tempo o 1889, seu terceiro livro depois de 1808 e 1822. Aí, quando ele me perguntou sobre o primeiro de todos, eu comecei a me empolgar e achei que valia virar post!

RESENHA-LIVRO-1808-LAURENTINO-GOMES

O subtítulo do livro já instiga a ponto de nem querer ler a sinopse: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”.

Mesmo com essa explicação breve porém genial, lembro que demorei muito pra comprar. Toda vez que ia na livraria (porque na época que ele foi lançado eu nem pensava em ler pelo Ipad) eu pegava, olhava a capa, folheava e botava de volta na pilha. Não sei nem explicar muito bem o motivo.

Apesar da minha memória fraquíssima para datas, acontecimentos e afins, eu gosto de História. Na época de colégio era uma das matérias que eu mais gostava, mesmo tendo que apelar pra decoreba na hora da prova (decoreba esta que era esquecida no momento que eu saía da sala). Mas achei que não ia gostar muito desse livro por pensar que não ia ser muito diferente do que eu passei anos estudando, decorando e redecorando.

Ledo engano.

Laurentino Gomes é jornalista e conseguiu narrar a História do Brasil de uma forma muito clara, agradável e em diversos momentos, divertida. São 400 e poucas páginas de fatos, casos e relatos retirados de cartas escritas por cidadãos dos dois países que viveram na época da vinda da Família Real Portuguesa veio para o Brasil. Apesar de parecer grande, a fonte é relativamente grande e a diagramação é um pouco mais espaçada, o que faz a leitura ser bem mais rápida do que você imagina vendo o livro por fora.

Não é um livro didático, muito menos acadêmico e, apesar de muita gente ter achado uma leitura rasa, eu não concordo. Claro, ele não serve para pesquisa nem para estudo, mas consegue fazer até quem dormia nas aulas se interessar pela História do Brasil.

Aliás, acho que esse foi o maior trunfo do autor, afinal, não é fácil fazer com que um assunto que não costuma ser dos mais atrativos tenha atraído tantos leitores a ponto de ter feito 1808 um best seller.

Também não sei porque eu ainda não comprei 1822, mas é algo que devo fazer em breve. De qualquer forma, já li por aí que 1889 - o livro que fala sobre Dom Pedro II - é um dos melhores da série!

Vocês já leram? O que acharam???

Beijos!

Carla

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