Nunca esqueço da minha cara de tacho quando assisti aquele filme “Ele não está tão a fim de você“. Por mais que eu não concorde com tudo que se passa ali, o nome do filme já me dizia muito. Eu nunca havia parado para pensar que podia ser simples assim, ele apenas podia não estar a fim. As vezes essa frase é uma resposta curta e dolorosa para as teorias que nós mulheres criamos, alimentamos e em alguns casos ainda pedimos ajuda para as amigas alimentarem junto conosco esses devaneios.
Não quero mais ser uma amiga que incentiva isso.
Hoje venho abrindo mão do hábito de pensar demais, de criar teorias e buscar explicação pra tudo. Tenho tomado coragem para dizer pra mim e para as minhas amigas aquilo que todo mundo evita: o problema não é você, ele é que não está tão a fim.
Oh, e tinha o Don, que terminava comigo toda sexta feira para que ele pudesse ter seus finais de semana livres.
Quem quer faz acontecer, quem não quer (tanto assim) dá desculpas. É simples, rápido e prático. Quase sempre isso é a verdade que ninguém quer considerar.
Seria muito mais fácil se os homens largassem da mania de sair de fininho, de inventar desculpas, de deixar cozinhando em banho maria ou qualquer coisa dessa natureza que enrola a outra pessoa. E desculpem estar generalizando, mas com base na minha vivência, vejo e fico sabendo de muito mais homens fazendo esse tipo de coisa do que mulheres. Ao conversar com amigas, conhecidas e entrar em papos com outras meninas, percebo que na grande maioria dos casos quando elas não querem mais, elas abrem o jogo e falam com todas as letras: não tá mais dando certo.
Hoje, se eu não estou tão a fim de fazer aquela relação acontecer, eu jogo limpo. Digo que o timing não foi favorável, que estou saindo com outra pessoa, que não tenho tanto a ver com ele ou algo que traga a verdade (daquele momento) com gentileza e educação. Sempre fui de deixar claro quando eu não queria mais fazer parte da relação, mas tem alguns meses que adotei a prática de explicar meus motivos e me sinto aliviada de agir com os outros como gostaria que agissem comigo.
Já acreditei que uma série de eventos poderiam impedir um casal que se gosta de ficar juntos, hoje acho que os eventos vão acontecer para todos os casais. Quando as duas pessoas querem mesmo ficar juntas, elas irão superar isso. No entanto, quando uma das partes não quer, vai se valer dessas barreiras para “decretar” o fim.
Qual é o problema comigo??
Eu vejo muitas meninas enumerando seus erros para justificar desculpas da outra pessoa, eu inclusive já fui uma delas. Já vi também muita garota encontrar uma carapuça que não lhe serve e vestir. Afinal, sem entender, ela precisou de uma desculpa para um fim inesperado ou para uma esfriada básica na relação.
A gente tenta entender tudo, mas as vezes é tão mais simples do que a gente imagina. Se o cara se assustou e desistiu é porque ele não estava tão a fim. Ou se ele desistiu por qualquer outro motivo, ninguém vai morrer por isso. Desistir é passível de acontecer com qualquer pessoa, comigo, com ele, com você, mas se isso acontece seria legal criarmos o hábito de avisar. Em geral, acho que a gente só desiste quando não encontramos motivos genuínos para tentar.
Frases como “eu não quero um relacionamento sério”, “estou procurando uma relação casual”, “pra mim a gente é só sexo” ou “eu gosto de você, mas não tenho nenhuma intenção de namorar agora” não arrancam pedaço. Elas só permitem que nós mulheres optemos por ficar ou não nessa história (e vice versa), com plena consciência da proposta da coisa. O mundo está tão efêmero, não há razões para ficarmos numa relação onde as expectativas não estão alinhadas.
O trauma da ex, a viagem com os amigos, a jornada intensa no trabalho, o plantão que foi até tarde e o futebol com os amigos não deveriam ser usados como desculpas, mas já que são, temos que aprender a ler nas entrelinhas e acender o sinal amarelo quando o cara começa a dar desculpas demais e aparecer de menos.
Claro que quando você está gostando muito daquela pessoa que só te dá desculpas é difícil encarar os fatos. E é normal que o primeiro sentimento que venha seja a culpa. Será que eu assustei ele? Será que eu sou chata? Será que eu sou insegura demais? Mil perguntas surgem, sendo que muitas vezes a resposta é simples: você é ótima, ele que não estava gostando na mesma intensidade.
Na minha curta experiência desse último ano solteira eu já estive em diferentes lugares dessa história. Já ouvi “estou com saudades” de caras que eu não gostava e tive que dar meu jeito de pular fora com jeitinho. Já falei que estava com saudade para o cara que eu estava apaixonadinha e percebi que o cara deu defeito ali. Já estive com alguém por quem em sentia saudade mas não tinha coragem de falar para não atrapalhar as coisas (me senti ridícula quando ele falou, afinal, que eu poderia ter falado) e por fim me peguei conhecendo alguém para quem posso falar o que eu quiser.
No meu caso, olhando em retrospecto, consigo ver que em parte fui ingênua com o cara que eu estava apaixonadinha. Eu não precisava ter ido com tanta sede ao pote, mas honestamente? Se fosse pra ser, teria sido. Ficar buscando culpados - ou pior, culpando-se - é uma forma de não ver a realidade, de não enxergar o óbvio: ele gostava de mim, nos dávamos bem, mas não era o suficiente pra abrir mão do resto. Nem sempre é simples, até porque volta e meia cruzamos com pessoas que mexem com a gente de uma forma que nosso lado racional aceita o afastamento, mas o lado emocional continua alimentando uma esperança que um dia ele vai perceber que não vive sem nós.
Você merece um cara que, se precisasse, poderia mover montanhas só para estar contigo.
A verdade é que acaba comigo ver muitas meninas se munindo de tentativas e estratégias para conseguir um novo convite, para mais um encontro com um cara que claramente não está empolgado. O resultado disso é muita insegurança e uma autoestima em frangalhos.
É triste porque tem muito cara legal por aí para continuar focando justamente naquele que já teve sua chance e pareceu não estar tão afim, sabem? Precisamos aprender a nos desligar dessas histórias, entender que nem sempre temos a capacidade de fazer com que o outro queira largar o mundo dele para entrar na nossa vida.
Vamos fazer valer a máxima de que os dispostos se atraem? Que me desculpem meus professores de física!
Beijos
Jô


















