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31
jul
2013

Book do dia: Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Book do dia, Cultura, Lifestyle

Semana passada, quando falei de As Vantagens de Ser Invisível (aliás, vi o filme e achei tão melhor que o livro!), acabei citando Precisamos Falar Sobre o Kevin. E notei que teve gente interessada em saber mais sobre esse livro.

Na verdade, eu já li há um tempão - logo assim que saiu o filme - mas só não falei dele por aqui pois o livro está com a minha mãe, no Rio, e eu queria fotografá-lo. Mas como eu ainda estou longe de terminar o livro que eu estou lendo atualmente e não queria deixar uma semana sem essa tag (minha queridinha! <3), resolvi deixar minha frescura de lado e falar dele mesmo assim.

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A descrição do livro já te faz ter vontade de ler imediatamente: Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassino ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o “sociopata inatingível” que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.

Eu AMEI Precisamos Falar Sobre o Kevin, foi um livro que me impressionou bastante, muito bem escrito e muito bem amarrado, é um terror psicológico instigante. O fato de ser escrito como cartas para o marido só deixa a história mais real. Em diversas horas eu senti tanta realidade que achei impossível que não existisse uma Eva e um Kevin de fato.

Lionel Shriver consegue criar uma personagem muito densa, muito humana e verdadeira até demais (ela descrevendo o que sente enquanto está grávida de Kevin é assustador até para quem não planeja ter filhos!). Ela é uma mulher meio fria, um tanto egoísta e o contraste de Eva com o marido é tão grande que é impossível não achá-la uma bruxa em vários momentos. Mesmo assim, quando você entra na mente de Eva através das cartas, é impossível não sentir raiva, medo, pena, compaixão. Como eu li em uma resenha no Skoob: “’algo’ incorporou em Shriver para escrever este livro. E “isso” vai ficar em você.” É bem por aí o que eu senti lendo Precisamos Falar Sobre o Kevin.

Aliás, o que falar de Kevin? Ele é um monstro, tudo indica que é um psicopata nato e, ao mesmo tempo, com traços tão parecidos com os de Eva que você chega a ficar na dúvida se o que ele fez é fruto da relação com sua mãe ou se ele já nasceu desse jeito.

Quem não estiver com muito tempo ou paciência para ler o livro, o filme deixa muito pouco a desejar. As atuações de Tilda Swinton, Ezra Miller e John C. Reilly são impecáveis, apesar de eu achar que no livro a relação entre mãe e filho é um pouco mais aprofundada.

Alguém mais leu? O que achou?

Beijos!

Carla

10
jul
2013

Book do dia: Eu sei o que você está pensando

Book do dia, Cultura, Lifestyle

Comprei esse livro na mesma leva do Sete Dias Sem Fim e Tóquio Proibida - por isso ainda não comprei os títulos que vocês me indicaram! - e já sabia que ia gostar. Suspense policial que começa por um mistério aparentemente impossível de ser resolvido….hum, taí uma combinação que é difícil não me agradar.

A sinopse do livro é gigante, então, me dei a liberdade de fazer um resumo do resumo do livro, mas quem quiser pode ler aqui: David Gurney é um detetive aposentado, porém inquieto, que passou 25 anos de sua vida resolvendo os homicídios mais intrigantes do Departamento de Polícia de Nova York. Um dia, um amigo de faculdade aparece com uma carta misteriosa que termina assim: “Se alguém lhe dissesse para pensar em um número, sei em que número você pensaria. Não acredita? Vou provar. Pense em qualquer número de um a mil. Agora veja como conheço seus segredos.” O autor da carta acerta o número e, uns dias depois, o remetente é encontrado morto. É claro que, mesmo aposentado, David resolve entrar no caso para desvendar mais esse mistério.

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Depois de tantas resenhas eu que eu elogiei o carismo do personagem principal, não posso falar o mesmo de David Gurney. John Verdon, o autor, conseguiu criar um personagem cheio de defeitos e problemas, que não é fácil de gostar (terminei o livro sem ir muito com a cara dele), mas que é talentosíssimo em sua profissão.

A leitura, apesar de bem descritiva, é ágil. John Verdon consegue nos transportar para a mente extremamente analítica e lógica de David. Muita gente comparou o autor à Agatha Christie, e a estrutura realmente é parecida. Mas as comparações param por aí, a meu ver.

Não sei como vocês são com histórias de suspense, mas tanto em livros como filmes, eu fico toda hora tentando ver se adivinho o assassino ou o mistério. E fico super decepcionada quando descubro antes da hora! hahaha No caso de “Eu sei o que você está pensando”, o autor não deixa espaço para descobrirmos com antecedência (pelo menos eu não descobri), mas quando descobrimos, não é nenhuma surpresa.

Mesmo tendo gostado bastante, confesso que concordei com algumas críticas que algumas pessoas postaram no Skoob. Quem quiser ter mais opiniões, pode ler as resenhas publicadas lá!

Quem já leu ou quem vai ler, depois me conta o que achou!

Beijos!

Carla

26
jun
2013

Book do dia: Tóquio Proibida

Book do dia, Cultura, Lifestyle

Achei esse livro no Iba por acaso, enquanto estava procurando obras de outro autor. Não achei nada além de uma crítica positiva que o autor procurado fez sobre esse livro.

Li a descrição, gostei, baixei: Quando se mudou para o Japão, aos dezenove anos, Jake Adelstein buscava tranquilidade em um templo budista. Seu destino foi outro: repórter inexperiente que mal dominava o idioma do país, acabou sendo o primeiro jornalista estrangeiro contratado por um grande jornal japonês. No caderno de polícia, ganhou acesso a um mundo desconhecido do Ocidente e até dos próprios japoneses.
Em Tóquio proibida, Adelstein narra em ritmo de thriller os doze anos que passou no jornal, investigando casos de sequestro, pornografia infantil, extorsão e tráfico de órgãos. Por trás de tudo, paira a sombra da yakuza, a poderosa máfia japonesa.
Explorando as relações da yakuza com o governo, Adelstein depara com uma história de repercussões internacionais, envolvendo um chefão poderoso - o que lhe rende uma ameaça de morte e o faz mergulhar num jogo de corrupção, intrigas e mistérios, digno dos grandes romances policiais.

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Gostei tanto do resumo que nem vi o nome do autor. Guarde essa informação.

Sabe leitura que flui? Então, é isso que se encontra nesse livro. Fui entrando no mundo de jornalista workaholic de Jake e quando vi, já estava com ele no submundo de Tóquio, intrigada com a indústria do sexo, tráfico de mulheres (não tem pornografia infantil nem tráfico de orgãos como diz a sinopse), yakuzas e o modo como os policiais japoneses lidam com tudo isso.

Várias vezes me perguntei se tudo aquilo ali que estava escrito de fato existia. Porque as descrições dos lugares e da cultura japonesa são muito detalhadas e até os textos jornalísticos de algumas matérias que Jake escreveu é bem realista. Mas até então estava certa de que se tratava de um autor incrível que soube como manter os pés no chão sem exagerar nas doses de heroísmo do personagem principal. Até que o livro acabou. E eu descobri o nome do autor: Jake Adelstein.

Sim, sou idiota. Não é uma história inventada, tudo aquilo de fato aconteceu com ele. Pra mim foi ótimo só ter descoberto isso no fim, fez eu ficar muito mais impressionada com o livro!

Agora que já estraguei a surpresa de outros possíveis leitores desatentos que nem eu, digo que mesmo sem o meu “fator uau”, VALE MUITO A PENA LER. Muito. Posso dizer com segurança que esse foi um dos melhores livros do gênero que li atualmente.

Alguém já leu? Quem for ler, depois quero saber o feedback!

Beijos

Carla

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