2 em Comportamento/ Convidadas/ Mayara Oksman no dia 13.12.2016

Hello, it’s me…

Já tem um tempinho que eu sento na frente do computador e tento focar em escrever um texto sobre o amor. Minto. São meses já. Até agora não sei o que vai sair desse texto aqui, mas depois de uma longa conversa com a Cá, achei que estava na hora de sentar a bunda na cadeira e sair escrevendo.

may

Um dos meus muitos rascunhos falava dos casamentos mais importantes que tive esse ano. Não descrevi as festas, decorações ou os vestidos das noivas, mas sim o amor que senti em cada um deles. Aquele sentimento que faz o coração quase estourar de felicidade, sabe? Aquela sensação de “p*ta m*rda”, esse tal de amor, desses românticos, existe de verdade! Eu olhava para os noivos – todos meus amigos – e pensava: “cara, eu quero ser amada e amar nesse tamanho todo”. Mas todas as vezes que eu chegava no meio do texto, empacava. Não sabia o que estava acontecendo. Fiquei me perguntando que diabos estava acontecendo comigo por não conseguir terminar. Será que eu estava com dificuldades de escrever sobre esse tipo de amor porque eu nunca tinha sentido aquilo de verdade por outra pessoa?

Foi aí que pensei: posso escrever sobre os tipos de amor que eu realmente conheço! Amor de filha, amor de irmã, de tia, de sobrinha, de neta, de amiga. E nada. Eu continuava sem saber como começar e como terminar.

Na verdade verdadeira, a questão não era escrever sobre amor. A questão era escrever. Eu, que sempre tive muita facilidade em falar, em dar pitaco/conselhos, em contar histórias, etc, me vi diante de algo novo: a necessidade de silêncio. A necessidade de me fechar um pouco, de ficar na minha, de apenas observar, de apenas ler. Sumi do Facebook, sumi um pouco dos grupos de Whatsapp e, como vocês podem notar, sumi daqui. Só não sumi do Instagram porque lá eu não preciso escrever nada, só postar minhas fotos que eu tanto amo (sério, sou viciada em fotos).

Então eu parei para me perguntar: por que eu estava precisando de silêncio? Que fato na minha vida desencadeou essa necessidade?

Bom, uma das minhas melhores amigas foi morar nos Estados Unidos. Uma das pessoas que eu mais andava grudada na vida foi para outro país e agora eu tinha que me contentar com Facetime. A gente tentou, mas tomar Starbucks à distância não é a mesma coisa. Senti uma espécie de abandono, mesmo sabendo que ela estava indo viver uma vida muito melhor. E aí eu mudei de emprego. Eu saí de um lugar em que me dava bem com todo mundo, onde eu tinha dois dos meus melhores amigos comigo todos os dias, de um lugar em que eu me sentia segura. Não achei que sair de lá fosse tão impactante como realmente foi. E não porque eu estou infeliz no novo escritório, muito pelo contrário. Mas foi um tipo de abandono também. Entre a amiga e o emprego, eu praticamente me joguei dentro de um furacão. O dito cujo chegou do nada, foi ganhando espaço no meu dia-a-dia. Escrever sobre isso é difícil, porque é muito pessoal e não é só pessoal para mim, mas também para o outro lado. Só digo que não é fácil gostar de alguém a distância, especialmente quando vocês só querem ficar juntos. Não precisa de cinema, não precisa de jantar. Estou falando de sentar do lado de uma pessoa e olhar para ela. De poder tocar nela (não levem para o duplo sentido). Falar por Whatsapp é cansativo. Construir algo por Whatsapp é uma tarefa árdua. Falta coisa. Falta olho no olho, falta cheiro, falta muito.

São coisas que me pareciam pequenas quando pensava, mas que juntas ao final, tiveram um grande impacto. Senti que fui abandonada e que abandonei. Acho que em dados momentos me senti sem chão, mas sempre com um sorriso no rosto (dias verdadeiro, dias não).

Mas a vida não ficou ruim, claro que não! A vida só ficou diferente. E eu só cheguei à essa conclusão enquanto – olhem que poético – andava sozinha em Londres, uma cidade que eu sempre quis conhecer. Pela primeira vez na vida estava em um lugar novo, sem perspectiva alguma de encontrar alguém conhecido. Eu, eu mesma e minha mochila. Eu, que sempre falo muito sobre a importância de se amar antes de tudo, me vi precisando exatamente disso. Desses dias sozinha, me sentindo independente, forte, capaz, feliz… suficiente.

mayara

Não sei o que eu estou escrevendo faz sentido para vocês. Acho que, em resumo, só preciso dizer: voltei <3

mayara

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2 Comentários

  • RESPONDER
    Maurício Simões
    14.12.2016 às 12:45

    Quando se fala de amor….nada e tudo faz sentido.

    Seja bem vinda de volta.

  • RESPONDER
    Yasminni Tomaz
    14.12.2016 às 20:16

    Que bom que voltou, May!!! amei o texto, to precisando de silencio também. Abraços

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