Em tempos de crise eu me vejo comprando cada vez menos e quando compro busco coisas que julgo ter um custo benefício melhor. Aqui não se encaixam coisas necessariamente muito baratas, e sim coisas que acho que se eu investir vai durar bastante e vou aproveitar. Acho que cada vez mais vivemos numa geração de incentivo de consumo consciente, mas ainda falta muito para melhorarmos e abrirmos mãos de certos exageros.
Se antes eu tinha 5 bases caras, hoje tenho uma. Se antes eu tinha 20 paletas de sombra, hoje tenho 5. Se antes eu acabava refém apenas de produtos gringos de maquiagem, hoje a maioria das maquiagens que uso são nacionais - até porque a qualidade da maioria não deixa nada a dever para as makes de fora.
Nos últimos anos vim me tornando uma pessoa mais ciente do valor do meu dinheiro e fazendo escolhas que julgo melhores pra mim.

Como sempre fui apaixonada por viajar, comprar sempre foi um plus, um algo a mais, mas nunca minha meta inicial. Antes eu viajava com o dinheiro todo separado: custos fixos, custos variáveis do dia-a-dia e compras (roupas + beleza e/ou uma bolsa mais cara). Hoje não consigo manter esse padrão, por isso fui usando meu pseudo-choque de realidade para dar maior valor ao meu dinheiro. O que é mais importante pra mim? Pagar minhas contas mês a mês e viajar quando possível. Claro não sou de ferro, compro uma coisa aqui outra ali, mas não como antes, não por impulso ou para preencher um vazio.
Nunca comprei uma bolsa mais cara visando pertencer a um grupo de meninas, mas sempre achei que elas faziam sentido no meu mundo profissional e como desde criança sou louca por bolsas, me deixei comprar algumas das que amei no meu caminho. Eu diria que boa parte delas valeu a pena, mas sempre tem aquela que não foi uma pedida tão boa, que foi mais dinheiro jogado fora. Hoje não posso me dar a esse luxo, então mantenho comigo só as que uso mais e vou me desfazendo de diferentes formas do que não cabe mais.
A verdade é que sempre doei muita coisa por acreditar na importância da energia circular como já falei aqui, além da lei do retorno. Tudo que a gente joga pro mundo, volta pra gente.
Já fiz boas compras, aliás, desde que me percebi adulta acho que fiz boas escolhas do que valia ou não comprar, mas assim como todo mundo, tive que passar pelos meus erros e acertos para melhorar minha relação com o dinheiro, com o consumo. Até mesmo com minhas viagens, porque por mais que eu tenha dificuldade em admitir isso em voz alta, eu viajei demais e juntei de menos, mas tudo fez parte para que hoje eu fosse quem eu sou.
Ainda falta muita coisa pra minha evolução visando um consumo mais consciente. Visando juntar dinheiro para diferentes objetivos, diferentes prioridades, como vi no meu processo e coaching. De toda forma hoje o que mais importa é que me vejo andando pra frente e acreditando cada dia mais que ser e ter não estão nada ligados. Muita gente tem muito e não é nada. Muita gente tem pouco e é muita coisa.
Claro que continuo gostando de coisas de qualidade, mas estou aprendendo a por na balança quais são os produtos e itens que valem meu maior investimento e quais são aqueles que um bom, bonitinho e barato suprem todas as minhas demandas.
No mundo da maquiagem está fácil fazer substituições, no do cabelo eu ainda misturo muito, agora quando o assunto é pele eu ainda não consigo. Os produtos que dão mais certo pra mim quase sempre não são tão baratos. Na moda eu topo tudo que vestir bem, já nos acessórios eu sou um pouco mais criteriosa. Assim vou levando. De toda forma vou aprendendo a equilibrar minhas contas e julgar quais são os itens que eu realmente preciso/quero e vou usar.
Já tive ano de viajar e voltar com uma verdadeira fortuna em compras, já tive ano de voltar com 2 camisetas e uma máscara de cílios compradas. Já teve férias que eu gastei em maquiagem o que eu gastei em uma viagem inteira no ano seguinte. Aliás, em um ano eu mudei radicalmente minha forma de gastar com esse item que tanto me tenta. O importante é vivermos de acordo com a nossa realidade, sem comprometer nossa qualidade de vida para atender à demandas superficiais.
Adoro quando meu pai fala que muita gente compra o que não precisa, com o dinheiro que não tem, para agradar a outras pessoas de quem nem gostam. Então por isso antes de comprar sempre me pergunto coisas como: eu preciso disso? Isso cabe no meu orçamento agora? Eu vou usar de fato? E em 99% dos casos funciona perfeitamente pra mim. Já tem alguns anos que eu não compro coisas que não uso e adoro isso em mim.
Eu ainda posso comprar uma bolsa dos sonhos? Com certeza, mas só se eu estiver fazendo isso por mim, numa boa hora para minhas economias. Ano passado desisti de comprar uma bolsa da Chanel (que eu queria muito) para fazer a minha viagem da Chapada Diamantina com meu grupo de meditação e a minha viagem da Amazônia. Não me arrependo por nenhum minuto, ambas as viagens mudaram minha vida pra muito melhor. Acho que cada um tem que julgar quais são as suas prioridades e quais são os momentos em que podemos fazer certas indulgências conosco.
Quanto mais a gente perde a crença de que se precisa ter algo para ser quem queremos ser a vida fica mais leve, o consumo fica mais inteligente e nossas oportunidades se dão de uma forma melhor.
Se for pra ir num restaurante caro, que seja porque ele vale a pena e não porque seria legal postar o mesmo no instagram. O mesmo vale para itens que a gente compra.
A verdade é que mudar o padrão de vida, a forma como nós nos locomovemos, as marcas que consumimos e os programas que fazemos não mudam quem nós somos. Viver uma vida do nosso próprio tamanho é viver uma vida mais consciente de quem somos e alinhar nosso potencial de consumo e de economia. A meu ver isso é mesmo um desafio interessante de autoconhecimento e aprendizagem.
Estou longe de ser quem eu quero ser, mas mais perto do que já estive. Curto essa frase e acho que ela se aplica nesse processo de evolução.
Quem quiser partilhar mudanças de consumo, dicas de consumo consciente e afins pode chegar, adoro esse assunto e acho que podíamos discutir mais ele por aqui.
Beijos
Jô
