Quem nunca viu um turista tirando 200 fotos no lugar sem ao menos OLHAR para a vista que atire a primeira pedra. Capturar as primeiras cenas com as “câmeras da retina” parece óbvio quando pensamos em viajar e ver o mundo, mas as coisas nem sempre acontecem assim.
Não quero me colocar na posição de juíza de nada e nem de ninguém, mas fiquei com vontade de fazer uma reflexão após ver alguns comportamentos se repetindo nos mais variados lugares do planeta. Será que a gente está se inspirando pelo novo quando viaja? Ou pelo antigo que vemos da tela do celular e queremos reproduzir? Será que estamos nos conectando com o lugar ou somos reféns de fotos e expectativas previamente determinados para alimentar nosso instagram ou facebook?
Quando mais nova já me peguei pensando em ir a um destino porque queria fazer uma foto no lugar, ainda bem que chegando lá eu sempre esquecia disso e vivia o momento, sentia o clima e me entregava (ou não) a cultura local.
A verdade é que amo viajar para me inspirar, ver o mundo pra me ver de outra forma.
Não sei que tipo de vazio nós seres humanos temos que nos leva a eventualmente falar da vida alheia ou a fazer certas coisas só para postar, uma coisa bem de ego mesmo. Todo mundo em algum momento já fez isso, até da forma mais inconsciente do mundo. É normal, acontece, mas não podemos ser escravos disso no piloto automático.
Nos últimos anos eu venho evitando buscar preencher vazios inexistentes. Se sonho em conhecer algum lugar tento fazer isso para criar novas referências, descansar e fazer aquilo que eu amo e combina comigo, jamais para atender a expectativas alheias ou marcar um clichê na minha “check list”. Toda vez que fui num destino que não tem tanto a ver com a minha pessoa por recomendação alheia me frustrei de alguma forma.
Se você fosse minha melhor amiga eu te diria: não planeje uma viagem para clicar aquela foto mais curtida com sua gopro. Isso vale para tudo na verdade, esse é só um exemplo. Sinta antes de fotografar.
Se for meditar, inspire-se numa viagem de autoconhecimento não para pagar falsamente de espiritualizado. Se for para Miami fotografe o que te fez arrepiar, o que mexeu com você, olhe primeiro e clique depois. Provavelmente até sua foto vai ficar mais cheia de vida.
Como em tudo, busque aquilo que combina com você. Destinos que mexem com seu imaginário, com o que você sempre sonhou e que tem atrações que você ame e não apenas cenários para fotos clichês.
Inspire-se para se conhecer até quando o lugar não tiver conexão de internet, não puder levar câmera ou demande um segredo absoluto. O novo pode te encantar se você olhar com outros olhos.
Você embarcaria numa viagem se não pudesse contar pra ninguém? Se sua resposta for não, comece a se questionar por quem você tem feito as coisas! Okay, a minha resposta até poderia pensar em ser, mas por causa do blog e da necessidade de gerar conteúdo todos os dias, não por causa da Joana (pessoa física).
Sempre me pego preocupada em não alimentar demais uma persona “viajada” e “espiritualizada” porque uma coisa é você ser isso e compartilhar pelo tema ser algo do seu mundo, outra coisa é eu falar disso e não praticar nada no meu dia-a-dia. Não estudar, não ler e não buscar nada além das fotos nas redes sociais. O mesmo vale pro Yoga, Crossfit e qualquer outra coisa. A gente tem que viver e depois compartilhar, não o contrário.
Colecionar geolocalizações pode ser muito especial, mas porque a gente se permite conectar e aprender com elas. Se permite ter uma refeição emocionante, tomar um vinho delicioso, adorar um museu, curtir um jardim ou fazer um piquenique inesquecível num cenário único.
Depois de muitas viagens pelo mundo e pelo Brasil me preocupo muito com influenciadores de todos os nichos fazendo fotos perfeitas, que precisam ser altamente corrigidas. Quando você para e presta atenção, a pessoa nem viu o lugar, foi apenas refém da foto que vai alimentar um padrão de perfeição irreal.
Nessa hora ganho uma admiração enorme por quem divulga um destino, um hotel ou um lugar com sentimento. Com fotos que passam alegria, verdade e conexão com o lugar. Essas pessoas me influenciam de fato.
As fotos que ilustram esse post é sobre o caso da menina que copiava a conta da blogueira de viagens Lauren Bullen. A menina que copiava viajava para os mesmos lugares e usava as mesmas roupas para fazer as mesmas fotos da blogueira original.
Eu não quero inspirar sem sentimento, nem quero ser inspirada por posts vazios. Eu não quero postar sem sentimento e nem quero viver para conhecer lugares que todo mundo espera de mim. Eu quero ir onde meu coração SENTE, com quem faz ele bater de alegria e soma pra mim.
Então assim me vejo buscando não ser refém de uma imagem montada para a internet. Porque só uma pessoa bem de verdade inspira realmente. Com mais ou menos comentários, mais ou menos likes ou seguidores. Eu estou cada dia mais focada no conteúdo e na alegria que uma foto ou legenda passam. Só quem vive, brinca e se diverte tem o poder de te influenciar, te inspirar se você passar a ter um olhar mais crítico. O mesmo vale para o que a gente vive. Podemos escolher nos inspirar pelo que sentimos e não pelo que postamos.
O mesmo acontece com todo mundo. Inspire os outros com seus compartilhamentos, não seja a pessoa que só tira a foto para “fazer um protocolo”. Seja a pessoa que cria sua própria foto, que vive antes, respira antes, enxerga antes e depois busca o clique perfeito pra contar da SUA experiência como indivíduo!
Um destino é muito mais do que uma foto. Viva-o! O mesmo vale para qualquer compartilhamento.
Essa reflexão fez sentido pra vocês? Ou foi só maluquice da blogueira aqui?









